ABRUPTO

14.8.10


ÍNDICE DO SITUACIONISMO (124) : FRETES


A questão do situacionismo não é de conspiração, é de respiração.
E, nalguns casos, de respiração assistida.

É de facto difícil fazer melhor, no que diz respeito a um "jornalismo" de fretes e de encomenda. Todas as pequenas mensagens desejadas, passadas sem distanciação. Fotografias encenadas, também com as mensagens certinhas. Todas as "antecipações" desejadas, a melhor forma de ter boa imprensa com base em intenções, sem o ruído do real e dos factos. "Jornalismo" de ditado, eu dito-te o que vou fazer e o que pretendo e lá vem tudo direitinho, mesmo que depois não aconteça assim, já está conseguido o efeito. Sim, porque não é apenas "antecipação" de um discurso, é o meta-discurso pretendido já encaixotado e pronto para servir. O acto "antecipado" e a leitura que se deseja.  Tudo by the book, de agência, mas não do jornalismo. E tão evidente, tão grosseiro até, que mete dó. O modo como alguns jornais, com destaque para o Expresso e o Diário de Notícias tratam Passos Coelho e o PSD no período pré-Pontal. Pode haver quem ache que isto é bom, mas isto é péssimo, quer para o jornalismo, quer para o PSD. Até os três porquinhos perceberam que as casas de papel duram pouco se o lobo mau soprar.

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COISAS DA SÁBADO: O PAÍS QUE ARDE, ANO SIM, ANO NÃO

http://external.cache.el-mundo.net/fotografia/2003/08/incendios/imagenes/PORTUGA.jpgAno sim, ano não, o país arde. Nos anos não, o Ministro da Administração Interna vem dar-nos as boas estatísticas acompanhado pela massa de dirigentes da protecção civil, em ambiente controlado e asséptico, mostrando determinação e gabando-se de que nada ardeu porque o governo fez o que devia. Em ano sim é o caos, umas vezes o Ministro também aparece, mas nem sequer uma parecença de ordem operacional se consegue manter. Nada é mais poderoso do que as imagens dos fogos, do desespero das pessoas, dos bombeiros esgotados, dos comandantes a pedir meios que não vem, dos jornalistas que acham que fazer um relato de um incêndio é aumentar o histerismo colectivo.

Não acho que o governo tenha toda a responsabilidade do mundo sobre os seus ombros porque há incêndios. Por muito que tudo estivesse a funcionar bem (e não está), as condições atmosféricas adversas e anos e anos de negligência nas matas, tornam um fogo incontrolável. Mas se não se pode apontar o governo como responsável de tudo o que arde, há pelo menos duas coisas em que a sua responsabilidade é total. Uma é a retórica sobre os fogos, outra é um aspecto muito perverso dessa retórica, as medidas legislativas para encher o olho e esquecer mal começa a chover. A primeira, impede uma aproximação realista ao problema e abre caminho à segunda, que essa sim é puro escapismo desresponsabilizante. Não havia leis e punições rigorosas para quem não limpasse as matas? Havia e há, só que como não são realistas não são aplicáveis. Menos leis e mais medidas sensatas teriam mais efeito, mas não dão tão boa televisão.

O mesmo se pode dizer da prova dos nove de uma máquina gigantesca, criada ao modelo centralizador dos governos Sócrates, e que agora se verifica ser pouco eficaz a não ser para colocar atrás do Ministro uma série de responsáveis em salas de operações com toda a parafernália da modernidade. Chega o ano sim, e não se vê um incremento de eficácia. Menos soberba e menos propaganda daria mais resultados até porque perante os fogos os governos deviam ter respeitinho, medo e muita prudência.

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 ESPÍRITO DO TEMPO: HOJE


Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. (RM)




 Barcos da Ria de Aveiro (entre os quais dois moliceiros) ao amanhecer.

Um eucaliptal recentemente plantado (concelho da Murtosa) (José Carlos Santos).



 Ponte de Mostar.

Casa turca em Mostar (Luiz Boavida).

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EARLY MORNING BLOGS
1854 - Da Nossa Semelhança

Da nossa semelhança com os deuses
Por nosso bem tiremos
Julgarmo-nos deidades exiladas
E possuindo a Vida
Por uma autoridade primitiva
E coeva de Jove.


Altivamente donos de nós-mesmos,
Usemos a existência
Como a vila que os deuses nos concedem
Para, esquecer o estio.


Não de outra forma mais apoquentada
Nos vale o esforço usarmos
A existência indecisa e afluente
Fatal do rio escuro.


Como acima dos deuses o Destino
É calmo e inexorável,
Acima de nós-mesmos construamos
Um fado voluntário
Que quando nos oprima nós sejamos
Esse que nos oprime,
E quando entremos pela noite dentro
Por nosso pé entremos.

(Ricardo Reis)

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13.8.10

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EARLY MORNING BLOGS
1853 - Morning

Why do we bother with the rest of the day,
the swale of the afternoon,
the sudden dip into evening,


then night with his notorious perfumes,
his many-pointed stars?


This is the best—
throwing off the light covers,
feet on the cold floor,
and buzzing around the house on espresso—


maybe a splash of water on the face,
a palmful of vitamins—
but mostly buzzing around the house on espresso,


dictionary and atlas open on the rug,
the typewriter waiting for the key of the head,
a cello on the radio,


and, if necessary, the windows—
trees fifty, a hundred years old
out there,
heavy clouds on the way
and the lawn steaming like a horse
in the early morning.

(Billy Collins)

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12.8.10

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 ESPÍRITO DO TEMPO: HOJE


Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. (RM)

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11.8.10


EARLY MORNING BLOGS
1852 - To A Friend Whose Work Has Come To Nothing 

Now all the truth is out,
Be secret and take defeat
From any brazen throat,
For how can you compete,
Being honour bred, with one
Who, were it proved he lies,
Were neither shamed in his own
Nor in his neighbours' eyes?
Bred to a harder thing
Than Triumph, turn away
And like a laughing string
Whereon mad fingers play
Amid a place of stone,
Be secret and exult,
Because of all things known
That is most difficult.

(William Butler Yeats)

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10.8.10

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 ESPÍRITO DO TEMPO: HOJE


Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. (RM)

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EARLY MORNING BLOGS
1851 - Glazunoviana 

The man with the red hat
And the polar bear, is he here too?
The window giving on shade,
Is that here too?
And all the little helps,
My initials in the sky,
The hay of an arctic summer night?


The bear
Drops dead in sight of the window.
Lovely tribes have just moved to the north.
In the flickering evening the martins grow denser.
Rivers of wings surround us and vast tribulation.

(John Ashbery)

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9.8.10

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 ESPÍRITO DO TEMPO: HOJE


Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. (RM)


Lisboa no Verão. (MJ)



Mar de Domingo na Praia das Pedras Amarelas em Valadores, Vila Nova de Gaia (Helder Barros).


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EARLY MORNING BLOGS
1850

Taste is not only a part and index of morality, it is the only morality. The first, and last, and closest trial question to any living creature is "What do you like?" Tell me what you like, I'll tell you what you are.

(John Ruskin)

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8.8.10

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ESPÍRITO DO TEMPO: HOJE
 

Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. (RM)
 
 
Amanhecer na Ria de Aveiro (José Carlos Santos).
 
Uma porta e três cadeados, hoje à tarde, no Parque Natural do Vale do Guadiana (Fernando Correia de Oliveira).

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EARLY MORNING BLOGS
1849 - D’un Vanneur de Blé aux Vent
 
A vous troppe legere,
Qui d’aele passagere
Par le monde volez,
Et d’un sifflant murmure
L’ombrageuse verdure
Doulcement esbranlez,

J’offre ces violettes,
Ces lis et ces fleurettes,
Et ces roses icy,
Ces vermeillettes roses,
Tout freschement écloses,
Et ces œilletz aussi.

De vostre doulce halaine
Eventez ceste plaine,
Eventez ce sejour:
Ce pendant que j’ahanne
A mon blé, que je vanne
A la chaleur du jour.

(Joachim Du Bellay)

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© José Pacheco Pereira
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