ABRUPTO

24.3.12



EARLY MORNING BLOGS  
2178

"Yo creo que es mejor pensar que Dios no acepta sobornos."

(Jorge Luis Borges)

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23.3.12


MUNDO DOS LIVROS


Livros sobre livros sobre livros. Por arrumar.

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COISAS DA SÁBADO: O CANSAÇO DA CRISE E A PROPAGANDA 




Há um mecanismo conhecido e que vem sempre em ajuda dos “especialistas” de propaganda de que os governos estão cheios e de que este não é excepção. Pessoas, habilidosos, assessores de imprensa, agências de comunicação, e de marketing “político”. Esse mecanismo é a procura de novidade, que, quando não há, inventa-se. Depois o efeito conjugado do pack journalism e da moda fazem o resto. O resultado é a manipulação tentada da opinião pública por estes profissionais e depois ampliada pela incompetência dos media e pelo situacionismo face ao poder. Eu sei que é muita maleita ao mesmo tempo, mas é assim que as coisas funcionam. Os vícios atraem-se. 

É o que se passa com a campanha em curso de que “a crise acabou”, a “crise já está a prazo”, ou seja, já se vê luz ao fim do túnel. Esta campanha vem dos governantes, mas aí é natural que haja declarações optimistas, assim como também é óbvio que valorizam as escassas estatísticas favoráveis, como é o caso da subida das exportações e da descida das importações. É certo que o segundo caso é fruto da crise das pessoas, famílias e, em particular das empresas, mas o resultado é positivo. Do mesmo modo, o pico da crise europeia parece ter-se transformado em planalto, e isso também é positivo. Porém todos os outros indicadores são negativos e o que há é wishful thinking sobre o futuro e uma crença ilimitada num arranque milagroso da economia em 2013. O terreno para as festividades já está preparado quando governantes encontraram na travagem de alguns indicadores, ou na sua ligeira inversão, os motivos para dizerem que “já se deu a volta”, quando na verdade apenas se estagnou na crise ou se desacelerou um pouco, porque já se bateu no fundo. Se não estamos a descer para o Inferno a toda a velocidade, nem por isso estamos a caminho de qualquer purgatório. 

Na verdade, ninguém nos diz que o desemprego vai baixar, mas apenas que não vai crescer com a mesma velocidade, ninguém nos diz que a austeridade vai diminuir (alguma coisa haverá em vésperas de eleições), mas apenas que não vão ser preciso novas medidas, ninguém nos diz que os impostos vão baixar, a não ser talvez sobre as empresas aí para 2014, e ninguém nos garante que vamos crescer mesmo, mas apenas que daqui a um ano deixaremos a recessão. Os propagandistas, supostos conhecedores daquilo que no passado se chamava a “psicologia das multidões”, sabem que há sempre um momento de cansaço da crise, um momento em que de tanto ouvirem falar de crise (eu digo falar, não de sentir, porque no sentir ainda estamos nos preliminares) desejam outras notícias, desejam alguma esperança, desejam acreditar nalguma possibilidade de não continuarem a sofrer ou de virem a sofrer mais. É o mais humano dos sentimentos e, como o tempo mediático faz sempre os exageros da desgraça antes das desgraças baterem à porta com força, “o que parece é”. Portanto, nesta base de desejo de conforto psicológico, constrói-se a manipulação. Ela não dura muito, nem pode ser repetida muitas vezes sem se voltar contra os seus autores, mas enquanto o pau vai e vem folgam as costas. 

O desejo de novidade permanente que está no âmago dos mecanismos mediáticos faz o resto: as notícias de que a crise está a abrandar, está a termo, vai acabar, são hoje mais “novidade” do que qualquer outro indicador negativo que é “mais do mesmo”. Nas últimas duas semanas, foram conhecidos vários indicadores negativos, assim como declarações internacionais pessimistas sobre Portugal, mas a sua visibilidade mediática foi menor. A crise cansa, a crise deixou de ser novidade. A crise está a acabar. Ufa!

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ÍNDICE DO SITUACIONISMO (147)

A questão do situacionismo não é de conspiração, é de respiração.
E, nalguns casos, de respiração assistida.
Todos nós sabemos que ontem aconteceu uma única coisa em Portugal: dois jornalistas foram agredidos pela polícia.  Tudo o resto foi irrelevante. Em matéria de corporativismo estamos conversados.

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EARLY MORNING BLOGS  
2177

Under all speech that is good for anything there lies a silence that is better. Silence is deep as Eternity; speech is shallow as Time. 

(Thomas Carlyle)

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22.3.12


NESTES DIAS

 (Manifestações de hoje em actualização permanente)



  • PLATAFORMA 15 DE OUTUBRO – MANIFESTAÇÃO JUNTO DA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA (22 DE MARÇO DE 2012)
  • MIR Bulletin du Movimento de Izquierda Revolucionaria
  • FRANÇA – FRONT SOLIDARITÉ INDOCHINE
  • ASSOCIAÇÃO PORTUGAL – URSS – CONSELHO LOCAL DE MAFRA – SÉRIE “25 DE ABRIL”
  • VILA FRANCA DE XIRA – 25 DE ABRIL (1994)
  • GREVE GERAL DE 22 DE MARÇO DE 2012 – PREPARAÇÃO
  • MÁRIO SOARES – CALENDÁRIOS (1987)
  • BIBLIOTECA DE A INTERNACIONAL
  • MANIFESTAÇÃO POR UM ENSINO SUPERIOR PÚBLICO (LISBOA, 20 DE MARÇO DE 2012)
  • GRANDES CAPAS DE LIVROS POPULARES: EMILIO SALGARI
  • GRANDES CAPAS DE LIVROS POPULARES
  • DISENSO
  • COMITÉ DE APOIO AOS MILICIANOS PRESOS
  • EUA – ELEIÇÕES PARA GOVERNADOR – ESTADO DA CALIFÓRNIA (1982) – SWP – MELVIN MASON
  • EUA – ELEIÇÕES PARA O CONGRESSO – NOVA IORQUE – PARTIDO DEMOCRÁTICO – THOMAS MANTON
  • EUA – ELEIÇÕES PARA GOVERNADOR DA FLORIDA (2002) – PARTIDO DEMOCRÁTICO – BILL MCBRIDE
  • EUA – ELEIÇÕES PARA O SENADO (1972) – PARTIDO REPUBLICANO – JACK MILLER
  • CENSURA – RELATÓRIO Nº 9235 (7 DE JANEIRO DE 1972) RELATIVO A “QUESTÕES SOBRE O MOVIMENTO OPERÁRIO PORTUGUÊS E A REVOLUÇÃO RUSSA DE 1917″
  • CENSURA – RELATÓRIO Nº 9212 (17 DEZEMBRO DE 1971) RELATIVO A “LUTAS OPERÁRIAS CONTRA A CARESTIA DE VIDA” DE JOSÉ PACHECO PEREIRA
  • CENSURA – RELATÓRIO Nº 9274 (26 DE JANEIRO DE 1972) RELATIVO A “MEMÓRIAS DE UM OPERÁRIO” DE JOSÉ SILVA
  • CENSURA – RELATÓRIO Nº 824 (20 DE SETEMBRO DE 1952) RELATIVO A “SOCIEDADES PRIMITIVAS” DE ANTONINO DE SOUSA – FLAUSINO TORRES

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    EARLY MORNING BLOGS  
    2176 - A Raposa e o Cacho de Uvas
     
    Fame coacta vulpes alta in vinea uvam adpetebat, summis saliens viribus. 
    Quam tangere ut non potuit, discedens ait: "Nondum matura es; nolo acerbam sumere." 
    Qui, facere quae non possunt, verbis elevant, adscribere hoc debebunt exemplum sibi  


    Forçada pela fome, uma raposa tentava
    apanhar um cacho de uva numa alta videira,
    saltando com todas as forças;
    Como não conseguisse alcançá-lo, disse, afastando-se:
    "Ainda não estão maduras; não quero apanhá-las verdes".
    Aqueles que desdenham com palavras o que não conseguem realizar
    deverão aplicar para si este exemplo.


    (Fedro)

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    21.3.12


    EARLY MORNING BLOGS  
    2175 - This is the House that Jack built

    This is the house that Jack built!
    This is the malt that lay in the house that Jack built.
    This is the rat that ate the malt
    That lay in the house that Jack built.

    This is the cat that killed the rat
    That ate the malt that lay in the house that Jack built.
    This is the dog that worried the cat
    That killed the rat that ate the malt
    That lay in the house that Jack built.

    This is the cow with the crumpled horn
    That tossed the dog that worried the cat
    That killed the rat that ate the malt
    That lay in the house that Jack built.

    This is the maiden all forlorn
    That milked the cow with the crumpled horn
    That tossed the dog that worried the cat
    That killed the rat that ate the malt
    That lay in the house that Jack built.

    This is the man all tattered and torn
    That kissed the maiden all forlorn
    That milked the cow with the crumpled horn
    That tossed the dog that worried the cat
    That killed the rat that ate the malt
    That lay in the house that Jack built.

    This is the priest all shaven and shorn
    That married the man all tattered and torn
    That kissed the maiden all forlorn
    That milked the cow with the crumpled horn
    That tossed the dog that worried the cat
    That killed the rat that ate the malt
    That lay in the house that Jack built.

    This is the cock that crowed in the morn
    That waked the priest all shaven and shorn
    That married the man all tattered and torn
    That kissed the maiden all forlorn
    That milked the cow with the crumpled horn
    That tossed the dog that worried the cat
    That killed the rat that ate the malt
    That lay in the house that Jack built.

    This is the farmer sowing his corn
    That kept the cock that crowed in the morn
    That waked the priest all shaven and shorn
    That married the man all tattered and torn
    That kissed the maiden all forlorn
    That milked the cow with the crumpled horn
    That tossed the dog that worried the cat
    That killed the rat that ate the malt
    That lay in the house that Jack built!

    (Anónimo)

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    19.3.12

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    SENHOR, ENCOLHI O PAÍS!


    (Versão integral)

    Ser membro do PSD nestas alturas tem que ser um momento particular de perplexidade. Claro que me refiro àqueles membros do PSD que foram atraídos pela muito sui generis e portuguesa fusão de tradições políticas, que ia do liberalismo político à noção de que a política não esgota o campo do humano, até à consciência de que é obrigação do Estado garantir um quantum de justiça social, tudo isso fundido num partido com uma história que era o seu "programa não-escrito". Em momentos decisivos, em 1975, no PREC, na luta de Sá Carneiro contra a hegemonia militar pós-25 de Abril e pelo retorno a uma democracia civilista plena; em 1979, na vitória da AD e na materialização da alternância política; em 1987, com a maioria absoluta subvertendo um défice de governabilidade inscrito na Constituição; em 1989, na revisão constitucional que permitiu a reconstrução de uma economia privada fora do Estado, o PSD teve um papel central. Não me custa admitir que, em 1975 e em 1986, o PS teve um papel mais importante, quer na defesa da democracia, quer na entrada de Portugal na Europa, mas o PSD esteve ao seu lado. 

    Nem toda a história do PSD é linear, há momentos em que se caiu numa lógica de gestão de interesses no "bloco central", ou se permitiu uma viragem à direita, com Durão Barroso, e com Santana Lopes, roçando-se um populismo e um culto da personalidade, que abriu caminho a uma diluição programática. Por outro lado, a qualidade da governação, que tinha sido um ponto de honra na AD, perdeu-se com o acesso ao poder de muita gente impreparada ou ligada a interesses, que ajudou a retirar ao PSD o prestígio da boa governação. Na oposição, com excepção do momento de patologia de Menezes, quer Marques Mendes, quer Marcelo Rebelo de Sousa, quer Manuela Ferreira Leite tentaram introduzir alguma sanidade interna e algum rigor nas posições, mas todos falharam às mãos da degenerescência oligárquica no seio do aparelho partidário. Permitiu-se, como no PS, uma captura de um partido democrático por um aparelho de poder interno, muitas vezes medíocre, interesseiro e corrupto. 

    Assim se chegou aos dias de hoje. Em 2012, o PSD no Governo está a gerir apenas uma crise herdada, está a cumprir o seu programa, ou a permitir que se faça outra coisa de natureza muito distinta pouco coerente com o seu programa e a sua tradição? Temo que seja este último caso, e temo que se deixem isolados num vazio incómodo muitos dos militantes que ainda permanecem fiéis ao seu património fundador, que, esse sim, não é "actualizável", sob pena de perda da identidade do partido. Os mais veementes aplausos à acção governativa vêm de poderosos interesses na sociedade portuguesa, que pouco têm a ver com o eleitorado "genético" do PSD ou com os portugueses que é suposto representar pelo seu programa e acção. 

     A deslocação à direita foi tão violenta, sem rigor nem memória, que hoje um moderado do PSD que tente reformular no actual contexto algumas preocupações que fazem parte do gene do PSD parece um adversário do capitalismo e da liberdade económicos. Olhem que não, olhem que não. Falo, como é óbvio, do gene mesmo e não da sua reconstrução mutante feita para incorporar o memorando da troika como sendo a quinta-essência do programa do PSD.

    A falta de equilíbrio do debate político, a sua ausência de memória histórica e ideológica e a sua subserviência às modas, o mimetismo da linguagem mediática e o simplismo redutor dos blogues chegaram a um ponto quase esquizofrénico de que falar com preocupação do desemprego, em vez das maravilhas do empreendedorismo, falar de equidade fiscal, falar de "justiça social", de preocupação com a pobreza, dos direitos dos trabalhadores, da "dignidade do trabalho", tudo isto pareça ser de um esquerdismo muito para lá do BE e do PCP. Mas, foi desta incomodidade face à injustiça, à desigualdade, à exclusão, ao desprezo pelos mais fracos, que os fundadores do PSD, a começar por Sá Carneiro, falaram. O resto vinha depois e era subordinado, instrumental, dependente deste sentido de fundo. Nenhuma deles veria sem repulsa a indiferença olímpica face ao empobrecimento colectivo e ao desemprego, seu principal factor. E nenhum deles tinha a mais pequena hesitação sobre o papel da economia privada, sobre o capitalismo, como instrumento de riqueza, mas a expressão "com sentido social" não era retórica, mas preocupação constante e primeira.

    Há várias coisas que se estão a passar sob o manto da austeridade necessária que nada têm a ver nem com a austeridade, nem com a necessidade. Basta ler o que escrevi nos últimos anos para não ter dúvida nenhuma de que de há muito penso que um "ajustamento", como agora se diz, mesmo muito severo, seria inevitável e necessário. Nenhuma dúvida se me colocou de que esse "ajustamento" iria afectar muitos portugueses no seu nível de vida, e que não se podia escapar a esse destino, nem a bem, nem a mal. Foi a mal, com a troika a bater à porta. Mas depois deu-se uma sucessão de acontecimentos, que, esses sim, podiam ter ocorrido de outra maneira. Há várias coisas que estão a acontecer que deveriam merecer uma maior atenção de toda a gente sensata e moderada, a começar por aqueles que ainda chamam social-democrata ao seu partido.

    O que está a mudar Portugal é que se está a dar uma enorme deslocação de recursos entre classes e grupos sociais, uns ganhando, outros perdendo. Não é um processo unívoco, mas a sua dimensão deveria preocupar um Governo do PSD. Mas não só não o preocupa como está activamente a contribuir para que isso aconteça. E, se é verdade que todos perdem - e os milhões que os nossos "milionários" perderam e estão a perder são reais e vultuosos -, nem por isso todos estão a perder da mesma maneira e alguns vão poder "sair" da crise com muito mais poder e mais bens, logo, a prazo, com mais dinheiro. Pelo contrário, a destruição da classe média vai deixar a sociedade sem mecanismos de mobilidade social e sem dinâmica.

    A ideia de que pode haver uma "democratização da economia", signifique lá isso o que significar, não tem nenhuma correspondência com a realidade. A destruição maciça de empresas, a entrega de participações, bens, recursos à banca, quer directamente, quer por via intermediária do fisco, acompanha o desemprego como meio de embaratecer o trabalho. Em complemento deste processo, e com ele associada, há uma enorme redistribuição de poder, resultado de uma brutal e rápida concentração de poder de decisão e de recursos nas mãos de um grupo cada vez mais pequeno de pessoas, que circulam numa elite que sempre foi muito fechada, mas que agora ainda o é mais. As redes interiores do poder, que circulam entre os grupos económicos, o poder político, a grande advocacia de negócios, alguns think tanks, empresas de consultadoria, conselhos de administração das fundações mais poderosas, reguladores e, de um modo geral, todos os lugares de nomeação estatal, em "grupos de trabalho", "comissões de acompanhamento", etc. estão cada vez mais entregues "sempre aos mesmos". A razão é que as relações de confiança nestes momentos de crise são mais importantes do que tudo o resto, seja a competência e mérito, seja a renovação, sejam mesmo os valores propagados da competição e da liberdade económica. E os "mesmos" já deram provas de lealdade e serviço.

    Os "mesmos" estão por isso também a escapar, quando não mesmo a beneficiar da crise. A demagogia reinante obriga toda a gente a dizer que trabalha de graça, mas aliás podiam até todos trabalhar de graça, porque o poder que assumem no exercício de certas funções acompanha-os para o lugar seguinte, que já é bem pouco gratuito. O mundo divide-se, pois, entre os que têm "acesso" e os que não têm, e a concentração do poder económico, o reforço do Estado fiscal, as ondas de eco de procedimentos autoritários e expeditos em nome da crise por todo o sistema bancário, o esbulho puro e simples ou a aceitação de propostas chantagistas para o acesso ao crédito estão a permitir centralizar o poder de decisão. O medo faz o resto.

    Os aplausos não enganam. E os aplausos são cada vez mais agressivos, mais abafantes, menos tolerantes. É que oportunidades como esta de moldar o estado, a economia, os trabalhadores, as pessoas a uma mais drástica hierarquia de poder dos "mesmos", não acontecem todos os dias. O que está em jogo são poderosos interesses e encontraram ouvidos atentos e "espírito de serviço". Os "mesmos"  desprezam os "políticos", mas não podem viver sem eles. Não ganham eleições, precisam dos "políticos". Para "encolher o país", como no filme.

    (Versão do Público de 17 de Março de 2012.)

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    2174

    Deus pascit corvos

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    18.3.12

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    2173

    Fare e disfare è tutto un lavorare.

    (Provérbio veneziano.)

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