| ABRUPTO |
semper idem Ano XIII ...M'ESPANTO ÀS VEZES , OUTRAS M'AVERGONHO ... (Sá de Miranda) _________________ correio para jppereira@gmail.com _________________
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22.1.11
HOJE DE NOVO
(url) (url) EARLY MORNING BLOGS 1950 - Prodigy I grew up bent over a chessboard. I loved the word endgame. All my cousins looked worried. It was a small house near a Roman graveyard. Planes and tanks shook its windowpanes. A retired professor of astronomy taught me how to play. That must have been in 1944. In the set we were using, the paint had almost chipped off the black pieces. The white King was missing and had to be substituted for. I’m told but do not believe that that summer I witnessed men hung from telephone poles. I remember my mother blindfolding me a lot. She had a way of tucking my head suddenly under her overcoat. In chess, too, the professor told me, the masters play blindfolded, the great ones on several boards at the same time. (Charles Simic) (url) 21.1.11
(url) COISAS DA SÁBADO: O GOVERNO POR DETRÁS DA CAMPANHA CONTRA CAVACO
Como já disse várias vezes, o pseudo-blogue “Câmara Corporativa” é um produto directo dos círculos mais próximos da governação à volta do Primeiro-ministro e pago com os nossos impostos. A sua função é conhecida pelo menos nos seus aspectos mais grosseiros (produção e distribuição de argumentário, campanhas de ataque pessoal aos inimigos do PM, etc.) . Os aspectos mais subtis e “negros” são da ordem da desinformação profissionalizada e essa está para além do attention span habitual nos meios dos blogues e do jornalismo. Mas o que de lá vem é sempre revelador, apoiado por uma base de dados também profissional e material informativo e fotográfico muito para além do que está acessível na Internet. E pelos boys anónimos da Câmara Corporativa se percebe muito bem como a campanha do BPN contra Cavaco não veio de Alegre, mas directamente do governo e de Sócrates. Eles sabem que Cavaco vai ganhar as eleições, não querem saber de Alegre para nada, mas querem um Cavaco fragilizado no seu segundo mandato presidencial. Percebe-se muito bem porquê. (url) EARLY MORNING BLOGS 1949 - Odysseus to Telemachus My dear Telemachus, The Trojan War is over now; I don't recall who won it. The Greeks, no doubt, for only they would leave so many dead so far from their own homeland. But still, my homeward way has proved too long. While we were wasting time there, old Poseidon, it almost seems, stretched and extended space. I don't know where I am or what this place can be. It would appear some filthy island, with bushes, buildings, and great grunting pigs. A garden choked with weeds; some queen or other. Grass and huge stones . . . Telemachus, my son! To a wanderer the faces of all islands resemble one another. And the mind trips, numbering waves; eyes, sore from sea horizons, run; and the flesh of water stuffs the ears. I can't remember how the war came out; even how old you are--I can't remember. Grow up, then, my Telemachus, grow strong. Only the gods know if we'll see each other again. You've long since ceased to be that babe before whom I reined in the plowing bullocks. Had it not been for Palamedes' trick we two would still be living in one household. But maybe he was right; away from me you are quite safe from all Oedipal passions, (Joseph Brodsky) (url) 20.1.11
COISAS DA SÁBADO: REPITO MAIS UMA VEZ PARA FICAR REGISTADO
![]() Convém não esquecer que o acto de queda do actual governo, seja por dissolução presidencial da Assembleia, seja através de uma moção de censura ou rejeição de confiança, não é isento de muitos riscos para quem o der. A não ser que o governo se demita e o PS force eleições, a oposição não pode esquecer que o acto de provocar a queda do governo é um acto traumático e sempre controverso no actual situação económica e financeira, muito propícia a vitimizações e desresponsabilizações. Para além disso, o modo como o governo cair, se cair, será sempre um condicionante importante dos resultados das eleições. Por muita pressa que toda a gente tenha de se livrar do engenheiro, a verdade é que, se for mal feito, arriscamo-nos a ficar com ele outra vez. Tenho por isso a opinião que se, mal ou bem, a execução orçamental for sofrível, mais vale esperar por 2013, onde o funcionamento regular do calendário eleitoral nos livrará da espécie, sem lhe dar o presente de ser vítima ou o gosto de apontar culpados alheios daquilo que ele fez. (url) HOJE DE NOVO
(url) COISAS DA SÁBADO: A CONVERSA SOBRE O FMI É PERIGOSA
Não sei até que ponto há um elemento suicidário na nossa política interna, ou se é só incompetência e ignorância. Nos discursos banalizadores sobre a vinda do FMI, esquece-se que este é um acto de grande gravidade, com enormes consequências em muitos aspectos da nossa vida, e, no entanto, é menorizado por muita opinião leviana que parece não saber do que está a falar. A banalização da entrada do FMI manifestada em frases do género, “mais vale ser o FMI a governar do que o Sócrates”, “ao menos vemo-nos livres deles” e outras, ignoram que em muitos aspectos do “mandar” e da organização do “mandar” a responsabilidade e a execução continua nossa, muito nossa. E que é possível “cumprir” com o que o FMI nos pede e mesmo assim estragar ainda mais o país.A entrada do FMI, se nos dá alívio financeiro, não é líquido que dê origem a medidas estruturais que garantam um futuro, qualquer futuro, que não nos atire para uma mediocridade pantanosa. Os nossos “salvadores” do FMI são relativamente indiferentes a isso, e hoje, diferentemente da vez anterior, querem mais “salvar-nos” pelas consequências sistémicas, do que pelos nossos lindos olhos europeus. Ou seja, tudo o que possa ser feito para evitar o desembarque na Portela do FMI deve ser feito, mesmo com este governo que nos coube em desgraça, abaixo de tudo o que se move à superfície da terra. Incluindo os cães. (Continua.) (url) (url) (url) 19.1.11
ÍNDICE DO SITUACIONISMO (125) : VAZIOS
![]() A questão do situacionismo não é de conspiração, é de respiração. E, nalguns casos, de respiração assistida. Os jornais e a comunicação social em geral estão cheios de fastio sobre a campanha eleitoral em curso, o seu vazio de propostas, temas, conteúdo. Não é novidade nenhuma. De há muito tempo que TODAS as campanhas eleitorais são assim descritas, sempre com o mesmo tipo de fastio e adversidade contra os candidatos. Talvez valha a pena reflectir até que ponto este tipo de descrição do vazio das campanhas é mais uma descrição do jornalismo português, dos temas a que dão relevo, do que seleccionam na acção dos candidatos, da procura incessante do confronto e do conflito, do sensacionalismo, das perguntas destinadas a amplificar “arrasos” entre candidatos, da obsessão em encontrar frases assassinas, incidentes de rua, trivialidades mais ou menos engraçadas. Eu não digo que os candidatos não colaboram muitas vezes neste vazio, mas há muita coisa séria que dizem e escrevem e que, como não é engraçada, não atira à jugular do adversário, não faz parte do tema do dia, não encaixa na lógica de preto e branco e da parada e resposta, não existe. Por tudo isto, a campanha eleitoral em que os factos são mais bem retratados é a de José Manuel Coelho. (url) EARLY MORNING BLOGS 1947 There once was a man from Nantucket Who kept all his cash in a bucket. But his daughter, named Nan, Ran away with a man And as for the bucket, Nantucket. But he followed the pair to Pawtucket, The man and the girl with the bucket; And he said to the man, He was welcome to Nan, But as for the bucket, Pawtucket. Then the pair followed Pa to Manhasset, Where he still held the cash as an asset; But Nan and the man Stole the money and ran, And as for the bucket, Manhasset. (Anónimos)
(url) 18.1.11
A ASCENSÃO DA DEMAGOGIA Aquele que lisonjeia a multidão, para tirar proveito pessoal. Agitador que excita as paixões populares. (Do Dicionário.) Os tempos estão férteis para os demagogos sob várias versões e debaixo de várias capas ideológicas, à esquerda e à direita. Este é um dos aspectos mais perigosos dos anos nefastos que vamos atravessar, porque será pela sua voz e pela sua acção que se incendiará o discurso político, que se destruirá a já débil capacidade da racionalidade do debate público. Os temas da demagogia são clássicos (dinheiro, corrupção, desigualdade, riqueza, etc.) e, em tempos sem futuro, os demagogos incentivam a raiva com proveito próprio. Aqui vão alguns exemplos. Francisco Louçã Francisco Louça é o exemplo mais acabado do demagogo radical, possuidor de um verbo inflamado e que não poupa as palavras que mais excitam. Às vezes, ao ouvi-lo, como aconteceu esta semana no Parlamento num discurso insultuoso contra Cavaco Silva, o melhor exemplo que vinha à minha cabeça era o de um daqueles políticos populistas do “Bible Belt”, ou de um dos mais excitados membros nas manifestações do Tea Party. Uma das coisas mais parecidas com a extrema-direita americana é esta extrema-esquerda portuguesa, que deita a sofisticação às malvas quando fala das mafias, dos gangues, dos criminosos, e estes são… banqueiros. Quando lhe chamam “pregador” acertam num aspecto e falham noutro. De facto, Louçã está longe de ser um dos místicos que, como muitas vezes aconteceu na história do socialismo, usavam uma linguagem utópica e milenarista, uma versão laica do profetismo bíblico, para prometer aos proletários uma Jerusalém libertada do jugo da exploração. Essa tensão religiosa nada tem a ver com Louça. Louçã é outra coisa: é um comunista que não se nomeia como tal. A sua visão do mundo é a do marxismo, a que se soma a experiência leninista e trotsquista, revista sob a capa de uma linguagem que substituiu o jargão terminológico clássico, por uma visão moralista da realidade. Louça é um táctico cínico, que se move bem nos meios da burguesia urbana intelectual radicalizada e menos bem nos meios dos trabalhadores. Esses são o terreno do PCP, muito menos demagógico e populista do que o Bloco de Esquerda. Aquilo em que a classificação de “pegador” acerta é no facto de, por razões de utilitarismo político (e também de ocultação), nele se substituir a linguagem marxista da exploração por um discurso moralista em que o bem e o mal, o justo e o injusto, o certo e o errado, são usados para classificar o seu mundo e excluir o dos outros. Não há um átomo de tolerância no que diz, mas uma sucessão de proclamações, à Savonarola, dos males do mundo ferido pelos corruptos, pelos ladrões, pelos ricos, pelos poderosos. E isso é que é pregação, demagogia pura. Petição do Correio da Manhã O Correio da Manhã tem patrocinado uma petição sobre o enriquecimento ilícito, que tem sido assinada por membros do sistema judicial, polícias, magistrados do ministério público, juízes, ou articulistas que têm aparecido publicamente em campanhas contra a corrupção. Como acontece habitualmente com a demagogia, esta iniciativa aponta um problema real: a corrupção que se manifesta pelo súbito e inexplicável enriquecimento de alguns políticos e que provoca um enorme repúdio social. É igualmente verdade que o sistema de justiça tem sido incapaz de a combater e levar os políticos corruptos à prisão, como é desejo de todas as pessoas decentes. Mas já não é líquido que esta ineficácia se deva necessariamente à inexistência de legislação aplicável, mas sim a outros factores, incompetência da investigação, incúria dos magistrados, ou pura e simplesmente promiscuidade entre os meios corruptos da política e os meios judiciais. A permanente condução política dos processos que envolvem políticos, gera a maior das suspeitas sobre a independência dos dois sectores e sobre se há ou não um jogo de cumplicidades mútuas. O texto da petição do Correio da Manhã é o seguinte: "O titular de cargo político ou equiparado que, durante o período de exercício das suas funções ou nos três anos seguintes à respectiva cessação, adquirir, por si ou por interposta pessoa, quaisquer bens cujo valor esteja em manifesta desproporção com o seu rendimento declarado para efeitos de liquidação do imposto sobre o rendimento de pessoas singulares e com os bens e seu rendimento constantes da declaração, aditamentos e renovações, apresentados no Tribunal Constitucional, nos termos e prazos legalmente estabelecidos, é punido com pena de prisão de 1 a 5 anos. O infractor será isento de pena se for feita prova da proveniência lícita do meio de aquisição dos bens e de que a omissão da sua comunicação ao Tribunal Constitucional se deveu a negligência." Parece simples, mas não é. Por exemplo, como é que se sabe qual é a “manifesta desproporção” e como é que se impede que esta fórmula genérica não possa ser utilizada para perseguições, vinganças e abusos? Não se impede. E no actual estado de coisas basta saber-se que há uma investigação deste tipo, mesmo que apenas iniciada e depois arquivada, para manchar uma reputação sem qualquer culpa. Basta ler o texto que a seguir cito, oriundo do VIII Congresso dos Juízes Portugueses, assim como declarações avulsas de vários magistrados do Ministério Público, para se perceber que este seria o instrumento ideal para que a selecção dos políticos em democracia fosse feita pelo sistema judicial. Acresce o problema ainda mais grave que esta petição inverte claramente o ónus da prova e a discussão que se pode ter –mais certeira do que esta petição demagógica – é se a luta contra a corrupção justifica que se restrinjam direitos, liberdades e garantias. Então sim, o debate seria em terreno da democracia, e não no da demagogia. Os juízes sedentos de poder político O justicialismo é um dos aspectos mais preocupantes do ascenso da demagogia nos dias de hoje. Não se trata de um fenómeno novo, visto que a sua primeira manifestação, depois do 25 de Abril, foi o conluio objectivo do PGR e de um jornal, o Independente, há alguns anos atrás. Então assistiu-se a um mecanismo de condenação pela imprensa de pessoas que as instâncias judiciais não conseguiram, ou não quiseram, ou não foram capazes, de levar a tribunal e de condenar. Em vez de serem condenados em tribunal eram condenados pela opinião pública através de fugas selectivas oriundas da Procuradoria. Por seu lado, o Independente foi crucial para a criação de um partido populista radical de direita, a versão PP do CDS. Em Portugal, como em Itália, um grupo de agentes da justiça, magistrados e juízes, usam o justicialismo para ganharem poder político à margem dos mecanismos democráticos. Ao mesmo tempo que o sistema judicial se revela particularmente ineficaz para perseguir corruptos, aspira a ganhar poder político em nome dessa luta contra a corrupção. Por tudo isto não espanta que o VIII Congresso dos Juízes Portugueses fosse apresentado por um texto anunciando, sob a forma de perguntas retóricas, um século XXI como o “século do poder judicial”: “Se o século XIX foi o século do poder legislativo e o século XX o do poder executivo, poderá o século XXI vir a ser o século do poder judicial?” O texto é curiosamente impregnado por uma retórica esquerdista em que, após “o eclipse de todas as narrativas históricas grandiosas”, ou seja do comunismo, surgiram “democracias descontentes” (?). Esse descontentamento abre caminho para “uma transferência de legitimidade dos poderes legislativo e executivo para o judicial” como uma “exigência de qualidade da própria democracia e da coesão social”. Todo o texto é demasiado revelador, talvez até mais revelador do que os seus signatários pretendiam, daquilo a que se chama um “novo protagonismo político” dos juízes que “corre o risco de se vir a assumir como verdadeiro poder”. Está tudo dito e o que está dito nada tem a ver com a democracia nem contente, nem descontente. (Versão do Público de 8 de Janeiro de 2011.) (url) O MUNDO DOS LIVROS (17) Real Gabinete de Leitura, Rio de Janeiro, Brasil (João Rebelo Martins).
(url) (url) EARLY MORNING BLOGS 1946 "The whole object of travel is not to set foot on foreign land; it is at last to set foot on one’s own country as a foreign land.” (Gilbert K. Chesterton) (url) 17.1.11
HOJE DE NOVO
(url) (url) (url) EARLY MORNING BLOGS 1945 - Travel I should like to rise and go Where the golden apples grow;-- Where below another sky Parrot islands anchored lie, And, watched by cockatoos and goats, Lonely Crusoes building boats;-- Where in sunshine reaching out Eastern cities, miles about, Are with mosque and minaret Among sandy gardens set, And the rich goods from near and far Hang for sale in the bazaar;-- Where the Great Wall round China goes, And on one side the desert blows, And with the voice and bell and drum, Cities on the other hum;-- Where are forests hot as fire, Wide as England, tall as a spire, Full of apes and cocoa-nuts And the negro hunters' huts;-- Where the knotty crocodile Lies and blinks in the Nile, And the red flamingo flies Hunting fish before his eyes;-- Where in jungles near and far, Man-devouring tigers are, Lying close and giving ear Lest the hunt be drawing near, Or a comer-by be seen Swinging in the palanquin;-- Where among the desert sands Some deserted city stands, All its children, sweep and prince, Grown to manhood ages since, Not a foot in street or house, Not a stir of child or mouse, And when kindly falls the night, In all the town no spark of light. There I'll come when I'm a man With a camel caravan; Light a fire in the gloom Of some dusty dining-room; See the pictures on the walls, Heroes fights and festivals; And in a corner find the toys Of the old Egyptian boys. (Robert Louis Stevenson)
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© José Pacheco Pereira
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