| ABRUPTO |
semper idem Ano XIII ...M'ESPANTO ÀS VEZES , OUTRAS M'AVERGONHO ... (Sá de Miranda) _________________ correio para jppereira@gmail.com _________________
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27.3.04
OS NOVOS DESCOBRIMENTOS: GELADOS
O sítio da NASA das sondas marcianas parece uma montra de uma loja de gelados. Eu quero os "bolinhos napolitanos". Vale a pena ler o texto. (url) (url)
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES
O croissant também foi usado em Portugal (horta, Faial, Açores) nas comemorações do dia de S.Marcos, tradicionalmente as freiras de um convento local enviavam tabuleiros de croissants aos frades de um convento perto no referido dia (25 de Abril).. visto que o dito santo é o protector dos... (Abel Santos) Em relação ao seu post A AREIA DA SERPENTE, gostaria só de comentar a frase "Areia de Marte, partida nao se sabe porque, junta não se sabe como". Por acaso, até se sabe. Em Marte os processos erosivos ve^em o seu peso relativo aumentado porque a tectónica de placas há muito que se extinguiu. Embora possa ainda existir vulcanismo e formação de crateras por impactos cometários, o principal processo de formação de estruturas geológicas está morto. Com o passar do tempo, os ventos carregados de poeira vão acabar por esbater o que resta das estruturas que outrora a agua e a rocha desenharam. Quanto à forma em serpente, os ventos incessantes à superfície, mesmo numa atmosfera pouco densa como a marciana, criam as mesmas estruturas ondulantes que na terra. (David Luz) Não estou inteiramente de acordo com o que escreveu no seu recente texto sobre os conceitos de «esquerda» e «direita», mas ao menos fiquei a saber de quem é o chavão que mencionou. Sou da opinião que, em política, há posições de esquerda e posições de direita. Não quero certamente dizer com isto que é tudo preto ou branco mas, como costumo dizer, não é lá porque existem o crepúsculo e o nascer do Sol que eu sou incapaz de distinguir o dia da noite. No entanto, o problema que vejo na dicotomia esquerda-direita não é a dicotomia em si mas sim a importância excessiva que lhe é atribuída. De facto, se nos cingirmos apenas a classificações bipolares com relevância para a política, porque não considerarmos também, por exemplo, a classificação individualista-colectivista, a qual é totalmente independente da classificação esquerda-direita? Ou então a classificação radical-moderado? De facto, a própria importância atribuída às classificações bipolares pelos seres humanos é bastante redutora e mesmo um tanto estranha. Já há algum tempo que se estuda a possibilidade de essa tendência estar de algum modo «programada» na estrutura dos nossos cérebros. Falta saber qual a vantagem evolutiva de tal característica, caso exista de facto. (José Carlos Santos) (url)
EARLY MORNING BLOGS 167
Os Antigos Os antigos invocavam as Musas. Nós invocamo-nos a nós mesmos. Não sei se as Musas apareciam — Seria sem dúvida conforme o invocado e a invocação. — Mas sei que nós não aparecemos. Quantas vezes me tenho debruçado Sobre o poço que me suponho E balido "Ah!" para ouvir um eco, E não tenho ouvido mais que o visto — O vago alvor escuro com que a água resplandece Lá na inutilidade do fundo... Nenhum eco para mim... Só vagamente uma cara, Que deve ser a minha, por não poder ser de outro. E uma coisa quase invisível, Exceto como luminosamente vejo Lá no fundo... No silêncio e na luz falsa do fundo... Que Musa! ... (Álvaro de Campos) (url) 26.3.04
(url) 25.3.04
PAPEL DOS VESTIÁRIOS NA GEOGRAFIA EUROPEIA
À medida que se vai avançando pela Europa, para o meio, para o Leste, os vestiários são cada vez mais uma parte importante dos edifícios. Casacos longos, peles, mantas, cachecóis, guarda-chuvas, toda a parafernália do mau tempo, da chuva, do frio, fica aí. Uma multidão de senhoras e, em menor quantidade, de homens vive dos vestiários, vive nos vestiários. Uma senhora do vestiário tinha uma toalha pousada em cima da mesa e secava os guarda-chuvas antes de os colocar no cabide. Civilização. Pequenos gestos. (url)
O CROISSANT E A GUERRA DE CIVILIZAÇÕES
Não há nada como andar pelas fronteiras antigas da cristandade frente ao Turco, para aprender mil e um pequenos detalhes da guerra das civilizações. Um é o gentil croissant, que sempre pensei francês como o brioche, e verifico ser austro-húngaro e politicamente incorrecto nas suas origens: comemorar, comendo um “crescente”, a vitória vienense face aos turcos. O café também veio no mesmo pacote culinário – os turcos deixaram sacos e sacos de grãos quando fugiram - mas o grão tem forma mais neutra. Pensando bem, está na altura, para muitos na pátria, de deixarem de beber café e de comer o humilhante (para os turcos, para os muçulmanos) “crescente”, em nome da solidariedade internacionalista. (url)
GIORGIONE E O SEU MISTÉRIO
Nunca se juntaram tantos quadros de Giorgione, o veneziano, como agora em Viena, no Kunsthistorische Museum. De Veneza saíram pela primeira vez La Tempesta e La Vecchia (voltaremos ao “col tempo” da velha). E, no entanto, se lermos as legendas, a maioria é-lhe apenas atribuída, competindo nalguns casos com Ticiano pela autoria. Vasari, que escreveu algumas frases de absoluta admiração por Giorgione, só conhecia pinturas e frescos que entretanto desapareceram. Os que nós conhecemos pertenciam a privados que Vasari não viu. Ambiguidades. (url) 24.3.04
GIORGIONE
(Em breve, Giorgione, mais Mitteleuropa, mais "civilização", mais dr. Freud no seu café e Trotsky no outro.) (url) 23.3.04
DANÇA ESQUERDA-DIREITA,
“blogues de esquerda”, “blogues de direita”, é uma classificação que não me interessa e não me diz nada (já sei, é por ser de direita, como diz o chavão de Alain... ). As furiosas polémicas classificativas também não me interessam um átomo. Não explicam nada, não elucidam nada, e só por esquecimento da história é que se pode encontrar um sentido em algo que hoje dificilmente o tem. O caso de Israel e da Palestina dificilmente caberia nessa dança sem ser a martelo. Israel foi criado à esquerda e pela esquerda. O primeiro país a reconhecer Israel foi a URSS de Staline. O Avante! saudou a vitória israelita na guerra imediatamente após a independência, como uma “vitória contra as monarquias feudais e reaccionárias” da região. Anote-se que é nessa guerra que se dão as grandes deslocações de população, que fazem hoje parte do caderno reivindicativo palestiniano. A maioria dos dirigentes religiosos muçulmanos da região, como o Grande Mufti de Jerusalém, colaborara com os nazis durante a guerra e não escondia a sua simpatia pelo holocausto. Cientistas nazis, ideologicamente motivados pelo seu ódio aos judeus, foram um pilar dos programas de armamento de países como o Egipto “socialista” de Nasser. Os exemplos podiam continuar. (url)
UMA PELE GRANDIOSA
Há cidades que são assim, um envólucro, uma pele como aquelas que alguns animais deixam para trás, um cenário gigantestco, uma aldeia Potemkine verdadeira. Viena é assim: palácios, monumentalidade, “império” por todo o lado, em branco e dourado, os grandes nomes (Maria Theresa, Franz-Josef), poder, solidez, dinheiro, luxo, conforto e toda a beleza que vem em acrescento. “Grandeur”, mas falta qualquer coisa. Por muito que me esforce, nunca imagino os turcos à sua porta, mas estiveram. Por muito que mentalmente reveja o Terceiro Homem e saiba das ruínas e das sombras, não as consigo ver. (url)
COM QUE RAPIDEZ
Coisas que se pensavam sólidas e estabelecidas, como seja o princípio de que não se negoceia com terroristas, conhece agora todas as nuances, todos os “sim, mas...”, todas as considerações de circunstância, "que, em determinadas condições”, etc, etc... Desse ponto de vista, mérito a Mário Soares que, pelos vistos, disse o que muitos pensavam mas não tinham a coragem de dizer. No dia dos atentados espanhóis era tudo firmeza; no dia seguinte começou o relativismo moral, no terceiro dia já a excitação espanhola soltava todas as línguas. Depois, Soares falou e soçobraram os últimos restos de vergonha. Todos os dias o retrato dos terroristas é mais amável e “explicável” e todos os dias se dá mais um passo para uma forma de derrotismo moderno, que se pagará muito caro. E o dissolvente de tudo isto é só um, o anti-americanismo, ou o anti-bushismo raivoso que campeia por todo o lado. É assim que é o pensamento débil, voa com o primeiro vento. (url)
VOANDO
Daqui, para ali, para acolá, como bom cidadão europeu (por vezes perdendo os acentos, logo que saio da pátria), nem sequer o rumor longínquo das coisas da terra ouço. Suspeito que, nestes dias de excitação, real e artificial, isso não faça muita falta. (url)
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES
Essa frase é como a outra "os guerreiros da Europa" (Miguel Portas). São sempre julgamentos políticos disfarçados de julgamentos morais. Mas o que mais me incomoda é o facto de os culpados serem sempre os mesmos: os americanos. Nunca essas pessoas condenam mais nada. (Ricardo Figueira) Exemplos sobre a manipulação da informação são, parafraseando Sérgio Godinho, "aos montes, são às serras, impossíveis de escalar." Acredito, no entanto, que em alguns casos se trate de ingenuidade ou, sobretudo, de falta de preparação profissional. O jornalismo não falha apenas na linguagem (como o "bombardear" do Público que criticou na Quadratura do Círculo deste fim de semana), falha também na impreparação dos profissionais, na pressa com que as notícias têm de sair, na falta de aprofundamento das questões, na preferência pelo tratamento dramático e subjectivo. Muitas vezes há uma excessiva "democratização" da opinião, pois o mesmo peso é dado a fontes de credibilidade muito distinta. Claro que há casos em que se torna difícil crer que aconteçam por ingenuidade ou incompetência. Há alguns meses atrás, quando saiu o relatório sobre as contas dos partidos, a tsf começou a notícia dizendo que "todos os partidos" presentes no parlamento apresentavam irregularidades nas contas. E passou aos exemplos. Primeiro o PS (primazia por ser o que apresentava maiores irregularidades), depois os dois partidos da coligação governamental. Foi, então, a vez da CDU que, para espanto da estação noticiosa, também não ficou manchada pela existência de irregularidades. E a partir daqui, o silêncio. Dos quatro partidos referidos, foram citados vários exemplos de irregularidade. Do Bloco, nem o nome foi pronunciado. Achei curiosa a omissão e, quando li os exemplos que tem citado, achei por bem contribuir com estas memórias. (Paulo Agostinho) Cibernauta amigo chamou a minha atenção para o seu post de dia 20, no blog Abrupto, subordinado ao tema "MANIPULAÇÃO DA INFORMAÇÃO". Escreve o senhor: "Um exemplo: relato, hoje de manhã e pela TSF, da entrevista de ontem ao Primeiro-Ministro, na RTP1. Relato factual, relativamente neutro, com extractos das declarações. De repente, chega à parte do Iraque, e o jornalista corta a palavra ao Primeiro-Ministro e acrescenta: "mas há quem não pense assim, a engenheira Maria de Lurdes Pintasilgo ." Dado que estava, nessa manhã, com funções editoriais na TSF, permita-me colocar uma dúvida e fazer alguns sublinhados. Dúvida : o que será um "relato relativamente neutro"? Não o serão todos os relatos? Este seu relato no blog, acrescentando a palavra "relativamente" ao "relato factual" poderá ser interpretado como uma vontade relativamente objectiva de questionar a neutralidade do relato? Sublinhado: o senhor relata no seu blogue que "o jornalista corta a palavra ao Primeiro-Ministro...". Nota : o Primeiro-Ministro não estava em directo. Aquilo que foi colocado no ar foi um excerto da entrevista, correspondente a uma ideia com princípio, meio e fim. No fim desse excerto, o jornalista fez aquilo a que se chama na rádio, um rodapé. Importa lembrar que, naquele excerto da entrevista, Durão Barroso falava no "problema de Espanha", a propósito da intenção, expressa por Zapatero, de retirar do Iraque os soldados espanhóis. Ora, dava-se o caso de, na mesma noite dessa entrevista, a antiga PM Lurdes Pintassilgo ter expresso, numa conferência pública, a ideia de que "o exemplo de Zapatero devia ser seguido por outros governantes". Quem lê o seu post fica a pensar que, depois de ter "cortado a palavra" ao PM, o malandro do jornalista tratou de deixar ali - a la Moura Guedes -, a sua opinião sobre a matéria quando, na verdade, fez uma ligação para um novo som que tinha uma evidente relação com o anterior. A manipulação tem muitos matizes, como sabemos, mas quero crer que este seu relato pecou apenas por ligeireza, sem ponta de malícia. (João Paulo Baltazar) (url) 22.3.04
DUPLICIDADES
Não é a frase "eixo da mentira" (Francisco Louçã) da mesma natureza de "eixo do mal"? Ou seja, não é um julgamento político disfarçado de julgamento moral? (url) (url)
EARLY MORNING BLOGS 166
Todos por Um A manhã está tão triste que os poetas românticos de Lisboa morreram todos com certeza Santos Mártires e Heróis Que mau tempo estará a fazer no Porto? Manhã triste, pela certa. Oxalá que os poetas românticos do Porto sejam compreensivos a pontos de deixarem uma nesgazinha de cemitério florido que é para os poetas românticos de Lisboa não terem de recorrer à vala comum (Mário Cesariny de Vasconcelos) * Bom dia! (url) 21.3.04
POEIRA DE 21 DE MARÇO
Hoje, há duzentos e cinquenta e sete anos, uma enorme tempestade ameaçava o navio negreiro de John Newton. No meio da aflição, tentando endireitar o leme, vendo que o navio se ia afundar, Newton dirigiu-se a Deus: “Lord, have mercy upon us.”. O navio salvou-se e Newton convenceu-se da presença divina no seu grito de desespero. Falara a Deus e Deus salvara-o. Mudou a sua vida. Sob a influência da sua revelação e conversão escreveu alguns dos mais belos e conhecidos hinos na tradição anglo-saxónica, o mais célebre dos quais, Amazing Grace, é autobiográfico: Amazing grace! (how sweet the sound) That sav'd a wretch like me! I once was lost, but now am found, Was blind, but now I see. 'Twas grace that taught my heart to fear, And grace my fears reliev'd; How precious did that grace appear, The hour I first believ'd! Thro' many dangers, toils and snares, I have already come; 'Tis grace has brought me safe thus far, And grace will lead me home. The Lord has promis'd good to me, His word my hope secures; He will my shield and portion be, As long as life endures. Yes, when this flesh and heart shall fail, And mortal life shall cease; I shall possess, within the veil, A life of joy and peace. The earth shall soon dissolve like snow, The sun forbear to shine; But God, who call'd me here below, Will be forever mine. * Interessante, ou talvez não: Amazing Grace foi musicado por Mike Oldfield no álbum Millenium Bell, álbum composto por alturas da passagem do milénio, no qual revisita alguns dos momentos mais marcantes dos últimos 2000 anos. O resultado de tal programa não é nada brilhante, mas curiosamente o tema Amazing Grace não é dos piores. (Paulo Carvalho) (url)
TODOS OS DIAS, TODOS OS DIAS (Actualizado)
Querem exemplos? Noticiário da SIC das 13 horas – abertura : “200.000 pessoas passam fome em Portugal, são números oficiais, mas pode chegar a um milhão ”. Ouvi bem? Números oficiais ou “a cifra (…) avançada por Alfredo Bruto da Costa“, na base de conjecturas estatísticas, como diz o Público? NOTA: No noticiário da noite, a SIC manteve a fórmula dos "números oficiais" e atribuiu-os ao Conselho Económico e Social, de que Bruto da Costa faz parte, mas basta ler o trabalho publicado no Público para se perceber que os números estão longe de serem "oficiais", a não ser que o erro seja do Público; a TVI usou uma fórmula mais prudente "o trabalho de um sociólogo e de uma economista".] “De Norte a Sul o país saiu à rua a favor da paz” (Noticiário da SIC , 13 horas) . Ouvi bem? O “país”? No noticiário da noite, a SIC teve o mérito de passar um peça feita pelo autor de um celebre blogue iraquiano Salam Pax, que vem à completa revelia do que é habitual. A chave é uma frase dita por uma jornalista iraquiana "a liberdade tem um alto preço", e a conclusão do autor do blogue "claro que valeu a pena". (url)
POBREZA E FOME
Não tenho qualquer dúvida sobre a realidade e importância da pobreza em Portugal. Não tenho qualquer dúvida sobre o carácter “escondido” de parte dessa pobreza, embora a maior parte dela esteja à vista de quem a quer ver. Não tenho qualquer dúvida quanto ao agravamento dessa situação nos últimos anos, em particular pelo aumento do desemprego e do custo de vida. Não tenho qualquer dúvida sobre a maior importância que a pobreza tem que ter no discurso social e político, muitas vezes dominado por trivialidades secundárias que nos escondem a realidade social do país em que vivemos. Mas tenho todas as dúvidas sobre o número de “200 mil pessoas a passar fome em Portugal” referido em títulos no Público de hoje. Fui procurar as fontes e encontrei conjecturas. “A cifra de 200 mil pessoas com fome é avançada por Alfredo Bruto da Costa, (…) Nestas contas entram realidades de pessoas apoiadas por instituições como os bancos alimentares, a Misericórdia de Lisboa, os valores das pensões de reforma ou o número de sem-abrigo, entre outros. “ Aqui misturam-se dados de carácter absolutamente diferente, como é o caso dos “valores das pensões de reforma” com o “ número de sem-abrigo”. Mas nem sequer ficamos pelos duzentos mil, chegamos ao milhão. “O número, coincidem investigadores e pessoas que trabalham no terreno, poderá ser muito superior e chegar a um milhão, mas, à falta de estatísticas, cruzam-se dados para poder tirar conclusões sobre a realidade.” Um milhão de pessoas com fome em Portugal. Não é um milhão de pobres, é um milhão de pessoas com fome. Fome. Duvido que “coincidam investigadores e pessoas que trabalham no terreno” ; duvido do “cruzamento de dados”. Em todo o extenso dossier do Público procurei fontes precisas para o número do título, que, como acontece muitas vezes nos jornais, é logo a seguir tomado como seguríssimo, e incluído como constatação de uma evidência nos artigos auxiliares. Não penso que este tipo de exageros favoreça o combate à miséria, tendo, bem pelo contrário, efeitos contraproducentes. (url)
EARLY MORNING BLOGS 165
Este Seu Escasso Campo Este, seu ‘scasso campo ora lavrando, Ora solene, olhando-o com a vista De quem a um filho olha, goza incerto A não-pensada vida. Das fingidas fronteiras a mudança O arado lhe não tolhe, nem o empece Per que concílios se o destino rege Dos povos pacientes. Pouco mais no presente do futuro Que as ervas que arrancou, seguro vive A antiga vida que não torna, e fica, Filhos, diversa e sua. (Ricardo Reis) (url)
© José Pacheco Pereira
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