A próxima geração terá menos qualificações, encontrará um ensino de pior qualidade, a mão-de-obra portuguesa que já tem um problema de qualificações, será menos habilitada. A saúde recuará na qualidade dos serviços médicos e de enfermagem. De um modo geral todos os serviços públicos ficarão piores. A burocracia tornar-se-á mais opressiva, os tempos de espera maiores, as oportunidades para a corrupção crescerão. A justiça permanecerá lenta e será mais cara. Embora ninguém queira saber disso para nada, as nossas forças armadas serão reduzidas a junk, com material obsoleto, sem aviões que possam sobrevoar a Europa e sem navios para proteger a nossa ZEE, e sem autoridade internacional para manter comandos de área que correspondem a interesses estratégicos de Portugal. Por aí adiante.
Quando a “crise” acabar, se é que acaba, o país terá recuado uns largos anos no seu desenvolvimento. É verdade que algum do “desenvolvimento” passado foi artificial e agora chegou a conta do crédito ao consumo, ou seja, para usar o chavão corrente, “vamos viver com as nossas posses”. É muito provavelmente inevitável, mas não estou certo de que o nosso recuo seja virtuoso por si, como alguns ideólogos e propagandistas do governo pensam que é.
Outra ilusão corrente é a de que se estão a cortar as
“gorduras” do estado, lastro também do discurso eleitoral que ganhou alguma
legitimidade popular porque as pessoas pensam que essas “gorduras” são as
mordomias, os carros do estado, os salários dos “chefes”. Os desempregados, os
que trabalham no sector privado, olham com hostilidade para os funcionários
públicos, mas esquecem que a saúde, educação e segurança que recebem a custo
quase zero tem o mesmo patrão e funcionam com os mesmos funcionários.
Não, não se estão a cortar as gorduras do estado, não se
está a “racionalizar” e a tornar mais eficaz o estado, está-se apressadamente a
tentar ir buscar dinheiro a tudo o que mexe para garantir as metas do défice.
Nem sequer é por ideologia, como dizem os socialistas. Não é por se ser
liberal, é porque o desespero conta muito e vai tudo a eito. Não se está a
substituir um estado gastador por outro mais eficaz. Está-se a encolher o monstro.
Vai ficar mais pequeno, mas continuará aleijado, vai gastar menos dinheiro, mas
vai continuar a gasta-lo mal.
A minha única esperança é que a após esta violenta redução.
O país possa ter uma margem de manobra para então reformar o estado. Mas isso exige
governantes reformistas e iluminados, que o povo vote neles e que não haja
condução da política por estrangeiros pouco sensíveis às realidades nacionais
Um milagre, não é?
By that long scan of waves, myself call'd back, resumed upon myself,
In every crest some undulating light or shade--some retrospect,
Joys, travels, studies, silent panoramas--scenes ephemeral,
The long past war, the battles, hospital sights, the wounded and the dead,
Myself through every by-gone phase--my idle youth--old age at hand,
My three-score years of life summ'd up, and more, and past,
By any grand ideal tried, intentionless, the whole a nothing,
And haply yet some drop within God's scheme's ensemble--some
wave, or part of wave,
Like one of yours, ye multitudinous ocean.
COISAS DA SÁBADO: NÃO TER ILUSÕES: CORTAR DINHEIRO AO ESTADO NÃO É REFORMAR O
ESTADO
Uma prevenção inicial: na actual situação nacional o
incumprimento do memorando com a troika seria um desastre de enormes
proporções. Por isso, tudo o que o governo faça no sentido de garantir esse
cumprimento faz bem, mesmo quando o podia fazer melhor. A nossa situação é
desesperante, e por isso todos os meios são bons para cumprir as nossas obrigações,
mesmo quando um governo mais experiente e sabedor podia governar melhor. Não
importa. É o que temos e, a bem ou a mal, tem que se evitar que o país entre
numa situação grega. Por isso o governo que atinja os números mágicos do
défice, fez a sua obrigação. Depois se verá a dimensão dos estragos, mas só
depois é que haverá algum espaço nacional para olhar para esses estragos sem
haver cataclismo, como haverá já agora se não se cumprir o défice. É um pouco
um círculo vicioso, mas estamos condenados, na melhor das hipóteses, a um
suplício de Sísifo, que tem a vantagem de ainda não ser eterno.
Agora uma coisa é fazer tudo, mesmo erros, para chegar aos
números mágicos, outra é iludirmo-nos sobre o que se passa. Há um lastro de
campanha eleitoral que ainda anda aí a arrastar-se: a ideia de que o que se
está a fazer é uma reforma estrutural. Não é. É um gigantesco aperto
conjuntural, feito à pressa e às cegas, que deixará não só país, mas também o
estado sem dinheiro, onde antes o tinha a crédito fácil. Acabará também, por
estado de necessidade, por cortar muita despesa inútil, mas pouco afectará as
causas dessa inutilidade A ilusão que vem do discurso eleitoral e de um certo
liberalismo da moda é a de que se está a reformar o estado cortando-lhe o
dinheiro, os lugares e alguns organismos, mas é apenas ilusão. Basta atentarmos
em dois factos: o papel dos aumentos brutais dos impostos na redução do défice,
impostos essas que no essencial ficarão para sempre; e a recusa de diminuir o
número de autarquias concelhias, uma medida que vem no memorando mas que os
nossos governantes, que dependem de partidos autárquicos, evitarão a todo o custo.
"Time is the coin of your life. It is the only coin you have, and only you can determine how it will be spent. Be careful lest you let other people spend it for you. "
Something there is that doesn't love a wall,
That sends the frozen-ground-swell under it,
And spills the upper boulders in the sun;
And makes gaps even two can pass abreast.
The work of hunters is another thing:
I have come after them and made repair
Where they have left not one stone on a stone,
But they would have the rabbit out of hiding,
To please the yelping dogs. The gaps I mean,
No one has seen them made or heard them made,
But at spring mending-time we find them there.
I let my neighbor know beyond the hill;
And on a day we meet to walk the line
And set the wall between us once again.
We keep the wall between us as we go.
To each the boulders that have fallen to each.
And some are loaves and some so nearly balls
We have to use a spell to make them balance:
'Stay where you are until our backs are turned!'
We wear our fingers rough with handling them.
Oh, just another kind of outdoor game,
One on a side. It comes to little more:
There where it is we do not need the wall:
He is all pine and I am apple orchard.
My apple trees will never get across
And eat the cones under his pines, I tell him.
He only says, 'Good fences make good neighbors.'
Spring is the mischief in me, and I wonder
If I could put a notion in his head:
'Why do they make good neighbors? Isn't it
Where there are cows? But here there are no cows.
Before I built a wall I'd ask to know
What I was walling in or walling out,
And to whom I was like to give offense.
Something there is that doesn't love a wall,
That wants it down.' I could say 'Elves' to him,
But it's not elves exactly, and I'd rather
He said it for himself. I see him there
Bringing a stone grasped firmly by the top
In each hand, like an old-stone savage armed.
He moves in darkness as it seems to me,
Not of woods only and the shade of trees.
He will not go behind his father's saying,
And he likes having thought of it so well
He says again, 'Good fences make good neighbors.'
Thank you for these tiny
particles of ocean salt,
pearl-necklace viruses,
winged protozoans:
for the infinite,
intricate shapes
of submicroscopic
living things.
For algae spores
and fungus spores,
bonded by vital
mutual genetic cooperation,
spreading their
inseparable lives
from equator to pole.
My hand, my arm,
make sweeping circles.
Dust climbs the ladder of light.
For this infernal, endless chore,
for these eternal seeds of rain:
Thank you. For dust.
(Marilyn Nelson)