ABRUPTO

19.9.09

(url)


ONDE NASCE A ASFIXIA



(Escrito em Julho de 2009 no Público e que convém lembrar aos "aprendizes de feiticeiros".)

- "É preciso "rasgar" a crescente promiscuidade entre o Estado, por via do governo, e os "grandes negócios", uma tendência que cresceu exponencialmente com o último governo e que atingiu um paroxismo com a situação da crise. Esta tendência é especialmente perversa, abrindo caminho não só a uma indevida influência do governo e do partido do governo, como a uma cada vez maior tendência para fugir às regras de transparência da administração pública, e ao escrutínio parlamentar. É igualmente uma receita garantida para o aumento da corrupção. Esta promiscuidade enfraquece a independência da economia privada e fere a autonomia já de si frágil da sociedade civil.

- É preciso "rasgar" o poder crescente dos muitos aprendizes de feiticeiro que gravitam à volta dos gabinetes governamentais, estabelecendo "pontes" pouco conhecidas e escrutinadas quer no mundo dos negócios quer no mundo da "influência" política. A política deve voltar a ter faces conhecidas e que respondam pelo que fazem, o que significava caminharmos na tradição de alguns países em que os decisores políticos vêm do parlamento e dos órgãos dos partidos. É aí que deve haver um esforço de qualificação e não favorecer o crescimento de uma espécie de segunda linha (na realidade a primeira) que existe entre os assessores, empresas de comunicação, os altos quadros das empresas, escritórios de advogados e muitos "intermediários" com acesso fácil à governação.

- É preciso "rasgar" a interferência do Estado, por via do governo, na comunicação social, quer dando verdadeira independência a qualquer instância reguladora, quer diminuindo a tutela do Estado de órgãos de comunicação social. Tal não é possível sem a privatização da RTP e da RDP, em todas as suas componentes de órgão de informação, mantendo-se apenas um "serviço público mínimo", quer de carácter cultural e patrimonial, quer no âmbito de emissões que correspondem a objectivos estratégicos do Estado português, como seja a manutenção de uma área de influência lusófona nos PALOP, ou de integração e ligação nacional das comunidades emigrantes. Também nestes casos os objectivos deste "serviço público mínimo" podem ser contratados às estações privadas ou a entidades que se constituam para o garantir. Sem completa independência dos órgãos de comunicação social de qualquer forma de tutela directa ou indirecta (como aquela que permite a golden share em empresas como a PT).

(...)

- É necessário despolitizar de imediato os serviços de informação, em particular os serviços civis, proceder a uma reavaliação de fundo da sua qualidade e produção e estabelecer uma firewall mais eficaz entre o Governo e os serviços, evitando que mecanismos de dependência funcional se politizem, e garantir que se diminua a excessiva centralização do poder de decisão à volta do gabinete do primeiro-ministro.


(url)


ESPÍRITO DO TEMPO: ONTEM E HOJE



Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. (RM)



Ontem à noite, estação de Ueno, Tóquio. (Fernando Correia de Oliveira)

(url)


EARLY MORNING BLOGS

1643 - Go Slow

Go slow, they say-
while the bite
Of the dog is fast.
Go slow, I hear-
While they tell me
You can't eat here!
You can't live here!
You can't work here!
Don't Demonstrate! Wait!-
While they lock the gate.
Am I supposed to be God,
Or an angel with wings
And a halo on my head
While jobless I starve to dead?
Am I supposed to forgive
And meekly live
Going slow, slow, slow,
Slow, slow, slow,
Slow, slow,
Slow,
Slow,
Slow?
????
???
??
?

(Langston Hughes)

(url)

18.9.09


DEPOIS DO JORNAL DA TVI



o alvo agora é o Público.

(url)


HOJE NO


NOVO:

IMG_0627


(url)


PARA QUE NÃO FIQUE SEM REGISTO



esta vergonhosa capa do Jornal de Notícias de 17 de Setembro de 2009, mostrando os corpos das raparigas dentro do carro, em violação de todas as regras deontológicas.

*
Seguramente a capa do Jornal de Notícias é vergonhosa, não protege a imagem das vítimas do acidente e risca bastantes regras do foro deontológico, mas é mais uma página que toca no nervo e põe em relevância as consequências da forma absolutamente miserável como se conduz em Portugal; sem o mínimo de respeito pelas regras elencadas no Código da Estrada. Por força do trabalho, faço muitos quilómetros por semana. E o que vejo na estrada, mesmo nas grandes vias onde é suposto haver mais segurança, é dantesco. Limites de velocidade que não são respeitados em zonas de visível perigosidade, manobras eivadas de uma absoluta loucura como se um condutor desastrado fosse o único a circular na via pública. Esta "chacina" sucede todos os dias, com maior ou menor atenção dada pelos jornais ou televisão, e não há forma de pôr cobro a isto.

(Vítor Alexandre)

(url)


EARLY MORNING BLOGS

1642 - Ulisse

Nella mia giovanezza ho navigato
lungo le coste dalmate. Isolotti
a fior d’onde emergevano, ove raro
un uccello sostava intento a prede,
coperti d’alghe, scivolosi, al sole
belli come smeraldi. Quando l’alta
marea e la notte li annullava, vele
sottovento sbandavano piú al largo,
per fuggirne l’insidia. Oggi il mio regno
e quella terra di nessuno. Il porto
accende ad altri i suoi lumi; me al largo
sospinge ancora il non domato spirito,
e della vita il doloroso amore.

(Umberto Saba)

(url)

16.9.09

(url)


COISAS DA SÁBADO:
PODIA-SE CONHECER POR OUTRA VIA ALGUMAS DAS NOTÍCIAS DADAS PELO JORNAL NACIONAL DA TVI? PODIA, SÓ QUE NÃO É MESMA COISA.




Há benefício do infractor? Claro que há. O que é que muda sem o Jornal Nacional da TVI? Muita coisa e em tempo útil, ou seja a tempo de evitar alguns problemas numa campanha eleitoral que se decide por milímetros.

É que não é a mesma coisa dar notícias incómodas para o governo e não as dar. E o Jornal da TVI dava-as e nunca foi desmentido na factualidade dessas notícias. O problema nunca foi o estilo de Manuela Moura Guedes, mas sim as notícias que ela dava. Quem quiser fazer a confusão com o secundário, que a faça. Mas, quantas televisões passariam o DVD de Charles Smith? A RTP com certeza que não. Por razões deontológicas? Duvido, porque quando se trata de matérias que não tem qualquer sensibilidade política não se coíbem de passar coisas bem piores. Por exemplo, a RTP esta semana entrevistou uma criança, a menina que a mãe levou para a Rússia, em violação de qualquer código deontológico. Com certeza o critério de interesse público mais que justificava que se conhecesse o conteúdo do DVD, falsíssimas que sejam as acusações, porque existe e tem um papel central numa investigação policial envolvendo actos públicos. Alguém imagina que a CNN o não passasse, ou a BBC? Os jornalistas da casa fariam um levantamento. Cá, quem dá notícias é penalizado.

É que não é a mesma coisa pegar numa notícia (sobre o caso Freeport por exemplo) e fazer jornalismo de investigação, ir aos arquivos, ver quem são as pessoas (foi assim que se identificou um grupo de pessoas que gravitam sempre à volta de tudo, da Universidade Independente aos processos do concurso e adjudicação da obra da central de tratamento de lixo da Cova da Beira, etc,, etc.), fazer perguntas concretas aos envolvidos (foi o que produziu o “tio” e as suas declarações), tentar obter esclarecimentos adicionais, etc, ou seja, ser proactivo com a notícia, ou dá-la com tantos “alegados” por metro quadrado que mesmo quando aparece o “tio” se imagina o “alegado tio”.

É que não é a mesma coisa colocar uma notícia sobre um caso deste tipo a abrir um telejornal, ou escondida numa parte menor do alinhamento de um telejornal, quando já não se pode deixar de falar disso, como fez no início do caso Freeport a RTP. É a mesma notícia, mas não tem o mesmo impacto, a própria televisão a desvaloriza. E depois evitar a todo o custo discuti-la. Lembram-se do Prós e Contras que foi feito a “pretexto” do caso Freeport? Tudo alcatifado, tudo ao lado, tudo sem as perguntas certas, nem com os intervenientes que podiam dar as respostas mais esclarecedoras. Mais para matar o caso do que para o analisar. Ora, em todas as televisões de uma democracia o caso Freeport, por exemplo, abriria sempre os noticiários, seria objecto de análises exaustivas e efectivamente contraditórias.

O Jornal Nacional da TVI tinha muito espalhafato? Tinha, mas tinha as notícias certas no lugar certo do alinhamento. Foi por isso que acabou.

(url)


ESPÍRITO DO TEMPO: HOJE



Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. (RM)

(url)


EARLY MORNING BLOGS

1641

I call our world Flatland, not because we call it so, but to make its nature clearer to you, my happy readers, who are privileged to live in Space.

Imagine a vast sheet of paper on which straight Lines, Triangles, Squares, Pentagons, Hexagons, and other figures, instead of remaining fixed in their places, move freely about, on or in the surface, but without the power of rising above or sinking below it, very much like shadows -- only hard with luminous edges -- and you will then have a pretty correct notion of my country and countrymen. Alas, a few years ago, I should have said "my universe": but now my mind has been opened to higher views of things.

In such a country, you will perceive at once that it is impossible that there should be anything of what you call a "solid" kind; but I dare say you will suppose that we could at least distinguish by sight the Triangles, Squares, and other figures, moving about as I have described them. On the contrary, we could see nothing of the kind, not at least so as to distinguish one figure from another. Nothing was visible, nor could be visible, to us, except Straight Lines; and the necessity of this I will speedily demonstrate.

Place a penny on the middle of one of your tables in Space; and leaning over it, look down upon it. It will appear a circle.

But now, drawing back to the edge of the table, gradually lower your eye (thus bringing yourself more and more into the condition of the inhabitants of Flatland), and you will find the penny becoming more and more oval to your view, and at last when you have placed your eye exactly on the edge of the table (so that you are, as it were, actually a Flatlander) the penny will then have ceased to appear oval at all, and will have become, so far as you can see, a straight line.

(Edwin A. Abbott)

(url)

15.9.09


EARLY MORNING BLOGS

1640

Don Quijote soy, y mi profesión la de andante caballería. Son mis leyes, el deshacer entuertos, prodigar el bien y evitar el mal. Huyo de la vida regalada, de la ambición y la hipocresía, y busco para mi propia gloria la senda más angosta y difícil. ¿Es eso, de tonto y mentecato?.

(Cervantes, Don Quijote de la Mancha)

(url)

14.9.09


HOJE NO


NOVO:

Document (2)
  • ACTUALIZAÇÕES
    A colaboração dos leitores é fundamental para manter este registo actualizado e cobrindo a maior quantidade de materiais de todos os partidos concorrentes a nível nacional e local.

    Concelhos incluídos Alcanena, Alcobaça, Alcácer do Sal, Almeirim, Amadora, Amarante, Arganil, Arronches, Azambuja, Beja, Benavente, Caminha, Cartaxo, Chamusca, Évora, Faro, Ferreira do Alentejo, Golegã, Grândola, Lisboa, Loures, Lourinhã, Lousã, Marinha Grande, Moura, Odemira, Odivelas, Oeiras, Ourém, Paredes, Peniche, Pinhel, Porto, Rio Maior, Salvaterra de Magos, Santarém, Seixal, Serpa, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Valongo, Vendas Novas, Viana do Castelo, Vila Nova da Cerveira, e várias freguesias.
  • JSD – ELEIÇÕES LEGISLATIVAS DE 2009
  • ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS DE 2009 – PORTO
  • CANDIDATURA DE JERÓNIMO DE SOUSA ÀS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS 2006

(url)


ESPÍRITO DO TEMPO: HOJE



Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. (RM)

(url)


TUDO ESTÁ A MUDAR, TUDO ESTÁ NA MESMA (1)



Nada é permanente, salvo a mudança. (Heráclito)

Já fiz várias campanhas eleitorais, em diferentes circunstâncias, em diferentes momentos. Muitas coisas são comparáveis e outras não o são de todo. Tenho para mim que é sempre mais importante perceber as diferenças do que estar a procurar semelhanças. E há movimento, apesar de tudo. Há coisas a mudar, poucas mas significativas, embora a resistência para fazer o mesmo continue, principalmente nas máquinas partidárias. No entanto, como o desgosto pela política é hoje dominante, com uma espécie de enfado pelos partidos que roça o antidemocrático, tende a privilegiar-se o meter tudo no mesmo saco, logo a insistir nas semelhanças. Há alguma intencionalidade política nestas afirmações, que vêm em pacote com as imprecações contra o "sistema", ou o "centrão", e que favorecem os partidos das margens como o BE e o PP.

Uma actividade da análise política do grau zero, muito praticada nos blogues, em debates interpartidários principalmente no Parlamento, é a permanente comparação com o passado pela lógica do "apanhei-te", o que tem os mesmos efeitos do enfado populista pela política. Tudo isto associado à clamorosa falta de memória, que permite a Louçã dizer num debate que as nacionalizações de 1975 eram inevitáveis pelo facto de os donos das empresas terem "fugido" para o Brasil. Sócrates, que o apanhou muitas vezes na contradança, não parecia conhecer as circunstâncias do que se passou, o que revela como se podem dizer enormidades (e Louçã sabe muito bem o que se passou) sem que as pessoas disso se apercebam. Se associarmos tudo isto à generalizada falta de estudo, patente em jornalistas e nos blogues, leva a essa retórica do "sempre o mesmo", com enorme falta de imaginação e nem sequer curiosidade para ver o que muda.


Diferenças - Poucas campanhas nos tempos mais recentes tiveram actores políticos que proponham coisas diferentes aos eleitores, que possam ser entendidas como tais pelo comum dos cidadãos. Em 2005, quer Sócrates, quer Santana propunham um programa desenvolvimentista, negando a "obsessão pelo défice" e proclamando baixas de impostos e empregos. Tinham visões diferentes sobre o passado, como é normal, mas não diferiam muito no que propunham aos portugueses. Hoje não é assim, Manuela Ferreira Leite e Sócrates, Portas e Louçã têm uma visão muito diferenciada quer sobre os problemas do presente, quer sobre as políticas do futuro. E não é apenas um saber da elite, é uma percepção que o homem comum tem.

Outras diferenças - Há também um confronto de carreiras, modo de ver a política, "modernidades", sensibilidades, gerações, imagens, que, particularmente entre Manuela Ferreira Leite e Sócrates, também dizem alguma coisa aos eleitores. Quando Sócrates, nas apreciações políticas, aparece sempre à frente nas apreciações mais valorativas e pessoais (como a "credibilidade", a "honestidade" e a "seriedade") e Manuela Ferreira Leite o suplanta, estamos perante diferenças de percepção cujo peso eleitoral se desconhece, mas que explicam duas campanhas, dois modos de fazer política muito distintos. Aqui também Jerónimo de Sousa é distinto e Louçã e Portas semelhantes a Sócrates.


Debates - Os debates têm sido seguidos por muitos portugueses, o que mostra que existe interesse activo pela política. Mas há muita coisa na fórmula destes debates que é mal conseguida, e a forma está continuamente a sofrer uma evolução nem sempre para melhor. Nas campanhas anteriores, o modelo dos debates era o das perguntas dos jornalistas sobre áreas sectoriais detalhadas, em detrimento da política geral. Eles tinham implícita a ideia de que um candidato a primeiro-ministro devia saber tudo, inclusive o fetiche dos números à unidade, sobre economia, educação, saúde, segurança social. Era uma espécie de exame à antiga, com os jornalistas como examinadores.

Ainda há resquícios dessa fórmula, mas a rigidez dos debates actuais, resultado das pressões políticas mais do que dos órgãos de comunicação social, conduz a uma subserviência a considerações de geografia formal do sistema partidário, que gera alguma abstracção do confronto político, logo a ruído. Os debates com maior sentido, ou como diria um jornalista, com "critérios editoriais", são Manuela Ferreira Leite com Sócrates e Portas, o mesmo para Portas com Manuela Ferreira Leite e Sócrates, entre Portas e Manuela Ferreira Leite, e por fim as duplas Sócrates com Louçã e Jerónimo de Sousa, e entre Jerónimo de Sousa e Louçã. Tem sentido que Sócrates discuta com todos.

Os outros debates podem ser curiosos, mas são pouco mais do que ruído. Que sentido tem uma discussão entre Manuela Ferreira Leite ou Portas com Louçã e Jerónimo de Sousa? Ou é um debate de pura ideologia, ou uma competição de populismos (como pode ser o debate entre PP e BE, que não vi quando escrevo este artigo), ou são monólogos em mútua companhia. Desta rigidez pode não vir nenhum mal ao mundo, mas não é muito diferente da que levou a um programa com doze candidatos autárquicos a Lisboa ao mesmo tempo.

A percepção que se tem dos debates é muito diferente quando se tenha visto todo o debate, ou quando se vejam apenas excertos. Manuela Ferreira Leite é favorecida pelos excertos e prejudicada pelo conjunto dos debates. Jerónimo de Sousa é prejudicado por tudo, só brilhou na Festa do Avante!. Louçã, que é de todos o mais preparado para a mecânica deste tipo de confrontos políticos - veja-se como ele interrompe sempre Manuela Ferreira Leite quando o argumento que esta dá lhe é prejudicial, a mesma técnica que usa Portas -, é muito prejudicado pelo conjunto dos debates porque quanto mais fala mais cansativo se torna e mais vazias parecem as suas propostas. Parecem "speedados". Portas tem os mesmos problemas de Louçã, quanto mais se ouve mais antipático parece e mais afastado da realidade. No confronto com Manuela Ferreira Leite, Portas parece conhecer as palavras e Manuela Ferreira Leite as pessoas, e isso intui-se porque, contrariamente ao que alguns pensam, há uma comunicação empática que vem das posturas pessoais dos que debatem. Por exemplo, Manuela Ferreira Leite, Jerónimo de Sousa e Sócrates ouviam os seus opositores, Louçã e Portas, mais este último, não ouviam nada. Quem vê e não está viciado na retórica política apercebe-se destes factores. Sócrates está quase sempre bem e prepara melhor que todos os debates, principalmente tendo uma estratégia para evitar discutir o presente e recorrer à técnica parlamentar de tentar apanhar em falso os seus adversários. Todos eles, menos Manuela Ferreira Leite, beneficiam do treino parlamentar e de muitos anos de política feita pelo verbo.

Temas ausentes - continua a ausência, por responsabilidade de todos, políticos e jornalistas, de vários temas dos mais importantes da vida política, como seja a Europa, as relações externas e a defesa. O predomínio é o da economia, seguida de agendas importadas da actualidade muitas vezes puramente casuísticas, outras artificiais.



Profissionalismo da campanha
- O PS bate todos, com o recurso a toda uma panóplia profissional, com a entrada cada vez mais importante de agências de comunicação, especialistas de marketing, task forces, "campanhas negras" nos blogues vindas dos gabinetes governamentais, etc. A utilização de recursos públicos e os abusos de poder, como o panfleto da Rave, são recebidos com indiferença pela comunicação social, mesmo quando é diante dos olhos de todos, em contraste com os igualmente condenáveis quinhentos metros no carro madeirense. Em seguida, em matéria de profissionalismo, vem o BE, que se tornou um partido com posses, mas que tem também os melhores cartazes, e uma capacidade real de integrar a sua mensagem de campanha. O PP, com menos posses, também utiliza muito bem os seus cartazes de campanha, privilegiando, como o BE, uma campanha de "conteúdos" em directa consonância com os temas da sua campanha.

(Para a semana fica a "asfixia democrática", o engraçadismo, os "jovens", os brindes, etc.)

(Versão do Público de 12 de Setembro de 2009.)

(url)


EARLY MORNING BLOGS

1639 - Provérbio

Las mentiras tienen las patas cortas.

(url)

13.9.09

(url)


LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 13 de Setembro de 2009


A certa altura, Sócrates citou uma frase de Abel Salazar, que está no pórtico da Faculdade de Medicina do Porto: «Um médico que só saiba de medicina não é bom médico». Há só uns detalhezinhos a apontar:

1) a frase não está no pórtico, mas sim no átrio;

2) não está na Faculdade de Medicina, mas sim no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar;

3) a frase correcta é «Um médico que só saiba de medicina nem de medicina sabe».

Mas, vá lá, acertou no nome.

(José Carlos Santos)

(url)


COISAS DA SÁBADO:
BATAM LÁ À PORTA DO GOVERNO PARA VER QUEM ATENDE



Transformem-se em fantasma e batam às portas dos gabinetes de S. Bento e dos edifícios governamentais. Onde está o Primeiro-ministro? Não sei Senhor Fantasma, deve estar a inaugurar uma primeira pedra, ou a entregar um computador, ou um diploma das Novas Oportunidades, que já não o vemos há muito tempo. E quem gere a crise? Não sei Senhor Fantasma, o único que eu vejo trabalhar no seu cantinho é o Ministro das Finanças que agora também é da Economia e que está lá enterrado numa mesa rodeado de papéis por todo o lado. Mas sabe, Senhor Fantasma, que não dá vazão. E agora pediram-lhe também para ir a um comício dizer umas coisas e ele não tem muito jeito. Mas e os ministros? Ah! isso Senhor Fantasma, também não estão cá, andam também a inaugurar primeiras pedras, obras que se vão talvez fazer para 2014. Então quem governa para os portugueses, quem está a gerir a “crise”? Ninguém Senhor Fantasma, a não ser que os portugueses se chamem televisão, esses coitadinhos andam a correr aflitos atrás de tanta primeira pedra. Então a RTP não tem descanso.

(url)


ESPÍRITO DO TEMPO: HOJE



Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. (RM)

(url)


EARLY MORNING BLOGS

1638- Não podiam...

Que podem desejar os homens em quem os manda e governa? Um grande amor e zelo do bem público? E Moisés amou e zelou com tal extremo o povo de Israel, ainda antes de lhe estar encomendado, que mais quis ser afligido e padecer com ele no cativeiro, que ser filho da filha de el-rei Faraó, como nota e encarece S. Paulo. Que mais podem desejar? Que remedeie suas misérias, e os alivie de seus trabalhos? E Moisés fê-lo tanto assim que os libertou do Egipto, e da duríssima servidão e tirânico jugo com que eles e seus pais e avós, tantos anos havia estavam oprimidos, e os passou ao domínio da Terra de Promissão, a mais abundante e deliciosa do mundo. Que mais podem desejar? Riquezas? E Moisés, juntamente com a liberdade, não só os fez sair com todos os seus gados sem ficar deles no Egito nem uma unha, como diz o texto, mas carregados de ouro, e de todas as jóias dos egípcios, em satisfação do injusto serviço a que os tinham obrigado. Que mais podem desejar? Vitoria e vingança de seus inimigos, com segurança de nunca mais lhes serem sujeitos? E tudo isso lhes deu logo Moisés, sepultando Faraó e todos seus exércitos no fundo do Mar Vermelho, vencendo os hebreus sem batalha, e triunfando sem armas, e despindo nas praias os corpos que eles não tinham morto, para também levarem os despojos. Isto é o quanto podiam desejar e fingir no pensamento. Vamos agora ao que nem desejar podiam. Podiam desejar ser providos de todo o sustento, e ainda de todo o regalo, sem despesa nem trabalho? Não podiam. E Moisés para comer lhes deu o maná, em que estavam guizados ao gosto de cada um todos os sabores, e para beber copiosas fontes de água puríssima, que com a mesma penha, de que manavam, os iam seguindo. Podiam desejar que de dia os não queimasse ou encalmasse o sol, e de noite não ficassem em trevas e às escuras? Não podiam. E Moisés, por meio de duas colunas prodigiosas, que pelo ar os acompanhavam, de noite os alumiava com uma que era de fogo, e de dia os defendia do sol com outra que era de nuvem. Podiam desejar que, sendo três milhões de homens de todas as idades, nenhum deles adoecesse, nem estivesse enfermo? Não podiam. E Moisés, com virtude superior a toda a natureza e fraqueza humana, os conservava a todos sãos, e com inteira e robusta saúde: Et non erat in tribubus eorum infirmus . Podiam desejar que o vestido e calçado, em quarenta anos de caminho, não envelhecesse nem se gastasse? Não podiam. E Moisés, com menos necessário milagre — porque tinham as lãs e peles dos seus rebanhos — com os mesmos vestidos e com o mesmo calçado com que tinham saído do Egito, os levou até à Terra de Promissão, a cuja vista lhes disse: Quadragintaannis perdesertum non sunt atrita vestimenta vestra, nec calceamenta pedum vestrorum consumpta . Finalmente, podiam desejar que Moisés antepusesse a conservação do mesmo povo à sua própria salvação, e a vida temporal dos que governava à sua própria bem-aventurança e vida eterna? Não podiam.

(António Vieira)

(url)

© José Pacheco Pereira
Site Meter [Powered by Blogger]