| ABRUPTO |
semper idem Ano XIII ...M'ESPANTO ÀS VEZES , OUTRAS M'AVERGONHO ... (Sá de Miranda) _________________ correio para jppereira@gmail.com _________________
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16.1.09
ÍNDICE DO SITUACIONISMO
As dificuldades de escrita em viagem tem-me impedido de actualizar este índice. Mas não perdem pela demora, visto que uma revisão da semana passada dá resultados fabulosos e na verdade, vergonhosos... Quem já viu muito sabe que é sempre assim, quando as coisas começam a apertar para um governo socialista, nem sequer se disfarça. E há exemplos tão evidentes, tão evidentes! (url) 15.1.09
(url) 14.1.09
ÍNDICE DO SITUACIONISMO (Nova rubrica do Abrupto ainda escrita com as dificuldades do trânsito.) ÍNDICE DO SITUACIONISMO (0 a 5): Editorial do Diário de Notícias (14-1-2009) sobre o abaixamento do rating de Portugal pela Standard and Poors. Todo o texto é uma justificação do abaixamento do rating dulcificando as críticas à política económica do governo que a S&P faz. Preocupação que merece relevo para o Diário de Notícias (o eleitoralismo do governo apontado pela S&P não merece relevo): "a indefinição política resultante de um possível resultado eleitoral este ano, que não garanta um Governo estável apoiado numa maoiria absoluta". Conclusão: o PS tem que ter maioria absoluta. - 4 Editorial da Focus (14-1-2009): Interessante maneira de entender a coisa pública e sugestivo vocabulário: "A proposta de Manuela Ferreira Leite (do debate com Sócrates) não tem sentido nenhum e só um primeiro-ministro parvo, ingénuo ou incompetente se prestaria a fazer um frete destes ao seu adversário." Idem, sobre a entrevista de José Sócrates: "Depois de uma entrevista- em que mais uma vez. José Sócrates resistiu a tudo, mostrando um profissionalismo indestrutível e uma firmeza que, sobretudo quando se exerce sobre si próprio, sob a forma de autodisciplina, não falha..." - 5 SICN (13-1-2009) - Comentários de Luis Delgado e Mário Bettencourt Resendes sobre o e-mail das inaugurações enviado por Mário Lino às empresas. Muito bem, devia fazer mais para divulgar a obra do Governo! Mostra de competência. Em uníssono. Delgado explicou a sua admiração por Mário Lino, Resendes nem sequer precisou de fazer qualquer comentário de ponderação. Excelente governo. - 5 SICN - Entrevista a Bagão Felix e Campos e Cunha sobre o rating da República. Ambos, principalmente este último desmantelam a política do Governo, Orçamento, grandes obras públicas, dívida. - NEGATIVO » Os números no final de cada parágrafo classificam o autor da intervenção, o visado pela intervenção ou o órgão de comunicação social? Aquele -NEGATIVO é dirigido a quem? Ao Campos e Cunha !? (url) (url) EARLY MORNING BLOGS Mrs Moon
sitting up in the sky little old lady rock-a-bye with a ball of fading light and silvery needles knitting the night (Roger McGough) (url) 13.1.09
(url) EARLY MORNING BLOGS 1465 - ...chamamos a esta narração História e História do Futuro. Sós e solitariamente entramos nela (mais ainda que Noé no meio do dilúvio) sem companheiro nem guia, sem estrela nem farol, sem exemplar nem exemplo. O mar é imenso, as ondas confusas, as nuvens espessas, a noite escuríssima; mas esperamos no Pai dos lumes (a cuja glória e de seu Filho servimos), tirará a salvamento a frágil barquinha: ela com maior ventura que Argos, e nós com maior ousadia que Tífis. Antes de abrir as velas ao vento (oh faça Deus que não seja tempestade!), em lugar da benevolência que se costuma pedir aos leitores, só lhes quero pedir justiça. É de direito natural que ninguém seja condenado sem ser ouvido; isto só deseja e pede a todos a nova História do Futuro, com palavras não suas, mas de S. Jerónimo: Legant prius et postea despiciant: «Leiam primeiro, e depois condenem» — assim dizia aquele grande mestre da Igreja, defendendo a sua versão dos sagrados Livros, então perseguida e impugnada, hoje adorada e de fé. (Padre António Vieira) (url) 12.1.09
(url) LENDOVENDO OUVINDO ÁTOMOS E BITS de 12 de Janeiro de 2009. Para se perceber melhor o "ajuste directo" numa altura em que os seus montantes vão subir astronomicamente, veja-se aqui, comentado aqui. (url) EARLY MORNING BLOGS 1464 - A Little Catechism from the Demon What is a demon? Study my life.
What is a mountain? Set out now. What is fire? It is for ever. What is my life? A fall, a call. What is the deep? Set out now. What is thunder? Your power dry. What is the film? It rolls, it tells. What is the film? Under the Falls. Where is the theatre? Under the hill. Where is the demon? Walking the hills. Where is the victory? On the high tops. Where is the fire? Far in the deep. Where is the deep? Study the demon. Where is the mountain? Set out now. Study my life and set out now. (Edwin Morgan) (url) 11.1.09
A DECADÊNCIA DO MUNDO DOS SELOS Poucas coisas dizem melhor da decadência do mundo dos selos do que o facto de as guerras já não passarem por eles como no passado. Não passando as guerras, passa pouca história e pouca política e os selos tendem a tornar-se papel pintado produzido apenas para os filatelistas coleccionarem. Estão mortos. Eu explico-me: quando os selos eram um sinal e um instrumento de soberania, a emissão de selos era um elemento fundamental para mostrar um qualquer poder ou uma qualquer resistência. Qualquer país corria a emitir selos no próprio dia em que colocava as botas dos seus soldados num hectare alheio. É por isso que a filatelia entre a Primeira Guerra Mundial e a Segunda é tão rica. Há selos das aldeias "alemãs" da Bélgica, Eupen e Malmedy, da Alsácia e da Lorena, dos mil e um enclaves e trocas de territórios da Roménia, da Polónia, da Rússia, mais os da Revolução e da guerra civil, há as sobrecargas vitoriosas sobre os selos coloniais alemães, do Sudoeste Africano às Marianas, há a revanche alemã com os selos da ocupação das ilhas do canal da Mancha, ou dos italianos na Riviera francesa, as ilhas do Adriático e do mar Egeu umas vezes albanesas e gregas e turcas e outras vezes italianas e turcas, há selos de Danzig, e, no fim da guerra, das zonas de ocupação francesa na Renânia-Vestfália e correios "alemães" dos russos, etc., etc. Os impérios a esboroarem-se dão também uma filatelia abundante, como os correios estrangeiros no Império Otomano, na China, em Marrocos, os selos do Levante, ingleses, franceses, alemães e todo o mundo colonial português, espanhol, das Filipinas, Porto Rico até ao Ifni e à Guiné Equatorial, o pomposo império colonial francês, e o poderoso inglês, das Falklands ao "condomínio" das Novas Hébridas. Há selos por todo o lado e toda a história do século XIX e XX. Até Portugal, que em 1916 ocupou uns metros quadrados de território alemão do Kionga, mandou sobrecarregar quatro selos de D. Carlos (ainda se usavam os selos da Monarquia) com um claro e soberano "Quionga". O mesmo mandaram fazer, neste caso uma emissão de selos novos, os monárquicos que tomaram o Porto e proclamaram a Monarquia do Norte em 1919, com o azar de que no mesmo dia em que os selos saíram os republicanos tomaram a cidade acabando com a "monarquia". Este uso dos selos mudou muito depois da Segunda Guerra Mundial, embora até aos dias de hoje os selos continuem a ser usados como arma política e afirmação de soberania, em conflitos como os dos Balcãs, mas já bem longe dos tempos áureos da filatelia clássica. Uma parte da crise do mundo dos selos tem a ver com novas tecnologias que os tornam dispensáveis, ou com uma entidade que, fora do coleccionismo, é cada vez mais obsoleta com as etiquetas postais autocolantes, o bulk mail apenas certificado por carimbos, ou os selos autoproduzidos no computador e numa impressora com valor legal pelo seu pagamento na Internet, podendo ter os símbolos que se quiser (não é bem assim, mas quase), a começar pela foto do próprio (sim, amigos do PS, podem em certos países emitir selos verdadeiros com o retrato do vosso engenheiro) ou da árvore de Natal com as prendas, ou do bebé recém-nascido. Mas a crise dos selos tem muito a ver com a mudança do carácter dos conflitos contemporâneos, com o facto de deixar de haver "guerras" e declarações de guerra e todos os conflitos se passarem num limbo político e legal, entre o "olimpianismo" das organizações internacionais (incluindo a União Postal Universal que não sanciona selos que não sejam emitidos por autoridades postais reconhecidas, logo afasta dos catálogos "selos" emitidos em situações conflituais e revolucionárias) e a realidade cruel das guerras sem direito, sem pai nem mãe, logo sem fim. Nunca se ganham, nunca se perdem, sempre continuam. Veja-se como seria nos tempos ideais dos selos o conflito actual na faixa de Gaza. No passado, os selos retratavam bem o carácter conflitual daquela parte do mundo e mesmo só os selos reconhecidos pela UPU mostram o complexo da situação no terreno. Na Palestina, actuaram correios franceses, austríacos, russos, alemães e ingleses com selos próprios para suprirem os pouco eficazes serviços otomanos. Depois os ingleses ocuparam a Palestina e, com o início do Mandato, publicaram selos com a designação "Palestina" até 1942. No tumulto do fim do Mandato e da criação do estado de Israel, circulavam selos provisórios judeus, e egípcios e jordanos com sobrecargas, até que Israel passou a ter emissões regulares e mais tarde a Autoridade Palestiniana no âmbito dos Acordos de Oslo. Como seria hoje em Gaza? Gaza é administrada por um movimento fundamentalista, o Hamas, e tem um governo que não é reconhecido pela Autoridade Palestiniana, logo pela comunidade internacional, nem pela UPU. O território de Gaza encontra-se actualmente ocupado pelo exército israelita. Quando os selos significavam soberania, era natural que houvesse selos de Israel (há), da Autoridade Palestiniana (há), selos da ocupação de Gaza (muito provavelmente selos de Israel com carimbo Gaza ou da Autoridade Palestiniana com sobrecarga israelita) e selos emitidos pelo Hamas para os correios internos em Gaza e para a correspondência internacional com os países que reconhecem a autoridade do Hamas em Gaza, em particular o Irão.Claro que esta complexidade de situações é hoje teórica e não se traduz em selos, como seria normal no passado. Poder-se-ia acrescentar que os serviços postais da Autoridade Palestiniana dependem muito de Israel e do Egipto e que não há verdadeiramente serviços de correio nos territórios palestinanos e muito menos em Gaza. Não é suposto que os israelitas considerem a sua ocupação circunstancial de Gaza uma verdadeira ocupação, mas sim uma incursão militar, e a guerra de que falamos, bem real no terreno, é uma das não-guerras que abundam no mundo contemporâneo. Por isso, sendo possível uma história postal do conflito - haverá sempre um ou outro sobrescrito interessante em termos de história postal -, o mundo nesta zona "quente" já não é de especial interesse filatélico. O e-mail substituiu o correio e, para a correspondência que verdadeiramente conta, são as empresas internacionais como o DHL que funcionam, não as caóticas estações de correios do Médio oriente. Não há nenhuma razão para ter saudades do passado naquela região, bem igual ao presente, mas pode-se sempre emitir um desejo filatélico: que haja apenas dois tipos de selos, os de Israel e os da Palestina, dois países soberanos, internacionalmente reconhecidos e respeitando a mútua soberania. Por isso prescindia da complexidade da filatelia clássica, mas com ela gostava também que desaparecesse o mundo ainda mais caótico das guerras não-guerras, que criaram um fosso entre a realidade política e a realidade do direito e dos direitos humanos. Apesar de tudo, os selos como instrumentos de soberania sempre eram mais "transparentes", como agora se diz. (Versão do Público de 10 de Janeiro de 2009.) (url) (url) (url)
para se ver bem esta imagem gigantesca estará assim durante algum tempo
gigantesca perturbando todo o Abrupto para baixo depois voltará a ordem (mudado às 17.55) Saturno visto contra o Sol
(url) EARLY MORNING BLOGS 1463 - The Snow Man One must have a mind of winter
To regard the frost and the boughs Of the pine-trees crusted with snow; And have been cold a long time To behold the junipers shagged with ice, The spruces rough in the distant glitter Of the January sun; and not to think Of any misery in the sound of the wind, In the sound of a few leaves, Which is the sound of the land Full of the same wind That is blowing in the same bare place For the listener, who listens in the snow, And, nothing himself, beholds Nothing that is not there and the nothing that is. (Wallace Stevens) (url) (url)
© José Pacheco Pereira
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