ABRUPTO

26.7.03


VER A NOITE

Hoje não há noite para ver. Na cidade não se vê a noite, nem Marte sequer. Só aviões.

(url)


CRÍTICAS QUE ME LEVAM A PENSAR DUAS VEZES

É uma nova série no Abrupto que regista aquelas críticas que me levam a questionar: “será que é assim, será que ele tem razão?”. Posso até achar que não, mas tenho que pensar duas vezes e, às vezes, acho que sim. Para não poluir as críticas na sua fonte serão sempre reproduzidas sem comentário.

Ver no Mata-Mouros “ A prova na política e no direito (JPP e a Justiça)”

e numa carta de Rui Queirós:

Porque é que antes de começar a ler o seu Comentário ao caso Berlusconi eu já sabia que o senhor o ia defender!? É isto que me mete impressão! Não me leve a mal, mas caso o Sr.Berlusconi fosse de esquerda, será que o seu comentário seria idêntico? Ou seja, porque é que mesmo as pessoas mais inteligentes e que pensam pela sua cabeça, se sentem obrigadas a defender 'os seus', mesmo que sejam pessoas como o Sr.Berlusconi (não falo de casos perdidos como o Dr.Louçã e etc. Falo de pessoas não fanáticas, mas que se entricheiraram num campo, e que ficam inibidas de pensar, ou de se expressar com total liberdade).”

Ainda há mais.


(url)


EARLY MORNING BLOGS 17

A ameaça de execução escrita nesta parede foi fotografada por mim em Gernika numa viagem de solidariedade que fiz com a luta dos bascos contra o terrorismo. Numa das primeiras notas do Abrupto, escrita num momento politicamente importante dessa luta para os bascos, reproduzi um apelo internacional de intelectuais a acções de solidariedade, que tinha subscrito, convencido que haveria resposta pelo menos neste meio. A blogosfera, que não tinha falta de causas entusiastas em tudo que era página, permaneceu indiferente. Foi, se quiserem, a minha primeira desilusão.



Não era que não houvesse repúdio do terrorismo basco, era que, quando não há bombas, o aspecto político da luta contra o medo e pela liberdade no País Basco interessa pouco os portugueses, a começar pelos órgãos de comunicação social. Vem tudo isto a propósito do artigo de Helena Matos no Público “Nacionalismo Basco: o Medo Aqui Tão Perto” que analisa este mesmo tipo de silêncio e cujas conclusões subscrevo inteiramente:

Habituados como fomos a associar a luta pelas independências à luta pela liberdade, esquecemos que à visão romântica dos nacionalismos do século XIX há que juntar a experiência dos totalitarismos do século XX: estes usaram o nacionalismo e não raramente a Igreja para reforçarem o ódio ao estrangeiro e o desprezo pelas instituições democráticas. É esta última face do nacionalismo que, dia a dia, se impõe no País Basco. É essa face que viram Savater, Gotzone Mora e López de Lacalle. É essa face que às vezes, em Portugal, fazemos de conta que não existe. Talvez porque seja demasiado perto.”

*

Leio os Estudos sobre a Ordem dos Pregadores, um blogue discretíssimo, sobre “pregadores” , frades, freiras, ordens religiosas. É um mundo bem longe do nosso olhar e que conheci na minha infância e adolescência por causa de uma minha tia-avó que era freira Doroteia, “madre Pacheco”, e que era uma força da natureza. Começara a sua vida religiosa como enfermeira na I Guerra Mundial na frente belga, e depois, como tinha jeito para o desenho, ensinava nos colégios das Doroteias e pintava “santinhos”. Dela resta a memória e os “santinhos”, delicados e ingénuos, com tons de ouro nas vestes como nos quadros de Fra Angélico.
Milhares e milhares de homens viveram assim, numa forma tão estranha para a nossa contemporaneidade que parecem não ter biografia. Fizeram-se frades e freiras e desapareceram do “século”. O que se retrata aqui é que eles têm biografia, não são apenas “enxame”.

A segunda observação, lendo a SERIES MAGISTRORUM ORDINIS PRAEDICATORUM, é a confirmação pela longa lista de nomes, do século XIII aos dias de hoje, franceses, italianos, irlandeses, espanhóis, de como qualquer história da Europa sem uma referência ao cristianismo como elemento formador da identidade europeia, não tem qualquer sentido.


(url)

25.7.03


TRATADO DOS TELEMÓVEIS – algum correio

Paulo Alves sugere que se substitua devices por "dispositivos".

Mário Chainho fornece elementos suplementares e é mais prudente quanto a algumas previsões:

"As evoluções que preconizou para os telemóveis (prefiro chamar-lhes de terminais móveis) são mais do domínio da ficção científica que do razoavelmente expectável nas próximas décadas. O actual sistema utilizado em toda Europa e um pouco por todo o mundo (GSM) é das obras mais complexas feitas pelo homem, só possível devido a avanços espontâneos e provocados em vários domínios, não sou na tecnologia mas também ao nível da investigação científica feita em empresas e universidades de todo o mundo. No entanto, tudo parece ainda muito tosco. E tudo isto porque a tarefa de colocar uma rede de comunicações móveis a funcionar nos moldes actuais não é nada fácil, parecendo mesmo uma tarefa impossível de realizar. Ao contrário dos telefones fixos, em que tudo é estável e basta ligar um fio de um lado ao outro (não é bem assim porque a rede central pode ser muito complexa), nas comunicações móveis o suporte é o ar e tudo atrapalha: O nível de sinal pode cair de um instante para o outro cerca de 100 000 vezes, mas essa é apenas uma das milhares de dificuldades encontradas, e todas foram sendo resolvidas. As primeiras normas sobre o sistema GSM, há mais de 10 anos, tinham mais de 5000 páginas, e apenas faziam referência aos interfaces entre os vários dispositivos da rede e suas funções. P.e., nenhuma das normas referia como se fazia um telemóvel mas apenas as suas funcionalidade e formas de interacção com a rede - e a partir daí cada fabricante poderia fazer os terminais como queria. Parece-me que os devices integrados no corpo estão tão longe dos actuais terminais como um F-16 de um papagaio de papel - mas são bem conhecidas previsões sobre o futuro feitas por grandes figuras que saíram completamente erradas, e de grande figura eu nada tenho.

Talvez os avanços na tecnologia atinjam uma saturação mais rápida do que se julga. Fico por vezes com essa ideia porque para haver progressos lineares na tecnologia a quantidade de problemas a resolver aumenta geometricamente - assim me parece.

Em relação à "Sociologia do Telemóvel", trabalhando numa empresa de comunicações móveis tenho o privilégio de ver algumas das melhores e piores utilizações do aparelho. Entre as melhores acho que se podem nomear: reforçar dinâmicas de trabalho, criando novas oportunidades de negócio nas mais diversas áreas; Aproximar o país, já que uma ligação Açores - Lisboa é semelhante e custa o mesmo que uma ligação Lisboa - Lisboa.
As desvantagens são também bem conhecidas. Muitas já aqui foram apontadas. Existem mesmo casos doentios de utilização dos telemóveis e são inegáveis os condicionamentos sociais que eles podem provocar, melhor, o telemóvel é mais uma das variáveis na luta pelo estatuto e pela felicidade - por si nada faz. O que prende as pessoas são os seus desejos e ansiedades e não um qualquer aparelho exterior a si - só quem se deixa dominar fica dominado. "


Smaug comenta no Incongruências as notas sobre telemóveis:

O nome que sempre dei aos telemóveis, e aos seus antecessores bips/telebips [estes já podem ser acrescentados à lista de objectos em extinção], foi “A Trela”. Estes malogrados objectos funcionam como uma trela sem fio, mas que se pode sempre, ou quase sempre, puxar.

“Onde estás?!” – tornou-se pergunta inicial que quase todas as conversas telefónicas, só depois se pergunta “Como estás?” (se se perguntar...). Uma coisa muito útil é a personalização dos toques do telemóvel dependendo de quem nos está a ligar, o meu só toca para meia dúzia de números, para o resto faz um discreto “bip” e deixa-se ficar caladinho.

Faço uma pequena correcção ao texto de JPP, na parte do “2. Diálogos de um futuro muito imediato – cedências de liberdade”. As redes de telemóveis, por motivos intrínsecos ao seu funcionamento técnico, sabem sempre a localização dos aparelhos com uma margem de erro relativamente pequena, a Optimus e a Vodafone comercializam serviços que fazem uso dessa capacidade.




(url)


UMA CIDADE QUE SE CHAMA “INVICTA”

... não pode ser igual às outras. E não é . Tem uma força interior enorme, escondida, tantas vezes desbaratada em querelas ridículas quando à sua frente tem os que fazem do Porto província.

O que há de melhor no Porto é a liberdade, uma liberdade que não veio de comboio de Paris, uma liberdade que não era a dos carbonários, mas a profunda liberdade dos burgueses , a liberdade do trabalho, a liberdade do comércio, a liberdade das associações mútuas dos operários, a liberdade mais copiada dos ingleses do que dos franceses. É uma cidade onde podiam ter vivido os Buddenbrook e onde Thomas Mann poderia ter sido cônsul. Mann gostaria do Porto.

A gente que lá nasceu sabe onde está essa liberdade sólida, presa ao granito, na Rua Mouzinho da Silveira, na rua das Flores, no Largo dos Poveiros, em S. Lázaro, nas fiadas de casas de granito e azulejo vidrado da rua D. João IV, na rua da Alegria, em Fernandes Tomás, em Passos Manuel.

E depois naquelas ruas que já não tem a função que tinham desde a rica S. Catarina, até à humilde e desconhecida Travessa da Póvoa, nas ruas operárias onde se morria de cólera e de tifo nas ilhas. É o Porto que foi a terra dos operários e não Lisboa. Lisboa tinha Alcântara, mas o Porto tinha as grandes fábricas , dos tabacos no Campo 24 de Agosto, de Salgueiros , no Graham, na Boavista , no Freixo, em Lordelo, nas conservas de Matosinhos.

Já disse isto vezes sem conta, inclusive em comícios, quando se grita para que não nos ouçam o sentido, mas não consigo começar a falar do Porto sem estas primeiras palavras.

*

O Porto fez-me gostar de uma qualidade sem grandes elogios nos dias de hoje e também sem grande reconhecimento social, por muita retórica que à sua volta se ouça, a integridade. Muita da vida pública portuguesa não seria o que é, se houvesse um pouco mais de reconhecimento social da integridade. Se os íntegros não parecessem personalidades obstinadas, com mau feitio, “pouco maleáveis”, como agora se diz.

O Porto fez-me gostar das pessoas simples, íntegras, ainda não tocadas pela usura das palavras, ainda não ecléticas, ainda não dominadas pelo amor-próprio destrutivo, ainda não obcecadas pelas suas virtudes e pela sua facilidade, ainda não acumulando superfícies como quem acha que a vida é um longo espelho, ainda não distraídas, ainda não impacientes, ainda querendo mais alguma coisa com uma tenacidade de absoluta dedicação. Como o Porto é feito de granito em vez de calcário, selecciona a dureza, a persistência, o trabalho, as boas contas, as “contas à moda do Porto”, e já revelou na sua história que pega em armas quando é preciso.

Nunca mostrei a minha cidade, mostrar de mostrar, a quem eu não ache íntegro. Sei de quem nunca lá irá pelas minhas mãos.


(url)


O PORTO

É a minha maior injustiça no Abrupto. Ainda não ter falado da minha cidade, da qual me sinto sempre em estado de heimatlos, esteja onde estiver, mesmo nos sítios onde estou totalmente bem, entre as torres ou na terra onde “a l'istà piove a contrà.”



(url)


EARLY MORNING BLOGS 16

And Now For Something Completely Different”, (grita o Hipatia, pela voz dos Monthy Python, metendo um susto aos desprevenidos) …

… a blogosfera está a começar a assentar depois das turbulências dos últimos dois meses. Está muito diferente, muito melhor, muito mais plural, com muitas vozes falando de coisas distintas, com blogues novos com temas novos. Está menos literária, sem deixar de estar literária, mais problemática, menos afirmativa e mais curiosa e, até , mais engraçada porque menos engraçadinha.

Blogues como a formiga de langton , o Sócio[B]logue, Companhia de Moçambique , o projecto do Metablogue, o Retórica e Persuasão, Reflexos de Azul Eléctrico, Avatares de Desejo, Médico Explica Medicina a Intelectuais e vários outros, fizeram a diferença. Para sermos justos vieram na sequência dos bons blogue políticos à volta da dupla Coluna Infame – Blog de Esquerda e dos excelentes blogues sobre jornalismo que foram pioneiros como o Ponto Media e o Jornalismo e Comunicação

Uma das melhores descrições da blogosfera está numa citação da Utopia Art Biennial, LX, 2001, feita pela formiga de langton , sobre o "enxame"

"Take any swarm. Take any collective natural system, where many parts are present. Study it. Identify which rules are prominent at local neighbours. The simpler the better. Understand if they are similar in any other natural system. You will probably be astonished. Now, collect them together in any computer. Mix them. Play it and let them evolve by their own. Soon, you will perceive organization. Any type of organization. What you will see is nothing more than the decay of entropy. But, don't stop it and feed the system with diversity. Re-inject knowledge if you think they will take profit of it. Memory among the whole is emerging. Even better than that: parts of the system at different locations can perceive the whole. Now, from time to time, allow the system to become slightly chaotic. Evaporation is one way. Oh, yes! Solutions found so far become more robust and flexible. Now, take this whole as a unit. And take any other whole. And another one. Take a lot of wholes and collect them in a computer, or in any other type of information structure. Put them in another layer of complexity. Mix them. Play it and let them evolve..., are you pleased?"


(url)


JÁ DO OUTRO LADO


(url)


META-LIVRISMO / OBJECTOS EM EXTINÇÃO 17

Para os amadores do meta-livrismo, livros sobre livros, parente próximo do meta-bloguismo, a Bloomsbury publicou Lost Classics. Writers on Books Loved and Lost, editado por Michael Ondaatje / Michael Redhill / Esta Splading / Linda Spalding. É a reedição, acrescentada de novos textos, de um número especial da revista Brick sobre os livros que gostamos muito de ler numa altura da vida e depois desapareceram. Desapareceram da nossa casa, das livrarias , estão esgotados , ninguém se lembra deles, foram para o gigantesco limbo dos livros. E , no entanto, o fantasma continua connosco:

A book that we love haunts us forever, it will haunt us, even when we can no longer find it on the shelf or beside the bed where we must have left it.".

A razão porque esta nota é dupla, como as estradas que se perdem nos mapas uma na outra, sendo uma, mas duas, é porque, num certo sentido, estamos a falar de “objectos em extinção”, livros perdidos de que sobram “memories of reading

The dialogue with the mind of an absent other, that conversation both silent and shared, that moment when a reader seems to have found the perfect mate”.

Logo a abrir, Margaret Atwood fala do Doctor Glas de Soderberg e depois há Lafcadio Hearn, e Kipling e Bulgakov, em títulos quase desconhecidos e muitos outros de que nunca tinha ouvido falar, “perfect mates".

(url)


VER A NOITE, de novo

Noite de mistura, nem negra, nem azul. Não se vê nada de jeito, mas é a primeira em que ouço os grilos. Talvez só um, esforçado, enchendo a noite de sons. O barulho de tão pequeno bicho é enorme, é preciso ouvi-lo para perceber como enche o espaço, a noite toda. Hoje, em vez das estrelas, olho para a terra.

“Não faz mal nenhum um pouco de gravitas”, diz o grilo.


(url)

24.7.03


VER A NOITE

A primeira “estrela” da noite foi um Airbus.

Volto mais tarde.

(url)


SCRITTI VENETI

Ele escreveu, a esta mesma precisa hora, diante do palladino Redentore: “Foge de mim. Eu sou insalubre como a água destes canais miasmáticos. Já corro para outro lado, contra natura, terra dentro, levando a peste. Cuidado com o cão, cuidado com os cães. Está uma guerra em curso.” (Phobos)



(url)


A MÃO QUE PINTA

Algumas leitoras do Abrupto (e digo leitoras porque foram só leitoras) tem perguntado sobre a origem dos fragmentos dos quadros , quase só horizontes, aqui esporadicamente colocados. A origem é muito diversa, a maioria são de pintores do Norte da Europa, paisagistas do século XIX, pintores relativamente pouco conhecidos e de colecções pouco acessíveis. Por exemplo J. C. Dahl ( a maioria), William Bell Scott, etc.
As razões porque não identifiquei até agora a sua autoria, são em primeiro lugar “narrativas”, não queria acrescentar qualquer referência que “distraísse” quem os vê para um outro mundo que não fosse a sua presença e o que eles “dizem”. O seu uso não é o de uma citação, mas o de um símbolo. Na verdade, não são os quadros que cá estão, porque eles não são assim, mas o meu olhar sobre eles que muitas vezes fica assim perdido num pequeníssimo fragmento ignorado num canto da pintura.

Talvez, quando o tempo os tornar “narrativamente” inúteis, eu coloque um nome junto do horizonte.


(url)


CADA VEZ MAIS LONGE


(url)


OBJECTOS EM EXTINÇÃO 16

Pedro Robalo no Complot fala da memória das casas :

"Na casa de praia dos meus avós, onde me encontro, foram feitas, recentemente, algumas obras. São muitas as modificações que umas obras imprimem numa casa. Escolhas estéticas aparte, existem pormenores técnicos que uma intervenção não pode deixar intactos.


Um dos que mais se faz notar é a colocação dos interruptores eléctricos. Se se fizerem alterações à instalação eléctrica principal, é muito provável que os interruptores mudem de sítio, sendo colocados a uma altura de menos de um metro do chão. Nas casas mais antigas, que é o caso, os arcaicos e barulhentos exemplares eram colocados muito mais acima: um metro e meio pelo menos. Desconheço as razões de ordem técnica que justifiquem um e outro caso.


O curioso nesta mudança é a sua interferência nos actos mais banais - o que nos faz reflectir acerca da profundas raízes dos hábitos adquiridos. Trocando por miúdos: agora, de cada vez que entro numa divisão escura, levo pelo menos 20 segundos tacteando a parede em busca do interruptor. Só depois, chamando a razão a este acto irreflectido, realizo que ele se encontra noutro local. E, de cada vez que isto acontece, a casa que era e já não é aflora-se à memória, despoletando um misto de nostalgia e desconforto. Por muito boas que sejam as mudanças, há sempre nuances de saudade que só o tempo consegue apagar. Por mais insignificantes que sejam."



Eduarda Maria da “ bata da escola. Além dos uniformes nos colégios (que ainda se mantém), havia a bata, nas escolas públicas. Embora há 30 anos pensasse o contrário, hoje em dia não consigo encontrar uma única desvantagem para o uso da bata. (Acho que já chegámos todos à conclusão que a liberdade não passa nada por aí).

Miguel Marujo do Cibertertulia lembra “os sinos das igrejas - ou as suas badaladas! - hoje em dia substituídos por ensurdecedores altifalantes a debitarem versões duvidosas do "Avé" de Fátima!”

Miguel Leal dos “eléctricos”:

Os "Eléctricos " 25 e 26 , referência fundamental da minha infância . O bilhete , pequeno , frágil e cor-de-rosa - retirado de uma resma de bilhetes da mesma cor- obliterado por pressão manual com um instrumento também ele extinto , custava 13 tostões. Os eléctricos 25 e 26 , dizia , faziam o mesmo percurso mas em sentidos diferentes. O percurso era denominado "circulação" e a carreira era indicada à frente e à rectaguarda dos eléctricos com a designação de "Estrela - Gomes Freire " , através de um mostrador envidraçado que era preenchido por uma espécie de papiro que se desenrolava e que ia indicando os diversos destinos que se praticavam na Carris desse tempo.
A minha avó e eu , "apanhávamos " o Eléctrico na segunda paragem da Rua Ferreira Borges ", em Campo de Ourique .Seguíamos então na direcção da baixa pombalina - atravessada generosamente em toda a sua extensão - através da "panificação " , Amoreiras , Rato e Conde Redondo , onde era feita por vezes a mudança de guarda-freio. Avançávamos, junto ao rio, torneando o Cais do Sodré em direcção ao bairro chique da Lapa , com início da subida em Santos. A rua Buenos Aires antecedia a descida para a "Estrela " que por sua vez antecedia a subida para a Rua Ferreira Borges onde nos apeávamos na mesmíssima segunda paragem.
Uma Lisboa abrangente , por 13 tostões , em 45 minutos e com partida e chegada no mesmo local.”


Tito no Entre Pedras, Palavras colocou a seguinte nota:

"O pente religiosamente guadado no bolso de trás das calças".
Os homens já não guardam, junto das cautelas, o pente. Já não fazem aquele gesto firme de colocar em ordem o cabelo, acompanhado pela suavidade da mão, que suada conferia aquele estrutura una e circunspecta.
Os homens já não param à porta das repartições públicas, dos consultórios, dos cafés, a olhar para um vidro e a desenhar a regra e esquadro a risca ao lado.

O pente, naquele plástico matizado de castanho, morreu.
Eu próprio já não me penteio vai para uma vintena de anos. A última vez que penteei foi no dia da comunhão solene. Hoje junto à Estação de S. Bento já não se vendem pentes, hoje à porta da "Adega do olho" já ninguém se penteia, amanhã entre uma e outra sande de presunto, no "Louro", ninguém tirará o seu pente e será mais homem. Hoje quando saio à noite e vejo os rapazinhos que habitam o estado novo, com a melena cuidadosamente despenteada à frente dos olhos, juro que rezo para que entre um qualquer paquistanês e que em vez de rosas traga na mão um bouquet de pentes para guardar no bolso de trás das calças
."



(url)


LIMITES (Actualizado)

Ontem referi a fusão entre os devices cada vez mais bio e o nosso corpo, acentuando a “hierarquia e fragilidades” dos sentidos. Encontrei em A Pedra e a Espada um exemplo dessas limitações:

O compositor Eric Satie tem uma obra para piano que demora 24h a ser executada na totalidade.
Isto implica que sejam necessários vários pianistas que se vão revezando, por forma a que a peça possa começar e terminar sem interrupções.
Conta-se que numa das raras execuções dessa peça em Nova Iorque, quando esta terminou um dos elementos da audiência se colocou de pé batendo palmas frenéticamente e gritando: "Bravo! Bis ! BIS!".


Uma música, Vexations, não pode ser tocada senão por vários pianistas, a não ser que alguém queira entrar para o Guiness. Seria difícil, porque uma das coisas que Cage verificou quando se interessou pela peça, é que ela é também muito difícil de memorizar, mesmo quando fragmentada em partes a serem tocadas por diferentes pianistas. Satie revelou limites.

*

José Carlos Santos acrescenta algumas precisões sobre Vexations:

"Da primeira vez que esta obra foi interpretada, no Pocket Theatre de Nova Yorque, foram precisas apenas 18 horas e não 24. Um dos doze pianistas que participaram na estreia foi John Cage, que tinha tido conhecimento daquela obra em 1949 através de Henri Sauguet, amigo de Satie nos últimos anos da vida deste. Mais importante do que isto é o facto de as Vexations consistirem numa sequência de apenas 180 notas tocada 840 vezes (na estreia, Cage tocou-a 75 vezes)."


(url)


VER A NOITE

Noite sem brilho, baça. Nuvens, humidade. Vê-se Marte, e meia dúzia de estrelas, soltas das constelações pelos fios das nuvens.

Lá longe, por cima das camadas inferiores da atmosfera, muito acima de nós, os mesmos astros caminham perfeitos nas mil cores em que não os vemos. De novo me faz falta o par invernal de Orion , Alpha e Beta Orionis, Betelgeuse vermelha e Rigel azul.

Betelgeuse , a "yad al jauza," , a mão da Mulher, a gigantesca estrela vermelha em que cabemos todos.


(url)


ABRAÇO

Um grande abraço mais que público para o Carlos Andrade que é um homem bom, primeiro, e um bom jornalista, depois.

(url)

23.7.03


NÚMEROS

O Abrupto ultrapassou há uma semana as 100000 “pageviews” pelo seu contador mais antigo, o do Bstats. Ultrapassou hoje as mesmas 100000 pelo contador do Sitemeter, que se pode consultar abaixo. No entanto, ainda não o fez pelo contador mais recente, o do Bravenet que vai na casa dos 90000. Esperarei pelos 100000 neste último que é aquele que é mais visível oara quem lê a página. Seria um pouco estranho estar a festejar – sim festejar, porque na concepção deste blogue é gratificante para o seu autor que seja lido – um número que não é aquele que aparece diante dos olhos de quem lê. Nessa altura falarei um pouco mais da solitária orientação editorial deste blogue.

Gostaria que, quem tivesse mais experiência destas coisas, me ajudasse a escolher o melhor contador, para, terminado este período experimental, eliminar os outros.


(url)


TRATADO DOS TELEMÓVEIS – a “biologização dos devices” e notas dispersas (Actualizado)

O efeito dos telemóveis, que tenderão a perder este nome com o cada vez maior afastamento em relação quer aos telefones, quer aos nossos conceitos de mobilidade, será cada vez mais poderoso quanto o device se incrustar no nosso corpo. Passará da nossa mão, onde existe ainda como objecto autónomo, para a nossa roupa e daí para a nossa pele. Colar-se-á ao corpo, como a televisão se colará às paredes da nossa casa ou aos nossos olhos.

Esta evolução, a que tenho chamado a “biologização dos devices”, potenciará um novo mundo de relações humanas e sociais. O provável é que, quanto mais os aparelhos se aproximarem das fontes dos nossos sentidos, mais se moldarão à sua hierarquia e às suas fragilidades. Ficaremos cada vez mais presos à visão, o nosso mais enganador sentido, e à janela sobre o mundo que ele nos dá. Cada vez mais quem controlar o que vemos, controla o que somos.

Haverá um esplendor de imagens pobres – jogos, pornografia, superfícies – no lugar da vida vivida, com o crescimento de uma virtualidade que funciona como ersatz dos prazeres reais caros, e o pensamento recuará empurrado pelo automatismo dos gestos programados (permitidos). O tempo e o espaço mudarão significativamente a uma maior velocidade do que aquela em que já estão a mudar e que já é muita.

As imagens sem símbolos serão o “ópio do povo”. Não excluo que, para cada vez mais pessoas, a felicidade aumente porque a felicidade é a impressão de estar feliz. À medida que a diferença entre a virtualidade e a realidade seja cada vez menor, e dependa de literacias hard e de posses (posse) no mundo hard, os pobres terão eficazes técnicas de felicidade virtual à sua disposição.

Este texto é experimental, explora apenas alguns caminhos, pela via do exagero como método.

*

Uma nota: um pouco por todo o lado nos textos dos blogues o acto de ir para férias está directamente associado ao abandono no não-férias dos mecanismos de comunicação - televisão, telefones, jornais.
Interessante esta percepção de um afastamento do mundo pela recusa dos seus canais de comunicação como sendo "férias". Como se o trabalho fosse hoje apenas receber, estar imerso em comunicações, informações.

*

A Ana escreve :

Não concordo que o telemóvel ponha em causa o direito de ignorar um telefonema. Esse é precisamente um dos direitos que apenas têm as pessoas com telefone. O gozo bestial/ às vezes o sofrimento de o ignorar.
Por isso, sugiro a eliminação deste direito no projecto de Tratado dos Telemóveis. Ou então a sua inclusão num artigo autónomo com a epígrafe Boa Utilização do Telemóvel - Liberdades.
Podíamos fazer uma Convenção Preparatória do Tratado dos Telemóveis
.”

JPT escreve:

"há três meses que desliguei de vez o telemóvel, perdi direito a numero até. Todos me olham algo estranhos como se alguma coisa meio-grave me tivesse acontecido. Ou entao reforçando a ideia (talvez ja algo formada) de que tenho a mania que sou um bocado diferente, "a modos que quer parecer intelectual" ou quejando."


(url)


LONGE


(url)


TRATADO DOS TELEMÓVEIS – primeiros fragmentos

Nota prévia - Os telemóveis são a guarda avançada (ou a revelação) de toda uma série de mudanças sociais em curso associadas a novas tecnologias. Como todas as mudanças elas não emanam directamente das tecnologias mas sim das suas relações com o modo como socialmente são moldadas pelo mundo “exterior”. Não é haver telemóveis, é o uso que as pessoas dão aos telemóveis. O que se está assistir é só o princípio.

1. Carta dos direitos que o telemóvel ameaça (carta dos estilos de vida ameaçados) :

O direito de não ter telemóvel e não passar por mentiroso quando se diz que não tem.

O direito de não ter que andar com o telemóvel 24 horas por dia.

O direito de não ter o telemóvel sempre ligado.

O direito de não ter que fazer dezenas de telefonemas inúteis apenas porque se criou o hábito de falar de cinco em cinco minutos.

O direito de ignorar um telefonema.

O direito de não responder a um telefonema. Telemóveis e atendedores de chamadas tornaram alguém sempre presente, e obrigatoriamente informado de que outrem telefonou pelo que é socialmente inaceitável que não responda.

Deixou de se poder dizer – “desliguei os telefones” - porque o atendedor de chamadas regista tudo como se o telefone estivesse ligado. “Não podes dizer que não sabias, deixei-te mensagem. Porque é que não respondes?”


2. Diálogos de um futuro muito imediato – cedências de liberdade

“- O meu presente de aniversário é este telemóvel moderno que tem GPS e pode-se saber onde uma pessoa está a qualquer momento.

- Pode-se saber?

- Pode

- Não sei se quero…

- Tens medo que eu saiba onde estás?

- Não, não tenho medo…Dá lá o telemóvel.


Outro:

“ - Onde estás?

- Estou aqui.

- Aqui aonde? Liga o vídeo do telemóvel.

- Para quê? A chamada vai ficar cara…

- Para eu ver onde tu estás.”


3. Monólogos do presente – matar alguém no telemóvel

“Ele tinha quatrocentos e vinte e oito mensagens gravadas. Recados, gritos, murmúrios, desejos, fúrias, calmas. Resolveu apaga-las a todas e, como era homem de memórias, o acto era importante. Ao apagar matava alguém. Carregou no botão porque há actos que nem o direito à memória têm. Pouco a pouco, começava a memória a encher-se outra vez. De pessoas vivas.”

Outro:

“Ela dizia – o telemóvel é minha liberdade.

Enganas-te. É a tua servidão.”



(url)


EARLY MORNING BLOGS 15

Tanto azedume à solta por aí. Olhem que são só blogues, não são buldogues.

A Conversa da teta regista um aspecto interessante dos blogues: vivem sem subsídios e não pagam impostos.

Não há assim tantas actividades em Portugal que se possam gabar de viver sem subsídios. Mas sendo o país como é, e as artes e as “culturas” como são, lá virá o dia em que alguém peça um subsídio para fazer um blogue, “cultural” obviamente, e depois virá outro e outro. E virá um dia em que um governante “inovador” alargará as bolsas para escritores a “novas formas de escritas”, ou seja aos blogues. E depois começará o ciclo que é bem conhecido na “cultura”: fazer um blogue significa o direito natural a ter subsídio, e os blogues grátis vão sendo cada vez menos. E haverá declarações zangadas que este blogue não pode continuar porque não sabe se vai receber o subsídio, e haverá júris para julgar as propostas dos subsídios e manifestações e abaixo-assinados e declarações parlamentares sobre a mentalidade contabilística do governo da altura que corta o dinheiro para os blogues. Assim por assim já houve um tempo que a ideia de subsidiar o teatro parecia bizarra, já houve um tempo em que a maioria do teatro não era subsidiado. Há muito, muito tempo.

No Monologo a razão porque o MyLifeBits vai ser um sucesso : "queria ter-me fotografado todos os dias da minha vida. só assim tinha a certeza que vivi cada um deles".


(url)


VER A NOITE

On the road . Um planalto elevado, horizonte sem limites, nenhuma luz, e hoje brilha, como nunca nos últimos dias, o campo das estrelas. Meia esfera celeste move-se, como sempre, com as grandes constelações do Norte visíveis. Ainda não é uma noite perfeita, a Ursa grande, virada para o lado do mar, está um pouco apagada pelas nuvens. Falta-lhe uma estrela.


(url)

22.7.03


TRIVIA

Agora quando se quer um jornal em linha, Público ou Diário de Notícias, o computador toca como o mais odiado dos telemóveis para fazer um reclame de uma coisa chamada sms. Deus sabe, como diria o homem das feiras e mercados, como deles fujo.
Fazer um tratado sobre os efeitos sociais da omnipresença dos telemóveis e seu toque que manda, ordena, lembra sem perdão.


(url)


CONVERSA

Numa conversa com o senhor C.: “O meu avô morreu uma semana depois de minha mãe. Abismou com a morte dela”.

“Abismou”, caiu num abismo, caiu num abismo com ela, por causa dela. “Abismo” é uma daquelas palavras em que não se repara, até um dia. É uma palavra com medo dentro.


(url)


SUDOESTE


Já me referi aqui a uma série de edições da Sudoeste que me tinham surpreendido pela qualidade. Acrescento duas que ainda mais reforçam essa verificação. E que duas! Uma é uma tradução de Sete Odes de Píndaro, de Maria Helena Rocha Pereira; outra, uma edição da Experiência de Ler de C.S. Lewis.

Nos poemas de Píndaro cada linha é imensa. Escritos para heróis que só estão longe de Michael Schumacher, pelo que faziam fora da arena olímpica, não pelo que faziam dentro da pista das corridas, como este Hierão de Siracusa , vencedor da corrida de cavalos:

Um grande risco não arrasta
Um homem cobarde. Para quem tem de morrer,
Porque há-de consumir em vão, sentado à sombra,
Uma velhice apagada,
Sem provar quanto há de belo?


(url)


VER A NOITE

Está escuro, muito escuro, mas uma noite péssima para ver estrelas. Deve haver humidade, nuvens no alto.
Este escuro já não se vê nas cidades em nenhuma altura, a não ser quando falta a luz.
Marte voltou para trás, nesse movimento dos planetas que mostra que não fazem parte da esfera superior e são matéria perecível. Mesmo Marte.

(url)

21.7.03


PERTO


(url)

20.7.03


OBJECTOS EM EXTINÇÃO 15

1) A campainha na sala de jantar, no meio do chão, para chamar a criada. A primeira vez que os meus pais mudaram de casa, na nova casa lá estava no meio, brilhante de metal, a campainha. Embora houvesse criada, a campainha nunca foi utilizada.

2) RIP do blog-notas sugere o tira-linhas:

Esse pequeno artefacto, indispensável á elaboração de desenho geométrico, podia ser montado num suporte vertical ou adaptado ao compasso, vivia em alegre concubinato com o tubo de tinta-da- china e constituía, quando manejado por mãos inábeis, o maior dos pesadelos para a alva pureza da folha de papel.

Foi substituído pela Rotring (marca que simbolizou os diversos sucedâneos) e, o epitáfio que assinala a sua passagem à galeria da história, recorda-nos que

Aqui jaz o tira-linhas,
instrumento de terror,
que borrava as mãozinhas
ao aluno e ao s’tor!

Mas o seu maior valor,
(pese embora o seu aspecto),
era p’ro desenhador
que elaborava o projecto!

Viveu em paz e alegria,
com a tinta, que da china,
tinha o nome, e se vendia,
em tubos de forma fina!

Deixou-nos como legado,
esta triste nostalgia,
que recordo, com agrado!
Mas num blog??? Que ironia!!”


3) Ricardo Ruano Pinto (RRP) do Hipatia lembra a "Mariconera"

essa malinha masculina, com pega ou pegas, de couro (embora tenha visto algumas em tecido), que se transportava debaixo do braço, que a par de outros equivocos da moda seventies, ainda hoje deixa muitos envergonhados e outros comprometidos.”

4) José Carlos Santos lembra “os documentários que passavam nos cinemas antes do início dos filmes. Creio que desapareceram ainda antes do 25 de Abril, vítimas da televisão.”

Também lembro, com alguma nostalgia, os momentos em que a sessão do cinema tinha documentários, "actualidades", desenhos animados, filmes anúncios, reclames da Belarte, dois intervalos e o filme. A voz brasileira dos documentários sobre a natureza – “voando sobre as altas montanhas dos Andes , o condor passa” …- ainda a ouço e as montanhas e o condor cabiam na enorme tela.



(url)


EARLY MORNING BLOGS 14


À procura de textos pré-blogue ando pelos diários de Tolstoy e pelo diário de Kafka. Na edição francesa de Pierre Klossovski, de Kafka, que agrupa debaixo do título “diário íntimo”, textos de diário e grupos de aforismos com temas comuns são estes últimos que são mais parecidos com este tipo de escrita. Por exemplo, as “Considerações sobre o Pecado, o Sofrimento, a Esperança e o Verdadeiro Caminho”, falando da “impaciência” adaptam-se bem a este meio:

Todas as faltas humanas têm origem na impaciência, uma ruptura prematura do esforço metódico: fixamos sobre um suporte aparente, o objecto aparente”

“Há dois pecados mortais humanos donde decorrem todos os outros: a impaciência e a preguiça. Por causa da sua impaciência, foram expulsos do Paraíso, Por causa da sua preguiça não voltam para lá. “


O carácter fragmentário da escrita “cabe” na página e favorece a citação. Retorno a uma nota minha, já arquivada, de Lukacs sobre Nietzsche e as características do texto facilmente citável.
Incluir os aforismos.

*

Para a Montanha Mágica e os seus leitores uma sugestão, caso não conheçam. Num magnifico livro , de meta-livrismo neste caso , editado por Dale Salwak intitulado A Passion for Books, Nova Iorque, St. Martins Press. 1999, agrupando uma série de textos sobre o amor pelos livros , está um ensaio de Jeffrey Meyers intitulado “Obsessed by Thomas Mann”. Meyers escreve como, desde os 16 anos, se foi enleando em Thomas Mann e, livro a livro, foi ficando “obcecado”. Conta como leu os livros, como foi modificando essa leitura à medida que sabia mais sobre Mann, as visitas aos lugares da vida de Mann, a Veneza, a Davos. Meyers critica os filmes feitos sobre obras de Mann, e a representação de Aschenbach na Morte em Veneza de Visconti.
Obrigatório para os “mannianos”. Se o autor da Montanha em blogue quiser posso mandar-lhe o texto.



(url)


VER A NOITE


Não se vê a Lua. Marte lá está, o príncipe dos céus por estes dias.
Olhando para Marte, virando 90º para a esquerda, a Cassiopeia. Faz-me falta Orion, a constelação que enche o céu, que lembra as noites mais brilhantes do Inverno.

Está um vento fresco, ligeiro, leve, como para lembrar que há ar.
Não se ouve nada. Para onde foi o ruído?


(url)

© José Pacheco Pereira
Site Meter [Powered by Blogger]