ABRUPTO

24.7.04


INTENDÊNCIA

- O último (para já) POBRE PAÍS de ontem actualizado.

- VERITAS FILIA TEMPORIS

- Viver na Twilight Zone (Outubro 2001)

- Feito pelo Cavaleiro Andante (Outubro 2002)


- ESTUDOS SOBRE O COMUNISMO

em actualização.

Sobre Carlos Paredes / "Franco", militante comunista.


De uma nota da PIDE de 4 de Março de 1959.

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BIBLIOFILIA






Escrevi na Sábado sobre a antologia de ensaios editada por David Lavery, This Thing of Ours. Investigating the Sopranos, Columbia University Press , 2002, livro sobre o qual já tinha feito uma nota no Abrupto . Para a semana coloco em linha.

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EARLY MORNING BLOG 262

La Poule aux oeufs d'or

L'avarice perd tout en voulant tout gagner.
Je ne veux, pour le témoigner,
Que celui dont la Poule, à ce que dit la Fable,
Pondait tous les jours un oeuf d'or.
Il crut que dans son corps elle avait un trésor.
Il la tua, l'ouvrit, et la trouva semblable
A celles dont les oeufs ne lui rapportaient rien,
S'étant lui-même ôté le plus beau de son bien.
Belle leçon pour les gens chiches :
Pendant ces derniers temps, combien en a-t-on vus
Qui du soir au matin sont pauvres devenus
Pour vouloir trop tôt être riches ?

(La Fontaine)

*

Bom dia!


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BRINCAR ÀS CASINHAS

O que é que aqueles génios das finanças e da economia, que nos andaram a dizer que este governo tinha, que nos garantiram que “nunca” permitiriam políticas despesistas e insensatas, os “avalistas” do governo para evitar “loucuras”, fizeram em Conselho de Ministros para impedir que o Primeiro-ministro ande a brincar às casinhas despachando meia dúzia de governantes menores para gabinetes fora de Lisboa, sem qualquer nexo, racionalidade ou vantagem?


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LEITURA OBRIGATÓRIA

Nota de João Miranda no Blasfémias intitulada Orgasmo Múltiplo.

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Juan Gris

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23.7.04


POBRE PAÍS

o nosso.

No dia 26 de Junho escrevi o seguinte:

eu quero um governo que pense em Portugal em primeiro lugar, que não se importe de perder as eleições, se estiver convicto que políticas difíceis são vitalmente necessárias. Não quero uma comissão eleitoral uninominal (ou binominal) que fará tudo apenas com um fito: ganhar as próximas eleições.
Porque esse será o seu programa não escrito.

Nada do que aconteceu até hoje nega o que disse. Não há nenhuma razão económica para a baixa do IRS, a não ser os seus efeitos eleitorais. Não há nenhuma razão para esta absurda criação de embaixadas do governo em cidades do litoral (no Alentejo, o “litoral” é interior), a não ser a pouca sorte (para nós) do Ricardo Costa ter feito a pergunta que fez e ter encravado o orgulho volátil do Primeiro-Ministro em meia dúzia de promessas insensatas. Para quê: para facilitar a concessão de audiências ou a distribuição de benesses? Inútil e caro. E há mais. Pode estar a esboçar-se uma nova subsidiação ao subemprego com entradas pela porta do cavalo na função pública para absorver o desemprego. O que é que tudo isto tem em comum? Sabemos todos demasiado bem.

*

"A par dos inconvenientes que todos vemos, adivinho também algumas vantagens em ter secretarias de Estado noutras cidades do país e reuniões "saltitantes" do Conselho de Ministros.

1) Para os próprios governantes é fundamental terem a percepção permanente de que há vida fora de Lisboa. Um dos problemas recorrentes é precisamente que mesmo as pessoas com origem fora da capital se esquecem disso quando "emigram" para o Governo. Lisboa é grande, Lisboa é muito melhor do que o resto do país em inúmeros aspectos (e especialmente na vitalidade económica, digo eu que sou do Porto), Lisboa faz aparecer em quem lá está a "síndrome Vitorino" em relação ao resto do país.

2) Em paralelo com os aspectos estritamente racionais, há um efeito emocional positivo na proximidade física entre o "povo" e os governantes que depois se traduz em maior participação cívica, em maior dinamismo económico, etc., etc. (Esta afirmação carecia de alguma justificação adicional, mas agora não vai dar tempo...) Já sei também que a "deslocalização" não irá abranger todo o país, mas mais vale pouco do que nada.

3) Sempre achei que o Governo tenta fazer coisas demais. Mais vale pouco mas bem. Tenho muito receio de grandes planos, especialmente com este Primeiro-Ministro. Prefiro projectos simples (que podem no entanto ser passos intermédios de algo mais ambicioso) com resultados que possam ser avaliados rigorosamente num prazo razoavelmente curto.
Ao realizar reuniões fora de Lisboa, o Governo vai ser pressionado a apresentar resultados concretos dessas estadias. Pode ser que assim seja obrigado a adoptar uma postura realista e responsável – o português deixa-se iludir frequentemente por medidas populistas, mas não é eternamente enganado e acaba por ver a luz. ;-)"

(Tiago Azevedo Fernandes)


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TRETAS

O Público escreve hoje seguinte: "O PSD exigiu a Pedro Santana Lopes que houvesse um lugar de secretário de Estado atribuído a este partido no Ministério da Defesa de Paulo Portas e foi, por isso, que à última hora a lista dos secretários de Estado foi alterada." Gostava muito de saber quem é o sujeito da frase, quem é esse "PSD" que "exige" coisas ao Primeiro-Ministro. O nosso jornalismo comprova todos os dias que há gente capaz de comer tudo o que se lhes dá.

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EARLY MORNING BLOGS 261


Liberté

Le vent impur des étables
Vient d'ouest, d'est, du sud, du nord.
On ne s'assied plus aux tables
Des heureux, puisqu'on est mort.

Les princesses aux beaux râbles
Offrent leurs plus doux trésors.
Mais on s'en va dans les sables
Oublié, méprisé, fort.

On peut regarder la lune
Tranquille dans le ciel noir.
Et quelle morale ?... aucune.

Je me console à vous voir,
A vous étreindre ce soir
Amie éclatante et brune.

(Charles Cros)

*

Bom dia!

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OS NOVOS DESCOBRIMENTOS: EXACTAMENTE COMO ELES SÃO



sem qualquer pintura, sem sombra, sem maquilhagem, sem falsas cores. Se lá estivéssemos, e não a pequena máquina, é isto que veríamos. Tom sobre tom perfeito.

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O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES:: "We certainly do not forget you as soon as you forget us. It is, perhaps, our fate rather than our merit."

"Diálogo (…) entre Anne Elliot e Captain Harville sobre como amam os homens e as mulheres. É Jane Austen; Persuation capítulo XXIII (e penúltimo). Claro que o Captain Wentworth que deixa cair a pena enquanto finge escrever, é o objecto do amor e devoção de Anne e as emoções não se ficam com o fim deste diálogo. São páginas finais de grande beleza e emoção de uma das mais lindas histórias de amor que a Literatura nos oferece e que “salvam” este romance “menor” de Jane Austen."

(Enviado por JPC)

"Poor Fanny! she would not have forgotten him so soon!"

"No," replied Anne, in a low, feeling voice. "That I can easily believe."

"It was not in her nature. She doted on him."

"It would not be the nature of any woman who truly loved."

Captain Harville smiled, as much as to say, "Do you claim that for your sex?" and she answered the question, smiling also, "Yes. We certainly do not forget you as soon as you forget us. It is, perhaps, our fate rather than our merit. We cannot help ourselves. We live at home, quiet, confined, and our feelings prey upon us. You are forced on exertion. You have always a profession, pursuits, business of some sort or other, to take you back into the world immediately, and continual occupation and change soon weaken impressions."

"Granting your assertion that the world does all this so soon for men (which, however, I do not think I shall grant), it does not apply to Benwick. He has not been forced upon any exertion. The peace turned him on shore at the very moment, and he has been living with us, in our little family circle, ever since."

"True," said Anne, "very true; I did not recollect; but what shall we say now, Captain Harville? If the change be not from outward circumstances, it must be from within; it must be nature, man's nature, which has done the business for Captain Benwick."

"No, no, it is not man's nature. I will not allow it to be more man's nature than woman's to be inconstant and forget those they do love, or have loved.

I believe the reverse. I believe in a true analogy between our bodily frames and our mental; and that as our bodies are the strongest, so are our feelings; capable of bearing most rough usage, and riding out the heaviest weather."

"Your feelings may be the strongest," replied Anne, "but the same spirit of analogy will authorise me to assert that ours are the most tender. Man is more robust than woman, but he is not longer lived; which exactly explains my view of the nature of their attachments. Nay, it would be too hard upon you, if it were otherwise. You have difficulties, and privations, and dangers enough to struggle with. You are always labouring and toiling, exposed to every risk and hardship. Your home, country, friends, all quitted. Neither time, nor health, nor life, to be called your own. It would be hard, indeed" (with a faltering voice), "if woman's feelings were to be added to all this."

"We shall never agree upon this question," Captain Harville was beginning to say, when a slight noise called their attention to Captain Wentworth's hitherto perfectly quiet division of the room. It was nothing more than that his pen had fallen down; but Anne was startled at finding him nearer than she had supposed, and half inclined to suspect that the pen had only fallen because he had been occupied by them, striving to catch sounds, which yet she did not think he could have caught.

"Have you finished your letter?" said Captain Harville.

"Not quite, a few lines more. I shall have done in five minutes."

"There is no hurry on my side. I am only ready whenever you are. I am in very good anchorage here," (smiling at Anne,) "well supplied, and want for nothing. No hurry for a signal at all. Well, Miss Elliot," (lowering his voice,) "as I was saying we shall never agree, I suppose, upon this point.

No man and woman, would, probably. But let me observe that all histories are against you--all stories, prose and verse. If I had such a memory as Benwick, I could bring you fifty quotations in a moment on my side the argument, and I do not think I ever opened a book in my life which had not something to say upon woman's inconstancy. Songs and proverbs, all talk of woman's fickleness. But perhaps you will say, these were all written by men."

"Perhaps I shall. Yes, yes, if you please, no reference to examples in books. Men have had every advantage of us in telling their own story.

Education has been theirs in so much higher a degree; the pen has been in their hands. I will not allow books to prove anything."

"But how shall we prove anything?"

"We never shall. We never can expect to prove any thing upon such a point.

It is a difference of opinion which does not admit of proof. We each begin, probably, with a little bias towards our own sex; and upon that bias build every circumstance in favour of it which has occurred within our own circle; many of which circumstances (perhaps those very cases which strike us the most) may be precisely such as cannot be brought forward without betraying a confidence, or in some respect saying what should not be said."

"Ah!" cried Captain Harville, in a tone of strong feeling, "if I could but make you comprehend what a man suffers when he takes a last look at his wife and children, and watches the boat that he has sent them off in, as long as it is in sight, and then turns away and says, `God knows whether we ever meet again!' And then, if I could convey to you the glow of his soul when he does see them again; when, coming back after a twelvemonth's absence, perhaps, and obliged to put into another port, he calculates how soon it be possible to get them there, pretending to deceive himself, and saying, `They cannot be here till such a day,' but all the while hoping for them twelve hours sooner, and seeing them arrive at last, as if Heaven had given them wings, by many hours sooner still! If I could explain to you all this, and all that a man can bear and do, and glories to do, for the sake of these treasures of his existence! I speak, you know, only of such men as have hearts!" pressing his own with emotion.

"Oh!" cried Anne eagerly, "I hope I do justice to all that is felt by you, and by those who resemble you. God forbid that I should undervalue the warm and faithful feelings of any of my fellow-creatures! I should deserve utter contempt if I dared to suppose that true attachment and constancy were known only by woman. No, I believe you capable of everything great and good in your married lives. I believe you equal to every important exertion, and to every domestic forbearance, so long as--if I may be allowed the expression--so long as you have an object. I mean while the woman you love lives, and lives for you. All the privilege I claim for my own sex (it is not a very enviable one; you need not covet it), is that of loving longest, when existence or when hope is gone."

She could not immediately have uttered another sentence; her heart was too full, her breath too much oppressed.

"You are a good soul," cried Captain Harville, putting his hand on her arm, quite affectionately. "There is no quarrelling with you. And when I think of Benwick, my tongue is tied."


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22.7.04



Leger

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EARLY MORNING BLOGS 260


En la televisión


Televisión. De pronto campo

Confuso de gentes, un día

Cualquiera.

Si es guerra, no hay crimen.

Se ve a un prisionero. Camina

Con paso forzado hacia donde

Se concentra alguna milicia

Que sin más,

vivir cotidiano,

-No hay pompa-dispara, no avisa.

La figura del prisionero

Se doblega, casi caída.

Inmediatamente un anuncio

Sigue.

Mercenarias sonrisas

Invaden a través de música.

¿Y el horror, ante nuestra vista,

De la muerte?

Nivel a cero

Todo. Todo se trivializa.

Un caos, y no de natura,

Va sumergiendo nuestras vidas.

¿De qué poderío nosotros,

Inocentes, somos las víctimas?


(Jorge Guillén)


*

Bom dia!


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21.7.04


UMA EUROPA À REVELIA DA DEMOCRACIA

O acordo que deu a Presidência do Parlamento Europeu aos socialistas neste primeiro mandato mostra o desprezo dos grandes grupos políticos pela democracia. Normal seria que quem ganhasse as eleições europeias ficasse a presidir ao Parlamento, e seria o PPE a ter a Presidência. Foi esse um dos argumentos principais do PPE contra as pretensões do socialista Mário Soares em 1999, e pareciam-me ter sentido. Mas agora já é tudo ao contrário - o PPE, que ganhou as eleições, só terá a Presidência na segunda parte do mandato porque isso favorece os planos eleitorais dos partidos alemães do PPE. Os eleitores votaram maioritariamente PPE, mas vão ter o PSE, porque, por razões diferentes, a ambos convém que assim seja. A vontade eleitoral expressa nas urnas interessa pouco.

(Diga-se, de passagem, que a eleição de José Barroso nada tem a ver com este acordo, cujas linhas gerais já se preparavam desde antes das eleições.)


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À SOLTA

e mandando, é o caos.

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Lucien Freud

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O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES (Actualizado)

"Pode ser um preciosismo mas não deixa de ser interessante.
Pedro Santana Lopes afirmou, antes da constituição do Governo que a proporção de pastas ministeriais atribuídas ao CDS/PP se manteria. Ora, tal não se verificou: 3 ministros em 17 no anterior Governo representa 17,6% enquanto que 4 ministros em 19 representa 21,0% do actual Governo. Em termos relativos o CDS/PP viu aumentar em 19,3%, (21-17,6)/17,6, o número de ministérios sob a sua alçada. É um aumento significativo em termos quantitativos.!"
(MJM)

*

"Penso que quando se fazem contas com percentagens, deve-se apenas somar e subtrair. É verdade que aumentou o peso do PP, mas apenas 3,4% (21 - 17,6). Imaginemos que o Governo tinha 100 ministros: se 18 eram do PP e passam a ser 21, aumentaram 3 em 100, e não 19 em 100. Em todo o caso, era impossível manter o equilíbrio inalterado com 19 ministros, uma vez que o peso do PP diminuiría para 15,8% se mantivesse três ministros."

(Paulo Almeida)

*

"Envio-lhe um poema de Vinicius de Moraes, "Gente Humilde", a que volto agora, nestes tempos em que a gente humilde do nosso país está tão longe ... tão longe de tudo, e em que é mais urgente recordar as palavras que esbofeteiam as consciências adormecidas."

(Pedro Leite Alves)

Gente Humilde

Tem certos dias em que eu penso em minha gente
E sinto assim todo o meu peito se apertar
Porque parece que acontece de repente
Como um desejo de eu viver sem me notar

Igual a como quando eu passo no subúrbio
Eu muito bem, vindo de trem de algum lugar
E aí me dá como uma inveja dessa gente
Que vai em frente sem nem ter com quem contar

São casas simples, com cadeiras na calçada
E na fachada escrito em cima que é um lar
Pela varanda flores tristes e baldias
Como a alegria que não tem onde encostar

E aí me dá uma tristeza no meu peito
Feito um despeito de eu não ter como lutar
E eu que não creio, peço a Deus por minha gente
É gente humilde, que vontade de chorar

(Vinicius de Moraes)

*

"Perante o divórcio recente de muitas personalidades do PSD, e porventura da vida politica e social portuguesa, de confrontos ou de alternativas sérias e sensatas a Santana Lopes, recordei-me do texto que envio abaixo, citado do "Il Gattopardo" de Tommasi di Lampedusa (...).
A recordação deste texto não foi sem susto -enfim, daqueles razoavelmente moderados que ocorrem quando constatamos, em alguns livros maiores, um número impressionante de analogias com a realidade - porque, por um lado ,aquele grupo de politicos que, com credibilidade e valores, como Mario Soares, Cavaco Silva, Freitas do Amaral,etc, ou mais recente, António Vitorino, Durão Barroso ou outros, me parece que se assemelham cada vez mais com o Principe de Salina; e por outro lado, dou comigo a pensar que o Principe pode ter razão: que apesar de aqui e ali, parecer vislumbrar-se alguns acenos de sobressalto da sociedade civil, no fundo, a maioria dos Portugueses se acha desde já perfeita, inclusive muitas, demasiadas, das suas ditas 'elites' e 'forças vivas' à esquerda e á direita- e que, revestindo tudo com fútebois (que aliás eu aprecio muito, dentro dos seus limites naturais) e outros fogos-fátuos, aspiram a um grande sono sem serem acordados por exigências de reforma, de mudanc,a, de rigor e de empenho. "

(Artur Frias Rebelo)

(...) Volle fare un ultimo sforzo; si alzó e l'emozione conferiva Pathos alla sua voce: "Principe, ma é proprio sul serio che lei si rifiuta di fare il possibile per alleviare, per tentare di rimediare allo stato di povertà materiale, di cieca miseria morale nelle quali giace questo che é il suo stesso popolo? Il clima si vince, il ricordo dei cattivi governi si cancella, i Siciliani vorranno migliorare; se gli uomini onesti si ritirano, la strada rimarrà libera alla gente senza scrupoli e senza prospettive, ai Sedàra; e tutto sarà di nuovo come prima, per altri secoli. Ascolti la sua coscienza, principe, e non le orgogliose verità che ha detto. Collabori."

Don Fabrizio gli sorrideva, lo prese per la mano, lo fece sedere vicino a lui sul divano: "Lei é un gentiluomo, Chevalley, e stimo una fortuna averlo conosciuto; Lei ha ragione in tutto; si é sbagliato soltanto quando ha detto: 'i Siciliani vorranno migliorare.' Le racconterò un aneddoto personale. Due o tre giorni prima che Garibaldi entrasse a Palermo mi furono presentati alcuni ufficiali di marina inglesi, in servizio su quelle navi che stavano in rada per rendersi conto degli avvenimenti. Essi avevano appreso, non so come, che io posseggo una casa alla Marina, di fronte al mare, con sul tetto una terrazza dalla quale si scorge la cerchia dei monti intorno alla città; mi chiesero di visitare la casa, di venire a guardare quel panorama nel quale si diceva che i Garibaldini si aggiravano e del quale, dalle loro navi non si erano fatti una idea chiara.

Vennero a casa, li accompagnai lassù in cima; erano dei giovanottoni ingenui malgrado i loro scopettoni rossastri. Rimasero estasiati dal panorama, della irruenza della luce; confessarono però che erano stati pietrificati osservando lo squallore, la vetustà, il sudiciume delle strade di accesso. Non spiegai loro che una cosa era derivata dall'altra, come ho tentato di fare a lei. Uno di loro, poi, mi chiese che cosa veramente venissero a fare, qui in Sicilia, quei volontari italiani.'They are coming to teach us good manners' risposi 'but won't succeed, because we are gods.' 'Vengono per insegnarci le buone creanze ma non lo potranno fare, perchè noi siamo dei.' Credo che non comprendessero, ma risero e se ne andarono.

Cosi rispondo anche a Lei; caro Chevalley: i Siciliani non vorranno mai migliorare per la semplice ragione che credono di essere perfetti: la loro vanità é più forte della loro miseria; ogni intromissione di estranei sia per origine sia anche, se si tratti di Siciliani, per indipendenza di spirito, sconvolge il loro vaneggiare di raggiunta compiutezza, rischia di turbare la loro compiaciuta attesa del nulla; calpestati da una diecina di popoli differenti essi credono di avere un passato imperiale che da loro diritto a funerali sontuosi. Crede davvero Lei, Chevalley, di essere il primo a sperare di incanalare la Sicilia nel flusso della storia universale? Chissà quanti imani mussulmani, quanti cavalieri di re Ruggero, quanti scribi degli Svevi, quanti baroni angioini, quanti legisti del Cattolico hanno concepito la stessa bella follia; e quanti viceré spagnoli, quanti funzionali riformatori di Carlo III; e chi sa più chi siano stati? La Sicilia ha voluto dormire, a dispetto delle loro invocazioni; perchè avrebbe dovuto ascoltarli se é ricca, se é saggia, se é onesta, se é da tutti ammirata e invidiata, se é perfetta, in una parola?'

(Il Gattopardo, Giuseppe Tommasi di Lampedusa)



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OS NOVOS DESCOBRIMENTOS VISTOS PELOS LEITORES DO ABRUPTO


"Uma leitura diagonal da transcrição completa das comunicações entre Houston e o Mar da Tranquilidade, onde o módulo lunar aterrou, também é útil para constatar o notável grau de concentração com que Neil Armstrong e Aldrin executaram todas as tarefas necessárias à alunagem, à saída do módulo e ao estudo da superfície. Com efeito, tirando os momentos protocolares - a frase de Armstrong, a chamada do Presidente dos EUA e a leitura da placa comemorativa deixada na Lua - nenhum dos homens deixou transparecer, durante as duas horas e meia em que se aventuraram na superfície lunar (duas horas em que o planeta inteiro por cima das suas cabeças acompanhou atentamente cada um dos seus passos), nenhuma emoção com a paisagem diante si. Mais do que nas suas tarefas, eles estavam plenamente conscientes do privilégio e da gigantesca responsabilidade neles depositada. De toda a troca de comunicações, alguns raros momentos deixam a descoberto, no entanto, a ânsia dos dois astronautas, algo perfeitamente visível quando, logo após aterrarem, pedem autorização a Houston para saltarem o período de sono inicialmente previsto e começarem imediatamente a preparação para caminharem na Lua. Com uma paisagem daquelas pela janela, é impossível censurá-los.

Foi hoje, há trinta e cinco anos."

(Pedro)

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EARLY MORNING BLOGS 259

We Wear the Mask


WE wear the mask that grins and lies,
It hides our cheeks and shades our eyes,—
This debt we pay to human guile;
With torn and bleeding hearts we smile,
And mouth with myriad subtleties.

Why should the world be over-wise,
In counting all our tears and sighs?
Nay, let them only see us, while
We wear the mask.

We smile, but, O great Christ, our cries
To thee from tortured souls arise.
We sing, but oh the clay is vile
Beneath our feet, and long the mile;
But let the world dream otherwise,
We wear the mask!


(Paul Laurence Dunbar)

*

Bom dia!

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20.7.04


OREMOS

Começou a normalidade anormal. Adaptemo-nos. Revoltemo-nos. Oremos. O que soa melhor ainda é o oremos, mas só com o batalhão dos Santos todos. E mais a Santíssima Trindade. E mais o Olimpo. E mais...

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Juan Genoves

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EARLY MORNING BLOGS 258
                                                             
The world is too much with us; late and soon,    
Getting and spending, we lay waste our powers:    
Little we see in nature that is ours;    
We have given our hearts away, a sordid boon!  
  
 This Sea that bares her bosom to the moon;    
The Winds that will be howling at all hours    
And are up-gathered now like sleeping flowers;    
For this, for every thing, we are out of tune;   
 
It moves us not—Great God! I'd rather be    
A Pagan suckled in a creed outworn;    
So might I, standing on this pleasant lea,  
  
Have glimpses that would make me less forlorn    
Have sight of Proteus coming from the sea,    
Or hear old Triton blow his wreathed horn.
 
 (William Wordsworth) 
 
*
 
Bom dia!

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19.7.04

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Juan Gris

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EARLY MORNING BLOGS 257
 
In the Long Run

IN the long run fame finds the deserving man.
The lucky wight may prosper for a day,
But in good time true merit leads the van,
And vain pretense, unnoticed, goes its way.
There is no Chance, no Destiny, no Fate,
But Fortune smiles on those who work and wait,
            In the long run.

In the long run all goodly sorrow pays,
There is no better thing than righteous pain,
The sleepless nights, the awful thorn-crowned days,
Bring sure reward to tortured soul and brain.
Unmeaning joys enervate in the end,
But sorrow yields a glorious dividend
            In the long run.

In the long run all hidden things are known,
The eye of truth will penetrate the night,
And good or ill, thy secret shall be known,
However well 't is guarded from the light.
All the unspoken motives of the breast
Are fathomed by the years and stand confest
            In the long run.

In the long run all love is paid by love,
Though undervalued by the hosts of earth;
The great eternal Governemnt above
Keeps strict account and will redeem its worth.
Give thy love freely; do not count the cost;
So beautiful a thing was never lost
            In the long run.

(Ella Wheeler Wilcox)
 
*
 
Bom dia! In the long run ...

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18.7.04


POEIRA DE 18 DE JULHO
 
Hoje, há cento e setenta e três anos, Mary Shelley ouviu Paganini a tocar. Ficou histérica, escreveu “he had the effect of giving me hysterics”. Assim mesmo. Acrescentou: “poderia passar a minha vida a ouvi-lo, porque nada foi mais sublime”. Outros tempos.

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CATÁLOGO DE ATITUDES
 
Nenhuma dúvida, dúvidas, benefício da dúvida, complacência, fila de cumprimentos, palmas, muitas palmas, e “agora é que vai ser”.

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INTENDÊNCIA
 
OS VINTE LIVROS PORTUGUESES – actualizado  

 VERITAS FILIA TEMPORIS

Carta a um Amigo da UDP sobre a mudança (Outubro 1994)
 
Memórias da "Leitura" (Dezembro 1994)


 
  
  
  
  
  
 


Traidora Tradução - A Grande Perturbação: A Luxúria (Julho 2004)” , a crítica a Simon Blackburn, Lust, Oxford University Press, 2004 , publicada na Sábado da semana passada. 
 

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OS NOVOS DESCOBRIMENTOS: RENTE AO CHÃO


 
correu por aqui um qualquer, rápido, fluído. No chão de Marte.

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EARLY MORNING BLOGS 256

A Considerable Speck
(Microscopic)

A speck that would have been beneath my sight
On any but a paper sheet so white
Set off across what I had written there.
And I had idly poised my pen in air
To stop it with a period of ink
When something strange about it made me think,
This was no dust speck by my breathing blown,
But unmistakably a living mite
With inclinations it could call its own.
It paused as with suspicion of my pen,
And then came racing wildly on again
To where my manuscript was not yet dry;
Then paused again and either drank or smelt--
With loathing, for again it turned to fly.
Plainly with an intelligence I dealt.
It seemed too tiny to have room for feet,
Yet must have had a set of them complete
To express how much it didn't want to die.
It ran with terror and with cunning crept.
It faltered: I could see it hesitate;
Then in the middle of the open sheet
Cower down in desperation to accept
Whatever I accorded it of fate.
I have none of the tenderer-than-thou
Collectivistic regimenting love
With which the modern world is being swept.
But this poor microscopic item now!
Since it was nothing I knew evil of
I let it lie there till I hope it slept.

I have a mind myself and recognize
Mind when I meet with it in any guise
No one can know how glad I am to find
On any sheet the least display of mind.

(Robert Frost)
 
*
 
Bom dia!

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© José Pacheco Pereira
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