| ABRUPTO |
semper idem Ano XIII ...M'ESPANTO ÀS VEZES , OUTRAS M'AVERGONHO ... (Sá de Miranda) _________________ correio para jppereira@gmail.com _________________
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16.5.09
HOJE NO
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(url) (url) ÍNDICE DO SITUACIONISMO (92): QUANDO NÃO PREJUDICA OS INTERESSES ELEITORAIS DE SÓCRATES ALEGRE É EXCELENTE ![]() A questão do situacionismo não é de conspiração, é de respiração. E, nalguns casos, de respiração assistida. Na segunda nota desta série, intitulada ÍNDICE DO SITUACIONISMO (2): OS DEZ SINAIS o sinal número seis era o seguinte: Manuel Alegre é uma "referência ética", a "consciência do PS", etc., até ao momento em que começa a falar de um novo partido, passando então a ser um "vaidoso" e um "irresponsável".Hoje, no Diário de Notícias, artigo do director
(url) There is a wolf in me … fangs pointed for tearing gashes … a red tongue for raw meat … and the hot lapping of blood—I keep this wolf because the wilderness gave it to me and the wilderness will not let it go. There is a fox in me … a silver-gray fox … I sniff and guess … I pick things out of the wind and air … I nose in the dark night and take sleepers and eat them and hide the feathers … I circle and loop and double-cross. There is a hog in me … a snout and a belly … a machinery for eating and grunting … a machinery for sleeping satisfied in the sun—I got this too from the wilderness and the wilderness will not let it go. There is a fish in me … I know I came from saltblue water-gates … I scurried with shoals of herring … I blew waterspouts with porpoises … before land was … before the water went down … before Noah … before the first chapter of Genesis. There is a baboon in me … clambering-clawed … dog-faced … yawping a galoot’s hunger … hairy under the armpits … here are the hawk-eyed hankering men … here are the blond and blue-eyed women … here they hide curled asleep waiting … ready to snarl and kill … ready to sing and give milk … waiting—I keep the baboon because the wilderness says so. There is an eagle in me and a mockingbird … and the eagle flies among the Rocky Mountains of my dreams and fights among the Sierra crags of what I want … and the mockingbird warbles in the early forenoon before the dew is gone, warbles in the underbrush of my Chattanoogas of hope, gushes over the blue Ozark foothills of my wishes—And I got the eagle and the mockingbird from the wilderness. O, I got a zoo, I got a menagerie, inside my ribs, under my bony head, under my red-valve heart—and I got something else: it is a man-child heart, a woman-child heart: it is a father and mother and lover: it came from God-Knows-Where: it is going to God-Knows-Where—For I am the keeper of the zoo: I say yes and no: I sing and kill and work: I am a pal of the world: I came from the wilderness. (Carl Sandburg) (url) 15.5.09
ESPÍRITO DO TEMPO: ESTES DIAS ![]() Mar da Nazaré. (António Balau) ![]() Da minha janela que dá para o "Mar da Palha", entre Almada e Barreiro. (António Pedro) Pomarão, Mértola, antigo cais de embarque do minério (pirites) proveniente de Minas de São Domingos; o Guadiana, visto da ponte internacional recentemente inaugurada, que liga a Espanha. (Fernando Correia de Oliveira) Padronelo, Amarante, da 8ª edição do Prémio Município de Amarante em Ciclismo– Memorial Dr. Barreiros de Magalhães, com a 4ª Prova da Taça de Portugal Elites 2009, na categoria de sub 23, numa iniciativa da Câmara Municipal de Amarante e da Associação de Ciclismo do Porto. (Helder Barros) Jacarandá. (ana) ![]() ![]() Os Loendros, na Reserva Botânica de Cambarinho. ![]() ![]() Giestas. (José Manuel de Figueiredo) (url) 14.5.09
(url) (url) Let us begin with a simple line, Drawn as a child would draw it, To indicate the horizon, More real than the real horizon, Which is less than line, Which is visible abstraction, a ratio. The line ravishes the page with implications Of white earth, white sky! The horizon moves as we move, Making us feel central. But the horizon is an empty shell— Strange radius whose center is peripheral. As the horizon draws us on, withdrawing, The line draws us in, Requiring further lines, Engendering curves, verticals, diagonals, Urging shades, shapes, figures… What should we place, in all good faith, On the horizon? A stone? An empty chair? A submarine? Take your time. Take it easy. The horizon will not stop abstracting us. (James Galvin) (url) 13.5.09
(url) UM COMBOIO PODE ESCONDER OUTRO De facto, um comboio pode esconder outro. Neste caso, um daqueles comboiinhos, via reduzida, colorido, "fracturante", turístico, cheio de sinos e sininhos, com actores de casting, muita publicidade e milhões de palavras, pode esconder um daqueles comboios de carga, duas locomotivas, metros e metros de vagões negros, daqueles que não se sabe o que vai dentro, carvão, matérias tóxicas, produtos químicos ou nucleares, daqueles que aparecem nos filmes-catástrofe de Hollywood, correndo sem controlo por uma via errada para ameaçar uma idílica cidade em que a velocidade entra em colisão com as leis da física e os carris. Nos filmes há sempre um herói que salta de helicóptero para salvar a cidade, onde está a sua namorada ou a filha, mas no caso do comboio negro que falo não é líquido que haja alguém para ter esse papel. Ou os habitantes da cidade percebem que o comboio turístico não é nada, comparado com a composição destravada, ou ele bate mesmo, se é que não bateu já.Nestas últimas semanas, tudo quanto é órgão de comunicação social andou no comboiinho colorido, numa discussão puramente escolástica sobre o Bloco Central, distraindo-nos do outro comboio, o da gravidade da crise que Portugal atravessa, que já existia antes da "crise" internacional, que é obviamente agravada por esta, e que nos vai bater com a violência de duas locomotivas, cinquenta vagões, mais a carga, quando já clarear o sol lá fora nas outras cidades. O mais espantoso é que muita gente admite que algures está o comboio negro, mas embarca feliz no comboiinho. A discussão sobre o Bloco Central, alimentada pela agenda jornalística, é um puro exemplo de como se pode colocar mal o problema. A razão principal por que a discussão nominalista, formalista, é errada é por isso mesmo: ignora o conteúdo quer dos problemas que é suposto resolver, quer das soluções políticas capazes de serem eficazes para os resolver. Não é o único discurso corrente que se desenvolve deste modo, o dos empresários "apolíticos" tem aspectos comuns, mas é o único que associa os dois elementos que fazem falta para a discussão não ser o que é, escolástica. Expliquemo-nos melhor, porque o assunto não é simples. Quando se ouve um empresário ou muitos economistas que se colocam no terreno dos "problemas" da crise e que insistem em declarar que estão acima dos partidos, e que são muitas vezes seus críticos ferozes, eles enunciam bem a situação muito difícil do país e o seu aparente beco sem fácil saída. Eles vêem o comboio negro vir, mas depois mostram uma completa ingenuidade, quando não uma grande desconfiança pouco democrática, quando se trata de encontrar soluções políticas. Aí oscilam ou por se colocar ao lado do poder que está, ou propor uma espécie de "consensualismo" fora dos partidos, ou fórmulas de "governos de salvação nacional", quando não sugestões de "governos fortes" para "pôr o país em ordem". Este discurso que se ouve cada vez mais ignora e é indiferente a um facto que para mim é essencial: em democracia, as soluções políticas para as crises, por maiores que sejam, por terminais que pareçam, passam pelos partidos e pelo voto. Repito, para se ouvir bem: em democracia, ou se procuram soluções políticas, de governabilidade e não só, naquilo que muitas vezes se chama pejorativamente o "sistema", ou sai-se da democracia. Isso pode significar um conjunto de soluções muito vasto, mas todas têm em comum dois factores: têm de ter apoio dos portugueses no voto e têm de encontrar tradução nas instituições da democracia, Presidência, Parlamento, partidos, sindicatos, etc. Aqui é que surge a questão do Bloco Central. Para o discurso que corre hoje nos media (que neste caso não é inteiramente coincidente com o discurso político), o Bloco Central seria a panaceia para a solução governativa nas próximas eleições, em que parece só haver uma unanimidade, o facto de o PS não ir ter de novo a maioria absoluta. Este tipo de obsessão de cenários é muito típico do jornalismo político português e tem origem num dos mestres desse jornalismo, Marcelo Rebelo de Sousa (o outro mestre foi Paulo Portas, que esteve na origem do jornalismo justiceiro e populista). O problema aqui é que com a obsessão dos cenários, e o comboio colorido transporta vários, se esconde o comboio negro. Antes dos cenários está uma realidade dividida e que não se resolve com "consensos" assentes numa soma aritmética de dois partidos "centrais". Pelo contrário, ir-se-ia agravar. E ir-se-ia agravar porque um Bloco Central como pretende a escolástica jornalística, seria hoje na prática apenas uma coisa: um governo PS com apoio PSD, para prosseguir em linhas gerais a mesma política do actual governo PS, a que acrescentaria apenas um duro programa de austeridade conjuntural. Os resultados do prosseguimento da mesma política do actual PS agravariam todos os problemas da economia portuguesa e unidos apenas por aquilo que interessaria ao PS: um "consenso" para a austeridade, que atiraria para a conflitualidade social muitos milhares de portugueses. A razão por que a discussão actual sobre o Bloco Central é puro "cenário" é que ignora os muito complicados facts of life. Primeiro, com que PS se faria? Talvez com o de José Sócrates, se o PSD aceitasse uma hegemonia política do PS e um papel muito menor na coligação. Há um PSD disposto a isso, que veria com felicidade a partilha de lugares que ser servente do PS traria, mas esse PSD não é o PSD de Manuela Ferreira Leite. O actual PSD fornece aos eleitores aquilo que muitas vezes não existiu no passado: um programa alternativo face à "crise". Os actuais defensores do Bloco Central ignoram que, poucas vezes como hoje, existe alternância de posições. A crise mostrou um PS interventor na economia, dominador do espaço público, estatista, e que usa uma justificação keynesiana para uma espécie de jacobinismo político cada vez mais vincado e autoritário. E mostrou também, olhando-se para o discurso e as estatísticas, desde Guterres, um PS indiferente à dívida e aos desequilíbrios estruturais da nossa economia. O PSD de Manuela Ferreira Leite tem uma política consistente (como é em muitos aspectos a do PS) e diferente. Como, aliás, tem o Presidente da República, cujo olhar é próximo do de Manuela Ferreira Leite, não porque o Presidente queira "ajudar o PSD", mas porque a visão do país e dos seus problemas é comum. Acrescem mais factores que tornam a actual discussão muito irreal. Um é que, mais do que a bipolarização política, existe uma bipolarização na pessoa do primeiro-ministro. Metade do país é a favor, metade é contra. Nessa metade contra junta-se esquerda e direita, mas a fractura tende a agravar-se e a radicalizar-se. Uma das razões por que penso que uma solução de maioria absoluta do PS seria hoje muito instável socialmente é que o país, que já está muito dividido, voltar-se-ia uma metade contra a outra, a favor de Sócrates e contra Sócrates, mais do que a favor de PS, PSD, PCP ou BE. Uma das razões por que é difícil encontrar soluções políticas é que a bipolarização social não corresponde a uma bipolarização política: a fragilidade do PSD impede-o de imediato de servir de alternativa, embora haja sinais nas sondagens que esse processo possa estar em curso. Dito tudo isto, e ainda havia muito mais para dizer, é natural que se possa passar por um período de instabilidade política antes de se encontrar uma solução de governabilidade estável e com força. Pode ter de haver mais do que um processo eleitoral, o que não é nenhum drama se isso significar que os eleitores possam escolher por soluções alternativas claras. Isso agrava bem menos os problemas do país do que falsas soluções como um Bloco Central de contrários que só se podem entender pelos piores interesses. É por isso que o mais importante é clarificar os caminhos, que são muito diferentes, e trabalhar para que os eleitores escolham para além do protesto e da zanga. Isso é que traz estabilidade governativa e políticas consistentes. Perder os nervos nesta altura faria uma mistela de sabores, que deve ser o sorvete que se serve no comboiinho turístico. O que temos é de deitar uns milhões de portugueses para cima do comboio negro para desengatar os vagões, desligar as locomotivas e salvar a cidade. Pelo caminho haverá mortos e feridos, até porque não é um filme. (Versão do Público, 9 de Maio de 2009.) (url) (url) COISAS DA SÁBADO: O BLOCO CENTRAL DO PRESIDENTE E DA LÍDER DO PSD ![]() Falou o Presidente da República de Bloco Central? Falou Manuela Ferreira Leite de Bloco Central? Nem um, nem outra. Basta estar-se de boa fé e conhecer as personagens, que não são propriamente páginas em branco que nasceram em 25 de Abril de 2009, para perceber que eles estão a falar de outra coisa que está para lá e antes de qualquer arranjo governamental. Falaram de “problemas de governabilidade”, de “sustentação e estabilidade governativa”, e de “soluções em que acreditam” em que " a conjugação de interesses - interesses no sentido do País - são coincidentes”. Dou um bónus a quem me possa garantir de boa fé que o Presidente da República está preocupado com a sobrevivência do PS de Sócrates. Dou um bónus a quem me possa garantir de boa fé que Manuela Ferreira Leite acha que o PS de José Sócrates revela a " a conjugação de interesses - interesses no sentido do País” em que ela “acredita”.Na verdade, Cavaco Silva e Manuela Ferreira Leite estão a falar da mesma coisa, da governabilidade do país numa crise profunda, e a dizer que são necessárias soluções para essa situação, mas não estão a propor qualquer fórmula governativa, nem a negá-la em abstracto. Todavia, essa não é sua primeira preocupação, mas sim a dimensão da crise no futuro imediato e o seu efeito em termos de instabilidade. E logo aí se distinguem do PS e estão na prática, pensamento e linguagem, a falar para além do governo e do PS tal como existe, do PS dos “grandes projectos” e da cornucópia da abundância do investimento público sem nexo e direcção, do PS de Sócrates. Deste ponto de vista, então eu também teria legitimidade para interpretar as suas frases como traduzindo-se em “jornalistês” e “politiquês”: Cavaco e Manuela chamam a atenção para a necessidade de encontrar fórmulas de governo para além do PS, do PS de Sócrates. E porque não? Na verdade, sejam quais forem as fórmulas governativas possíveis, nenhuma de antemão garante hoje, insisto, hoje, a estabilidade por si só, mesmo que exista uma maioria absoluta parlamentar. O governo PSD-PP tinha uma maioria absoluta e caiu. E o governo Guterres teve um país de pasmaceira, e pode fazer as maiores asneiras possíveis, durante quatro anos sem maioria no parlamento. Olhando para o passado, houve estabilidade em governos minoritários e maioritários (Cavaco e AD), de um ou mais partidos e instabilidade em todas as fórmulas, incluindo maiorias absolutas e governos de Bloco Central. O problema não é formal, mas substancial, e hoje então é muito mais substancial do que formal. Eu sempre preferi e continuo a preferir governos de maiorias de um só partido, ou então, medidas, como defendi no parlamento, que baixem o número de votos para haver maiorias sólidas. Mas hoje, conjunturalmente, se houvesse uma maioria absoluta do PS, a instabilidade social e política estava tão garantida como dois e dois serem quatro. Na verdade, pode haver governos do PS com maioria simples ou absoluta, governos do PSD com maioria, pode haver uma nova AD, podem haver múltiplos acordos de incidência parlamentar para diferentes soluções governativas, pode haver medidas de emergência especiais com acordos parlamentares alargados, pode haver de tudo inclusive novas eleições, mas o essencial é encontrar aquilo que Manuela Ferreira Leite disse que era fundamental: “Se perceber que o objectivo país não é propriamente aquele que está no centro das atenções, então com dificuldade haverá um Governo que possa contribuir para a melhoria do País." Haja acordo em medidas para combater a crise, medidas que tem que ser duras e prolongadas, e qualquer solução assente nesse acordo, livremente aceite, é estável. O contrário, nem que seja a maior dos Blocos Centrais, é instável. (url) 10.5.09
(url) LENDOVENDO OUVINDO ÁTOMOS E BITS de 10 de Maio de 2009 Arranjem-se todas as explicações que se queiram, mas os jornais de cá (o Abrupto está a ser feito de Oxford) não têm comparação com os de lá. E não é por causa dos meios. É da qualidade do jornalismo. (url)
© José Pacheco Pereira
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