O Tea Party não está para concessões. E é nesse interstício entre o teatro e os factos que Obama suscita uma resposta virulenta, parte da qual alimentou o Tea Party e lhe deu a recente vitória eleitoral no Congresso. Tive ocasião de falar e ouvir um dos principais dirigentes do Tea Party, membro do seu caucus, eleito para o Congresso, e ele e os seus companheiros republicanos mean business são para levar a sério e vão fazer a vida negra ao Presidente, a começar no Orçamento que está para ser apresentado. Sem dúvida, estão motivados, convencidos das suas razões e dispostos a ir por aí adiante. Não é uma revolução, mas vai mudar muita coisa.
NOTAS DE VIAGEM AMERICANAS: NATIONAL PRAYER BREAKFAST
Poucas coisas mostram a maior das diferenças entre a América e a Europa do que este tipo de iniciativas: um pequeno-almoço em que o Presidente, na presença de congressistas cristãos e de personalidades nacionais e estrangeiras, faz uma intervenção e reza. A intervenção diz respeito à oração, ao sentido da religião, à relação que a oração estabelece com Deus. Isto é feito num país profundamente religioso e, ao mesmo tempo, um dos que institucionalizaram com mais vigor a separação da Igreja e do Estado, ao ponto de não permitir "momentos de meditação" (que tinham sido sugeridos por vários grupos cristãos), para passar ao lado da proibição de oração nas aulas do ensino oficial.
O National Prayer Breakfast foi esta semana e Obama fez uma longa intervenção, muito reveladora do seu melhor e do seu pior. Foi um discurso escrito, perfeito na fusão equilibrada entre o testemunho pessoal, a religiosidade, as questões políticas correntes, mesmo a ironia, retoricamente de muito grande qualidade. Ou seja, bem escrito, bem dito, e bem representado. Obama fala de si, de forma íntima e próxima, da sua família, do pai que viu uma única vez e que era descrente, e de uma mãe também pouco crente, mas "espiritual". E contou como "encontrou Jesus Cristo". Fala da mulher e das suas preocupações de pai, tudo dito com um quanto de emoção, de razão e de humor. Obama fala de si de uma forma que permite que muitos se identifiquem com ele, com uma trivialidade na qual se podem reconhecer muitos pais, muitas famílias, muitos "pecadores", muitos homens e mulheres absolutamente comuns.
Mas, a motivação política do seu discurso é evidente. Obama é tido como um dos presidentes sobre cuja fé cristã e a sua genuidade existe mais dúvidas, havendo mesmo uma minoria irredutível de americanos que acha que ele é muçulmano e o esconde. Fala das dificuldades económicas que muitos americanos conhecem hoje em dia, no desemprego, na pobreza, na doença, e "reza" por eles. Fala do Egipto e do seu momento trágico, para mais uma vez mostrar que está com os manifestantes. Em suma, "reza" pelas suas causas, sem que ninguém lhe possa tirar a elevação de o fazer com equilíbrio e sem exaltação. De novo, insisto, é difícil fazer melhor no actual estado da arte. Mas também é difícil evitar a sensação de que tanta perfeição é ensaiada, que o homem "sabe-a toda" e é um excelente actor.
Não se liga muito às boas notícias, em particular quando elas estão do lado que se considera “incorrecto”, mas a situação militar no Afeganistão está a melhorar consideravelmente. Refiro-me apenas à situação militar, porque a segurança interna e a situação política permanecem muito frágeis e podem até piorar. Paradoxalmente pode até haver atentados mais espectaculares, mas isso deve-se a que é mais fácil fazer explodir uma bomba num mercado do que manter o controlo territorial que os taliban mantinham nalgumas áreas do sul do Afeganistão e agora perderam. Há uma janela de oportunidade e como temos lá os nossos militares, numa missão essencial de ajuda ao exército afegão, convém saber como estão as coisas.
COISAS DA SÁBADO: PIOR DO QUE MUBARAK É O VAZIO DO PODER
No Egipto, tudo pode ainda vir a correr bem, sem Mubarak, e com mais democracia, mas o que se está a passar é ainda demasiado confuso para se começar a bater palmas. Na verdade, o Egipto foi a pátria ideológica da Al-Qaida, e a organização que individualmente mais moldou o fundamentalismo islâmico, é a Irmandade Muçulmana que, sabe-se, não teve até agora papel fundamental nos protestos. Mas o grupo existe, tem força e uma longa história de perseguições por parte de Nasser, Sadat e Mubarak, e representa uma presença activa contra o secularismo e a modernização da sociedade egípcia. A queda de Mubarak significa o fim de uma ditadura, mas também tira do poder um militar que sempre foi um travão à influência fundamentalista. Para haver democracia no Egipto não basta derrubar Mubarak, é preciso impedir que, no vazio do poder, não ascenda a Irmandade Muçulmana.
Nestes preliminares da dança das cadeiras, vai ser interessante ver quem é que é atacado com a receita “Cavaco Silva” e quem é poupado.. Por receita “Cavaco Silva” refiro-me ao armamento pesado, como aquele que o grupo de Sócrates usou contra Cavaco já por duas vezes. Uma vez, contra Cavaco e Manuela Ferreira Leite, a história do e-mail do jornalista do Público sobre a sua fonte de Belém, que, com a colaboração do Diário de Noticias, foi usado para fragilizar o Presidente e Manuela Ferreira Leite, como vítima colateral. A outra é a história do BPN e da casa do Algarve. Isto é preparado com tempo, e usado no momento certo.
Ora, eu tenho a certeza que também há do mesmo armamento contra Passos Coelho e os seus próximos e não tenho dúvidas que a casa de Sócrates, actuando como sempre actuou by proxy, o usará se for preciso. Se não o usar ou é ou porque não é preciso, ou é porque, bem vistas as coisas, o PS sempre esperará um governo de bloco central ou qualquer forma de entendimento, e evitará uma política de terra queimada. Mas esta gente não brinca em serviço. Se se modera, é só porque pensa ganhar alguma coisa com a moderação.
No PS, só grupo de Sócrates, que detém o poder hoje em dia, dará luta, porque sabe que ficará muito isolado, a começar pelo seu cabeça, quando vier o bing esperado. Podem aliás ter a tentação de, para evitar um bing sem história em 2013, tentarem um bang qualquer antes. Eles que são especialistas em vento, já perceberam a enorme transumância que os seus “amigos”, da banca, da economia, da gestão, da comunicação social, já estão a fazer do PS para o PSD. Primeiro dá-se uma entrevista a pretexto de nada, mas lá no meio há uma frase simpática para Passos Coelho que surpreenderá e dará notícia. Depois virá um convite para uma qualquer conferência num evento partidário do PSD, e depois fica-se ministeriável. E já está feita a mudança, muitas vezes a mesma mudança que já se fez várias vezes, sempre com êxito. Sócrates, que já viu todo este processo em sua direcção, percebe logo quando aparece a pequena frase e enfurece-se. Mas não adianta. Ele já não tem magneto e o outro tem, dirá um cínico.
A inexistência de novas notícias, o mesmo pântano de motivos, situações e pessoas, torna-se evidente quando nos distanciamos mais e se vê Portugal a muitos milhares de quilómetros. De fora e de longe, quando se procura alguma coisa que não seja a mesma história de sempre, nada se encontra. O PSD está à espera com uma navegação de cabotagem. Quando se mexe perde a costa ou chega-se demais às rochas e volta logo ao curso à vista, evitando mexer-se para além dos mínimos. O PS está a fazer de conta que nada aconteceu e que nada se passou. Lá pelas cavernas do PS contam-se espingardas, fidelidades, traições, alinhamentos, mas o medo de perder o poder é tanto, que mais vale deixar que o ciclo de Sócrates se extinga com um bing do que com um bang e que venha o seguinte “para queimar”na oposição ao PSD. Só depois, haverá “normalidade” e a luta no interior do PS será a sério. No PS e no PSD, a máquina daqueles cuja carreira é “serem” o partido, agita-se quer com as esperanças, quer com a expectativa do refluxo. Mesmo no refluxo, muito aparelho reage melhor do que o que se pensa, desde que se vão os “outros”,os independentes, os que se foram buscar para “alargar” em momentos eleitorais fastos, e que ainda haja lugares para os “nossos”. Na Assembleia, por exemplo.
“How like a well-kept garden is your soul.” John Gray’s translation of Verlaine & Baudelaire’s butcher in 1861 shorted him four centimes on a pound of tripe. He thought himself a clever man and, wiping the calves’ blood from his beefy hands, gazed briefly at what Tennyson called “the sweet blue sky.”
It was a warm day. What clouds there were were made of sugar tinged with blood. They shed, faintly, amid the clatter of carriages new settings of the songs Moravian virgins sang on wedding days.
The poet is a monarch of the clouds
& Swinburne on his northern coast “trod,” he actually wrote, “by no tropic foot,” composed that lovely elegy and then found out Baudelaire was still alive whom he had lodged dreamily in a “deep division of prodigious breasts.”
Surely the poet is monarch of the clouds. He hovers, like a lemon-colored kite, over spring afternoons in the nineteenth century
while Marx in the library gloom studies the birth rate of the weavers of Tilsit and that gentle man Bakunin, home after fingerfucking the countess, applies his numb hands to the making of bombs.