PROBLEMAS DO PRESENTE OCULTADOS PELO ECRÃ SÓCRATES – TROIKA
O problema de uma verdadeira reforma administrativa em Portugal, cuja organização do território em unidades administrativas e políticas data em grande parte do século XIX, é real. É fonte de desperdício, de desigualdades profundas no plano político e social e de distorções na representação democrática. É igualmente caro e ineficaz.
A troika identificou esse problema e propôs uma solução: extinguir municípios e freguesias. A partir daí nós devíamos fazer bastante melhor e abrir uma discussão em que as pessoas, as organizações, os saberes (geografia, por exemplo), e uma ideia do “desenho” de Portugal, tivessem a capacidade de racionalizar o país. Não é nada que não se pudesse fazer bem em cerca de dois anos, máximo. Fazer bem, não à trouxe-mouxe.
Mas nada disso vai acontecer. Vamos mexer nas freguesias, o que eu acho bem desde que essa mexida, extinções e fusões, fosse ligada com idêntico processo nos concelhos. Só assim é que poderia haver coerência nas soluções e consistência nos ganhos, em custos, representação, democracia local e nacional. Mas isso não vai acontecer porque o mesmo governo que anda sempre com a palavra troika na boca, cedeu aos interesses partidários locais e não vai mexer nos concelhos, mas apenas nas freguesias. As freguesias são elo político mais fraco e é por aí que se vai. Mas, uma coisa sem a outra, torna tudo ainda mais perverso. Sem redesenhar os concelhos e, nesse processo, mudar as freguesias que nalguns casos teriam mais sentido unindo territórios entre concelhos, não haverá verdadeira reforma administrativa, mas uma desfiguração de aldeias e territórios, sem ganho para ninguém.
But, as it sometimes chanceth, from the might
Of joy in minds that can no farther go,
As high as we have mounted in delight
In our dejection do we sink as low,
To me that morning did it happen so;
And fears, and fancies, thick upon me came;
Dim sadness, and blind thoughts I knew not nor could name.
I heard the Sky-lark singing in the sky;
And I bethought me of the playful Hare:
Even such a happy Child of earth am I;
Even as these blissful Creatures do I fare;
Far from the world I walk, and from all care;
But there may come another day to me,
Solitude, pain of heart, distress, and poverty.
My whole life I have liv'd in pleasant thought,
As if life's business were a summer mood;
As if all needful things would come unsought
To genial faith, still rich in genial good;
But how can He expect that others should
Build for him, sow for him, and at his call
Love him, who for himself will take no heed at all?
TIREM SÓCRATES E A TROIKA DO MAPA VERBAL E DEIXA DE HAVER DISCURSO POLÍTICO EM PORTUGAL
Imaginem que se podia proibir dois elementos chave do discurso político em Portugal: de um lado, a pesada herança e Sócrates o seu autor, e do outro a troika e o seu “plano” maquiavélico. PSD. PS. CDS, PCP, e BE ficavam sem discurso político. Será que não se pode pensar sem estes dois bordões, que já cumpriram o seu papel?
Eu não estou a dizer que nem Sócrates, um dos grandes culpados, nem a troika, a face da nossa desgraça de país endividado, não sejam fundamentais para perceber o presente, só estou a perguntar se nada aconteceu depois e se não há mais nada para dizer. Não é a sombra de Sócrates que explica a maioria das posições do PS hoje, é a sombra do PS e dos seus mitos e do seu discurso vulgar. Não são as obrigações com a troika que explicam tudo o que o governo Passos Coelho tem feito ou não. São outras coisas, outras ideias, outros interesses.
Enquanto ficarmos no discurso tipo partidário-parlamentar do “fizemos isto porque vocês deixaram o país em mísero estado” versus “a culpa é da troika estrangeira que nos leva a uma solução desastrosa à grega”, não conseguimos sequer pensar o mínimo sobre a situação actual. A vida política parece um “combate” de blogues. É que cada dia que passa, o contexto, o país, a memória, a realidade, se afastam mais da situação de Janeiro de 2011 e é necessário outro escrutínio, outro posicionamento das questões.
COISAS DA SÁBADO: A DOENÇA QUE ROÍ POR DENTRO A UE…
… vai tornar inútil quase tudo o que foi decidido na cimeira da “última oportunidade”, como aliás os temíveis mercados já começaram a mostrar. A cimeira assentou num diagnóstico errado, logo numa terapêutica igualmente errada e depois foi conduzida de maneira tão autoritária por Sarkozy e Merkel que conseguiram a alienação do Reino Unido, um soar de finados sobre a Europa. Para além disso abriram uma caixa de Pandora de problemas institucionais, legais, constitucionais e de legitimação política, pura a simplesmente gigantescos. Cegueira pura e cegueira deliberada, porque todas as prevenções foram feitas em devido tempo.
A doença é outra, de natureza muito diferente das maleitas que têm sido diagnosticadas pelos europeístas mais extremos, e tem a ver com o modelo europeu, a posição da Europa num mundo globalizado, a crise da indústria europeia, os problemas de competitividade gerados pelo “modelo social” e pela demografia e por aí adiante. Nenhum destes problemas precisa, para ser defrontado, de novos tratados ou alterações dos tratados. Precisa de vontade política, prudência e “espírito europeu”.
Para os europeístas extremos, o que falta é ir mais longe no federalismo, é haver “governo económico”, emissão de moeda do BCE ou eurobonds, tudo soluções que levantam dois problemas que, esses, ninguém quer defrontar. Um é que o federalismo e o “governo económico” não correspondem à vontade dos povos e das nações e só encontram verdadeiro entusiasmo numa minoria muito minoritária de intelectuais, funcionários e políticos que sonham com uns Estados Unidos da Europa, e em países endividados que estão dispostos a tudo para aliviar as suas finanças, mesmo a prescindir da sua soberania e da sua democracia. É aqui que o primeiro problema remete para o segundo: é que todas as medidas propostas têm um ónus: são os alemães a paga-las.
A questão não é a Alemanha não querer soluções como a emissão de moeda pelo BCE, com a inflação que isso traria, ou os eurobonds que agravariam o preço do dinheiro dos alemães que tem tripo A, ou incumprimentos sem sanções, é que todas estas soluções assentam num facto indesmentível: sem haver alemães a pagar do seu superavit o deficit alheio, não há “governo económico” possível. Esta realidade poderia ser ultrapassada se o projecto europeu de coesão social estivesse vivo, mas foi morto na última década pela engenharia utópica de um upgrade europeu que ninguém desejou, nem validou. Agora é interesse nacional, versus interesse nacional, sem ecrã, sem mediação, sem moderação. Os países que se preparam para assinar um acordo de divisão da Europa, vão institucionalizar este sistema e matar de vez a UE.
There was a roaring in the wind all night;
The rain came heavily and fell in floods;
But now the sun is rising calm and bright;
The birds are singing in the distant woods;
Over his own sweet voice the Stock-dove broods;
The Jay makes answer as the Magpie chatters;
And all the air is fill'd with pleasant noise of waters.
All things that love the sun are out of doors;
The sky rejoices in the morning's birth;
The grass is bright with rain-drops; on the moors
The Hare is running races in her mirth;
And with her feet she from the plashy earth
Raises a mist; which, glittering in the sun,
Runs with her all the way, wherever she doth run.
I was a Traveller then upon the moor;
I saw the Hare that rac'd about with joy;
I heard the woods, and distant waters, roar;
Or heard them not, as happy as a Boy:
The pleasant season did my heart employ:
My old remembrances went from me wholly;
And all the ways of men, so vain and melancholy.
Pensam que está tudo resolvido e que o "Pacto" vai de vento em popa?
“O presidente do "Bundestag", Norbert Lammert, manifesta dúvidas sobre a
constitucionalidade das medidas acordadas na Cimeira Europeia da última
sexta-feira. Estas podem ser chumbadas pelo Tribunal Constitucional,
teme. (...) Especificamente, Lammert questiona a hipótese de a Comissão
Europeia vir a interferir na gestão do Orçamento do Estado. ” (Jornal de
Negócios – Negócios online, 12 Dezembro 2011 | 11:09).
Bem pelo contrário, só agora é que começaram as complicações. Veja aqui.
Parece que incomodo uns radicais de esquerda e outros de direita, muito irmanados nos ataques ad hominem. Percebo muito bem porquê: conheço-os bem demais do que eles gostariam que os conhecesse. Eles sabem disso e incomoda-os, porque os tomo ao ridículo e eles tomam-se demasiado a sério. Para além disso, há uma frase de George Bernard Shaw que contém uma verdade muito universal: “I learned long ago, never to wrestle with a pig. You get dirty, and besides, the pig likes it”. A blogosfera está cheia de exemplos de que “eles gostam” e de como se promovem assim. Por isso, por regra, nunca respondo
Há porém agora uma nova versão destes ataques que é a invenção de histórias falsamente testemunhais em que apareço como parte e que são, pura e simplesmente, inventadas. Nem sequer são apenas deturpadas, falsas, são inventadas. De uma ponta a outra. E como na Internet nada se cria e tudo se transforma, elas circulam repetidas dia a dia ganhando nessa repetição o estatuto de verdadeiras. Desde os 20.000 livros que eu teria dito ter lido, história que Baptista Bastos repete ano sim, ano não, mesmo depois de eu lhe ter perguntado onde é que tinha ido buscar tal "afirmação" e ele não ter respondido, às várias audições "embevecidas" de Duarte Lima a tocar órgão, igualmente inventadas, por aí adiante.
Talvez o melhor exemplo é uma história retirada do livro da Zita Seabra, que se percebe no contexto, porque era assim que uma comunista do PCP pensava em 1965, - (como é que era possível que alguém conhecesse Marx e não quisesse fazer parte do glorioso partido da classe operária?), - mas que contém suficientes incongruências cronológicas para não ser tomada a sério. Aliás, já a desmenti várias vezes, inclusive numa entrevista recente ao i, mas lá está na minha “biografia” da Wikipedia e um pouco por todo o lado. Só quem não viveu aqueles tempos é que pode pensar que os mais de seis anos passados entre o princípio da história e o seu fim não fossem seis séculos em que tudo mudou e tudo estava mudado. Mas não é a veracidade da história, desta e doutras, que as fazem circular, é a vontade de alguns de que sejam verídicas porque lhes é útil, um mecanismo muito comum na propulsão destas “histórias”.
De vez em quando aparece outra. Uma delas, com origem num blogue extremista de esquerda, envolve um morto que não pode ser chamado à colação, André Martin. Martin teria contado a terceiros uma conversa comigo na TSF, que, ou foi inventada por ele, ou por quem a relata como se fosse dele. Qualquer pessoa que me conhece sabe que tal conversa seria impossível comigo, ponto final. Aliás, como quase todas as histórias inventadas, é demasiado perfeita para ser verdadeira. Gozar alguém por ser torturado ou com alguém que fala com sotaque, é uma impossibilidade num ou noutro caso. Juntos os dois casos, porque, como é tudo invenção, valem o mesmo. Sei o bastante sobre a tortura na América latina para nunca o fazer, e gosto de sotaques, pouca sorte para os inventores desta história.
Não excluo a hipótese de Martin, com quem praticamente nunca falei a não ser bom dia e boa tarde, a ter inventado. Há um mecanismo psicológico que faz com que as pessoas inventem “factos“ que as relacionam com alguém que tem a maldição de ser demasiado conhecido, quer positiva, quer negativamente. Já não é a primeira vez que isso me acontece e não será a última. Sei também que não adianta desmentir nada, a história, essa e outras, continuarão a circular. Como disse antes, é a vontade de alguns de que seja verídica, que a faz circular, porque isso é útil para os ataques de carácter.
How many roads must a man walk down
Before you call him a man?
Yes, 'n' how many seas must a white dove sail
Before she sleeps in the sand?
Yes, 'n' how many times must the cannon balls fly
Before they're forever banned?
The answer, my friend, is blowin' in the wind,
The answer is blowin' in the wind.
How many times must a man look up
Before he can see the sky?
Yes, 'n' how many ears must one man have
Before he can hear people cry?
Yes, 'n' how many deaths will it take till he knows
That too many people have died?
The answer, my friend, is blowin' in the wind,
The answer is blowin' in the wind.
How many years can a mountain exist
Before it's washed to the sea?
Yes, 'n' how many years can some people exist
Before they're allowed to be free?
Yes, 'n' how many times can a man turn his head,
Pretending he just doesn't see?
The answer, my friend, is blowin' in the wind,
The answer is blowin' in the wind.
Eu
sou o último dos ecologistas, "verdes", ou coisa semelhante. Sempre
tive uma grande desconfiança com as posições ecologistas e um enorme
cepticismo quanto ao pano de fundo dos seus argumentos. Não fui muito sensível às "gravuras que não sabiam nadar". Sou céptico
quanto aos movimentos, discursos e demagogias sobre o "aquecimento
global", transformados numa vaga ideologia anti capitalista e
anti-industrial, que ignora que o nosso modelo de desenvolvimento,
predador que seja, e é, garante apesar de tudo um mínimo de qualidade de
vida para biliões de pessoas que nunca conseguiriam aceder a esse
limiar sem estragar parte da natureza quase sempre sem conta, peso, nem
medida. Desconfio da retórica catastrofista com o "aquecimento global" e
estou muito do lado de Bjorn Lomborg nos seus argumentos contra a
demagogia ambientalista que se tornou um discurso politicamente correcto
nos últimos anos, nos países simultaneamente mais ricos e nos únicos
que podem controlar alguma coisa a predação da natureza, exactamente
porque são ricos e podem pagar esse luxo que China, Índia e Brasil não
podem.
Dito isto, que me coloca na lista negra dos ambientalistas
- já no Parlamento Europeu, eu e Vasco Graça Moura estávamos na lista
dos menos "verdes" dos deputados -, vou terçar as frágeis armas da
opinião pela causa do vale do Tua e, por extensão, do Alto Douro
vinhateiro e do que não é vinhateiro, mas simplesmente belo como pouca
coisa portuguesa que reste. E isto significa que entendo que é um
verdadeiro crime e uma asneira, infelizmente com uma sólida tradição de
outras asneiras por trás, construir a barragem prevista para o Tua.
O
que temos no vale do Tua, o rio, o vale, a linha ferroviária, o
equilíbrio da terra, da água, das escarpas, da vegetação, do vento, da
solidão agreste, é hoje único em Portugal. Ou seja, não há mais.
Acaba-se com o vale do Tua e com excepção de alguns trechos fluviais,
muito mais pequenos e sem a dimensão agreste do Tua, já não existe nada
de semelhante em lado nenhum. Estamos diligentemente a acabar com outro
destes vales, o do Sabor, pelo que sobra apenas o Tua.
Eu tive
ainda o privilégio de andar na Linha do Tua (como na do Corgo,
igualmente encerrada) e era uma viagem inesquecível, que certamente será
um must em qualquer turismo de amadores de comboios, popular em
países como o Reino Unido e nos EUA. A "composição" era uma mescla de
velho material ferroviário reciclado, que incluía máquinas espanholas e
jugoslavas e carruagens italianas dos anos 30. A linha não era então
turística, nem nada que se pareça, mas uma linha ferroviária normal,
servindo o tráfego normal, as pessoas da terra e das aldeias que tinham
no comboio o único meio de transporte que existia. Era um mundo do
passado, percebia-se por tudo, pela lentidão, pelo trajecto, pelo mundo
que estava a acabar por detrás de estações com nomes bárbaros e som
germânico, ou de santos cristãos.
Mas o vale do Tua era o vale
do Tua, um sítio belíssimo, onde o calor a pique do Verão, ou o
despertar da Primavera ou as primeiras chuvas de Outono faziam a terra
cheirar a terra, a urze, aos mil e um cheiros mediterrânicos que hoje só
conhecemos dos livros, quando lemos os clássicos. Num sítio muito
diferente e distante, conheci os mesmos cheiros e o silêncio quente
perturbado apenas pelos besouros e por um vento suave e denso. Na
Turquia, ao lado de velhas ruínas por escavar, algures no interior da
Anatólia, já bem dentro da Jónia antiga. É o mesmo país, a mesma terra, a
mesma história, a mesma pátria antiga que nos fez. Estivessem vivos
homens como Orlando Ribeiro, e eles dir-nos-iam os elos que estamos a
quebrar, não com o passado, mas com o presente e connosco próprios.
Portugal
é um país que tem destruído intensamente a sua paisagem natural nos
últimos anos, tem uma grande densidade de barragens a norte e cada
barragem é um vale de um rio que desaparece. As cumeadas dos montes já
estão cheias de eólicas, e quase que não é possível em lado nenhum olhar
à volta de um ponto alto, mesmo nos parques naturais, sem ver
artefactos colocados bem diante dos nossos olhos nos últimos 20 anos. Já
não sabemos, por exemplo, o que é uma noite escura, e por isso o
espanto homérico com o céu e as estrelas é uma experiência que já "não
nos assiste", para assentar os pés na terra em que verdadeiramente
vivemos, a das trivialidades boçais.
Eu sei que uma parte desta destruição era inevitável e faz parte de um difícil trade-off entre
a economia, fonte de riqueza, os recursos a explorar, e o ambiente,
mas, como estamos a chegar aos limites de tudo - últimos vales, últimos
montes, ultimas paisagens -, esse trade-off esgotou-se nas suas
virtualidades, e é hoje uma desvantagem cujos custos se pagarão num
futuro próximo. As crianças que hoje nascem vão viver num mundo dominado
pela poluição luminosa, de caos urbanístico, construções clandestinas
mal-amanhadas e sem paisagem natural. Nunca vão ver a Via Láctea a não
ser em fotografias, não sabem o que é um vale selvagem de um rio a não
ser nos filmes americanos, nunca cheirarão a urze, nem saberão o que é
uma giesta, não terão o vento na cara no cimo duma montanha, sem este
trazer a marca conspurcada do mundo de lixo que começa logo uns metros
mais abaixo, nunca verão um carvalho, nunca comerão uma truta sem ser de
viveiro, não saberão o que é o silêncio "habitado" que muda o coração
dos homens que o sabem ouvir.
E, por isso, a sua relação com o
mundo é, à partida, muito mais pobre e nunca compreenderão milhares de
páginas da literatura da sua língua, nem Camilo, nem Eça, nem Aquilino,
nem os poetas que falam de coisas que para eles são tão longínquas como
ervas, arbustos, flores e frutos, que não estejam no hipermercado dos
subúrbios. Estão a perder a língua, destruída alegremente entre os SMS e
o Acordo Ortográfico, e a aumentar a geral dificuldade de leitura e
compreensão de qualquer texto que tenha palavras que não constem do
vocabulário gutural dominante.
A EDP, que nos saúda com uma nova imagem (quantos milhões gastos e para quê?) e com um slogan Viva a nossa energia!,
será vendida em nome do fim do Estado na economia, a uma qualquer
empresa estatal brasileira ou chinesa, que certamente se está nas tintas
para o que resta de paisagem natural em Portugal. Quase que posso jurar
que, nas conversas de gabinete que ninguém escrutina, e que acompanham a
privatização, a nossa "flexibilidade" (uma palavra dos tempos de hoje)
para acomodar o pacote de barragens está a ser valorizada para subir o
preço da empresa. Entre elas está o vale do Tua.
Por isso,
combater a barragem que destruirá o vale do Tua transformou-se numa luta
de último recurso, uma última oportunidade para termos outra paisagem
que não seja eucaliptal, albufeiras artificiais, praias sobrelotadas,
montanhas esventradas por pedreiras, na maioria dos casos ilegais, mas a
trabalhar diante dos olhos de todos há décadas, num Portugal já
demasiado estragado.
Estamos pois numa última fronteira, se é que não a ultrapassámos já.
For a hundred years the pulse of time
Has throbbed for Liberty;
For a hundred years the grand old clime
Columbia has been free;
For a hundred years our country's love,
The Stars and Stripes, has waved above.
Away far out on the gulf of years--
Misty and faint and white
Through the fogs of wrong--a sail appears,
And the Mayflower heaves in sight,
And drifts again, with its little flock
Of a hundred souls, on Plymouth Rock.
Do you see them there--as long, long since--
Through the lens of History;
Do you see them there as their chieftain prints
In the snow his bended knee,
And lifts his voice through the wintry blast
In thanks for a peaceful home at last?
Though the skies are dark and the coast is bleak,
And the storm is wild and fierce,
Its frozen flake on the upturned cheek
Of the Pilgrim melts in tears,
And the dawn that springs from the darkness there
Is the morning light of an answered prayer.
The morning light of the day of Peace
That gladdens the aching eyes,
And gives to the soul that sweet release
That the present verifies,--
Nor a snow so deep, nor a wind so chill
To quench the flame of a freeman's will!