A pity it is evening, yet I do love the water of this spring seeing how clear it is, how clean; rays of sunset gleam on it, lighting up its ripples, making it one with those who travel the roads; I turn and face the moon; sing it a song, then listen to the sound of the wind amongst the pines.
ÍNDICE DO SITUACIONISMO (86): SEM VERGONHA NENHUMA, SEM DISFARCE
A questão do situacionismo não é de conspiração, é de respiração. E, nalguns casos, de respiração assistida.
Se alguém tivesse dúvidas sobre a governamentalização da RTP e da evidente intencionalidade política do seu noticiário, - e eu acho que praticamente ninguém tem -, poderia tirá-las hoje. Compare-se o modo completamente distinto como a RTP tratou o lançamento da candidatura de Vital Moreira e de Paulo Rangel, repescando, no caso do PSD, para passar a seguir à sua apresentação, ainda este estava a falar, uma frase de Marcelo com quinze dias, mas que serve para neutralizar o anúncio, ou para o tornar contraproducente. Trabalho profissional, política de assessor de imprensa do PS, que nada tem a ver com o jornalismo. Esta gente não brinca em serviço. Já não tem vergonha e nem sequer disfarça.
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Após ler os seus posts mais recentes, dei por mim a reflectir na prestação mediática do nosso primeiro-ministro. Assim, enquanto cidadão atento à actualidade, a sensação que tenho é que o nosso primeiro-ministro pouco trabalha para resolver os problemas nacionais.
Evidentemente, é apenas a minha percepção, e posso estar redondamente enganado (como aliás, desejo sinceramente estar). Contudo, vejo que ontem o primeiro-ministro esteve numa escola. Hoje, esteve numa farmácia e num tribunal. E assim se passou praticamente metade de uma semana de trabalho... Em cinco dias úteis, dois foram passados em acções mediáticas. E não sabemos o que nos reserva o resto da semana.
Claro, o nosso primeiro-ministro pode passar os dias em inaugurações e sessões públicas, e trabalhar toda a noite. Mas nenhum homem é uma ilha, e do fundo da minha ignorância, suponho que o trabalho político (principalmente o trabalho de um primeiro-ministro) não poderá ser feito por uma pessoa só pela noite dentro. Suponho que o trabalho de um primeiro-ministro passará por reuniões com os membros da sua equipa, pelo delinear de estratégias, por uma apurada reflexão sobre as decisões mais correctas a tomar. Ou seja, custa-me a acreditar que o primeiro-ministro, a sua equipa e eventuais parceiros de decisão se dediquem a todos estes assuntos noite fora, abdicando do seu sono.
Desejo apenas realçar que esta é a minha percepção enquanto "observador" das notícias que chegam à praça pública; não estou a fazer acusação alguma, somente a partilhar a sensação que tenho após reflectir nos seus oportunos posts.
Resta-me só chamar-lhe a atenção para este trabalho jornalístico, que considero esclarecedor.
(RM)
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Para além da evidente governamentalização, fica patente a disseminação desse vírus no mais ínfimo pormenor de todo e qualquer noticiário da RTP: na “caixa de texto” que acompanhava a “noticia” da nomeação do candidato do PSD, ás eleições europeias, podia-mos ler, como título – “Fumo branco” no PSD;
Não mais que um “comentário” pejorativo disfarçado de título inócuo – indiciando um processo difícil (com sucessivas escolhas rejeitadas), longo (no sentido negativo…) e, talvez até aproveitando a desilusão que grande parte da população “popular” vê na nomeação do actual papa, tentando a conotação negativa (facilmente conseguida nos “espíritos” mais incautos… educados com Magalhães e novas oportunidades estupidificantes) .
(Paulo Batista)
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Acabo de enviar um email ao Provedor do Telespectador da RTP em relação 'a incrível submissão jornalística perante o governo, e perguntava-lhe se não podia sugerir isto mesmo aos leitores do seu blog . Aqui no Reino a sociedade civil inunda a BBC sempre que discorda de algo que veja ou ouça, nem que seja absurdo. Como nos falta uma sociedade civil como deve ser 'as vezes e' preciso um incentivo para haver acção.
Bingo! Para o telejornal das 13 horas, às 13.24, cá veio o previsto "momento Chávez" sobre o "antes e depois" (dele, Socrates). A sessão no tribunal de Sintra já também serviu para a manhã, deu origem a uma longa reportagem laudatória da RTP, com entrevista ao Ministro e uma brevíssima passagem sobre as críticas. Mas o prato principal servirá para o Telejornal da noite.
O mesmo tom, as mesmas palavras, a mesma "decisão", a mesma propaganda...e o mesmo engano, as mesmas falsidades, a mesma incúria em cima do joelho, e as mesmas datas destinadas a encher o olho. As terraplanagens eram para 2007...
I often wished that I had clear, For life, six hundred pounds a-year, A handsome house to lodge a friend, A river at my garden's end, A terrace walk, and half a rood Of land, set out to plant a wood.
Um amigo meu jornalista enviou-me o "momento Chávez" de amanhã:
O primeiro-ministro José Sócrates preside, no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, à inauguração da maior farmácia pública nas instalações de um hospital, numa cerimónia que conta ainda com a presença da ministra da Saúde, Ana Jorge, e do secretário de Estado Adjunto e da Saúde. A cerimónia realiza-se, pelas 10h30, nas novas instalações da farmácia, junto ao Serviço de Urgência Central do hospital.
Horário certo (para os telejornais das 13 horas, os mais vistos pelos reformados e idosos) e "cerimónia" certa. Tem toda a razão. É tudo tão previsível...
Autocolante e fotografia do estado actual do Cavalete do Poço de S. Vicente aí reproduzido.
O Centro Revolucionário Mineiro foi o resultado da ocupação das instalações da Companhia das Minas de S. Pedro da Cova (encerradas desde 1970) em Julho de 1975. O Centro foi uma típica organização "revolucionária" dos anos do PREC, que teve um papel muito activo na recuperação da memória do trabalho mineiro e das lutas sociais com ele associadas. A obra de Serafim Gesta (Mazola), parte da qual editada pelo Centro, retrata os aspectos da história mineira que até 1974 a censura não permitia que se conhecessem. Na biblioteca existem as seguintes brochuras:
Serafim Gesta, Vozes do subsolo, [Gondomar] , Centro Revolucionário Mineiro, 1976
Serafim Gesta (Mazola), Mataram o Farramôna!: lutas operárias em S. Pedro da Cova, S.L., Centro Revolucionário Mineiro. Gabinete de Documentação, 1976
Serafim Gesta (Mazola), Operários da morte: documento vivo da miséria e exploração de todo um povo: os minérios de S. Pedro da Cova, Centro Revolucionário Minero, 1978
Serafim Gesta “Mazola”, Minas de S. Pedro da Cova um grito rompe o silêncio , Porto , Of. Gráf. do Colégio dos Orfäos). 1982
Serafim Gesta, S. Pedro da Cova: folclore mineiro, S.L., S. Gesta, 1982.
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Clarinda Santos, Professora da Escola Secundária de S. Pedro da Cova, Gondomar, enviou-me um conjunto de informações sobre o estado actual do património mineiro e dos esforços que estão a ser feitos para salva-lo:
Como sabe, durante muitas décadas S. Pedro da Cova, em Gondomar, foi um lugar relevante para a história industrial e laboral do país devido à actividade extractiva das minas de carvão encerradas em 1972. O complexo mineiro que restou está no mais completo abandono e levanta para a freguesia sérias questões não só de identidade cultural e histórica inerentes ao pouco empenho que as entidades públicas sempre demonstraram pela preservação do património local – nomeadamente a protecção e classificação do complexo mineiro, em especial o chamado Cavalete do Poço de S. Vicente que se encontra já sinalizado pelo IGESPAR ( antigo IPPAR) como imóvel de interesse público e exemplar único da arqueologia industrial mineira no país -, mas também no que ao ambiente diz respeito, uma vez que a área envolvente do dito complexo, em grande parte, corresponde uma lixeira.
Foi criado há pouco tempo um Movimento Cívico em Defesa do Património Histórico – cultural de S. Pedro da Cova com o objectivo de pressionar as entidades competentes para a devida classificação do Cavalete e a criação de um verdadeiro museu mineiro que conte e preserve a história desta freguesia gondomarense, uma parcela de território nacional económica, social e culturalmente das mais deprimidas. O Movimento foi criado por pessoas da terra, professores ( entre os quais me incluo) e gente vária que reconhece o valor do património que pouco a pouco vai definhando sem que nenhuma medida se tome.
O primeiro-ministro, José Sócrates, explicou hoje que a crise económica e financeira levou o Governo a antecipar o plano de requalificação do parque escolar e anunciou que este ano as obras vão chegar a 100 escolas secundárias do país. "Não há melhor forma de combater a crise do que fazer mais investimento público em escolas. É o melhor investimento no nosso futuro", sublinhou José Sócrates, num discurso feito hoje depois de uma visita à Escola Secundária Aurélia de Sousa, no Porto, que está a ser alvo de obras no valor de 8,5 milhões de euros.
Respeitosamente referido pela RTP às 13 horas (com a habitual conjugação de notícia de estúdio e "directo", incluindo uma longa intervenção de Sócrates no púlpito), e citado na imprensa. Não há qualquer notícia aqui. Já houve "momentos-Chavez" exactamente iguais, mesmo tema, mesmo anúncio, mesmo "programa", mesmo cenário, mesmas palavras. Não tem importância, a repetição tem vantagens na propaganda. Amanhã haverá outro "momento Chávez", tão certo como 2 e 2 serem 4.
TEM MESMO A CERTEZA DE QUE NOS DIAS DE HOJE EXISTE UM GOVERNO EM PORTUGAL?
Se eu fosse a si não teria. Não me refiro a alguma agitação dos ministros, a algum despacho que saia daqueles edifícios, à actividade dos assessores de imprensa, ao fluxo perene de dinheiros e subsídios para mil e um beneficiados. Mas alguém sabe o que fazem a maioria dos ministros face aos problemas dos seus sectores? Sabe-se do ministro do Trabalho, justiça lhe seja feita, e mais um ou dois ministros. Mas a Educação está bloqueada, o Ambiente não existe, a Cultura ninguém se lembraria que é um ministério, se não fosse Manuel Maria Carrilho lembrar que o devia ser. O ministro da Administração Interna vai chegar ao termo das suas funções sem perceber que não é ministro da Justiça, e sem perceber o significado da palavra segurança. O ministro da Justiça nem sequer preside a um ajuntamento de corporações em guerra umas com as outras, porque nem o lugar de presidente da mesa lhe deram. O Ministro das Finanças, um dos pilares fundamentais deste Governo e que podia apresentar obra, assiste agora à demolição quotidiana do que tinha conseguido com pretexto na crise, e, como já o admitiu, governa pelas estrelas.
Há um governante que trabalha muito. O ministro dos Assuntos Parlamentares, que tutela a televisão, a rádio e a propaganda. No seu ministério e no gabinete do primeiro-ministro, trabalha-se 24 horas por dia e em todos os azimutes. Seria, aliás, interessante saber se um blogue anónimo "corporativo" feito por assessores usando arquivos governamentais e que tem o objectivo de popularizar os temas da propaganda, fazer contrapropaganda e desinformação bastante profissionalizada, se bem que sem grande sucesso, depende desse ministro ou do gabinete do primeiro-ministro. Aí trabalha-se em tempo quase real, mas governar só residualmente. No Governo está tudo em estado de estupor. Estudar os assuntos, identificar e resolver os problemas, implementar um programa, fazer qualquer coisinha por um país que está numa profunda, muito profunda crise, não se usa nem se pratica. A culpa salvífica é da "crise", que é tratada como uma desculpa útil e pouco mais.
Há dois dias aconteceu mais um exemplo daquilo que digo. Liga-se a televisão e lá vem o habitual "momento Chávez" quotidiano do primeiro-ministro. Já toda a gente percebeu que o primeiro-ministro incorpora todos os dias na sua agenda um pretexto para um comício de três ou quatro minutos no prime time televisivo, que tem como objectivo ou a propaganda directa de si próprio ou do seu Governo, ou uma resposta às críticas da oposição. Todos os dias, insisto, todos os dias, a narrativa da propaganda governamental desenrola-se aos nossos olhos como se fosse uma notícia, quando é apenas um puro tempo de antena. Se estivéssemos num país em que a comunicação social se regesse por critérios jornalísticos, como não há qualquer conteúdo informativo, o primeiro-ministro ficaria a falar para os seus convidados de casting. Ou, pior ainda, as suas declarações seriam tratadas no âmbito do puro conflito político e seguidas de uma resposta nos mesmos termos noticiosos da oposição.
Mas cá, estes "momentos Chávez" são tratados como matéria informativa e noticiosa e passados com reverência, em particular pela RTP. Por isso, a malfeitoria e o abuso são recompensados. Por isso, todos os dias o staff do primeiro-ministro prepara-lhe uma TV opportunity, porque já não estamos em tempo de photo opportunities. São precisas imagens em movimento, luz e cor. E como para o primeiro-ministro esta é a verdadeira "saída para a crise", ele desloca-se onde for preciso, gasta o tempo que for preciso, apenas para aparecer às oito horas num telejornal, fresco e desempoeirado, a anunciar coisa nenhuma, a fazer coisa nenhuma, a não ser propaganda. Propaganda que todos pagamos e muito caro, através dos nossos impostos.
Se fizermos uma antologia destes "momentos Chávez", e um dia ela será feita, percebe-se muito bem a montagem, a cuidada preparação da colocação do homem, o vestuário, a voz e o discurso, o sítio onde são permitidas as câmaras, o controlo absoluto do cenário para que não haja qualquer interrupção, qualquer incomodidade, qualquer pergunta impertinente que estrague o objectivo do acto de propaganda. É por isso que a meia dúzia de manifestantes da CGTP à entrada perturbam tanto o primeiro-ministro. Escolhem-se as montanhas bravias sobre os vales dos rios que serão destruídos, para falar das barragens, as máquinas de uma fábrica para falar dos subsídios à indústria. Preparam-se uns powerpoints, ou, melhor ainda, uns filmes com efeitos especiais de computador para que se reforce a imagem positiva do que se anuncia, como se tudo já estivesse feito. As televisões obedientes e acríticas passam-nos, apesar de serem puro tempo de antena. Ninguém se questiona. Jornalistas formados numa escola de espectáculo e marketing acham normal passar propaganda em vez de darem notícias.
Não vemos se a barragem existe, ou se o estaleiro já está avançado, não vemos se a fábrica está a laborar em pleno, ou se os operários vivem de um peculiar subsídio de desemprego a que se chama "formação", não vemos quase nada, porque não há nada para ver. Os anúncios de boca cheia sucedem-se uns aos outros, os prazos são sempre para amanhã, os beneficiários envolvidos são sempre milhares, mas não conta para nada que os anúncios não passem de anúncios - a energia das ondas está em terra, avariada, tudo indica que, definitivamente; as minas de Aljustrel, que já deviam estar a laborar, promessa e prazo do primeiro-ministro, não se sabe quando começam a fazê-lo; a Qimonda já estava salva nas respostas bélicas e arrogantes no Parlamento, mas está fechada; o aeroporto da Ota já tinha um filme com os aviões a levantar do Oeste, mas não há aeroporto nenhum, não é no Oeste, nenhum avião de lá levantou e ainda nada começou; os telespectadores já viram a alta velocidade a voar sobre carris, e um filme do tipo da Guerra das Estrelas (ou será a Toy Story?) com os comboios moderníssimos a entrar em estações mais ou menos espaciais. Espreme-se e sai quase nada de um governo que teve excepcionais condições para fazer obra.
Quando uma coisa não corre bem, é rapidamente esquecida para que apenas a memória das boas imagens subsista intacta. O Magalhães começou a dar problemas, acabaram as sessões de entregas e avançou o silêncio. Qualquer pessoa conhecedora dos problemas do nosso ensino, das nossas escolas, da pedagogia no ensino básico, da nossa condição social, do tipo de problemas de manutenção e do ritmo da renovação tecnológica sabe do enorme desperdício que é o programa Um Aluno Um Computador naquelas idades e com aquelas ideias num ambiente de completa impreparação. Sabe que a maioria dos computadores distribuídos está longe, muito longe, de ter servido para qualquer dos objectivos pretendidos, porque à cabeça todo o programa era desadaptado, foi feito em cima do joelho para servir a propaganda governativa, e, daqui a um ano, tudo já estará obsoleto ou avariado. O dumping de um computador do Terceiro Mundo para um país europeu, que é o que significou o Classmate transformado em Magalhães, talvez permita vender os restos à Líbia ou à Venezuela, mas neste último caso já se percebeu que será quase a fundo perdido. Silêncio.
É por isso que poucas coisas revelam mais esta ausência de governação no meio de um crise gravíssima do que um primeiro-ministro que mais uma vez foi à Central Fotovoltaica da Amareleja, a pretexto de uma visita de estudantes estrangeiros numa iniciativa paga pelo próprio Governo (o ministro da Economia considerou má educação querer saber quanto custou), e que funcionaram como casting para a sua aparição diária na televisão. Como é óbvio, falou em português para estudantes que não percebem a língua, mesmo sendo suposto haver tradução. Mas não era para eles que falava, era para nós. Era o "momento Chávez" de dia. Aquilo a que hoje se resume a governação.
Out where the handclasp’s a little stronger, Out where the smile dwells a little longer, That’s where the West begins; Out where the sun is a little brighter, Where the snows that fall are a trifle whiter, Where the bonds of home are a wee bit tighter, That’s where the West begins.
Out where the skies are a trifle bluer, Out where friendship’s a little truer, That’s where the West begins; Out where a fresher breeze is blowing, Where there’s laughter in every streamlet flowing, Where there’s more of reaping and less of sowing, That’s where the West begins;
Out where the world is in the making, Where fewer hearts in despair are aching, That’s where the West begins; Where there’s more of singing and less of sighing, Where there’s more of giving and less of buying, And a man makes friends without half trying— That’s where the West begins.
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: O QUE É QUE ACONTECEU AO SÍMBOLO DO PS?
Envio fotos tiradas hoje no Porto a um OutDoor da campanha de Elisa Ferreira e que em meu entender reflectem o que vai na alma do PS local.. Assim. o logo PS do outdoor, já de si minusculo foi cirurgicamente retirado.... Trata-se de um outdoor que fica num bairro social numa transversal de Antunes Guimarães.