| ABRUPTO |
semper idem Ano XIII ...M'ESPANTO ÀS VEZES , OUTRAS M'AVERGONHO ... (Sá de Miranda) _________________ correio para jppereira@gmail.com _________________
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7.4.12
NESTES DIAS
CANADÁ – LIGUE DES JEUNESSES COMMUNISTES DU QUEBEC
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COISAS DA SÁBADO: A ESPIRAL DO DESEMPREGO
O desemprego era inevitável no actual contexto de crise? Era. Tanto desemprego era inevitável? Não era. Entre uma frase e outra vai todo um abismo, e esse abismo é de responsabilidade do governo que parece ser bastante indiferente ao crescimento do desemprego, confundindo uma inevitabilidade com outra. O problema é que exactamente porque estamos a atravessar uma grande crise deveria haver uma prudência muito especial em somar legislação cujo efeito, esse sim inevitável a curto prazo, é aumentar o desemprego, sem garantir qualquer retoma económica. Por isso, mesmo aprovando alguma legislação que racionaliza e flexibilize o mercado da mão-de-obra, deveria haver uma enorme prudência na sua aplicação no pico da crise, onde os seus efeitos de perturbação social e de recessão são maiores do que as suas vantagens. Podia inclusive prever-se uma moratória para certos efeitos de imediata incidência legislativa na facilidade de despedir. Até porque quem quis salvar as suas empresas despedindo, já o fez. Porque os 15% actuais, bastante abaixo do desemprego de facto, são todos resultado de despedimentos ANTES da nova legislação laboral. Imagine-se como será depois.
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COISAS DA SÁBADO: UM JOGO PERIGOSO
Na verdade, há muito mais “cornos mansos” do que a administração da CGD, e é para isso que serve a concentração de poder em homens de confiança, que estão dispostos, por exemplo, a assumir cargos de fachada, sem poder de decisão, para carimbar por baixo as decisões do governo em vez de exercerem as funções correspondentes aos títulos que tem. O dilema da regulação em Portugal é este: não existe como regulação, existe como carimbo. Mas este é um jogo perigoso, como se viu com Sócrates, que usava e abusava do poder do estado, exactamente com os mesmos mecanismos de exercício do poder, e contando com a mesma gula alheia. Um dia, tudo o que sobe tem que descer.
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TUDO COMO DANTES, QUARTEL GENERAL EM ABRANTES
ou
TUDO É PREVISÍVEL EM PORTUGAL
![]() “During times of universal deceit, telling the truth becomes a revolutionary act” (George Orwell)
Virtual - "Não estão previstas mais medidas de austeridade" (Primeiro-ministro Passos Coelho; Ministro das Finanças, etc.)
Real - O Governo suspendeu as reformas antecipadas até ao final da vigência do Programa de Assistência Financeira a Portugal.
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COISAS DA SÁBADO: O QUE PARECE NÃO É
O editorial de Pedro Santos Guerreiro enuncia todos os problemas do actual curso político e económico: não é o que “ideologicamente” parece, que se verifica; não é aquilo que sabemos, que acontece, e muito do que é decisivo é decidido sem nada sabermos dos trade-offs que existem entre privatizações. Aliás, o ambiente é tão obscuro, que dificilmente se pode afirmar que os resultados finais correspondem a um razoável negócio para o estado, mesmo nas condições de desespero por cash, que atravessamos. E depois há outro problema que vai ficar muito para além deste processo: quando se fazem entorses institucionais, seja com a CGD, seja com o Tribunal de Contas, seja com reguladores e “comissões de acompanhamento” que tem a peculiar característica de serem escolhidas quando já tudo está decidido e vão lá assinar de cruz. Foi o que aconteceu com a EDP, a mais apetecida das privatizações, com a REN, e agora com todas estas manobras à volta da CGD e da Cimpor.
(Continua.) (url)
COISAS DA SÁBADO: MANIPULAR A PRIMEIRA IMPRESSÃO
A multidão de assessores de imprensa, comunicação, marketing, imagem que pululam à volta deste governo, sabe que o que conta é a primeira impressão. Num duplo sentido: um de manipulação pura e simples da opinião, com a ocultação deliberada do facto de que o estado iria continuar a pagar rendas avultadas à EDP e que tal tinha sido prometido aos chineses; no outro sentido, é o jogo que os jornalistas fazem para manter a face. Depois de terem dito maravilhas do negócio, não podem vir agora admitir que afinal não era bem assim e que foram enganados, seja por ingenuidade e mau trabalho, seja por simpatia com o governo. Infelizmente este é um dos mecanismos mais sinistros da comunicação social portuguesa: como o jornalismo é muito opinativo, o ego dos opinantes fica preso na opinião dada.
(Continua.)
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COISAS DA SÁBADO: O CORNO MANSO
"Si n'être point cocu vous semble un si grand bien, ne vous point marier en est le vrai moyen."
(Molière)
Num editorial escrito num tom raro na imprensa portuguesa e ainda mais na imprensa económica, Pedro Santos Guerreiro fala (e titula) sobre a “OPA do corno manso”. O “corno manso” é aqui a CGD e a sua administração. Aqui está um caso que mais que justifica o plebeísmo, quer pelo sentido, quer pela enfâse.
E depois continua:
Este artigo rompe com uma praga da nossa vida pública: só se discute economia, macro, micro, nano, pico, mega, giga, e por aí adiante e cada vez se sabe menos e se analisa menos o que está a acontecer. Em termos económicos e em termos políticos. Quando foi da privatização de parte da EDP, fui dos pouco a pôr reservas ao festival de elogios que por todo o lado se ouviam. Tinha, infelizmente, razão, e cada vez se vão sabendo pormenores que revelam compromissos do governo, que alteram objectivamente o valor do negócio com os chineses e que foram mantidos em segredo.
(Continua.)
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TUDO COMO DANTES, QUARTEL GENERAL EM ABRANTES
ou
TUDO É PREVISÍVEL EM PORTUGAL
![]() “During times of universal deceit, telling the truth becomes a revolutionary act” (George Orwell)
Virtual - "Não estão previstas mais medidas de austeridade" (Primeiro-ministro Passos Coelho; Ministro das Finanças, etc.)
Real - Pelo menos, mais um ano sem subsídios de Natal e férias para os funcionários públicos e reformados, e sua introdução "gradual", ou seja parcial, no ano eleitoral de 2015. Quanto ao "gradual" não se sabe quanto nem quando, mas, passado o ano eleitoral de 2015, conhecendo-se os objectivos do défice consagrados na UE e no Pacto Orçamental, duvido que tenha qualquer expressão significativa. Aliás o responsável europeu, de que se diz que "falou demais", sabia do que falava.
Como escrevi aqui, depois do anúncio do corte "excepcional" apenas "durante a vigência do programa de ajustamento, ou seja, até 2013" (Outubro de 2011), digam-lhe adeus.
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ESPÍRITO DO TEMPO: HOJE
Murais na praça Dr. Samora Machel, em Nampula, Moçambique (Luiz Boavida Carvalho).
Também no
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UM LEITOR DE JORNAIS NO PORTO DOS ANOS SESSENTA
No início de um livro já esquecido de um autor também já esquecido, The Go-Between, de Leslie Poles Hartley, há uma frase muito mais lembrada do que o livro: "The past is a foreign country: they do things differently there",
o "passado é um país estrangeiro, lá fazem as coisas de modo
diferente". A frase é do mais certeiro que há e quem lida com as coisas
da história e da memória, ou seja, do tempo e da vida, sabe como "lá" as
"coisas são diferentes". Um dos problemas dos nossos dias é a enorme
usura do passado como memória, como experiência outra.
Não sei
se aprendemos muito com o passado e também duvido que ele tenha qualquer
"lição" para nos dar, mas conhecê--lo torna o presente mais
interessante, mais complexo e menos presunçoso nas ilusões de que se faz
a "actualidade". A nostalgia do passado é uma estupidez, porque, de um
modo geral, o passado era pior do que o presente, mas a falta de memória
transforma esta estupidez num modo de vida. Hoje, em Portugal, há
centenas de milhares de pessoas que vão à Internet, usam redes sociais,
tem páginas do Facebook cheias de "likes" e de "amigos", "twitam"
que nem passarinhos, e no entanto contribuem para uma das regras
universais da Internet, "mete-se lixo, sai lixo". E nem sequer é líquido
que o seu mundo "comunicacional" seja mais rico, mais informado, embora
seja certamente mais democrático e demagógico e mais interactivo. Regresso à minha memória de leitor de jornais no Porto dos anos sessenta, "país" mais que "estrangeiro". E deixo de lado, neste caso, o pano de fundo que por si só mostra como o passado não é por regra melhor do que o presente: deixo para outra vez a questão da censura. Estamos a falar de um mundo em que não há nenhuma palavra que não tenha passado pelo olhar de censores e permitida por eles. Convém nunca esquecê-lo. Há quarenta anos, nos anos sessenta e setenta, havia em Portugal dez jornais diários que tinham público e função. Tinham também identidade e pouco se confundiam. Em Lisboa, de manhã, publicava-se o Diário de Notícias, o Século, o Diário da Manhã, (depois A Época), a República*, o Jornal do Comércio; e à tarde, o Diário Popular, A Capital e o Diário de Lisboa. A estes jornais de Lisboa, somavam-se três do Porto, o Jornal de Notícias, o Comércio do Porto e o Primeiro de Janeiro. No Porto, a tentativa de criar jornais de tarde falhou sempre, pelo que eram os jornais da tarde de Lisboa que chegavam à noite, e eram ainda distribuídos pelas tabacarias de café, para o elevado número de pessoas que saíam à noite para tomar café no seu bairro. As estranhezas do "país estrangeiro" são já várias. A primeira é que havia muitos mais jornais diários, sendo que deste grupo apenas sobrevivem o Diário de Notícias e o Jornal de Notícias, a que entretanto se somam hoje o Correio da Manhã, o Público, o i, e os jornais económicos, tudo junto menos de metade e quase todos eles em crise com honrosas excepções. Entretanto, acabaram os jornais de tarde, que entre outras coisas permitiam um ciclo de duas saídas diárias de imprensa, com maior capacidade de actualização. Os jornais fechavam também mais tarde, e por isso as notícias que uma edição diária podia compreender cobriam quase tudo até à noite e não até ao fim da tarde como se passa hoje. Os jornais tinham as impressoras no mesmo edifício, ou muito perto, e não havia horários de trabalho muito definidos. Havia um turno que fechava o jornal e podia trabalhar até às duas ou três da manhã, que depois os tipógrafos se encarregavam de colocar o jornal cá fora às cinco ou seis da manhã, para seguir de comboio ou de camioneta, para todo o país. Também não era bem "todo o país" porque os leitores do Porto não liam os jornais de Lisboa e vice-versa. No Porto, os três diários eram muito diferentes entre si, como aliás todos os jornais tinham uma forte identidade e "cultura". Deixando de parte o vulgarmente conhecido como "diário da manha", a voz da ditadura e que só era lido ou exposto nas repartições públicas, o Século e o Diário de Notícias eram fiéis à sua tradição, de serem respectivamente porta--vozes oficiosos do poder e dos interesses económicos, enquanto a República era a última sobrevivência do republicanismo maçónico clássico, sem grande impacto fora da "abertura" das campanhas eleitorais. Dos jornais da tarde, o Diário de Lisboa representava uma certa tradição liberal no plano político. Nos anos do "marcelismo", vários destes jornais, com relevo para o Diário de Lisboa, conheceram uma considerável "modernização" de estilo, conteúdo e colaboradores, que deram origem a inovações como o Diário de Lisboa Juvenil, e A Mosca, o antepassado do Inimigo Público. Todos tinham suplementos literários, com equipas de colaboradores que incluíam muitos intelectuais e escritores, e as suas críticas e polémicas eram temidas e seguidas. O Comércio do Porto e o Diário de Lisboa tinham suplementos reputados. Mais sinais de que o passado é um "país estrangeiro". Olhando
para os jornais do Porto, neste texto escrito por um leitor do Porto,
não havia dúvidas quanto à sua forte identidade. O Jornal de Notícias
era o jornal popular, de quem se dizia que torcido escorria sangue, com
grandes reportagens sobre acidentes e crimes, logo tido como jornal das
"classes baixas". O Primeiro de Janeiro era um típico jornal do
Porto, cidade "burguesa", comerciante, industrial, "do trabalho", sólida
nos seus fundamentos liberais, com uma excelente página cultural (a
cores, amarela e vermelha), com uma forte contribuição dos
"presencistas", e uma igualmente excelente página de banda desenhada,
com o Coração de Julieta (de Stan Drake), para os corações femininos, e O Reizinho (de Otto Slogov), e o Príncipe Valente (de Hal Foster), não se sabe bem para quem, mas ficaram lá na memória. O Comércio do Porto
era outro produto nortenho, obra em grande parte de Bento Carqueja, um
intelectual também hoje já tão "estrangeiro", filantropo, introdutor dos
estudos económicos, naturalista e autonomista açoriano. Já não se fazem
homens destes.
O jornal tinha um edifício próprio de cantarias
de granito elaboradas (hoje vendido a um banco) na Avenida dos Aliados, e
com um interior de madeiras trabalhadas, tudo caríssimo, feito, ó "país
estrangeiro", para o jornal, em cuja cave estava a rotativa. Recordo-me
de ver numa sala da direcção um mapa de Portugal coberto de alfinetes
negros a norte do rio Douro, cada um marcando uma terra que tinha um
correspondente do jornal. A força do Comércio era a sua rede de
correspondentes, que faz com que muitas terras tenham hoje história
porque ela ficou registada nas páginas deste jornal do Norte.
As minhas memórias de todos são vivas porque colaborei em dois dos três, no Jornal de Notícias no Suplemento Literário, então dirigido por Nuno Teixeira Neves, e no Comércio do Porto, onde com Óscar Lopes alternava na crítica de livros. Nesses anos também escrevi no inevitável Diário de Lisboa Juvenil, onde levei algumas admoestações mais que justas do Mário Castrim, mas onde ganhei ex aequo o
primeiro prémio de ensaio, junto com um tal "José Mariano", Mariano
Gago. Por ironia, nunca escrevi no jornal que se lia em minha casa, o Primeiro de Janeiro, que hoje ainda sobrevive em estado quase terminal.Este mundo dos jornais diários tinha abundante companhia, revistas políticas e literárias, revistas "ilustradas", banda desenhada, e o solitário semanário Expresso, surgido em vésperas do 25 de Abril. Mas isso é outra história, também feita muito de "estrangeiro", porque nada de semelhante existe hoje. * A República era vespertina. Agradeço a Manuel Falcão e a Jorge Carreira Maia a chamada de atenção para alguns erros de detalhe.
(Versão do Público, 31 de Março de 2012.)
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COISAS DA SÁBADO:
SUBSTITUIR A “LUTA DE CLASSES” PELA “LUTA ENTRE GERAÇÕES”
Saliento a palavra “hoje”. Que a rigidez do mercado laboral significa menos facilidade de acesso ao emprego, é verdade. Que há factores de conflito geracional motivados pela legislação das rendas, é verdade. Mas há momentos em que estas formulações, verdadeiras em si, passam a abstracções se forem formuladas sem relação com a realidade. Na vida das sociedades e das suas “circunstâncias”, é diferente. Hoje. E a realidade hoje é que num momento de desagregação de todos os contratos sociais e de deslaçamento da sociedade, alteram-se profundamente as relações de causa e efeito que funcionam em períodos de estabilidade social.
É o caso da ideia de que, hoje, os despedimentos permitem acabar com a “ditadura do mercado laboral fechado”, que só pode ser repetida por ignorância. Na verdade, muitos dos despedidos são jovens, por exemplo na construção civil, e o “mercado laboral fechado” pelos “direitos adquiridos”, está longe de ser a principal causa da precariedade e do desemprego jovem. Há cinco anos era verdade, hoje não é. Há cinco anos, facilitar a “flexibilidade laboral” era positivo, hoje não teria qualquer efeito que não fosse aumentar o despedimento, sem melhorar a competitividade da economia, no pressuposto de que tal não se faz com mão de obra barata. E o custo seria para todos, jovens precários e empregados “com direitos”. O efeito de haver tantas pessoas no desemprego e da violação constante de contratos e “direitos adquiridos” é que os jovens quando acederem a um emprego, fazem-no de forma mais precária, com menos direitos, e com salários muito baixos. Se associarmos a isso o facto de a crise actual significar um retrocesso na qualificação da mão-de-obra, então estamos perante um efeito duradouro que deveria mostrar a insensatez da imagem da JSD.
É que o mercado do emprego está bloqueado, hoje, não por causa das leis laborais mas pela crise recessiva da economia portuguesa, e, mesmo assim, no acesso ao emprego, ser jovem é vantajoso sobre ser adulto. O peso socialmente mais gravoso do desemprego é-o em primeiro lugar para os desempregados de longa duração, vindos da geração dos “direitos adquiridos”, que todos os dias se verifica não serem nem “direitos”, nem “adquiridos”.
Se a questão estivesse apenas na imagem, podia dizer-se que foi um lapso, mas a Moção repete muito do que a imagem pretende dizer. Todo o texto é um programa de “luta geracional”, substituindo a “luta de classes”, assente não no crescimento da economia, única forma de resolver estes dilemas “geracionais” referidos, mas sim num contrato estabelecido a partir do governo e do estado, cujas únicas medidas concretas, incluem a redução de salários e pensões, incompatibilidades entre pensões e outra forma de rendimentos, na crença fantasiosa de que isso gera emprego.
A contradição está em que se pretende criar um novo conjunto de “direitos adquiridos”, destinados a garantir uma deslocação rápida de rendimentos dos mais velhos para os mais novos, por via orçamental e fiscal, pelo estado. Tenho a certeza absoluta que entre os “direitos adquiridos” que não se pretendem mudar está o que impede a liberdade dos “pais” de deserdarem os “filhos”, fazendo uso livre do património do seu trabalho. É que há “direitos adquiridos” e “direitos adquiridos”.
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COISAS DA SÁBADO:
SOPA IDEOLÓGICA ENVENENADA
A JSD está pois a “lutar contra os direitos adquiridos”. Esta frase é todo um programa e nela se revela a sopa ideológica envenenada de tudo isto, que devia envergonhar um partido democrático que existe exactamente porque a liberdade política é um “direito adquirido”. É que os “direitos adquiridos”, frágeis como todos os direitos, são, primeiro, numa democracia, os direitos humanos, os direitos políticos, a liberdade de opinião, de associação, de reunião, de expressão, de manifestação, de greve, o primado do direito, a ideia de uma concertação social de que resultam contratos na sociedade que devem ser cumpridos por todas as partes.
Uma ideologia simplista retirada dos blogues dá estes frutos. Esta imagem é o resultado de uma ideia confusa e pouco qualificada, quer pela análise, quer pelo conhecimento, quer pela ideologia, muito menos pelo liberalismo clássico, de que hoje o desemprego dos jovens, a precariedade, se deve à rigidez da legislação laboral, e de que quem tem emprego bloqueia o acesso dos mais jovens ao exercer e defender os “direitos adquiridos”, impondo, no linguajar da imagem, uma “ditadura do mercado laboral fechado”. Isto traduzido em bom português, significa: nós queremos que vocês, os mais velhos, os que tem trabalho, possam ser facilmente despedidos para nós irmos ocupar os vossos lugares. Ou, dito num português ainda mais simples e bruto, como convém face à asneira, “os vossos empregos são nossos, ide para a rua”. Não percebo a passividade da organização laboral do PSD, os TSD, face a este absurdo ataque, porque a luta da JSD é contra quem tem emprego e a favor dos despedimentos, o resto é fantasia ideológica.
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NESTES DIAS
AS 3 MANIFESTAÇÕES DE ONTEM
E UM APELO
A manifestação das freguesias organizada pela ANAFRE é um evento político importante que ficará na história destes anos da “crise”. Como é habitual, vários amigos do EPHEMERA fizeram a cobertura fotográfica da manifestação e recolheram alguns materiais impressos com ela associados. No entanto, dada a natureza especial desta manifestação, fora do mainstream político e politizado, envolvendo movimentos locais e regionais muito variados e dispersos, muitos materiais com interesses histórico e documental ficaram por recolher. Refiro-me, por exemplo, às T-shirts com inscrições que as fotografias revelam ser muito abundantes, assim como muitos panfletos, cartazes e outros materiais gráficos. Por isso fica aqui UM APELO À SUA RECOLHA E ENVIO de modo a serem digitalizados e publicados de forma organizada e não se perderem na voragem do esquecimento e da pouca importância dada a estes materiais efémeros. O endereço electrónico aqui usado serve para quaisquer contactos, entregas, assim como para organizar envios pelo correio ou recolhas directas em qualquer parte do país. Obrigado.
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© José Pacheco Pereira
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