ABRUPTO

22.5.04



Isaak Levitan, Outono, 1896

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O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES

Hoje a "nossa" RTP concedeu-nos mais um belo exemplo de "má fé". No espaço noticiário das 20h, o jornalista José Alberto Carvalho fala da Feira do Livro. Para dar um exemplo da imensa variedade das obras disponíveis nas bancas, escolhe uma. Um livro sobre a "guerra", de alguém ligado ao Le Monde Diplomatique. Do prefácio, o jornalista selecciona uma passagem que partilha connosco. Não a memorizei, mas criticava a (excessiva, subentendia-se) supremacia dos EUA a todos os níveis. E, "a propósito", eis que se passa para a notícia seguinte, directamente da feira do livro para as torturas no Iraque...

(Paulo Agostinho)


"da má fé de que fala Fernando Gil nos Impasses. Num artigo editorial, do Público de hoje, escreve Amílcar Correia sob o título “horror infinito” (não sei como é que se há-de chamar ao holocausto, ou ao Gulag, ou aos extermínios de Pol Pot ou do Ruanda; talvez “horror ainda mais infinito”…)" (Abrupto)

Proponho "horror transfinito", usando o termo que Cantor usou para designar os conjuntos cujo cardinal é maior que o cardinal dos conjuntos infinitos."

(António Cardoso da Conceição)


Cachecóis e bandeiras do FCP rivalizam nas varandas da Ribeira, Miragaia e Massarelos por um lugar ao sol entre lençóis, pijamas, camisas de noite, cuecas e gangas.

Sempre achei fascinante este “de dentro” por fora! Talvez sirva para, a todo o momento, nos lembrar a nossa humanidade, no que ela tem de mais pragmático e prosaico. O excesso de urbanidade e dependência das máquinas, nomeadamente da de lavar e secar roupa, permitem esconder, ocultar e sobretudo esquecer estes ciclos e rotinas (sujar, lavar, secar, passar, arrumar, usar, sujar…) em que assentam o nosso confortável e higiénico quotidiano.

Nada como um passeio por essas zonas do Porto, para estabelecer as devidas proporções, de tal modo é visível o grito “aqui vive-se”! E os muitos turistas não parecem incomodados.”

PS. Divirto-me com os correctores ortográficos e sintácticos do “Word”. Este último, comigo, está sempre a “apitar” e o primeiro hoje diz-me que Massarelos é um erro ortográfico! "


(Joana)


Vai amanhã (dia 19) a leilão, na Christie’s de Amsterdão, parte da carga de um navio português do século XVI naufragado na Ilha de Moçambique. A carga que agora se vai dispersar foi salva pela empresa de caça aos tesouros Arqueonautas SA.

Em todo o mundo se aperta o cerco contra a actividade das empresas de caça ao tesouro. A aprovação de uma convenção da UNESCO para a proteção do património cultural subaquático da Humanidade é um bom exemplo desta tendência.

Por outro lado, cada vez mais governos de países com um passado ligado a expansão marítima europeia reclamam direitos sobre os restos dos seus navios, perdidos nos quatro cantos do mundo. Assim, o governo espanhol ganhou recentemente um processo em tribunal, contra uma empresa de caça aos tesouros e o Estado da Virgínia, nos EUA, que havia atribuído a concessão de salvados. Acho que temos o direito de saber porque é que o estado português não faz nada para proteger os restos arqueológicos dos nossos navios, à semelhança dos outros países do mundo
.”

(Filipe Castro, Ph.D. Assistant Professor Nautical Archaeology Program
Texas A&M University - College Station, Texas, USA)

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HOJE

continuarão as notas russas. Nos próximos dias, dez quadros da Galeria Tretyakov escolhidos para o Abrupto.

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20.5.04


TUDO É RELATIVO - NOTAS RUSSAS

Putin apontou os indicadores económicos de Portugal como um objectivo para a Rússia.

*

Gaidar, antigo primeiro ministro, conta que o PC da União Soviética o mandou a Portugal em 1988 explicar a perestroika ao PCP. De regresso, encontra-se com uma carta do PCP ao PCUS protestando por lhes ter sido enviado um "comunista pouco firme".

*

K., académico russo, pergunta: "Se Staline tivesse chegado ao Canal da Mancha, seria que lhe chamavam o "libertador da Europa"?

*

Outro académico: "Há os russos e os da Rússia".

*

Chekov dizia da intelectualidade russa: "Vós sois talentosos e também muito perigosos".

(Continua)

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IMPRESSÕES DE PERTO 2

Aparecem no mercado mais ovos de Fabergé. Já há supermercados e centros comerciais. Mas também há qualquer coisa de estranho no ar. Algumas liberdades estabilizaram-se, mas não há "ar de liberdade". Putin governa com os seus amigos do KGB. Parece um homem sem tentações de corrupção pessoal, mas gosta do poder autocrático. A pompa do poder agrada-lhe e sobe sozinho a longa escadaria do Kremlin, pisando uma passadeira vermelha sem fim, para jurar, num púlpito isolado, a sua fidelidade à Rússia. É natural que pense que, procedendo assim, dá uma nova imagem do poder russo, num país deprimido por anos inglórios e difíceis. Mas tanta solidão do poder ostensiva é também um sinal do autocrata.

A Rússia é um grande país e não é de geografia que falo. A Rússia é um grande país, por dentro. Por dentro. Há uma imensa força neste lado do mundo. Para onde vai, não sei.

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IMPRESSÕES DE PERTO

A Rússia de Putin revela a sua estranheza, a estranheza dos momentos de transição, em que não se é nem uma coisa, nem outra. O centro de Moscovo está cheio de lojas de luxo, os automóveis, cada vez mais de importação, enchem as gigantescas vias circulares, e todos os preços são exorbitantes. Moscovo é hoje mais cara do que Tóquio.

Os excessos de há cinco anos, os magotes de pedintes ou de gente muito pobre vendendo o samovar do avô, ou os patins da juventude, ou cestos de gatinhos, quase desapareceram das escadas do metro e do grande centro comercial de luxo ao lado da Praça Vermelha.

Mas a Chechénia, a "questão nacional", permanece tabu. O vocabulário é policiado. As fotos de milionários russos na prisão lembram aos "novos capitalistas" o risco da sua profissão. A diferença entre o que é legal e ilegal permanece discricionária, principalmente na área económica. Quem decide? O poder político.

Aparecem no mercado mais ovos de Fabergé.

(continua)

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18.5.04


EM BREVE,

notícias da cidade mais cara do mundo, entre o Hotel Nacional e a múmia de Lénine, as pinturas da Tretyakov e o ex-museu da revolução, entre Zukov a cavalo e as matrioskas com John Kerry "presidente", entre o soviet-chic e o soviete coisa nenhuma.

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17.5.04


MAIS UMA CORRIDA, MAIS UMA VIAGEM


Frantisek Kupka

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EARLY MORNING BLOGS 207

Ô lumineux matin



Ô lumineux matin, jeunesse des journées,
Matin d'or, bourdonnant et vif comme un frelon,
Qui piques chaudement la nature, étonnée
De te revoir après un temps de nuit si long ;

Matin, fête de l'herbe et des bonnes rosées,
Rire du vent agile, oeil du jour curieux,
Qui regardes les fleurs, par la nuit reposées,
Dans les buissons luisants s'ouvrir comme des yeux ;

Heure de bel espoir qui s'ébat dans l'air vierge
Emmêlant les vapeurs, les souffles, les rayons,
Où les coteaux herbeux, d'où l'aube blanche émerge,
Sous les trèfles touffus font chanter leurs grillons ;

Belle heure, où tout mouillé d'avoir bu l'eau vivante,
Le frissonnant soleil que la mer a baigné
Éveille brusquement dans les branches mouvantes
Le piaillement joyeux des oiseaux matiniers,

Instant salubre et clair, ô fraîche renaissance,
Gai divertissement des guêpes sur le thym,
- Tu écartes la mort, les ombres, le silence,
L'orage, la fatigue et la peur, cher matin...


(Anna de Noailles)

*

Bom dia!

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16.5.04


VER A NOITE

com um pequeno telescópio: Vénus está de quarto crescente, Júpiter com os satélites atrás. Ao longe, noutro planeta, passam benfiquistas buzinando. Dava um haikai.


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ESTUDOS SOBRE O COMUNISMO

Actualizados, com uma história sobre Marcello Caetano e a libertação da militante comunista Fernanda Paiva Tomás, incluindo uma carta, que penso inédita, do então Presidente do Conselho.


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THE RIVER GLIDETH AT HIS OWN SWEET WILL


Roy Lichtenstein

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FICARÁ “OLIMPIANISMO”

Será pois “olimpianismo” o neologismo que utilizarei já esta semana no artigo do Público. O meu pedido recebeu de imediato várias respostas muito interessantes e fundamentadas, que agradeço. Algumas delas ficam aqui registadas e, embora o texto fique longo, sempre estamos a assistir à entrada de um neologismo na língua portuguesa. Por várias razões, falar-se-á o suficiente de “olimpianismo” para o termo se fixar.

1.

Segundo compreendi, Kenneth Minogue define-o assim:

"Olympianism is the project of an intellectual elite that believes that it enjoys superior enlightenment and that its business is to spread this benefit to those living on the lower slopes of human achievement (...) Olympianism burrowed like a paradise into the most powerful institution of the emerging knowledge economy - the university"
(citação indirecta através deste sítio).


É para este conceito que é preciso cunhar um termo ou expressão que o exprimam com a maior clareza possível.

1 - Na língua inglesa, segundo o Webster's de 1913,

Olympianism \O*lym"pi*an*ism\, n. Worship of the Olympian gods, esp. as a dominant cult or religion.

No Webster's de 1993 que tenho em casa, "olympianism" não aparece (talvez uma indicação de pouca ocorrência da palavra nos dias de hoje), apenas há "olympian", sendo a sua introdução na língua inglesa datada de 1585-95. No entanto, na Internet encontrei várias utilizações de "olympianism" que se enquadram com "olimpismo" quando esta palavra define o "espírito que preside as competições desportivas dos Jogos Olímpicos" ou "movimento olímpico internacional". De qualquer modo, pelo tipo de sítios que utilizavam a palavra, ela parecia-me de uso relativamente restrito, quase técnico. Apenas uma pesquisa segundo a "linguística de corpora" seria capaz de me dizer se a palavra, neste sentido, é de uso tão corrente como "olimpismo" em português.

Temos assim que, na língua inglesa, a palavra "olympianism" corresponde, pelo menos, a três definições diferentes.


2 - Como traduzir para português? Olimpiano ou olimpismo?

Em português, encontrei o adjectivo "olímpico" e o adjectivo e substantivo masculino "olimpiano".

"Olímpico" encontra-se em todos os dicionários mas "olimpiano", apenas encontrei no Morais (10.ª edição, publicada a partir de 1949), e no Novo Dicionário Aurélio de Língua Portuguesa, para além do Houaiss (como mencionou no seu blog, pelo que omiti-lo-ei) e o da Porto Editora (8.ª ed.), que não adianta muito para o assunto.

Aurélio
olímpico (do lat. olimpicu) adj. 1. Pertencente ou relativo ao Olimpo. 2.
Pertencente ou relativo aos deuses do Olimpo [sin., nessas acepç: olimpiano] 3. Olímpio (1). 4. Referente às Olimpíadas. 5. Fig. Grandioso, majestoso, divino, nobre, sublime.

olimpiano (do lat. olimpianu) adj. olímpico (1 e 2) * s. m. O natural ou o habitante de Olímpia.

Morais
olimpiano - adj. e s. m. (de Olimpo, top.). Pertencente ou relativo ao Olimpo.
Habitante do Olimpo. Mit. Designação dos deuses principais: Júpiter, Marte, Neptuno, Plutão, Vulcano, Apolo, Juno, Vesta, Minerva, Ceres, Diana e Vénus.

no entanto, a definição de "olímpico" neste dicionário é bastante interessante:

olímpico - adj. (de Olimpo, top.). Relativo a Olímpia, cid. do Pelopeneso. / Relativo ao Olimpo; que habita o Olimpo ou morada dos deuses / Por ext. Tudo quanto é ou tem a pretensão de ser acima do vulgar ou do humano: «Em Portugal, há grande facilidade em criar jerarquias olímpicas; fazem-se anjos, arcanjos, serafins e potestades» Camilo, Ecos Humorísticos, II, I.

e ainda define

olimpismo - neol. Prática, sistema, instituição dos Jogos Olímpicos.


3 - Que conclusão tiramos de tudo isto?

Como se pode ver, em português, "olimpiano" parece ser mais descritivo, ao passo que "olímpico" dispõe do sentido figurado que parece ir, de modo mais adequado, ao encontro da definição de "olympianism" de Kenneth Minogue. Por outro lado, isso parece confirmado pelo uso que o advérbio "olimpicamente" pode ter, denotando o desprezo que alguém pode ter por alguma coisa, devido à sua superioridade, por se considerar acima dessas coisas.

No entanto, há uma objecção a que "olimpismo" designe o conceito definido por Minogue. Essa objecção é aquela que a Carla já mencionou no seu blog: a conotação que "olimpismo" tem com o desporto, já bastante enraizada (embora em inglês isso também aconteça em certo grau)

Todavia, na terminografia moderna, por influência da sócio-terminologia, já não se procura com tanto afinco um termo absolutamente monossémico. Entende-se que o contexto (entre outras coisas mais que a linguística de texto costuma estudar) é, normalmente, suficiente para esclarecer ou desfazer a ambiguidade sobre o sentido em que a palavra é utilizada.

Em princípio, "olimpismo", segundo este raciocínio, deveria ser a palavra que ilustraria o conceito definido por Minogue. Ainda encontrei outros exemplos que poderiam levar à escolha de "olimpismo":

Comparando com o francês, encontrei isto:

N'oublions pas non plus de mentionner l'influence de Goethe sur Schubert qui a d'ailleurs mis un très grand nombre de ses textes en musique. Il n'a jamais rencontré Goethe mais il lui a envoyé certains de ses ouvrages et Goethe ne lui a pas répondu. Ce côté olympien de Goethe - l'olympisme de Goethe après 1810 - est l'une de ses caractéristiques jusqu'à la fin de sa vie. Il s'est enfermé dans une sorte de tour d'ivoire. Il adopte d'ailleurs le même comportement à l'égard du poète Heinrich Heine qui aura des sentiments extrêmement mitigés vis-à-vis de Goethe. Il y a donc un contact qui ne s'est pas établi, une relation manquée entre Goethe et les intellectuels allemands, de quelque art qu'ils soient, contemporains ou postérieurs à lui
.
(Fonte)

Bem como, este sítio brasileiro com esta definição:

OLIMPIANO - Adjetivo usado por Edgar Morin (Cultura de massas no século XX) para designar a categoria sagrada dos campeões, príncipes, reis, astros de cinema, playboys, artistas célebres. Diz Morin: "o olimpismo de uns nasce do imaginário, isto é, dos papéis encarnados nos filmes (astros); o de outros nasce de sua função sagrada (realeza, presidência), de seus trabalhos heróicos (campeões, exploradores) ou eráticos (playboys).

É claro que neste caso estamos perante uma tradução do francês "olym= pien".

O facto de "olimpismo" em português estar conotado com o movimento olímpico não pode ser razão suficiente, pelo menos à partida, para que esse termo não possa ser tradução de "olympianism".

Mas também não me perturba que "olimpianismo" possa ser adoptado para descrever este novo conceito, embora, semanticamente, me parece mais correcto semanticamente a palavra "olimpismo".

Não sei é se este sentido pegará, mas o mundo dos termos técnicos está cheio de termos e expressões que veiculam diferentes conceitos conforme o domínio de utilização. Penso que o contexto é normalmente desambiguar o sentido do termo, pois as palavras nunca são utilizadas isoladas, mas em textos (o conceito de texto é algo de interessante, e há já algum tempo que ando às voltas com ele, pois será utilizado na minha dissertação de mestrado).

Para mim, "olimpismo" será mais correcto, por razões semânticas. Mas "olimpianismo" também é defensável, até por razões de clareza, que são bastante importantes. E a decisão, quando se cunha um novo termo, nem sempre é só de ordem linguística, embora se apoie nela. E de qualquer modo, precisaria de fazer, mais uma ou duas indagações para ter a certeza em alguns dos pontos.


(Rui Oliveira)

2.

Apesar de olimpianismo seguir correctamente as regras de formação de neologismos em português, a tradição lexicográfica preconizou o uso da forma olimpismo, que se encontra registada quer em vocabulários mais antigos, mas ainda hoje tidos como referência, como o Vocabulário da Língua Portuguesa de Rebelo Gonçalves, quer noutros mais recentes como o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia das Ciências/Verbo, ou o portentoso Houaiss, do Instituto Antônio Houaiss/Círculo de Leitores.

Parece também haver uma distinção semântica entre essas duas palavras: enquanto olimpianismo poderia ser definido como ‘carácter ou qualidade do que é olimpiano’, ou seja, de tudo o que está relacionado com o Olimpo e com os seus deuses, olimpismo refere-se, como nos informam os dicionários acima referidos, à “organização e instituição dos Jogos Olímpicos e ao espírito que lhes preside”.

Do ponto de vista da tradução, se pretender manter-se fiel ao original inglês, e como olympianism parece ser também um neologismo (…), talvez fosse preferível optar pela forma olimpianismo. Olimpismo seria a tradução directa do inglês olympism ou do francês olympisme, que se encontram já dicionarizados.


(Pedro Mendes / Priberam Informática )

3.

Em que é que ficamos?

O Abrupto pergunta o seguinte: "Como é que traduzo olimpyanism? Por "olimpianismo", fiel ao uso conceptual novo (veja-se nota sobre Kenneth Minogue), ou "olimpismo"? No Houaiss há "olimpiano" e "olímpico", mas não "olimpianismo"..." Pois voto em olimpianismo. Embora "olimpiano" não esteja registado no Dicionário da Academia, nunca poderíamos traduzir esse novo conceito por "olimpismo", uma vez que a palavra tem um determinado significado que o associa aos Jogos Olímpicos e que o afasta do sentido que se pretende. Olimpianismo parece-me um bom aportuguesamento.


(Carla na Bomba Inteligente)

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OLIMPISMO / OLIMPIANISMO

Em breve, um resumo das respostas que recebi ao pedido de opiniões e saberes sobre que forma adoptar para traduzir “olimpyanism”.

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EARLY MORNING BLOGS 206 / O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES

Hoje todo o “early morning” é de autoria de Fernando Almeida e Costa, a que agradeço a colaboração.

Composed upon Westminster Bridge

EARTH has not anything to show more fair:
Dull would he be of soul who could pass by
A sight so touching in its majesty:
This City now doth like a garment wear

The beauty of the morning; silent, bare,
Ships, towers, domes, theatres, and temples lie
Open unto the fields, and to the sky;
All bright and glittering in the smokeless air.

Never did sun more beautifully steep
In his first splendour valley, rock, or hill;
Ne'er saw I, never felt, a calm so deep!

The river glideth at his own sweet will:
Dear God! the very houses seem asleep;
And all that mighty heart is lying still!



"Numa manhã do início do sec.XIX, William Wordsworth viajava com a sua irmã Dorothy, de Londres para Calais. Era ainda muito cedo quando atravessaram a Westminster Bridge, e a visão matinal da cidade e do rio tocou-os profundamente.

Dorothy escrevia magnificamente e, nos seus diários - que foram publicados - surge a seguinte descrição [Journal July 31, 1802]:

"It was a beautiful morning. The city, St. Paul's, with the river, and a multitude of little boats, made a most beautiful sight as we crossed Westminster Bridge. The houses were not overhung by their cloud of smoke, and they were spread out endlessly, yet the sun shone so brightly, with such a fierce light; that there was something like the purity of one of nature's own grand spectacles."

Wordsworth parece que não gostava particularmente de cidades, demasiado sujas, complexas e perigosas. Mas escreveu um belíssimo soneto sobre esse instante em que o coração poderoso e perigoso de Londres está ainda adormecido.

Na "early morning" da Londres de hoje é possível ter uma experiência, apesar de tudo, muito semelhante.
"

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© José Pacheco Pereira
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