ABRUPTO

27.3.10


ESPÍRITO DO TEMPO: HOJE



Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. (RM)



Baobá mauritano. (Eduardo Jorge)



Troço da Mãe d'Água, às Amoreiras, em Lisboa, Aqueduto das Águas Livres. (Fernando Correia de Oliveira)

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26.3.10


COISAS DA SÁBADO: OS COMPUTADORES DOS DEPUTADOS



Eu vejo com imensa ironia as tribulações de alguns deputados com as fotografias que indevidamente e em violação da lei, alguns fotógrafos tiram dos ecrãs dos deputados. De vez em quando há quem lembre contra mim o encerramento de um corredor na Assembleia que deu origem a uma luta épica pela liberdade de expressão ameaçada. Na verdade, a regra que se pretendeu impor, nem sequer de minha iniciativa, hoje existe em todo o esplendor com o acesso dos jornalistas vedado às áreas de trabalho dos deputados, sem que ninguém proteste. Só que na altura não havia espaço entre o corredor da discórdia e os gabinetes e todo o tipo de abusos, como seja abrir portas de gabinetes para ver quem lá estava, existia. Enfim, agora os deputados do PS, na altura muito escandalizados com os corredores, sentiram-se incomodados e bem com o abuso de intromissão fotográfica.

A resposta do senhor Presidente foi inadmissível e permite todos os abusos com o argumento que tudo na Assembleia é público. Como atrás dele não há ninguém a espreitar para a sua mesa, percebo que tenha pouca sensibilidade à devassa dos outros. Sendo assim, eu proponho que haja na sala dos senhores jornalistas computadores com acesso directo aos dos deputados na sala, cumprindo-se assim o carácter “público” do seu uso, como pretende o Presidente. Não precisam assim os fotógrafos de andarem a esticar-se nas galerias com risco de caírem e os senhores jornalistas podem ler com calma o correio dos representantes da nação. E porque não câmaras de video nos gabinetes? Já esteve mais longe.

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EARLY MORNING BLOGS

1765

In War: Resolution. In Defeat: Defiance. In Victory: Magnanimity. In Peace: Goodwill.

(Winston Churchill)

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25.3.10


EARLY MORNING BLOGS

1764

It's better to travel hopefully than to arrive.

(Anónimo.)

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24.3.10


AS IDEIAS FEITAS DA FACILIDADE :
UNIDADE

Monsieur d'la Palisse est mort,
il est mort devant Pavie,
Un quart d'heure avant sa mort,
il était encore en vie.

A mais ambígua das palavras hoje no PSD, porque de facto tem um curso virtual exactamente oposto ao real. O Congresso, como o partido, está profundamente dividido e uma parte da força efectiva que transparecia do seu interior através da comunicação social para fora, não vinha da unidade, mas da divisão. Quem disser o contrário, está a enganar. A palavra usada pelos antigos líderes (Mendes e Marcelo) como apelo é uma boa intenção que só é ouvida com complacência porque eles estão fora do conflito e podem beneficiar de um limbo instável. Fora daí, a palavra ameaça tornar-se mais um instrumento de autoridade na fragilidade do que uma construção na convicção. O partido pode muito bem vir a conhecer um ambiente de exclusão e de autoritarismo sem precedentes nos últimos anos, e isso será mortífero. Os sinais abundam, porque a aliança entre direcções frágeis, interesses e carreiras estabelecidos, voto capturado, e incentivo populista à depuração, é o caminho mais fácil para que o partido perca a já escassa dimensão de partido nacional que ainda mantém. E mais: para que abandone de vez a tradição genética dos seus fundadores, o cimento reformista que explica a razão porque muitos ainda lá permanecem. Apesar de tudo.

(Adaptação do artigo do Público, 20 de Março de 2010.)

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ESPÍRITO DO TEMPO: HOJE



Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. (RM)

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EARLY MORNING BLOGS

1763

Devil take the hindmost.

(Anónimo.)

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23.3.10


AS IDEIAS FEITAS DA FACILIDADE :
A VOTAÇÃO DA “LEI DA ROLHA” FOI UMA EPIFENÓMENO DO CONGRESSO


Monsieur d'la Palisse est mort,
il est mort devant Pavie,
Un quart d'heure avant sa mort,
il était encore en vie.

Nada mais errado. A votação tem mesmo apoio em muitos militantes do PSD, e esse apoio não foi ocasional. Aliás, o caldo cultural para essa procura de uma explicação simples, em alibis fáceis, em vez de se fazer uma análise séria sobre o que tem estado mal no PSD, é instigada por muitos dirigentes políticos como Santana e Menezes que fomentam políticas de revanchismo e ressentimento para explicar o seu próprio falhanço, que tem, como é óbvio, outras razões. Aliás, nem um nem outro sobreviveriam à aplicação da norma que ajudaram com o seu discurso de todos os dias a aprovar.


(Adaptação do artigo do Público, 20 de Março de 2010.)

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AS IDEIAS FEITAS DA FACILIDADE :
ALBERTO JOÃO JARDIM É BOÇAL, FERNANDO COSTA UM GÉNIO DA POLÍTICA GENUÍNA


Monsieur d'la Palisse est mort,
il est mort devant Pavie,
Un quart d'heure avant sa mort,
il était encore en vie.

Imaginem o que se diria de Jardim se em vez de se vir sentar onde se sentou, depois de ter sido “perdoado”, ele fizesse contra Passos Coelho o equivalente ao que fez Fernando Costa? Posso garantir-vos que não teria certamente a mesma boa imprensa do homem que disse que para se ter longevidade como Presidente da Câmara, tinha que se mentir. Ou o que aconteceria se fosse Jardim a pedir uma poncha em vez de água? É por isso que o anti-jardinismo primário de muitos jornalistas (Ricardo Costa delirou com o discurso de Costa, o “grande discurso do Congresso”) é, pelo menos, dúbio.

(Adaptação do artigo do Público, 20 de Março de 2010.)

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AS IDEIAS FEITAS DA FACILIDADE :
PASSOS COELHO PASSOU OS ÚLTIMOS DOIS ANOS A FAZER O “TRABALHO DE CASA”

Monsieur d'la Palisse est mort,
il est mort devant Pavie,
Un quart d'heure avant sa mort,
il était encore en vie.











Inaginem que Passos Coelho ganha as eleições e Paulo Rangel passa os próximos dois anos a fazer o “trabalho de casa”. Será que nessa altura se chamará benevolamente “trabalho de casa” ao que faz Rangel ?

(Adaptação do artigo do Público, 20 de Março de 2010.)

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ESPÍRITO DO TEMPO: HOJE



Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. (RM)

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EARLY MORNING BLOGS

1763

Empty vessels make the most noise.

(Anónimo.)

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22.3.10


AS IDEIAS FEITAS DA FACILIDADE :
À VOLTA DE MARCELO HAVIA SEBASTIANISMO E UNANIMISMO


Monsieur d'la Palisse est mort,
il est mort devant Pavie,
Un quart d'heure avant sa mort,
il était encore en vie.

Falso. Havia era muita hipocrisia. Sempre que parecia que Marcelo se ia candidatar começava uma chuva de ataques nos blogues e no Twitter, vindos do lado da candidatura de Passos Coelho. Quando parecia que não se candidatava, começavam os elogios. Tudo isto durou até às vésperas do Congresso, onde Marcelo pôde entrar por cima, exactamente porque não se candidatava. Se fosse candidato e dissesse exactamente a mesma coisa que disse (e o mesmo é verdade para Marques Mendes) duvido que o discurso tivesse suscitado o unanimismo aparente que suscitou. É por estas e por outras que as análises jornalísticas sobre o PSD são paupérrimas ou, pior ainda, tão empenhadas como os candidatos que estão no terreno.

(Adaptação do artigo do Público, 20 de Março de 2010.)

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NUNCA É TARDE PARA APRENDER: AMIZADES PERIGOSAS


















Luís Machado Barroso, Salazar e Ian Smith. O Apoio de Portugal à Rodésia (1964-1968), MNE, 2009.

(Em breve.)

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AS IDEIAS FEITAS DA FACILIDADE :
COM SÓCRATES FRAGILIZADO PELOS SUCESSIVOS ESCÂNDALOS É FACÍLIMO GANHAR ELEIÇÕES

Monsieur d'la Palisse est mort,
il est mort devant Pavie,
Un quart d'heure avant sa mort,
il était encore en vie.

Esta teve origem nos conflitos internos do PSD. Manuela Ferreira Leite tinha a “obrigação” de ganhar as eleições porque Sócrates e o PS estavam “fragilizados” e eram favas contadas. Este era um comentário típico de Passos Coelho e dos seus amigos na comunicação social e nos blogues. A frase vai assombrá-lo se ganhar as eleições no PSD, mas pela facilidade com que admite provocar uma crise política e eleições, parece estar mesmo convencido que é verdade. Na verdade, Sócrates e o PS são muito mais difíceis de vencer nas urnas do que estas frases feitas parecem indicar. Não é impossível, mas está longe de ser fácil.

O PRÓXIMO LIDER DO PSD SERÁ PRIMEIRO-MINISTRO

É uma variante da anterior.

(Adaptação do artigo do Público, 20 de Março de 2010.)

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AS IDEIAS FEITAS DA FACILIDADE :
A, B, OU C, O PARTIDO A, B, OU C TOMARAM “ATITUDES ESTALINISTAS”


Monsieur d'la Palisse est mort,
il est mort devant Pavie,
Un quart d'heure avant sa mort,

il était encore en vie.

Perdoai-lhes Senhor que não sabem o que dizem! Pequenos actos de autoritarismo, censuras, exclusões, ameaças, no quadro de uma democracia, mesmo cada vez menos perfeita, estão a milhas de poderem ser caracterizados como “estalinistas”. Estaline assinava mandatos de execução em branco e estabelecia quotas de fuzilamentos para, por exemplo, caixeiros dos bancos, “para dar o exemplo” e pôr na ordem os bancos. No seu conjunto, mandou prender, matar várias dezenas de milhões de pessoas. Há uma pequena diferença, não há? Quando se usam estes termos banalizando-os, quem sai sempre melhor é Estaline. Para além disso, é grossa ignorância.

(Adaptação do artigo do Público, 20 de Março de 2010.)

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EARLY MORNING BLOGS

1762 - Spring is like a perhaps hand

III

Spring is like a perhaps hand
(which comes carefully
out of Nowhere)arranging
a window,into which people look(while
people stare
arranging and changing placing
carefully there a strange
thing and a known thing here)and

changing everything carefully

spring is like a perhaps
Hand in a window
(carefully to
and fro moving New and
Old things,while
people stare carefully
moving a perhaps
fraction of flower here placing
an inch of air there)and

without breaking anything.

(e. e. cummings)

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21.3.10

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EARLY MORNING BLOGS

1761 - Three Spring Notations on Bipeds

1

The down drop of the blackbird,
The wing catch of arrested flight,
The stop midway and then off: off for triangles, circles, loops of new hieroglyphs—
This is April’s way: a woman:
“O yes, I’m here again and your heart
knows I was coming.”

2

White pigeons rush at the sun,
A marathon of wing feats is on:
“Who most loves danger? Who most loves wings? Who somersaults for God’s sake in the name of wing power in the sun and blue on an April Thursday.”
So ten winged heads, ten winged feet, race their white forms over Elmhurst.
They go fast: once the ten together were a feather of foam bubble, a chrysanthemum whirl speaking to silver and azure.

3

The child is on my shoulders.
In the prairie moonlight the child’s legs hang over my shoulders.
She sits on my neck and I hear her calling me a good horse.
She slides down—and into the moon silver of a prairie stream
She throws a stone and laughs at the clug-clug.

(Carl Sandburg)

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© José Pacheco Pereira
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