COISAS DA SÁBADO:QUE RESULTADOS JÁ DERAM AS “NOVAS OPORTUNIDADES”?
O objectivo das “Novas Oportunidades” era atacar um dos principais problemas que impede o desenvolvimento do país: a baixa qualificação escolar e profissional dos portugueses. Por isso, as “Novas Oportunidades” tinham virtualidades, se fossem bem conduzidas e pensadas a médio prazo, com uma direcção firme e que mantivesse os critérios de qualidade e execução. Mas tudo em que Sócrates toca torna-se propaganda e as “Novas Oportunidades” tornaram-se um “programa de bandeira” do primeiro mandato socialista. O resultado foi a sua sucessiva degradação, após o momento inicial, com uma série de recrutamentos quase à força para o programa e dando facilidades nos diplomas com o objectivo de manipular estatísticas. As estatísticas iniciais já eram megalómanas e de imediato se percebeu que não era possível chegar nem perto dos valores anunciados sem baixar muito os critérios de qualidade mínima que um programa destes exigia. Agora, que já não serve para a propaganda, o programa desapareceu das luzes da ribalta, até que um qualquer corte orçamental o reduza à insignificância. Entretanto, que resultados tiveram as “Novas Oportunidades” que justifiquem os muitos milhões nelas investidos? Alguns terão, mas como no “Magalhães”, é a relação custo-benefício que revela o enorme desperdício destes “progarmas bandeiras”.
COISAS DA SÁBADO:IRONIA: OS NOVOS ANTI-SÓCRATES NO PSD
Depois de, durante vários anos, andarem a proteger Sócrates para atacar Manuela Ferreira Leite, eis que agora são os mais anti-socráticos que há. Quem já viu muito, sabe onde isto vai dar e sabe que nunca acaba bem. Ser parvenu tende a ser um modo especial de vida e a repetir-se, de excessiva fidelidade com um, para excessiva fidelidade com outro. Sem memória.
COISAS DA SÁBADO:O QUE TEM QUE SER TEM MUITA FORÇA
..in statu quo res erant ante bellum.
O mal da política portuguesa é que está cheia de “o que tem que ser tem muita força”, ou seja, há quem mande em nós mais do que nós mandamos. O bom político é aquele que a partir daqui (não se pode ignorar o ponto de partida sob pena de batermos contra ele na primeira volta), conseguir sair daqui. Ou arranjar alguma folga. Não vai ser fácil, nem vai ser com facilidades. Mas talvez ainda seja possível se... houver bons políticos e “bom” povo português. Porque o maior génio, o mais audaz, o mais consequente, o maior dos políticos, precisa de votos. E tudo conspira para não lhos dar. A comunicação social, que mata tudo à nascença com um insecticida muito especial para todos aqueles que lhe tiram o poder de influenciar. E o “bom” povo, na versão dos que gritam nos cafés pela mudança, “por mim ia tudo raso”, mas depois votam pelo status quo. Enquanto for assim, o que tem que ser tem muita força.
COISAS DA SÁBADO:OS ESQUERDISTAS DE HOJE CONTRA O “SISTEMA” (7)
Outra coisa também caracteriza este esquerdismo. precisa de traidores, da versão moderna dos revisionistas e dos neo-revisionistas. E encontra-os com especial prazer naqueles que chamam os “socratinos” do PSD, ou seja toda gente que se pronunciou a favor da passagem do OE, certamente porque são medrosos, cobardes, vivem do estado e estão a defender os seus vis interesses. A chuva de insultos é também típica do esquerdismo, que encontrava em Lenine um estilo de calúnia que moldou a linguagem do comunismo até aos dias de hoje.
COISAS DA SÁBADO:OS ESQUERDISTAS DE HOJE CONTRA O “SISTEMA” (6)
O papel catártico da revolução (votar contra o OE) é descrito como um esquerdista faria ou, melhor ainda, como um fascista escreveria sobre as virtudes da guerra. Tudo se resolve duma penada porque a revolução é uma “página em branco”. Sem o saberem, alguns destes radicais citam Lenine, Mao Zedong, Saint-Just, não só no espírito mas na letra, sem terem consciência de quem andam a papaguear.
O milenarismo utópico da “revolução” aparece nestas páginas exactamente como aparecia nos textos esquerdistas, inclusive com alguns apelos à violência que acompanha esta tão drástica “lavagem” do país dos seus políticos corruptos do “sistema”. Eles deviam ser pelo menos defenestrados, assim como todos os que vivem à “mama do orçamento” e por isso querem a todo o custo ter um para continuarem a “mamar”. Uma luminosa espada, como a quinta espada do camarada Gonzalo, cortaria o emprego a toda essa gente que vive do Estado, a que se opõe os portugueses valentes que vivem do seu trabalho e da economia de mercado, a versão actual do proletariado.
1 In former songs Pride have I sung, and Love, and passionate, joyful Life, But here I twine the strands of Patriotism and Death.
And now, Life, Pride, Love, Patriotism and Death, To you, O FREEDOM, purport of all! (You that elude me most—refusing to be caught in songs of mine,) I offer all to you.
2 ’Tis not for nothing, Death, I sound out you, and words of you, with daring tone—embodying you, In my new Democratic chants—keeping you for a close, For last impregnable retreat—a citadel and tower, For my last stand—my pealing, final cry.
COISAS DA SÁBADO:OS ESQUERDISTAS DE HOJE CONTRA O “SISTEMA” (5)
Neste contexto, o radicalismo manifesta-se com vigor na actual questão magna da política portuguesa – permite-se ou não a passagem do OE socialista. Também aqui o quadro da discussão que grassa em certos blogues e nas caixas de comentários é puramente esquerdista. Antes era o capitalismo o inimigo, agora é o “sistema”, sendo que o “sistema” não é mais do que a democracia e o próprio capitalismo. Nada de novo. Contra o “sistema” só vale uma revolução pura e voluntariosa, que comece tudo a zero, certamente sobre os escombros do “mundo antigo”. Onde é que eu já vi isto? Coloca-se o país em pantanas, mas não há problemas porque das chamas do incêndio da revolução nasce o “mundo novo”, ou uma qualquer variante da Fénix Renascida.
COISAS DA SÁBADO:OS ESQUERDISTAS DE HOJE CONTRA O “SISTEMA” (4)
Como na cultura do esquerdismo, havia quem lesse obscuros livros de Lenine como o Materialismo e Empiriocriticismo e desconhecesse tudo o resto da própria filosofia, nos blogues há uma forma moderna de apologia da ignorância. Eles, como muitos se gabam, já não lêem jornais e, a julgar pelo “saber”, que aparece nos blogues também não lêem muitos livros. Há excepções que servem para confirmar a regra. Mas sabem tudo sobre os últimos posts que o blogue A ou B publicou e sobre a resposta que lhes deu o blogue C. “Já viste o que X disse de Y?” é uma pergunta habitual, uma pergunta que deixaria 99.99% dos portugueses perplexos sobre quem era X ou Y e qual a importância de mais uma troca de insultos e picardias sem qualquer interesse, a não ser para os próprios.
Deixados a uma fonte principal de “moldagem” do seu pensamento, sem muito contacto com a realidade, vivem da interacção, entre o agressiva e o meli-melo, com os outros pares. É uma forma adolescente de camaradagem, no qual abundam os amores e as traições, os abandonos e as fracções, num ciclo muito parecido com o sectarismo esquerdista e as suas cisões por absurdas questões escolásticas.