A questão do situacionismo não é de conspiração, é de respiração. E, nalguns casos, de respiração assistida.
É de facto difícil fazer melhor, no que diz respeito a um "jornalismo" de fretes e de encomenda. Todas as pequenas mensagens desejadas, passadas sem distanciação. Fotografias encenadas, também com as mensagens certinhas. Todas as "antecipações" desejadas, a melhor forma de ter boa imprensa com base em intenções, sem o ruído do real e dos factos. "Jornalismo" de ditado, eu dito-te o que vou fazer e o que pretendo e lá vem tudo direitinho, mesmo que depois não aconteça assim, já está conseguido o efeito. Sim, porque não é apenas "antecipação" de um discurso, é o meta-discurso pretendido já encaixotado e pronto para servir. O acto "antecipado" e a leitura que se deseja. Tudo by the book, de agência, mas não do jornalismo. E tão evidente, tão grosseiro até, que mete dó. O modo como alguns jornais, com destaque para o Expresso e o Diário de Notícias tratam Passos Coelho e o PSD no período pré-Pontal. Pode haver quem ache que isto é bom, mas isto é péssimo, quer para o jornalismo, quer para o PSD. Até os três porquinhos perceberam que as casas de papel duram pouco se o lobo mau soprar.
COISAS DA SÁBADO:O PAÍS QUE ARDE, ANO SIM, ANO NÃO
Ano sim, ano não, o país arde. Nos anos não, o Ministro da Administração Interna vem dar-nos as boas estatísticas acompanhado pela massa de dirigentes da protecção civil, em ambiente controlado e asséptico, mostrando determinação e gabando-se de que nada ardeu porque o governo fez o que devia. Em ano sim é o caos, umas vezes o Ministro também aparece, mas nem sequer uma parecença de ordem operacional se consegue manter. Nada é mais poderoso do que as imagens dos fogos, do desespero das pessoas, dos bombeiros esgotados, dos comandantes a pedir meios que não vem, dos jornalistas que acham que fazer um relato de um incêndio é aumentar o histerismo colectivo.
Não acho que o governo tenha toda a responsabilidade do mundo sobre os seus ombros porque há incêndios. Por muito que tudo estivesse a funcionar bem (e não está), as condições atmosféricas adversas e anos e anos de negligência nas matas, tornam um fogo incontrolável. Mas se não se pode apontar o governo como responsável de tudo o que arde, há pelo menos duas coisas em que a sua responsabilidade é total. Uma é a retórica sobre os fogos, outra é um aspecto muito perverso dessa retórica, as medidas legislativas para encher o olho e esquecer mal começa a chover. A primeira, impede uma aproximação realista ao problema e abre caminho à segunda, que essa sim é puro escapismo desresponsabilizante. Não havia leis e punições rigorosas para quem não limpasse as matas? Havia e há, só que como não são realistas não são aplicáveis. Menos leis e mais medidas sensatas teriam mais efeito, mas não dão tão boa televisão.
O mesmo se pode dizer da prova dos nove de uma máquina gigantesca, criada ao modelo centralizador dos governos Sócrates, e que agora se verifica ser pouco eficaz a não ser para colocar atrás do Ministro uma série de responsáveis em salas de operações com toda a parafernália da modernidade. Chega o ano sim, e não se vê um incremento de eficácia. Menos soberba e menos propaganda daria mais resultados até porque perante os fogos os governos deviam ter respeitinho, medo e muita prudência.
Da nossa semelhança com os deuses Por nosso bem tiremos Julgarmo-nos deidades exiladas E possuindo a Vida Por uma autoridade primitiva E coeva de Jove.
Altivamente donos de nós-mesmos, Usemos a existência Como a vila que os deuses nos concedem Para, esquecer o estio.
Não de outra forma mais apoquentada Nos vale o esforço usarmos A existência indecisa e afluente Fatal do rio escuro.
Como acima dos deuses o Destino É calmo e inexorável, Acima de nós-mesmos construamos Um fado voluntário Que quando nos oprima nós sejamos Esse que nos oprime, E quando entremos pela noite dentro Por nosso pé entremos.
Why do we bother with the rest of the day, the swale of the afternoon, the sudden dip into evening,
then night with his notorious perfumes, his many-pointed stars?
This is the best— throwing off the light covers, feet on the cold floor, and buzzing around the house on espresso—
maybe a splash of water on the face, a palmful of vitamins— but mostly buzzing around the house on espresso,
dictionary and atlas open on the rug, the typewriter waiting for the key of the head, a cello on the radio,
and, if necessary, the windows— trees fifty, a hundred years old out there, heavy clouds on the way and the lawn steaming like a horse in the early morning.
The man with the red hat And the polar bear, is he here too? The window giving on shade, Is that here too? And all the little helps, My initials in the sky, The hay of an arctic summer night?
The bear Drops dead in sight of the window. Lovely tribes have just moved to the north. In the flickering evening the martins grow denser. Rivers of wings surround us and vast tribulation.
Taste is not only a part and index of morality, it is the only morality. The first, and last, and closest trial question to any living creature is "What do you like?" Tell me what you like, I'll tell you what you are.