ABRUPTO

20.8.11


COISAS DA SÁBADO
UM MONUMENTO À HIPOCRISIA OCIDENTAL: OS AVIÕES DA OTAN NÃO VOARÃO SOBRE DAMASCO

Com as forças da OTAN do lado dos revoltosos, que recebem hoje todos os apoios necessários, consultores no terreno, armas, logística, suporte diplomático, tudo isto complementado pela melhor força aérea do mundo, é natural que a queda de Kadhafi seja uma questão de tempo. Não deixará saudades, mas o modo como foi derrubado, – por uma decisão política de regime change europeia –, permanecerá como um monumento à hipocrisia ocidental. Basta ler o texto da resolução das Nações Unidas para saber que a intervenção da OTAN vai muito para além dos termos internacionalmente acordados. Basta compreender o terreno para se perceber que, diferentemente do que aconteceu em muitos países árabes, não há uma insurreição vagamente democrática, mas uma guerra civil tribal. Basta olhar para a indiferença com que a comunidade internacional actua com a Síria, para se perceber que se se estiver noutra geografia, e noutra geopolítica, pode-se “atacar o seu próprio povo”, de forma violenta, continuada, sangrenta, muito mais sangrenta do que Kadafi fez antes da intervenção ocidental, sem nenhumas consequências. Os aviões da OTAN não voarão sobre Damasco.

(url)



ESPÍRITO DO TEMPO: HOJE

Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. (RM)

(url)


EARLY MORNING BLOGS


2088
 
 
"The money powers prey upon the nation in times of peace and conspire against it in times of adversity. It is more despotic than a monarchy, more insolent than autocracy, and more selfish than bureaucracy. It denounces as public enemies, all who question its methods or throw light upon its crimes. I have two great enemies, the Southern Army in front of me and the Bankers in the rear. Of the two, the one at my rear is my greatest foe.. corporations have been enthroned and an era of corruption in high places will follow, and the money powers of the country will endeavor to prolong its reign by working upon the prejudices of the people until the wealth is aggregated in the hands of a few, and the Republic is destroyed."

(Abraham Lincoln)

(url)

19.8.11


ESPÍRITO DO TEMPO: HOJE

Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. (RM)

(url)


EARLY MORNING BLOGS


2087
 
 
He that will not apply new remedies must expect new evils; for time is the greatest innovator.

(Francis Bacon)

(url)

17.8.11


NATIONS GROWN CORRUPT (2)


O mal destes hábitos de frequentar os antigos, é ser-se dado à analogia. A UE está hoje muito parecida com a Liga de Delos, a união das cidades gregas do Egeu contra os persas, tendo como hegemon Atenas. No início, enquanto havia um inimigo comum, a Liga teve um papel fundamental em garantir a "liberdade" (era esse mesmo o termo usado) dos gregos, depois foi-se pouco a pouco tornando num instrumento imperial de Atenas. Quando Thasos pretendeu manter o controlo das minas que estavam no seu território, o novo poder imperial usou os recursos militares da Liga para impor a ordem, entregar as minas a Atenas, destruir as muralhas da polis e impor submissão e tributo a Atenas. Foi uma clara manifestação da mudança de carácter da Liga de Delos e, convém lembrar aos desprevenidos, um dos primeiros sinais de que vinha aí uma grande guerra, a Guerra do Peloponeso, e a decadência dos gregos.

(url)


NATIONS GROWN CORRUPT

Os versos de Milton aqui em baixo não estão lá por acaso. Aliás nada está aqui por acaso. Estão aqui porque uma nação que não se sente humilhada e ofendida pela cena da conferência de imprensa Sarkozy - Merkel sobre o "governo económico da Europa" que abre os noticiários nos últimos dias e já começou a receber palmas dos europeístas por convicção (uma minoria) e dos europeístas por necessidade (hoje uma enorme maioria), está profundamente corrompida. Tudo nessa conferência, é mau: o tom, com Sarkozy balbuciando umas coisas que parece notoriamente não conhecer bem, e Merkel ameaçando Portugal e a Grécia; e o conteúdo, um diktat de dois países da União com um anúncio de medidas à margem de qualquer dos tratados que regem a União Europeia. Dizem o que vão fazer os dois, criam uma instituição (uma a mais que não vem nos Tratados), nomeiam o seu presidente e fazem imposições constitucionais a todos os membros da União. Bastava esta última imposição, que atinge o coração da soberania dos estados membros, para percebermos que já não há União, mas uma Europa servil a amos mais fortes. O que está em causa, tenho-o dito, é a soberania. Estas imposições constitucionais já não atingem somente a soberania, mas também a liberdade. É que a autonomia constitucional, na sua raiz parlamentar, está no cerne da liberdade dos povos.

(url)


EARLY MORNING BLOGS


2086
 
Nations grown corrupt
Love bondage more than liberty;
Bondage with ease than strenuous liberty.

(John Milton)

(url)

16.8.11


ÍNDICE DO SITUACIONISMO (138):  
ONDE É QUE JÁ OUVIMOS ISTO?

A questão do situacionismo não é de conspiração, é de respiração.
E, nalguns casos, de respiração assistida.

Uma típica fórmula usada quando alguma coisa não corre bem, corre mal, ou não corre como devia (repare-se que eu não digo quando alguma coisa é errada, embora também se aplique) é dizer que isso se deve a um "erro de comunicação". É uma típica fórmula escapatória, e muito, muito situacionista. Diz-nos que tudo está bem em si, só falhou a encenação, a coreografia.

(url)


ESPÍRITO DO TEMPO: HOJE

Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. (RM)
 
NESTES DIAS
 
 Cascais (MJ).

Trafaria (Luis Boavida).
 

Caldas da Rainha.

(url)


EARLY MORNING BLOGS


2085
 
 
Dum loquor, hora fugit.

(Ovídio)

(url)

15.8.11


HOJE DE NOVO
 
 

 

(url)


POEIRA: UMA MORTE


Hoje, há mil duzentos e trinta e oito anos, em Roncevaux, o conde Rolando, ferido de morte, descarrega a sua fúria sobre uma pedra cinzenta:

Ço sent Rollant la veúe ad perdue*;
Met sei sur piez, quanqu'il poet, s'esvertuet;
En sun visage sa culur ad perdue.Dedevant lui ad une perre byse:
.X. colps i fiert par doel e par rancune.
Cruist li acers, ne freint, [ne] n'esgruignet.
«E!» dist li quens, «sainte Marie, aiue!
E! Durendal, bone, si mare fustes!


Quant jo mei perd, de vos n'en ai mais cure.
Tantes batailles en camp en ai vencues.
E tantes teres larges escumbatues,
Que Carles tient, ki la barbe ad canue!
Ne vos ait hume ki pur altre fuiet!
Mult bon vassal vos ad lung tens tenue:
Jamais n'ert tel en France l'asolue.»


Rollant ferit el perrun de sardónie.
Cruist li acers, ne briset ne n'esgrunie.
Quant il ço vit que n'en pout mie freindre,
A sei meïsme la cumencet a pleindre:
«E! Durendal, cum es bele, e clere, e blanche!
Cuntre soleill si luises e reflambes!
Carles esteit es vals de Moriane,
Quant Deus del cel li mandat par sun a[n]gle,
Qu'il te dunast a un cunte cataignie: 
Dunc la me ceinst li gentilz reis, li magnes.
Jo l'en cunquis Namon e Bretaigne,
Si l'en cunquis e Peitou e le Maine;
Jo l'en cunquis Normendie la franche,
Si l'en cunquis Provence e Equitaigne
E Lumbardie e trestute (r)Romaine;
Jo l'en cunquis Baiver e tute Flandres, 
E Burguigne e trestute Puillanie,
Costentinnoble, dunt il out la fiance,
E en Saisonie fait il ço, qu'il demandet;
Jo l'en cunquis e Escoce e Vales Islonde,
E Engletere, que il teneit sa cambre;
Cunquis l'en ai païs e teres tantes,
Que Carles tient, ki ad la barbe blanche.
Pur ceste espee ai dulor e pesance:
Mielz voeill murir qu'entre paiens remaigne.
Deus! Perre, n'en laise(i)t hunir France!»


Rollant ferit en une perre bise,
Plus en abat que jo ne vos sai dire.
L'espee cruist, ne fruisset, ne ne brise, 
Cuntre ciel amunt est resortie.
Quant veit li quens que ne la freindrat mie,
Mult dulcement la pleinst a sei meïsme:
«E! Durendal, cum es bele e seintisme!
En l'oriet punt asez i ad reliques: 
La dent seint Perre e del sanc seint Basilie,
E des chevels mun seignor seint Denise,
Del vestement i ad seinte Marie.
Il nen est dreiz que paiens te baillisent;
De chrestiens devrez estre servie.
Ne vos ait hume ki facet cuardie!
Mult larges teres de vus avrai cunquises,
Que Carles les tent, ki la barbe ad flurie.
E li empereres en est ber e riches.»


Ço sent Rollant que la mort le tresprent,
Devers la teste sur le quer li descent.
Desuz un pin i est alet curant,
Sur l'erbe verte s'i est culcet adenz,
Desuz lui met s'espee e l'olifan (en sumet);
Turnat sa teste vers la paiene gent;
Pur ço l'at fait que il voelt veirement
Que Carles diet e trestute sa gent,
Li gentilz quens, qu'il fut mort cunquerant.
Cleimet sa culpe e menut e suvent;
Pur ses pecchez Deu (recleimet) en puroffrid lo guant. .




Ço sent Rollant de sun tens n'i ad plus.
Devers Espaigne est en un pui agut;
A l'une main si ad sun piz batud:
«Deus, meie culpe vers les tues vertuz
De mes pecchez, des granz e des menuz
Que jo ai fait des l'ure que nez fui
Tresqu'a cest jur que ci sui consoüt!»
Sun destre guant en ad vers Deu tendut:
Angles del ciel i descendent a lui.


Li quens Rollant se jut desuz un pin;
Envers Espaigne en ad turnet sun vis.
De plusurs choses a remembrer li prist:
De tantes teres cum li bers conquist,
De dulce France, des humes de sun lign,
De Carlemagne, sun seignor, kil nurrit.
Ne poet muer n'en plurt e ne suspirt.
Mais lui meïsme ne volt mettre en ubli,
Cleimet sa culpe, si priet Deu mercit:
«Veire Patene, ki unkes ne mentis,
Seint Lazaron de mort resurrexis,
E Daniel des leons guaresis,
Guaris de mei l'anme de tuz perilz
Pur les pecchez que en ma vie fis!»
Sun destre guant a Deu en puroffrit;
Seint Gabriel de sa main l'ad pris.
Desur sun braz teneit le chef enclin;
Juntes ses mains est alet a sa fin.
Deus tramist sun angle Cherubin,
E seint Michel del Peril;
Ensembl'od els sent Gabriel i vint.
L'anme del cunte portent en pareïs.

O arcanjo sabia o que fazia. A Europa não será muçulmana.


(*) Texto em francês moderno: 

Alors, Roland sent qu'il perd la vue,
Il se relève, il fait autant d'efforts qu'il le peut ;
La couleur de son visage s'en est allée.
Devant lui il y a une pierre grise :
Il frappe dix grands coups pleins de colère et de rage.
L'acier grince, il ne se rompt pas, il ne s'ébrèche même pas.
« Eh ! dit le Comte, Sainte Marie, aide-moi !
Eh ! Durendale, ma bonne, un tel malheur n'est jamais arrivé !
Maintenant que je vous quitte, j'ai bien des soucis à me faire pour vous.
J'ai remporté tant de batailles d'homme à homme avec vous,
J'ai combattu et remporté tant de grandes terres,
Que Charles possède, lui qui a la barbe chenue.
Que jamais un homme qui fuit devant son ennemi ne vous tienne !
C'est un fort bon vassal qui vous a portée pendant tout ce temps,
Il n'y en aura plus jamais de tel dans notre libre France. »


Roland frappe sur la pierre grise :
L'acier grince, il ne se brise pas, il ne s'ébrèche pas.
Quand le Comte voit qu'il ne peut pas fendre son arme ,
Il commence à se lamenter en lui-même :
« Eh ! Durendale, que tu es claire et blanche !
Le soleil brille sur toi et se reflète !
Charles était dans la vallée de Morienne
Quand Dieu du ciel lui envoya son ange lui demander
De te donner à un Comte valeureux :
Donc ce noble roi, ce grand roi, me l'a mise au côté.
Avec elle je lui ai conquis l'Anjou et la Bretagne,
Je lui ai conquis le Poitou et le Maine,
Avec elle je lui ai conquis la libre Normandie,
Je lui ai conquis la Provence et l'Aquitaine
Et la Lombardie et toute la Romagne ;
Avec elle je lui ai conquis la Bavière et toutes les Flandres,
Et la Bulgarie et toute la Pologne,
Constantinople, dont il a reçu le respect,
Et la Saxe, où il fait selon sa volonté.
Avec elle je lui ai conquis l'Écosse et l'Irlande,
Et l'Angleterre, où il avait son domaine.
J'en ai tant conquis pour lui de ces royaumes et de ces terres,
Pour Charles qui en est maître et qui porte barbe blanche.
Pour cette épée j'ai le coeur lourd, j'ai de la peine,
Je préférerais mourir plutôt que de la laisser entre des mains païennes !
Dieu le père, ne laissez pas la France dans une telle honte ! »


Roland frappe sur une pierre grise.
Il frappe plus de coups que je ne saurais vous dire.
L'épée grince, mais elle ne se tord pas, elle ne se brise pas,
Elle rebondit vers le ciel.
Quand il voit qu'il n'arrivera pas à la fendre,
Roland se lamente doucement en lui-même :
« Eh ! Durendale, comme tu es belle et très sainte !
Dans ton pommeau d'or il y a maintes reliques :
Une dent de Saint Pierre et du sang de Saint Basile,
Et des cheveux de Monseigneur Saint Denis,
Et un morceau du vêtement de Sainte Marie.
Il n'est pas convenable que des païens te possèdent :
C'est par des chrétiens que vous devez être servie.
Que jamais l'homme qui vous tient ne soit un couard !
J'aurai, grâce à vous, conquis beaucoup de vastes terres
Que Charles possède, lui qui a la barbe fleurie,
Et l'empereur en est puissant et riche. »


Alors Roland sent que la mort le travaille,
Qu'elle lui descend de la tête jusque dans le corps.
Il a couru jusque sous un pin,
Il se couche sur l'herbe verte, face contre terre,
Dessous lui il met son épée et son olifant.
Il tourne le visage vers la gent païenne.
Il fait cela car il veut surtout
Que Charles dise, ainsi que tous ses gens :
« Le noble Comte est mort en conquérant. »
Il se frappe la poitrine, à petits coups, plusieurs fois.
Pour demander le pardon de ses péchés il tend son gant vers Dieu.


Alors Roland sent que son temps est terminé.
Il est là, sur un sommet pointu, qui regarde vers l'Espagne.
Il se frappe la poitrine d'une main :
« Dieu, pardonne-moi, au nom de tes vertus,
Pour mes péchés, les grands et les petits,
Tous ceux que j'ai commis depuis l'heure de ma naissance
Jusqu'à ce jour où je suis ainsi frappé ! »
Il tend son gant droit vers Dieu.
Les anges du ciel descendent à lui.


Le comte Roland est allongé sous un pin.
Il a tourné le visage vers l'Espagne.
Le souvenir de maintes choses lui vient,
De tant de terres qu'il a vaillamment prises,
De sa douce France, des hommes de son lignage,
De Charles, son seigneur, qui l'a nourri.
Roland ne peut manquer de pleurer, de soupirer,
Mais il ne veut pas oublier sa propre personne.
Il se frappe la poitrine, il demande pitié à Dieu :
« Vrai Père, toi qui jamais n'a menti,
Et qui as rappelé Saint Lazare de la mort,
Et qui as protégé Daniel des lions,
Préserve mon âme de tous les dangers,
Malgré les péchés que j'ai pu commettre au cours de ma vie ! »
Il a offert son gant droit à Dieu ;
Saint Gabriel l'a pris par la main.
Roland incline la tête sur son bras ;
Il part à sa fin les mains jointes.
Dieu lui envoie son ange chérubin,
Et Saint Michel du Péril de la Mer ;
Et Saint Gabriel vient se joindre à eux.
Ils emportent l'âme du comte au paradis.

(url)


EARLY MORNING BLOGS


2084
 
"Ignorância e vento têm grande atrevimento"

(url)

14.8.11


ESPÍRITO DO TEMPO: HOJE

Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. (RM)

(url)


EARLY MORNING BLOGS



2083 

 The stars make no noise

(Provérbio irlandês.)

(url)

© José Pacheco Pereira
Site Meter [Powered by Blogger]