ABRUPTO

15.2.07


LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 15 de Fevereiro de 2007


A indiferença da opinião pública e publicada (a começar pela portuguesa) face ao julgamento de Madrid dos acusados do 11 de Março, revela bem a atitude de avestruz generalizada pela Europa em relação ao terrorismo fundamentalista islâmico. É num tribunal de Madrid, não em Washington, Nova Iorque ou Bagdad; não são os sempre suspeitos americanos a julgar; não são detidos de Guantanamo num "voo da CIA"; mas juízes espanhóis na vigência do Sr. Zapatero e, no entanto, ninguém liga nenhuma. Nem um átomo de indignação, nem uma atenção, nem uma curiosidade em saber como foi, com quem foi, porque foi. Já para não falar de algumas lições que se podem tirar sobre quem são os alvos dos terroristas: nós.
Discordo de que os julgamentos de Madrid não tenham tido a atenção justa da comunicação social face à gravidade do caso. A diferença é que, neste caso, se trata da democracia e do estado de direito a funcionarem, e isso por si só não é notícia. Não aconteceram detenções ilegais, tortura de prisioneiros ou longos aprisionamentos de suspeitos em campos de concentração, sem culpa formada. Esperemos pois pelo resultado do julgamento, como é normal numa democracia normal.

(João Paulo Telo)



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O acesso dos lóbis aos deputados é a coisa mais normal do mundo na maioria dos parlamentos europeus, a começar pelo propriamento dito Parlamento Europeu. É uma prática típica das democracias, entendendo-se que, se os deputados decidem sobre interesses contraditórios, as partes interessadas podem fazer todo o trabalho de esclarecimento e propaganda necessário junto dos decisores, chamando-lhes a atenção para as vantagens e inconvenientes da sua decisão, em função dos clientes que representam. O Estado Português e as suas instituições contratam habitualmente empresas desta natureza nos EUA, quer para questões de natureza económica, quer para questões de natureza política (Timor, por exemplo).

Como, em democracia, a mediação de interesses contraditórios é absolutamente normal, prefiro que ela se faça às claras do que às escondidas ou através da comunicação social de forma impossível de identificar por quem lê uma notícia de "agência". Só não percebo a razão de o alvo serem os deputados: estes não têm poder nenhum e dependem das direcções partidárias (sobre essas sim o lóbi tem sentido, como sobre os gabinetes ministeriais), mas se as agências querem gastar dinheiro inutilmente, façam favor.

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Panfleto posto a circular em Felgueiras apela a manifestações pacíficas a favor da autarca Numa amável conversa com um amigo meu jornalista, falávamos do panfleto que foi distribuído em Felgueiras apelando a manifestações à porta do Tribunal e cuja autoria foi veementemente negada pelo advogado da autarca, que o classificou de " uma velhacaria inqualificável". A primeira pergunta que me vinha à cabeça se fosse jornalista, dizia ao meu amigo, era perguntar ao advogado ou a Fátima Felgueiras se iam fazer queixa à polícia pela usurpação da assinatura e pela falsificação, o que seria normal face à "velhacaria". Depois, seria interessante saber de onde vinha o panfleto e a polícia não teria dificuldade em sabê-lo, tendo em conta a amplitude da sua distribuição. E acrescentei, "mas se calhar os jornalistas não se lembram de perguntar", ao que ele me disse "perguntam de certeza". Não li, ouvi ou vi, tudo que a comunicação social narrou sobre o julgamento, mas alguém me pode dizer se a pergunta foi efectivamente feita? É que é tudo tão óbvio.
Na TSF Online, li algo que sugere vagamente que Artur Marques tenha sido questionado sobre se pretende tomar alguma medida em relação à distribuição do panfleto (o itálico é meu): "O advogado, que não saber quem está por detrás deste documento, aproveitou para apelar a todos os felgueirenses «para que não dêem ouvidos ao que é feito através desta notícia e que se mantenham serenos»."

(Pedro Gomes)

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28.1.07


COISAS DA SÁBADO: AS BANCADAS DA DERROTA

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A turbulência vinda das bancadas parlamentares do PSD e do CDS contra as respectivas direcções partidárias só surpreende quem não conheça o modo como elas são constituídas e a mecânica que as rege. Habitualmente pacíficas e obedientes, as actuais bancadas da oposição parecem escapar à regra dessa placidez. Mas o mesmo que as faz sossegadas fá-las agora turbulentas. É a primeira lei da termodinâmica de uma bancada parlamentar: os deputados fazem tudo que é possível para assegurar que voltam a ser escolhidos pelos seus partidos para lugares elegíveis. É uma lei da conservação do lugar, que em períodos fartos implica estarem muito quietos para ficarem na fotografia (como no PS), noutros mexerem-se para ajudarem a correr qualquer direcção partidária que os possa afastar, o supremo poder de uma liderança partidária em tempos de vacas magras.

Para as bancadas do CDS/PP e do PSD é óbvio que a lei da conservação dos lugares passa por garantir que nem Ribeiro e Castro nem Marques Mendes estejam no seu cargo daqui a um ano e possam condicionar as escolhas dos deputados. Para isso tem que se mexer e muito e desde já. As bancadas parlamentares do PSD e do CDS/PP são bancadas da derrota: constituídas na sua maioria pelos deputados que foram escolhidos, com considerável sectarismo partidário, nas direcções de Paulo Portas e Santana Lopes, e que são um símbolo vivo do desastre eleitoral de 2005. Ambos sabiam que iam perder as eleições e que o seu poder dentro dos partidos poderia ser contestado, logo construíram bancadas de fiéis que lhes assegurassem um poder alternativo. É evidente essa situação no CDS/PP, e nas notícias de fontes anónimas da bancada parlamentar do PSD de que desejariam Santana Lopes como Presidente do Grupo Parlamentar. É tudo muito transparente e vai ser tudo muito mais turbulento. Estamos só nos preliminares e como é uma luta de matar ou morrer (pelo lugar) promete ser feia.

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© José Pacheco Pereira
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