ABRUPTO

31.7.04


BLUE MOON


(Cortesia de Astronomy Picture of the Day)

Hoje é noite de Lua Azul, de “blue moon”, duas luas cheias no mesmo mês. Desde Novembro de 2001, não havia nenhuma. Vê-la-ei a cair para dentro de quatro paredes brancas, por entre os ramos de um loureiro.

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INTENDÊNCIA

ESTUDOS SOBRE O COMUNISMO


em actualização.

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OUVINDO “SWINGING ON A STAR”






divertindo-me, sem inocência que sobre. Não é que estes velhos tipos das canções de Hollywood sabiam todas as perguntas certas: vejam lá se a mula, o porco e o peixinho “slippery” não andam aí à volta? Perguntem ao Bing Crosby.

Would you like to swing on a star
Carry moonbeams home in a jar
And be better off than you are
Or would you rather be a mule?

A mule is an animal with long funny ears
Kicks up at anything he hears
His back is brawny but his brain is weak
He's just plain stupid with a stubborn streak
And by the way, if you hate to go to school
You may grow up to be a mule

Or would you like to swing on a star
Carry moonbeams home in a jar
And be better off than you are
Or would you rather be a pig?

A pig is an animal with dirt on his face
His shoes are a terrible disgrace
He has no manners when he eats his food
He's fat and lazy and extremely rude
But if you don't care a feather or a fig
You may grow up to be a pig

Or would you like to swing on a star
Carry moonbeams home in a jar
And be better off than you are
Or would you rather be a fish?

A fish won't do anything, but swim in a brook
He can't write his name or read a book
To fool the people is his only thought
And though he's slippery, he still gets caught
But then if that sort of life is what you wish
You may grow up to be a fish
A new kind of jumped-up slippery fish

And all the monkeys aren't in the zoo
Every day you meet quite a few
So you see it's all up to you
You can be better than you are
You could be swingin' on a star”


(Johnny Burke, Jimmy Van Heusen)

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O MAR


Johann Christian Dahl

Como é que se pode olhar para o mar sem solidão? Como é que se pode olhar para o mar e ter que ver antes a multidão têxtil a cores, ver a praia, não a praia da areia mas a praia dos corpos, a balbúrdia?

(Eu sei que esta nota é reaccionária. Eu sei da história toda. Eu sei que também aqui há um bem escasso e suposto ser para todos, logo estar cheio. Eu sei que desde que a Frente Popular concedeu férias pagas, também os operários têm direito ao seu Deauville particular. Eu sei que a ecologia acabou naquele dia, eu sei que a terra é pequena e as gentes muitas. Eu sei que cada chinês tem direito inalienável ao seu automóvel e frigorífico, pese embora à camada de ozono, a abundância da abundância. Eu sei que hoje a praia é o povo voltado de costas a dourar, ou pelo menos uma parte substancial do dito. Eu sei disso tudo. Mas, Senhor, porque não nos dás mais espaço, para se poder olhar o mar como deve ser?)


*

«Mas, Senhor, porque não nos dás mais espaço, para se poder olhar o mar como deve ser?» Dá e generosamente, por esta costa fora. Onde? Em todos os recantos onde só se chegue a pé e com mais de dez minutos de caminhada."

(M.H.)

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EARLY MORNING BLOGS 268

maggie and milly and molly and may


maggie and milly and molly and may
went down to the beach(to play one day)

and maggie discovered a shell that sang
so sweetly she couldn't remember her troubles,and

milly befriended a stranded star
whose rays five languid fingers were;

and molly was chased by a horrible thing
which raced sideways while blowing bubbles:and

may came home with a smooth round stone
as small as a world and as large as alone.

For whatever we lose(like a you or a me)
it's always ourselves we find in the sea


(e. e. cummings)

*

Maggie and milly and molly and may, bom dia!

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30.7.04


POEIRA DE 29 DE JULHO



Hoje, há cento e trinta e dois anos, Whistler pintava um dos seus mais famosos retratos, o de Thomas Carlyle. Carlyle não queria posar mais do que uma ou duas vezes, Whistler acabou por exigir que o fizesse muitas vezes. Carlyle achava a experiência insuportável, e, todas as vezes que se movia um pouco, Whistler berrava: “Por amor de Deus, não se mexa!” Carlyle, que já estava com pouca paciência, acabou por perceber que o que mais interessava a Whistler era o seu casaco... Dizia de Whistler “que era a mais absurda criatura à face da terra”. Pode ter sido, mas que o casaco ficou bem pintado neste Arrangement in Grey and Black Number 2, ficou.

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29.7.04


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: DO OUTRO LADO DO ESPELHO

"A propósito deste nosso cada vez mais pobre país, lembrei-me de uma das cenas de Alice do Outro Lado do Espelho de Lewis Carroll; em que depois de passar para a casa do espelho, Alice descobre que quando quer ir ter com alguma coisa, tem de caminhar no sentido contrário. Hilariante situação.
Pois parece-me, que nós por cá, na terra da realidade, definimos as políticas, definimos os objectivos, escolhemos os políticos e estabelecemos as metas (agora de dois em dois anos), e caminhamos, igualmente, em sentido contrário. Com a óvia diferença de que enquanto Alice se aproxima do desejado, nós nos afastamos cada vez mais."

(Ivo Monteiro)

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EARLY MORNING BLOGS 267

Hymn to the Neck


Tamed by starched collars or looped by the noose,
all hail the stem that holds up the frail cranial buttercup.
The neck throbs with dread of the guillotine's kiss, while
the silly, bracelet-craving wrists chafe in their handcuffs.
Your one and only neck, home to glottis, tonsils,
and many other highly specialized pieces of meat,
is covered with stubble. Three mornings ago, undeserving
sinner though she is, yours truly got to watch you shave
in the bath. Sap matted your chest hair. A clouded
hand mirror reflected a piece of your cheek. Vapor
rose all around like spirit-infested mist in some fabled
rainforest. The throat is the road. Speech is its pilgrim.
Something pulses visibly in your neck as the words
hand me a towel flower from your mouth.


(Amy Gerstler)

*

Bom dia!

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28.7.04


OS NOVOS DESCOBRIMENTOS: FOGO PURO



Esta mancha está a atravessar o Sol por estes dias. Poucas imagens existem que retratem tanta violência, o tumulto do Inferno, do absoluto inabitável, como estas correntes de plasma, estes rios de fogo puro contorcendo-se, presos por forças ainda maiores do que as suas, presos pelas linhas invisíveis da natureza, presos pela gravidade, presos pelo campo magnético do Sol.

(Esta magnifica imagem é de um astrónomo amador Jack Newton.)

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O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: O EGO POLÍTICO

"De como o ego político se manifesta nas conversas faladas e escritas:

(1) Do Programa "Outras Conversas" em 25 de Julho de 2004 Entrevista ao Dr. Marques Mendes:

"As minhas ideias, as minhas convicções..."

Quais? Já agora faz-nos o favor de nos dizer quais são? Muito obrigado!

(2) Da "Única" do Expresso de 24 de Julho de 2004. Entrevista ao Dr. José Sócrates:

"Sou um animal feroz"

"Fui ao estrangeiro pela primeira vez aos 20 anos"

"A televisão mata (...) Eu estive lá ano e meio"

"Acho escandalosos os ordenados dos gestores"

"Também sou um esteta"

(3) O que está escondido:

Na mesma entrevista a Sócrates fala-se de género:

(...)"A nova família é baseada na igualdade entre géneros ."

Fala-se também de beleza:

"Receita de mulher: As feias que me perdoem mas beleza é fundamental. Sim, também sou um esteta".

Será que a igualdade entre géneros é compatível com a idolatria da beleza e o medo do fogão?

Então quem faz a comida lá em casa? A criada? Vem de fora? Ou lá em casa não se come?
(...)"

(H. Preto)



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O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: SUDÂO

"(...) estranho o seu silêncio sobre a situação no Sudão e estranho mais ainda porque me recordo das suas palavras críticas sobre a inércia da comunidade internacional, nomeadamente da ONU, aquando do genocídio no Ruanda.

No seguimento do recorrente conflito no Iraque e, utilizando as suas palavras, "numa altura em que nada acontece de relevante", seria bom que "as televisões, o mais poderoso meio de comunicação social" dispensassem alguns segundos para o seguinte:

O Congresso americano aprovou por unanimidade uma resolução considerando a crise do Darfur um genocídio e pediu a intervenção urgente dos Estados Unidos. Foi entregue um projecto americano no Conselho de Segurança da ONU a prever sanções contra Cartum caso o Governo não desarme as milícias árabes.
O Congresso pediu também à Administração do Presidente George W. Bush que assuma a palavra genocídio e que lidere uma acção internacional para lhe pôr cobro, eventualmente uma intervenção unilateral para impedir o genocídio caso as Nações Unidas não intervenham. A juntar a isto o Exército britânico está preparado para enviar 5000 soldados para o Darfur.

As associações a outras intervenções militares e o mediatismo de palavras como petróleo, interesses económicos e neo-imperialismo ficam para um próximo comentário."

(Luís Faria)

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O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: O "DIRECTOR DE ESCOLA"...

"Pensar é cada vez mais raro…talvez venha a ser mesmo rotulado, num futuro próximo, de acto pouco recomendável. Já quase ninguém usa um discurso próprio. Ouve-se, até ao fio, réplicas e colagens das já banalidades, alheias, na comunicação social e no meiozinho de cada um de nós. Pensar está mesmo fora de moda. Fala bem, você, na nossa menoridade cívica, no caso, barrigadas de futebol versus ausência de debate do programa do governo. Mas que programa? Há dias, quando o programa foi conhecido, procurei avidamente as páginas das intenções e das medidas na Educação… lá só encontrei, além de umas banalidades, umas deseducações como a figura de Director de Escola que já não existe…e de resto…ausência."

(Conceição Lopes)

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O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: FOGO


Foto do fogo de Mafra de ontem, enviada por António Rodrigues 2.º Comandante QH Bombeiros Voluntários da Pontinha.

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O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: “A different kind of life? I didn’t know life came in kinds.”

"Quando Coetzee ganhou o Nobel e vi as notícias desencadeadas pela atribuição do prémio, mais do que o que li escrito sobre ele e por ele, gostei do que as suas fotografias me revelavam. Uma cara de traços equilibrados e finos, um ar elegante, quase seco e ascético. Fiquei com vontade de conhecer a sua obra e por diversas vezes os seus livros me saltaram para a mão, mas acabei sempre por sacudi-los por tanto me incomodar a capa de “Disgrace” com aquele cão faminto e sarnento no meio de “nada”, ou melhor de lixo parco, metálico, seco e desolado.

(…)Aderi de imediato à escrita de frases curtas e depuradas de Coetzee que, apesar da elegância e subtileza, não deixa de ser acutilante e por vezes quase cirúrgica tom que lhe é dado pela sensação de distância, alguma ironia e por vezes algum humor quase negro: frisando a ambivalência da palavra “negro” no contexto deste romance. Os diálogos são espelho desta linguagem e transmitem de forma clara, na minha opinião, mais do que a “condição humana” em abstracto a condição do “ser homem”, “ser divorciado”, “ter sido marido”, “ser sul-africano”, “ser “branco-sul-africano”, “ser pai”, “ser filha”, “ser branca no meio de negros”, e todos os outros “ser isto ou aquilo”. As personagens através do diálogo (“Disgrace” é um romance pouco descritivo) mostram sem contemplações ou convenientes compromissos a essência deles mesmos e das suas opções, algumas delas ditadas por um “fado” ao qual não escapam e que é indissociável do “ser…”.

Retomaria o adjectivo metálico ao qual juntaria o estéril para qualificar muito mais no livro: as relações entre as personagens, o tipo de interacções sexuais no romance mesmo quando aparentemente existe desejo ele aparece sempre com não correspondido; uma pequena excepção: a recordação sensual dos primeiros tempos com Rosalind. Também a paisagem rural tem esse cunho estéril do metal, tal como a presença constante como pano de fundo dos cães. A marca do “estéril” está presente até na criatividade fecunda (a “ópera”, por exemplo, que nunca evolui) e tem apenas uma excepção marcada pela violência do destino.

A desolação da desagradável capa do cão é um bom indício do que espera o leitor ao abrir o romance; mas a beleza da linguagem, a riqueza das personagens e o absurdo dos seus dilemas, dificilmente se adivinharia."

(JPC)


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O INCÊNDIO DE BOTICAS

é como se fosse na minha terra, aos pés de minha casa. Também eu tive “casa” em Boticas e quando lá cheguei tinha havido um grande incêndio, a sul do que ocorreu agora, na mata que ia de Boticas para a Praia de Vidago. No Inverno, as luzes do carro eram “engolidas” pelo negro que cobria tudo à volta. Não sabia que este fenómeno existia: por mais brilhantes que fossem os faróis, máximos ligados, e a subida da encosta para Pinho era feita quase às escuras. A mesma escuridão caminha agora na direcção do Larouco, monte de nome mais antigo que a colonização romana, e as faces dos que combatem o incêndio são de meus amigos e conhecidos. Corrijo: em Boticas, os conhecidos são amigos. Espero que tudo acabe em bem, ou em menos mal.


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SABEDORIA POPULAR

Para os que, distraídos, a esquecem : “o peixe apodrece pela cabeça”.


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POEIRA DE 28 DE JULHO

Hoje, há sessenta e dois anos, uma jovem judia holandesa, Etty Hillesum, dirigiu-se para a sua caixa do correio. Lá estava um envelope com um formulário para preencher como “judia”. Eram sete e meia da manhã. Etty sabia o que estava a começar dentro daquele envelope e suspeitava como ia acabar. Entregou-se primeiro a Deus, depois a Rilke e a Jung, por esta ordem. Pensou: “vou deixar que a cadeia deste dia se desenrole elo a elo, não vou interferir, apenas ter fé.” Depois: “trarei Jung e Rilke comigo, aconteça o que acontecer”. Olhou para a sua casa: aconteça o que acontecer “estes dois últimos anos brilharão sempre no limite da minha memória como uma paisagem gloriosa”. Forçou interiormente a memória: “quando tiver que me ir embora, levarei tudo comigo.

IR EMBORA. Etty decidiu voluntariamente ir para Westerbork, o campo de trânsito. Próxima paragem: Auschwitz. Lá morreu, com vinte e nove anos, pouco mais de um ano depois deste dia, abandonada por Deus e com o seu Jung e o seu Rilke.

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Fede Galizia

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EARLY MORNING BLOGS 266

Home

I didn't know I was grateful
for such late-autumn
bent-up cornfields

yellow in the after-harvest
sun before the
cold plow turns it all over

into never.
I didn't know
I would enter this music

that translates the world
back into dirt fields
that have always called to me

as if I were a thing
come from the dirt,
like a tuber,

or like a needful boy. End
Lonely days, I believe. End the exiled
and unraveling strangeness.


(Bruce Weigl)

*

Bom dia!

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27.7.04


OS NOVOS DESCOBRIMENTOS: GIGANTOMAKHIA






Mimas, o gigante, filho da castração de Urano, lá está, parecido com a “Estrela da Morte” da Guerra das Estrelas, brilhando no escuro. Quando Herschel o descobriu era apenas um ponto de pouca luz. Agora mostra-se à Cassini, quase partido pelo impacto que lhe moldou a cratera, mas sem se ver o corpo destruído pelo ferro em brasa, com que Hércules o matou, nem os cabelos negros que Hesíodo ( ou Apolodoro, ou Pausanias, não me recordo) dizia que ele tinha.


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TEORIA POLÍTICA DO SABONETE: “SABONETIZÁVEL” / “NÃO-SABONETIZÁVEL”

Agora passa a haver uma nova categoria política, desenvolvendo uma velha afirmação de Rangel sobre a capacidade da televisão para vender presidentes como sabonetes. Essa categoria, formulada por um par de opostos, é “sabonetizável” / “não-sabonetizável”. Proponho um novo barómetro medindo a qualidade virtual de “sabonetizável”, a confrontar depois com as audiências do “sabonete”.


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LEITURA OBRIGATÓRIA

Nota de Gabriel Silva "CORTES? AQUI NÃO, OBRIGADA!" no Blasfémias.

Nota de "Neptuno" "UM DIA SEM DEMAGOGIA" no Mar Salgado .

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EARLY MORNING BLOGS 265

A Cada Qual


A cada qual, como a 'statura, é dada
A justiça: uns faz altos
O fado, outros felizes.
Nada é prémio: sucede o que acontece.
Nada, Lídia, devemos
Ao fado, senão tê-lo.

(Ricardo Reis)

*

Bom dia!

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UM MILHÃO DE "PAGEVIEWS"

Já há algum tempo que o Abrupto ultrapassou um milhão de "pageviews". Já o devia ter assinalado, mas, no meio desta confusão toda, passou. Obrigado aos seus leitores.

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26.7.04


A CAMINHO DO ZERO

As televisões, o mais poderoso meio de comunicação social, falam de incêndios e futebol. Os incêndios justificam-se, embora não se justifique de todo a exploração das pessoas atingidas pelo fogo, das suas emoções e do seu medo. Nestas ocasiões, a câmara e o microfone são coisas obscenas. O futebol, numa altura em que nada acontece de relevante, tornou-se um contínuo, as televisões já não sabem viver sem futebol.

Tudo o resto não existe. Alguém se deu ao trabalho, na televisão generalista e ,por maioria de razão, na pública, de fazer uma discussão séria do programa de governo, essa coisa ínfima frente ao futebol? Assim se consolida a nossa menoridade cívica.

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BIBLIOFILIA



Com os livros vindos de Bruxelas, estão alguns que ainda nem sequer folheei. Para o amador de livros é como se os tivesse comprado hoje. Dois entre eles: Iaroslav Lebedynsky, Les Cosaques. Une Societé Guerrière entre Libertés et Pouvoirs. Ukraine- 1490-1790, Paris, Editions Errance, 2004 e Hans Küng, The Catholic Church, Londres Phoenix Press, 2002.
Deles darei notícia.


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POEIRA DE 26 DE JULHO

Hoje , há setenta e um anos, Elizabeth Smart sentia-se preguiçosa. Os dias passavam e tinha a sensação que não fazia nada. Lia . Estava a ler o Amante de Lady Chatterley. Ao almoço comentou com as amigas que estava a ler o “livro proibido”. Uma das suas companheiras de almoço indignou-se: “I think it’s perfectly disgusting to want to read a book my country won’t allow”.

Elizabeth não sabia bem o que lhe dizer. “Será que não quer formar a sua própria opinião?” Não queria, estava bem assim.

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Roy Lichtenstein, Washing Machine

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UMA CASA EMPACOTADA

A “minha” casa belga chegou empacotada. Dividida em caixas de cartão: livros, computador, louça – FRÁGIL -, papéis “que estavam em cima da mesa”, material de escritório. Os móveis falam por si, não precisam de etiqueta. “Objectos”, quadros, mais livros.

A geografia transporta o tempo. Quem olhará agora da varanda sobre o jardim da Porte de Halle? A “bouquinerie marxiste-leniniste” continuará por quanto tempo? A mercearia grega, com a fila clara das garrafas de retsina, está aberta ou fechada? E L’Ecrit Vint com o seu silêncio? Como crescerá a criança que lá costumava estar? O Vasco continuará a ir aos livros na Waterstone's e a dizer "se não fosse este vício ficávamos ricos". E o meu supermercado de estimação, escondido numa garagem, com uma fila de pedintes à porta e cem línguas lá dentro? E o café do Porto? Nevará no escuro, como numa noite, de repente. «Rien ne m'est sûr que la chose incertaine».


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EARLY MORNING BLOGS 264

If You Get There Before I Do

Air out the linens, unlatch the shutters on the eastern side,
and maybe find that deck of Bicycle cards
lost near the sofa. Or maybe walk around
and look out the back windows first.
I hear the view's magnificent: old silent pines
leading down to the lakeside, layer upon layer
of magnificent light. Should you be hungry,
I'm sorry but there's no Chinese takeout,
only a General Store. You passed it coming in,
but you probably didn't notice its one weary gas pump
along with all those Esso cans from decades ago.
If you're somewhat confused, think Vermont,
that state where people are folded into the mountains
like berries in batter. . . . What I'd like when I get there
is a few hundred years to sit around and concentrate
on one thing at a time. I'd start with radiators
and work my way up to Meister Eckhart,
or why do so few people turn their lives around, so many
take small steps into what they never do,
the first weeks, the first lessons,
until they choose something other,
beginning and beginning their lives,
so never knowing what it's like to risk
last minute failure. . . .I'd save blue for last. Klein blue,
or the blue of Crater Lake on an early June morning.
That would take decades. . . .Don't forget
to sway the fence gate back and forth a few times
just for its creaky sound. When you swing in the tire swing
make sure your socks are off. You've forgotten, I expect,
the feeling of feet brushing the tops of sunflowers:
In Vermont, I once met a ski bum on a summer break
who had followed the snows for seven years and planned
on at least seven more. We're here for the enjoyment of it, he said,
to salaam into joy. . . .I expect you'll find
Bibles scattered everywhere, or Talmuds, or Qur'ans,
as well as little snippets of gospel music, chants,
old Advent calendars with their paper doors still open.
You might pay them some heed. Don't be alarmed
when what's familiar starts fading, as gradually
you lose your bearings,
your body seems to turn opaque and then transparent,
until finally it's invisible--what old age rehearses us for
and vacations in the limbo of the Middle West.
Take it easy, take it slow. When you think I'm on my way,
the long middle passage done,
fill the pantry with cereal, curry, and blue and white boxes of macaroni, place
the
checkerboard set, or chess if you insist,
out on the flat-topped stump beneath the porch's shadow,
pour some lemonade into the tallest glass you can find in the cupboard,
then drum your fingers, practice lifting your eyebrows,
until you tell them all--the skeptics, the bigots, blind neighbors,
those damn-with-faint-praise critics on their hobbyhorses--
that I'm allowed,
and if there's a place for me that love has kept protected,
I'll be coming, I'll be coming too.

(Dick Allen)

*

Bom dia!

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25.7.04


APRENDAM A CONGA, QUE VAI SER ÚTIL,

Ouvindo Doris Day a cantar "(I Ain't Hep To That Step, But I'll) Dig It”, a canção que Fred Astaire usa para “levar” Paulette Godard em Second Chorus. Parece que a Godard nunca tinha dançado verdadeiramente e por isso não teve outro remédio senão aprender a conga, a mazurka, a polka e o charleston (como pot-pourri, não está mal).

DIG IT!
(Johnny Mercer/H.Borne)

(Band members:)

Dig it! Dig it! Dig it Doris on the vocal chorus!


I never could do the conga

Could never get through the conga

But if you say do the conga

I ain't hep to that step

But I'll dig it

I never could see mazurkas

They're poison to me, mazurkas

But if it's to be mazurkas

I ain't hep to that step

But I'll dig it

When they invented the charleston

I was a total flop

But say if you want to charleston

I'll never stop

I'll dance till I drop

I never could dig the polka

The corniest jig, the polka

But if you say dig the polka

I ain't hep to that step

But I'll dig it!

I ain't hep but I'll dig it!


Ouçam a letra, e depois digam-me se não vamos todos ter que dançar isto tudo e mais alguma coisa, em particular a tarantela.



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OS NOVOS DESCOBRIMENTOS: FONS VITAE



Não é de hoje, já tem quatro anos e foi tirada pelo satélite TRACE. O Sol abrindo-se, explodindo-se, num abraço maior do que a Terra. Neste abraço cabemos todos .

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EARLY MORNING BLOGS 263

PINTA EL ENGAÑO DE LOS ALQUIMISTAS

Podrá el vidro llorar partos de Oriente?
¿Cabrá su habilidad en los crisoles?
¿Será la Tierra adúltera a los Soles,
Por concebir de un horno siempre ardiente?

¿Destilarás en baños a Occidente?
¿Podrán lo mismo humos que arreboles?
¿Abreviarán por ti los Españoles
El precioso naufragio de su gente?

Osas contrahacer su ingenio al día;
Pretendes que le parle docta llama
Los secretos de Dios a tu osadía.

Doctrina ciega y ambiciosa fama:
El oro miente en la ceniza fría,
Y cuando le promete, le derrama.

(Francisco de Quevedo)


*

Bom dia!


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© José Pacheco Pereira
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