ABRUPTO

7.11.11


  ESTA SEMANA DE NOVO 



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COISAS DA SÁBADO: E SE A GENTE LHES “ALAVANCASSE” A CABEÇA EM PORTUGUÊS 

Repito mais uma vez: nos últimos tempos, declaração sobre declaração, os nossos governantes, a começar pelo Primeiro-ministro, deixaram de falar português e, pior ainda, deixaram de falar para os portugueses. A utilização de um jargão económico cerrado em declarações políticas torna-as completamente incomunicáveis a não ser para os leitores da imprensa económica e para os jornalistas que são miméticos a repetirem novas palavras em curso. Para além disso, há um efeito orwelliano neste jargão em que desemprego significa “flexibilização do mercado do trabalho”, e “desvalorização fiscal” o fim do subsídio de natal e de férias.

Veja-se esta declaração de Passos Coelho na semana passada: "Não conversámos directamente sobre essa possibilidade e, portanto, não sei se haverá fundos brasileiros que venham a demonstrar interesse em entrar em veículos dessa natureza, mas isso é perfeitamente possível, dentro dos mecanismos do processo de alavancagem do Fundo Europeu". Exemplar. Tirem-lhes os “ajustamentos”, as “alavancagens” e “desalavancagens”, os “veículos”, a “desvalorização fiscal” e mais meia dúzia de expressões inglesas e vejam lá se eles conseguem falar?

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EARLY MORNING BLOGS
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"A general dissolution of principles and manners will more surely overthrow the liberties of America than the whole force of the common enemy. While the people are virtuous they cannot be subdued; but when once they lose their virtue then will be ready to surrender their liberties to the first external or internal invader."

(Samuel Adams)

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6.11.11


“GUERRINHAS”



A concertação social pode ser, em grande parte, uma ficção, mas a democracia vive dessas ficções que incluem elementos de procedimento que são vitais para que o jogo de interesses contraditório não resulte de imediato em conflitualidade social. O modo como o governo tem vindo a lidar com a concertação social mostra uma profunda incompreensão do que se está passar ”lá fora” e uma ideia muito perigosa sobre a impunidade social das suas medidas, mesmo quando erradas. 

As últimas declarações do ministro da Economia, então, são deitar gasolina para a fogueira, etiquetando de “guerrinhas” as diferenças de opinião mais que legítimas entre os participantes e o governo. Para além de os seus assessores de imprensa terem tentado manipular a informação sobre a reunião, dando informações erradas sobre o modo como ela estava a correr, o governo está a colocar-se de tal maneira colado às posições do patronato, que consegue ser mais papista do que os próprios patrões. A alienação dos sectores sindicais mais moderados era patente na fúria de um habitualmente calmo João Proença que acusou o governo de “brincar com a Concertação”, para impor soluções destinadas a salvar a face do Ministro, que nem os patrões acham razoáveis ou sequer eficazes. A única hipótese plausível é que o governo quer mesmo que a greve geral seja um sucesso, para exorcizar qualquer coisa, ou para colocar o que acha a incarnação do Mal nas ruas para todos o verem.

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EARLY MORNING BLOGS
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"It should be your care, therefore, and mine, to elevate the minds of our children and exalt their courage; to accelerate and animate their industry and activity; to excite in them an habitual contempt of meanness, abhorrence of injustice and inhumanity, and an ambition to excel in every capacity, faculty, and virtue. If we suffer their minds to grovel and creep in infancy, they will grovel all their lives." 

(John Adams)

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4.11.11


COISAS DA SÁBADO: E O ESCRUTÍNIO SOBRE AS PRIVATIZAÇÕES? 



O modelo escolhido para as privatizações é completamente discricionário. Não implica concursos, consultas abertas ao mercado, nada que possa ser escrutinado pelos concorrentes e pelos portugueses. O governo vai decidir por si, por razões que só ele define e avalia, e não tem contas a prestar a ninguém. Considerações como os “interesses estratégicos” são outra maneira de acentuar a discricionariedade com grandes palavras, cuja vacuidade pode servir para tudo. Isto é um absurdo, está diante dos nossos olhos, e passa incólume pela indiferença geral. Pior ainda, o primeiro-ministro revela preferências em público, no caso da EDP, pelos brasileiros, ainda nem sequer está definida uma qualquer short list de concorrentes às privatizações. Acresce que a privatização da EDP parece ser uma das mais apetecíveis e que mais concorrência suscita entre grandes grupos estrangeiros. 

Por tudo isto, se há privatização que devia ser exemplar, é a da EDP. O que está em completa contradição com um primeiro-ministro que diz que vê “com muito bons olhos" as propostas brasileiras, ou seja, em bom português, “não se metam nisto porque já está tudo apalavrado com Dilma Rousseff”. Para além disto ser muito estranho e completamente contrário a quaisquer boas práticas em casos como estes, em que a igualdade dos concorrentes deve ser completa à partida e só diferenciada no conhecimento das propostas e na negociação, corre-se o risco de os outros concorrentes, a diferentes processos de privatização, mandarem às malvas participarem na venda de empresas em Portugal, porque simplesmente não consideram sério o processo. Ou então, voltarem-se decididamente para o lobismo, no limiar da corrupção, porque é mais eficaz do que fazerem candidaturas com princípio, meio e fim e pode até ser mais barato. Quer o Presidente da República, quer o Tribunal de Contas, já alertaram para a necessidade de transparência neste processo, mas preocupa-me a indiferença da comunicação social e, sem ela, os portugueses vão acordar um dia sem as poucas jóias da coroa que têm e encontrar-se com casos ainda por explicar como o do BPN. E então será tarde demais.

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EARLY MORNING BLOGS
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"Arbitrary power is most easily established on the ruins of liberty abused to licentiousness."

(George Washington)

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1.11.11


RETRATOS DA CRISE






(Sandra Bernardo)


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 EARLY MORNING BLOGS



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"Les politiques grecs ne reconnaissent d'autre force que celle de la vertu. Ceux d'aujourd'hui ne vous parlent que de manufactures, de commerce, de finances, de richesses et de luxe même. "

(Montesquieu)

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© José Pacheco Pereira
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