ABRUPTO

19.8.07


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OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 19 de Agosto de 2007

(Mais novos comentários em baixo.)


A página do Governo (citada em baixo) onde se apelava à participação na Ecotopia foi retirada de linha. (Muita coisa aconteceu neste domingo moroso...) Isto não isenta a responsabilidade do Governo na sua existência, e no compromisso que ela traduz. Falta também saber se o Governo subsidiou directa ou indirectamente a Ecotopia e porque razão os meus impostos servem para pagar estas palhaçadas. Sim porque a leitura dos documentos da Ecotopia não enganam ninguém na mistura de causas radicais, new age anti-cíentifico, misturado com um clima de utopia de acampamento com "democracia directa". Mambo jambo ideológico radical deste género:

O Ecotopia é igualmente um modelo funcional de comunidade auto-sustentável que coloca em prática os princípios de um estilo de vida alternativo e mais amigo do ambiente: tomadas de decisão por consenso, reciclagem de lixo, refeições vegetarianas, uso de energias alternativas.(...) O Ecotopia tem uma estrutura horizontal (não-hierárquica) e auto-organizada; a tod@s é pedido que tomem parte no funcionamento do campo, resolvendo problemas e tomando decisões. E tod@s são responsáveis pelo programa. O Ecotopia funciona no sistema de ecotaxas - um sistema económico alternativo baseado no padrão de vida e rendimento médio de cada país, em vez de baseado nos mercados financeiros, o que significa que cada um no Ecotopia paga pela comida o mesmo que pagaria no próprio país." (Sublinhados deles).

Sempre quero saber qual é a minha "ecotaxa".

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http://sherlockholmes.stanford.edu/images/bio_fairies.jpg
Se eu acreditasse em fadas, duendes de jardim e outras entidades do género, também achava que tudo o que se passou colocou na "ordem do dia" a questão dos transgénicos. Sucede que não acredito. Bem pelo contrário, o que foi colocado na "ordem do dia" foi a desordem pública, o comportamento de grupos como os "verdeufémios", as suas relações e financiamentos, o comportamento das autoridades e do Governo face ao crime, a apatia da polícia, o papel do BE, etc., etc. Ou seja, exactamente aquilo que povoa os pesadelos mais negros do ecologismo radical e militante e dos grupos políticos que o suportam, exactamente aquilo que eles não desejavam. É por isso que Miguel Portas já apareceu três vezes a explicar-se e ainda aparecerá mais.

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Mais abaixo nesta nota escreveu-se: "Governo continua calado e mudo, o seu estilo habitual até que seja obrigado a falar. Falará." Falou: um comunicado do MAI, distribuído hoje à hora do almoço, diz que (cito)

O Ministério da Administração Interna (MAI) considerou hoje "inaceitável" a "destruição de bens patrimoniais alheios" e anunciou uma investigação ao caso dos estragos feitos na sexta-feira por activistas contra os organismos geneticamente modificados (OGM) numa herdade em Silves.

"O MAI considera inaceitável qualquer acto de violência ou de destruição de bens patrimoniais alheios, que configura um ilícito criminal"(...) "Tendo em conta os eventuais ilícitos criminais praticados, seguir-se-á agora uma investigação a cargo dos órgãos de polícia criminal competentes que, no inquérito, será dirigida pelo Ministério Público, nos termos do Código do Processo Penal"
Muito bem. Foi tarde, foi resultado da pressão, mas está bem.

A única coisa que continua por se saber é a razão do comportamento da GNR que afirma que "desenvolveu as medidas tendentes a repor a ordem pública, defendendo pessoas e bens com respeito pelos princípios da necessidade, adequação e proporcionalidade que regem a acção da polícia", o que não é verdade. O comunicado do MAI refere que "as forças de segurança têm obrigações legais e instruções precisas, do Governo e dos respectivos comandos, para reagirem a esses actos ilícitos, obedecendo aos princípios constitucionais e tendo em conta as condições operacionais de cada caso", mas é omisso quanto a se saber se, neste caso, essas "obrigações" foram cumpridas. Até porque convinha que não deixassem o dono da herdade na situação de ficar com os prejuízos e estes serem assacados a um grupo de estrangeiros que entretanto desapareceram nas fronteiras.

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As férias devem fazer muito mal aos partidos, que entendem manter-se calados nesta questão. As razões são várias: muito incómodo para o BE, agora que quer dar uma imagem "des-revolucionária"; menos incómodo, mas mesmo assim algum, para o PCP; os "Verdes" não existem e por isso não contam; o PP deve estar algures a bronzear-se, e os seus blogues simpatizantes entretêm-se a transformar isto numa coisa folclórica com o BE, deixando o Governo folgar. O Governo agradece a todos.

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Um dos sectores em que é maior a falta de transparência na utilização de dinheiros públicos, é o dos financiamentos públicos de ONGs e de toda uma rede de associações e grupos, que proliferam por aí, apresentando-se como independentes, mas cumprindo agendas políticas, quase sempre radicais. As "causas" são conhecidas, o racismo (o SOS Racismo por exemplo), o apoio aos imigrantes, ou o ambiente . A Ecotopia, de onde veio o assalto ao campo de milho, tem locais na Rede que omitem quaisquer referências aos financiamentos, mas denotam no entanto uma actividade profissionalizada a nível nacional e internacional (*). No caso da Ecotopia esta é anunciada pelo Governo que aconselha os jovens a participar, pelo que também aqui há perguntas a fazer ao Governo sobre que tipo de actividades patrocina e se, directa ou indirectamente (através de associações participantes), não está envolvido no " dia de acção contra os transgénicos".
(*) A nível internacional são importantes os financiamentos da Comissão e do Parlamento Europeu, em particular através dos Grupos Políticos Europeus.
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A invasão e destruição do campo de milho transgénico continua o seu curso. O Governo continua calado e mudo, o seu estilo habitual até que seja obrigado a falar. Falará. O Público que ontem tinha a reportagem mais interessante, hoje não diz quase nada. Dirá. O Diário de Notícias, pelo contrário, dedica o editorial ao tema e entrevista, sob a forma da entrevista-apertão, Miguel Portas.

Ambos são interessantes, o editorial e a entrevista. O editorial tem um título bizarro "Ser ambientalista também tem limites", como se houvesse alguém que pensasse que"ser ambientalista" é uma actividade tão estruturalmente boa, uma manifestação tão intacta e lustral do Bem, que há que lembrar que... "também tem limites". Mas depois diz, com clareza, que "o que fizeram é crime e deve ser punido como tal" e refere "a intervenção frouxa da GNR no terreno" e "a responsabilidade dos tribunais". Faltou referir que a GNR tem uma cadeia de comando e alguém deve reponder pelo que se passou, e que os "tribunais" estão no fim de um processo que antes disso passa pela PGR, que, habitualmente tão loquaz, permanece em silêncio. Em seguida volta-se para Miguel Portas, para fazer render a entrevista: "será que Miguel Portas está a convidar ladrões e "ocupas" para lá irem a casa?".

Se aceitarmos o que diz na entrevista, está. Imaginemos que "as novas conflitualidades emergentes chegaram a Portugal" (o grau de cegueira e wishfull thinking de frases como esta é total...) e que uma dessas "conflitualidades" é combater que haja deputados portugueses no Parlamento Europeu, uma espécie de representação transgénica. E que eles resolvem fazer uma "acção espectacular que coloca na agenda o problema", ocupando a casa de Miguel Portas destruindo-lhe o recheio. Como essa acção seria limitada à casa de Portas a ele se aplicaria o que diz dos eventos de Silves:
"Eu dissociar-me-ia de acções como as de Silves se elas se tornassem sistemáticas, se eles passassem a queimar tudo quanto são campos de milho transgénico. A minha simpatia parte da convicção de que a acção foi simbólica.
Ou seja "Miguel Portas está a convidar ladrões e "ocupas" para lá irem a casa" fazerem "uma "acção simbólica" que "coloque na agenda o problema".

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Repare-se que a acção foi anunciada na "VISAO" de 2 de Agosto. Leia-se no artigo " O ecotopia passa por aqui"., pag.92, : Dia de acção contra o cultivo de transgénicos, com acções descentralizadas, directas e criativas". Não criativo, repetição, foi o uso de tambores ( os mesmos?) como apoio musical ...Já foram usados, pelo menos em Sines fins de julho, numa acção de "teatro de rua" contra a poluição, Organizada BE.

(Alberto Ventura)


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O porta-voz dos verde eufémia pode ser visto em detalhe aqui, onde se pode ler por exemplo: " Who I'd Like To Meet...Activistas para partir esta merda toda como deve ser! "

(João Carvalho)

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Também eu vi a reportagem sobre a destruição da cultura de milho transgénico perante a impassividade das autoridades e fiquei indignado. Pelo que ouvi nessa reportagem tratava-se do único sustento de um agricultor cumpridor das suas obrigações legais e que procurava a inovação, ou seja, um exemplo a seguir. Por mim estou solidário com esse agricultor, neste momento que deverá ser de raiva para com o obscurantismo anti-ogm e para com a inoperância das autoridades que o deviam proteger e para não ficar só pelas palavras, se souber de alguma forma de poder dar uma contribuição monetária para minimizar este mau bocado do referido agricultor estou disposto a fazê-lo.

Como cita no seu Blog ...M'ESPANTO ÀS VEZES , OUTRAS M'AVERGONHO ... neste momento acho que ambas se aplicam.

(Pedro Bandeira)

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A destruição de um hectare de milho na herdade da Lameira no concelho de Silves por um grupo de chamados ambientalistas é um acto de pura cobardia e intolerável numa sociedade democrática. O grupo organizado arrancou “a parcela com melhor milho, que daria cerca de 40 toneladas" e que seria uma das únicas fontes de rendimento de um simples agricultor e isto perante a divulgada complacência das autoridades que não deteve qualquer indivíduo. Quem entenda um pouco do amanho da terra perceberá que uma cultura agrícola representa para além do rendimento esperado, uma obra construída durante um longo período tempo, semelhante quantas vezes ao trabalho intelectual, cultural e artístico. Para o agricultor desesperado ver o seu milho estragado significa uma dor muito profunda, que uma justa e exigível compensação não atenuará completamente. Torga explica tudo se tivermos paciência na adaptação. “Que vale um boi no café? Em termos de pura dor – nada. Pois digo que nunca vi ninguém sofrer tanto como o meu vizinho a quem morreu um esta noite.”

Os movimentos ecologistas terão todo o direito de discordar das sementes geneticamente modificadas, de usar a força da argumentação cientifica e ideológica, de usar múltiplas manifestações para chamar a atenção da opinião pública, mas nunca utilizar a selvajaria para alcançar os seus propósitos. A defesa dos valores ecológicos só marca passo com atitudes do género. Destruir colheitas autorizadas, fiscalizadas e que cumprem todas as regras legais tem um nome: barbárie.

(José Alegre Mesquita)

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Se um grupo militante contra o aquecimento global desfizer à paulada e "simbolicamente" uns automóveis que encontre pelo caminho para chamar a atenção sobre a emissão de CO2, Miguel Portas simpatizará com o gesto?
E se outro grupo ecológico invadir um eucaliptal e serrar essas árvores que secam os solos? Ou decidir abater os porcos de uma suinicultura que polui um rio?

(Alice M. Pratas)

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