ABRUPTO

17.4.10


ESPÍRITO DO TEMPO: HOJE



Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. (RM)



Praia da Barra (Aveiro). (José Manuel de Figueiredo)








Ou como um artista (poeta) – John Betjeman -, salva uma obra de arte na década de sessenta, a estação ferroviária de St. Pancras. (Luiz Boavida Carvalho)

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EARLY MORNING BLOGS

1783 - April Rain Song

Let the rain kiss you.
Let the rain beat upon your head with silver liquid drops.
Let the rain sing you a lullaby.

The rain makes still pools on the sidewalk.
The rain makes running pools in the gutter.
The rain plays a little sleep-song on our roof at night—

And I love the rain.

(Langston Hughes)

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15.4.10


PONTO / CONTRAPONTO

- 22

Aqui.

(O 20 ainda não foi colocado em linha pela SIC.)

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"A Grécia e o funcionamento da Europa" na Sábado em linha.

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ESPÍRITO DO TEMPO: TRÊS DIAS








Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. (RM)

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1782 - The Darkling Thrush

I leant upon a coppice gate
When Frost was spectre-gray,
And Winter's dregs made desolate
The weakening eye of day.
The tangled bine-stems scored the sky
Like strings of broken lyres,
And all mankind that haunted nigh
Had sought their household fires.

The land's sharp features seemed to be
The Century's corpse outleant,
His crypt the cloudy canopy,
The wind his death-lament.
The ancient pulse of germ and birth
Was shrunken hard and dry,
And every spirit upon earth
Seemed fervourless as I.

At once a voice arose among
The bleak twigs overhead
In a full-hearted evensong
Of joy illimited;
An aged thrush, frail, gaunt, and small,
In blast-beruffled plume,
Had chosen thus to fling his soul
Upon the growing gloom.

So little cause for carolings
Of such ecstatic sound
Was written on terrestrial things
Afar or nigh around,
That I could think there trembled through
His happy good-night air
Some blessed Hope, whereof he knew
And I was unaware.

(Thomas Hardy)

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14.4.10


EARLY MORNING BLOGS

1781

Nothing in all the world is more dangerous than sincere ignorance and conscientious stupidity.

(Martin Luther King Jr.)

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13.4.10


EARLY MORNING BLOGS

1780


It is always darkest just before the Day dawneth.
(Thomas Fuller)

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12.4.10

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DESLAÇAMENTO



Quando, há já umas semanas, ouvi um deputado do PCP, José Soeiro, subir à tribuna para falar da luta dos mineiros de Neves Corvo, em Castro Verde, senti uma forte sensação de irrealidade, uma espécie de distância imensa entre tudo e tudo, o deslaçamento enorme que Portugal atravessa, sem direcção nem destino. A pergunta que se me atravessou - e atravessou é o termo mais exacto - era: mas quem é que quer saber dos mineiros de Neves Corvo para alguma coisa? Mas a pergunta atravessada era na realidade outra: mas quem é que aqui, nesta sala, quer saber dos mineiros de Neves Corvo para alguma coisa?

Podia-se dizer que os comunistas querem, mas mesmo nesse sentido seria possível desvalorizar esse "querer". No fundo, o que se passava era a mais estandardizada das situações. Um deputado comunista alentejano, a falar de trabalhadores alentejanos, que são na sua maioria seus eleitores, e a enunciar uma clássica reivindicação sindical defendida por um sindicato que é também constituído na sua maioria por comunistas. Estava a fazer o que é normal, o que se espera, o mesmo que fazem os deputados algarvios que querem que se consumam mais laranjas do Algarve, ou os de Viseu que não querem encerrar um posto de saúde. Era política "local", aquela que os americanos dizem ser "toda a política". E era uma função clássica de representação do "seu" eleitorado: os comunistas falam para o "seu" Alentejo, como os deputados da Madeira e dos Açores falam para os madeirenses ou os açorianos.


Mas não era só isso. Havia uma diferença. E de novo a pergunta atravessada passou para outra expressão, muito mais atravessada, essa sim também muito mais complicada porque já caminhava para fora da pergunta, para uma resposta: por que razão nós falhamos a estes homens, nós falhamos aos portugueses como os mineiros de Neves Corvo, que mais do que quaisquer outros precisam de bom governo, porque são os mais frágeis, os primeiros a pagar os custos das asneiras que são cometidas lá longe, em Lisboa, num outro mundo tão distante do Alentejo como a Lua. O pano de fundo das perguntas atravessadas é a, para mim, clara e evidente percepção da enorme, gigantesca indiferença com que olhamos para estes homens, os mineiros de Neves Corvo. Eles não são mais do que uma longínqua perturbação noticiosa na sua greve (entretanto suspensa), a que na Assembleia reagimos com total desatenção. É quando muito uma coisa para os comunistas (verdade seja que Cavaco Silva, que não renega as suas origens sociais, os recebeu), ou uma excrescência anacrónica de "neo-realismo", que não merece nem um parágrafo no mundo modernaço dos gadgets em que se entretém o primeiro-ministro, nem os interesses dos blogues finos da direita e dos blogues fracturantes da esquerda. Este não é o Portugal deles, esta é a face póstuma de um Portugal que eles desconhecem e abominam, que vota politicamente errado (embora votem nos únicos que dão voz aos seus interesses, tão irracionais economicamente como todos os outros interesses, como dos professores, por exemplo, ou os dos gestores), que não é fashionable, não tem "marca" nem griffe, nem aparece no Time Out dos urbanos da moda, nem tem graça para ser gozado em qualquer programa menor de humor, como os que proliferam hoje por todo o lado. Se aparecem nos jornais é como arqueologia industrial, arcaísmo, anacronismo, ou, pior ainda, folclore local, que é visto com a distanciação de uma bactéria exótica.

Os problemas sociais são para muita gente uma maçada. Melhor: as diferenças sociais e a conflitualidade que daí surge são para muita gente uma maçada. O mundo deles é constituído por uma pirâmide social que começa nos abusadores do rendimento mínimo, passa para a "classe média baixa", para a "classe média" propriamente dita, a abstracção de muitas políticas, e sobe depois para os arrivistas com dinheiro, que o Independente tratava como o "novo dinheiro", os que vêm no jet set das revistas populares, para terminar na aristocracia do "velho dinheiro", o jet set invisível da verdadeira alta. Com esta pirâmide social, tão fictícia como os Morangos sem Açúcar, não há lugar para portugueses como os mineiros de Neves Corvo.

Mas os mineiros de Neves Corvo existem, estão lá, à superfície e no fundo, vivem nas suas aldeias e vilas, com famílias, presas num Portugal tão profundo como o das minas onde trabalham. Não são muitos, não são novos, não fizeram as Novas Oportunidades e se saíram do Alentejo ou foi porque emigraram, ou porque vão nas excursões nos autocarros da autarquia. Os seus slogans, o penhor que pagam à hegemonia da comunicação, nem sequer são muito eficazes fora do mundo das minas. Tinham duas reivindicações: o aumento do "subsídio de fundo" e a "comparticipação de Santa Bárbara", expostas em duas palavras de ordem - "aumento do subsídio de fundo, não é nada do outro mundo", "Sta. Bárbara padroeira, comparticipação inteira".

O "fundo" era o "fundo" das minas, um lugar que dificilmente imaginamos na sua dureza, mesmo que as minas já não sejam como as do Germinal. Mesmo assim, quanto vale trabalhar nestas condições? Como é que calculamos com justiça o valor de um trabalho duríssimo e perigoso? Não sei. Só sei que não pode ser calculado apenas em termos de pura "racionalidade económica" como agora se diz. E, imaginem, eu sou um liberal... E o dia de Santa Bárbara, 4 de Dezembro, padroeira dos mineiros, a noiva à força da Bitínia, convertida ao cristianismo e que viu a terra abrir-se para a esconder, querem nesse dia os mineiros a "comparticipação inteira". A Santa que uma antiga oração que apela a outras suas virtudes milagreiras, contra os trovões e os relâmpagos, talvez os ajude, a "enfrentar de fronte erguida e rosto sereno todas as tempestades e batalhas da vida".

Pois é. Isto é o Portugal que falhamos, o Portugal que ignoramos, o Portugal que deixamos deslaçar, fragmentar, perder-se numa deriva para a obscuridade que as luzes do espectáculo fátuo em que vivemos não alumiam. E no entanto, há muito desse Portugal lá fora: mineiros, pescadores, agricultores, operários, trabalhadores da construção civil, empregadas da limpeza, marinheiros, gente que faz os trabalhos menos qualificados nos hospitais, nas escolas, nas autarquias, numa deriva para a pobreza, para o desemprego, para o fim da breve esperança de um Portugal melhor e mais justo. Claro que há outro Portugal, mais jovem, mais culto, mais dinâmico, apesar de tudo com mais expectativas realizáveis e menos peso de más condições de vida ancestrais. Mas, mesmo esse, está em crise, mesmo esse prepara-se para emigrar, prepara-se para se soltar na esperança da mobilidade social. Mas o nosso drama é o deslaçamento entre os dois mundos, a perda de contacto entre as realidades sociais diferentes, o afastamento de portugueses dos portugueses e a ignorância, quando não a indiferença, que os afasta uns dos outros.

É por isso que não queremos saber para nada dos mineiros de Neves Corvo e da sua arcaica greve. Na verdade, nunca houve muito cimento entre os portugueses, mas agora há menos e tudo trabalha para que ainda haja menos.

(Versão do Público de 10 de Abril de 2010.)

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ESPÍRITO DO TEMPO: HOJE


Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. (RM)

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1779 - Ars Poetica?

I have always aspired to a more spacious form
that would be free from the claims of poetry or prose
and would let us understand each other without exposing
the author or reader to sublime agonies.

In the very essence of poetry there is something indecent:
a thing is brought forth which we didn’t know we had in us,
so we blink our eyes, as if a tiger had sprung out
and stood in the light, lashing his tail.

That’s why poetry is rightly said to be dictated by a daimonion,
though it’s an exaggeration to maintain that he must be an angel.
It’s hard to guess where that pride of poets comes from,
when so often they’re put to shame by the disclosure of their frailty.

What reasonable man would like to be a city of demons,
who behave as if they were at home, speak in many tongues,
and who, not satisfied with stealing his lips or hand,
work at changing his destiny for their convenience?

It’s true that what is morbid is highly valued today,
and so you may think that I am only joking
or that I’ve devised just one more means
of praising Art with the help of irony.

There was a time when only wise books were read,
helping us to bear our pain and misery.
This, after all, is not quite the same
as leafing through a thousand works fresh from psychiatric clinics.

And yet the world is different from what it seems to be
and we are other than how we see ourselves in our ravings.
People therefore preserve silent integrity,
thus earning the respect of their relatives and neighbors.

The purpose of poetry is to remind us
how difficult it is to remain just one person,
for our house is open, there are no keys in the doors,
and invisible guests come in and out at will.

What I’m saying here is not, I agree, poetry,
as poems should be written rarely and reluctantly,
under unbearable duress and only with the hope
that good spirits, not evil ones, choose us for their instrument.

(Czeslaw Milosz)

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11.4.10


ESPÍRITO DO TEMPO: HOJE





Campos.


Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. (RM)



Planalto de Santo António, Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros.



Nazaré. (Vítor Xavier)



Hortas, na "região demarcada" do Eixo Norte-Sul, Lisboa. (Fernando Correia de Oliveira)

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EARLY MORNING BLOGS

1778

La plupart des gens ne jugent des hommes que par la vogue qu'ils ont, ou par leur fortune.

(François de La Rochefoucauld)

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© José Pacheco Pereira
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