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semper idem Ano XIII ...M'ESPANTO ÀS VEZES , OUTRAS M'AVERGONHO ... (Sá de Miranda) _________________ correio para jppereira@gmail.com _________________
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21.9.08
LIVROS DE QUATRO GERAÇÕES (40) O verdadeiro bibliófilo sabe como uma biblioteca é extremamente difícil de fazer e manter, para além de ser uma actividade muito cara. Os livros ocupam muito espaço, e tendem a crescer exponencialmente. Os livros são muito pesados (cerca de 400 quilos por m2), ganham pó, são atacados pela humidade e por uma multidão de bichos que "lêem" muito mais do que nós somos capazes de ler. Os livros e a "vida moderna" são incompatíveis, não cabem nas casas, são difíceis de limpar, e exigem condições de temperatura e humidade muito especiais. E não são só os livros antigos, também os modernos, feitos em mau papel, sem encadernações que os protejam, desfazendo-se na leitura com a espinha quebrada. Por isso, as bibliotecas privadas tendem a desaparecer. Mas há também outra história, mais triste para os amadores de livros. É quando se olha para as bibliotecas perdidas, desfeitas, vendidas em lotes que lhe destroem a coerência original, pela necessidade de as transformar em dinheiro, pela inconveniência de as conservar, perdido o interesse e o gosto original, pela ganância de herdeiros que olham para os livros apenas como o tesouro familiar, para vender ainda o corpo do seu autor (sim porque as bibliotecas têm autor ou autores) apenas arrefece. Claro que se pode sempre dizer que sem esse desaparecer das bibliotecas antigas não se faziam outras novas, mas para quem as fez e faz, o que é sempre triste é o desmembramento, a morte da biblioteca pela sua mutilação. Os catálogos de leilões que se podem ver aqui são retratos dessas bibliotecas mortas e mostram o ritmo rápido a que morriam já há mais de cinquenta anos. Talvez seja por isso que hoje há bastante menos bibliotecas. Só a título de exemplo (entre uma estante inteira de catálogos de leilões desde o século XIX), o leilão de uma colecção com origem no próprio Camilo Castelo Branco, leiloada em 1950; a biblioteca de Homem Cristo (pai), em 1946; a do Palácio da Rua da Junqueira do Visconde do Marco, em 1942: a de José Benevides, advogado do Porto, em 1941; e a do poeta Eugénio de Castro, em 1948 (de onde veio este livro, como se pode ver pela anotação da compra pelo meu avô.). E como mesmo os catálogos têm história, dentro do catálogo da camiliana está um apontamento de compras do meu avô, que se interessava pela literatura francesa, e um retrato (talvez do leiloeiro ou de um dos presentes) no verso de um catálogo do leilão de 1961 da biblioteca do bibliófilo Mathias Serra. (url)
© José Pacheco Pereira
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