ABRUPTO

31.7.06
 


PIRATARIAS 12

Como se viu h� pouco mais de meia hora, (obrigada aos leitores que prontamente comunicam a apari��o do falso Abrupto) e ontem por volta das 20 horas, por um pequeno per�odo de tempo, os ataques continuam. O Blogger tem conhecimento desta situa��o h� cerca de quinze dias. Logo a seguir ao primeiro ataque, e j� v�rias vezes posteriormente, me escreveram a dizer que o problema, que reconhecem ser uma explora��o de uma falha do pr�prio Blogger, estava resolvido. Algu�m continua a tentar sobrepor um falso blogue ao verdadeiro, usando uma falha do Blogger que este se revela incapaz de resolver.
 


RETRATOS DO TRABALHO EM CHINATOWN, NOVA IORQUE, EUA



Nova Iorque, cabeleireiro em Chinatown, 2001

(Carlos Fernandes)
 


LENDO
VENDO
OUVINDO

�TOMOS E BITS

de 31 de Julho de 2006


"M� f�" no Kontratempos.

Acrescento mais um exemplo: a utiliza��o da palavra "massacre" nos notici�rios da RTP1 e no P�blico de hoje (os que vi, � prov�vel que apare�a noutros meios de comunica��o). No Dicion�rio da Academia � claro que a palavra implica matar "indiscriminadamente" "com selvajaria e crueldade", tendo como significados "chacina", "matan�a", e o acto de massacrar significa "chacinar" "trucidar", "dizimar", "exterminar". Podem parecer cru�is estes preciosismos vocabulares, mas o uso da palavra "massacre" n�o � descritivo � propagand�stico porque implica haver dolo por parte de Israel. Se um inqu�rito revelar que o ataque a civis foi deliberado, ent�o � leg�timo usar a palavra "massacre", at� l� � uma opini�o disfar�ada de not�cia. Qualquer manual de deontologia jornal�stica ensina o que se deve fazer em casos destes, seja qual for a opini�o do jornalista, a indigna��o que possa ter perante a viol�ncia da guerra e a sua inerente injusti�a face a inocentes.

*
Confesso que me incomodam alguns coment�rios de leitores do Abrupto que na minha opini�o fazem uma leitura muito ligeira do que se passa no L�bano. Como se v� pelos v�rios coment�rios, opini�es e �not�cias� � cada vez mais dif�cil a uma Democracia fazer a Guerra. H� at� quem defenda que a barb�rie n�o depende dos actos, mas antes da condi��o de quem os pratica.

Pode hoje um regime democr�tico defender-se de um ataque terrorista? Ou de uma ac��o militar? Sabemos que qualquer guerra implica actos violentos, b�rbaros, massacres se quiserem e quase sempre provoca vitimas inocentes e que nada t�m a ver com o conflito. Houve demasiados exemplos durante o s�culo XX para que algu�m ache que uma Guerra pode n�o ser assim. � por isso legitimo colocar a quest�o; pode um regime democr�tico cometer actos de barb�rie mesmo em legitima defesa? Se pode, ent�o h� quem questione se de facto o regime � ou n�o democr�tico; se n�o pode, ent�o a democracia est� impedida de existir quando � atacada.

A resposta � quest�o parece-me evidente. Uma Democracia deve poder defender-se com todos os meios ao seu alcance quando � atacada. N�o obstante tentar evitar ao m�ximo atacar quem nada tem que ver com o conflito, sabe contudo, que quando inicia a sua defesa vai inevitavelmente causar sofrimento, cometer barbaridades e com probabilidade elevada vitimizar, massacrar inocentes. � isto a Guerra.

� importante que n�o nos esque�amos destes �detalhes� quando nos apressamos a condenar Israel pelos ataques ao Sul do L�bano. T�m sido usados os mesmos adjectivos para analisar os actos terroristas do Hezbolla, que matam inocentes de forma deliberada, dos ataques de Israel �s posi��es do grupo terrorista que mata inocentes de forma acidental. S� esp�ritos mal�volos e pouco dados � an�lise concluem que Israel atacou postos das NU e matou inocentes em Qana de forma deliberada. Como � evidente isso s� prejudica a posi��o pol�tica de Israel. Os pressupostos dos ataques do Hezbolla e de Israel n�o se confundem. Os primeiros visam o terror e o exterm�nio e por isso o objectivo principal � atacar alvos civis; os segundos t�m como objectivo criar uma zona tamp�o que evite os bombardeamentos �s cidades do Norte de Israel e por isso actuam sobretudo sobre as posi��es do grupo terrorista. O que tamb�m toda a gente conhece � que o Hezbolla se refugia junto de civis para evitar os ataques do exercito israelita. S� isto j� demonstra o car�cter sinistro deste tipo de actua��o, que para tirar dividendos pol�ticos n�o se importa de p�r em risco as popula��es compatriotas.

(Ricardo Sousa)

*

Impressiona-me a rapidez, e a precis�o vocabular, com que procura �desmontar� a suposta m� f� no tratamento da not�cia relativa ao massacre perpetrado pelos Israelitas sobre a popula��o libanesa. Com que vocabul�rio podemos ent�o descrever as constantes humilha��es que a popula��o palestiniana tem sofrido h� d�cadas? Os actos de resist�ncia dos Palestinianos contra a ocupa��o israelita, j� o sabemos, s�o r�pida e comodamente designados de terrorismo� Impressiona-me, al�m do mais, na leitura de blogs e da imprensa, uma tend�ncia fortemente manique�sta no tratamento deste tema. Estudei especificamente a constru��o do discurso ideol�gico de justifica��o da guerra territorial contra o Isl�o entre os s�culos XI e XIII (tese em hist�ria medieval, fcsh/unl) e n�o encontro, nos discursos contempor�neos, a diferen�a que justificaria a passagem, de ent�o para c�, de mais de oito s�culos. Confesso que as minhas leituras sobre temas contempor�neos t�m sido pouco sistem�ticas, dada a cronologia das minhas investiga��es, e por isso gostaria sinceramente que o Dr. J. Pacheco Pereira, que creio conhece bem estas mat�rias, nos oferecesse um texto escrito sob o ponto de vista palestiniano (quer queiramos quer n�o, o actual problema do L�bano insere-se basicamente na quest�o palestiniana). Li h� meses o livro de Hamira Hass e fiquei impressionado com a arbitrariedade e a humilha��o a que s�o sujeitos os Palestinianos, vis�vel tamb�m num excelente document�rio sobre os �checkpoints� apresentado no festival Doc.Lisboa no ano passado.

(Armando de Sousa Pereira)

*

Na Wikipedia "massacre" : "the human rights commission agreed on a specific definition: "A massacre shall be considered the execution of five or more people, in the same place, as part of the same operation and whose victims were in an indefensible state."

(Filipe Dias)

*

Como � que chamaria ao "incidente", como lhe chama a CNN?
Dano colateral?
Aquele que n�o tem nome?
Para que n�o me chame anti-semita e para que n�o pense que estou de m�-f�, deixe-me dizer-lhe que conhe�o israelitas, que vivem e trabalham em Israel, na classe m�dia, sem as vantagens dos pol�ticos ou diplomatas, e n�o conhe�o �rabes. E que gosto dos israelitas que conhe�o. S�o pessoas decentes, trabalhadoras, sens�veis, que criticam os que no seu pr�prio lado v�em apenas um lado da quest�o. Gosto de ouvir falar com mais intelig�ncia do que a dos partid�rios de uma coisa. Como diria o outro, o mundo est� perigoso. N�o � hora de fundamentalismos. Nunca � hora de fundamentalismos.

(M.)
 


OS NOVOS DESCOBRIMENTOS: LAGOS EM TIT�

Em vez de �gua, metano.
 


EARLY MORNING BLOGS
829 -Lune de Miel

Ils ont vu les Pays-Bas, ils rentrent � Terre Haute;
Mais une nuit d'�t�, les voici � Ravenne,
A l'sur le dos �cartant les genoux
De quatre jambes molles tout gonfl�es de morsures.
On rel�ve le drap pour mieux �gratigner.
Moins d'une lieue d'ici est Saint Apollinaire
In Classe, basilique connue des amateurs
De chapitaux d'acanthe que touraoie le vent.

Ils vont prendre le train de huit heures
Prolonger leurs mis�res de Padoue � Milan
Ou se trouvent le C�ne, et un restaurant pas cher.
Lui pense aux pourboires, et redige son bilan.
Ils auront vu la Suisse et travers� la France.
Et Saint Apollinaire, raide et asc�tique,
Vieille usine d�saffect�e de Dieu, tient encore
Dans ses pierres �croulantes la forme precise de Byzance.

(Thomas Stearns Eliot)

*

Bom dia!

30.7.06
 


RETRATOS DO TRABALHO EM LOURES, PORTUGAL



Oper�rio da constru��o na nova fase da Urbaniza��o do Infantado-Loures.

(Lu�s Miguel Reino)
 


LENDO
VENDO
OUVINDO

�TOMOS E BITS

de 30 de Julho de 2006


Vale cem n�meros da Vis�o a entrevista a Miguel Veiga. O Miguel Veiga � um dos �ltimos originais antigos, - os originais modernos s�o muito menos originais -, um exc�ntrico na melhor tradi��o inglesa, logo portuense, ou vice-versa, e um homem de grande dignidade pessoal, bem rara qualidade. Meu amigo, de momentos bons e maus, como � suposto nos amigos.

*





O rolo de On the Road de Kerouac, um dos manuscritos (bom, n�o � bem manuscrito mas escrito � m�quina com correc��es) mais originais da hist�ria da literatura vai ser publicado na vers�o original, a enrolada.

*

Como eu o percebo:
"Ce n'est pas pour me vanter mais dans quelques jours, je partirais en vacances. Ne croyez pas que je vous l�cherais pour autant, chers amis et chers ennemis : mon PC me suit partout et le tavernier continuera � servir � boire et � manger tous les jours ou presque. Si je vous raconte �a, c'est parce qu'en songeant � la valise � faire, le m�me doute m'envahit comme toujours en cette occasion : quels livres emporter ? Il faut dire que je suis du genre � emporter deux livres plut�t qu'un lorsque je dois prendre le bus ou le m�tro, c'est � dire tous les jours, par prudence au cas o� il y aurait une panne. Pour les trajets en avion, j'emm�ne trois livres plut�t que deux en cas de d�tournement prolong�. Vous aurez compris que la perspective de me retrouver bloqu� quelque part sans avoir rien � lire me rend malade par avance. Je n'en suis pas � emmener un livre avant de prendre l'ascenseur (et puis on peut toujours relire la notice) mais je n'en suis pas loin."
Eu levo mais, mas � doen�a.

*

No Scientific American :
"A man walks along the inside of a circle of chess tables, glancing at each for two or three seconds before making his move. On the outer rim, dozens of amateurs sit pondering their replies until he completes the circuit. The year is 1909, the man is Jos� Ra�l Capablanca of Cuba, and the result is a whitewash: 28 wins in as many games. The exhibition was part of a tour in which Capablanca won 168 games in a row.

How did he play so well, so quickly? And how far ahead could he calculate under such constraints? "I see only one move ahead," Capablanca is said to have answered, "but it is always the correct one."

*

Aqueles para quem o fim do mundo (o fim de um mundo) chega antes: os �ltimos Shakers.
 


EARLY MORNING BLOGS
828 - ...haviam de achar homens homens, haviam de achar homens brutos, haviam de achar homens troncos, haviam de achar homens pedras.

Quando Cristo mandou pregar os Ap�stolos pelo Mundo, disse-lhes desta maneira: Euntes in mundum universum, praedicate omni creaturae: �Ide, e pregai a toda a criatura�. Como assim, Senhor?! Os animais n�o s�o criaturas?! As �rvores n�o s�o criaturas?! As pedras n�o s�o criaturas?! Pois h�o os Ap�stolos de pregar �s pedras?! H�o-de pregar aos troncos?! H�o-de pregar aos animais?! Sim, diz S. Greg�rio, depois de Santo Agostinho. Porque como os Ap�stolos iam pregar a todas as na��es do Mundo, muitas delas b�rbaras e incultas, haviam de achar os homens degenerados em todas as esp�cies de criaturas: haviam de achar homens homens, haviam de achar homens brutos, haviam de achar homens troncos, haviam de achar homens pedras. E quando os pregadores evang�licos v�o pregar a toda a criatura, que se armem contra eles todas as criaturas?! Grande desgra�a!

(Padre Ant�nio Vieira)

*

Bom dia!
 


PIRATARIAS 11





Vinte e quatro horas sem "perder" o Abrupto genu�no a favor do falso. � bom, mas ainda � cedo para pensar que tudo est� resolvido e acabaram as tentativas de "substitui��o". Pelo caminho ficaram as imagens de arquivo que estou a ver se recupero.

29.7.06
 


RETRATOS DO TRABALHO

Os Retratos t�m um programa simples: pessoas normais a trabalharem normalmente. � o lado da vida das pessoas que mais lhes determina o quotidiano, a que horas se levantam, os caminhos que levam, o tempo que t�m ou n�o t�m, o esfor�o de todos os dias, o modo como se relacionam socialmente, o dinheiro que t�m. O trabalho raras vezes � fonte de felicidade, mas ter trabalho d� uma dignidade que faz muita diferen�a, em tempos de desemprego. O trabalho, salvo rar�ssimas excep��es, � o resultado de uma maldi��o: o "suor do teu rosto" come�ou na expuls�o do Para�so e os nazis escreveram a mais c�nica (porque infinitamente verdadeira no outro sentido que as coisas t�m) frase sobre ele: "Arbeit macht Frei".

Muitos leitores do Abrupto t�m olhado assim para o trabalho. Obrigado.

 


RETRATOS DO TRABALHO EM MATOSINHOS, PORTUGAL



� entrada da lota de Matosinhos. Esta manh�.

(Gil Coelho)
 


EARLY MORNING BLOGS
827 - Executive

I am a young executive. No cuffs than mine are cleaner;
I have a Slimline brief-case and I use the firm's Cortina.
In every roadside hostelry from here to Burgess Hill
The ma�tres d'h�tel all know me well, and let me sign the bill.

You ask me what it is I do. Well, actually, you know,
I'm partly a liaison man, and partly P.R.O.
Essentially, I integrate the current export drive
And basically I'm viable from ten o'clock till five.

For vital off-the-record work - that's talking transport-wise -
I've a scarlet Aston-Martin - and does she go? She flies!
Pedestrians and dogs and cats, we mark them down for slaughter.
I also own a speedboat which has never touched the water.

She's built of fibre-glass, of course. I call her 'Mandy Jane'
After a bird I used to know - No soda, please, just plain -
And how did I acquire her? Well, to tell you about that
And to put you in the picture, I must wear my other hat.

I do some mild developing. The sort of place I need
Is a quiet country market town that's rather run to seed
A luncheon and a drink or two, a little savoir faire -
I fix the Planning Officer, the Town Clerk and the Mayor.

And if some Preservationist attempts to interfere
A 'dangerous structure' notice from the Borough Engineer
Will settle any buildings that are standing in our way -
The modern style, sir, with respect, has really come to stay.

(John Betjeman)

*

Bom dia!
 


CONTRIBUI��ES PARA AS MELHORES OBRAS DE REFER�NCIA EM PORTUGU�S
(�ltima s�rie)



Os eventos dos �ltimos dias que perturbaram a publica��o do Abrupto impediram a finaliza��o desta s�rie. Aqui ficam as �ltimas sugest�es antes da lista final.


Qualquer lista que pretenda elecar as vinte melhores obras de refer�ncia em Portugu�s, e que n�o inclua a B�blia Sagrada, � manifestamente incompleta. Ainda por cima no ano em que se comemora o 325�. anivers�rio da primeira edi��o do Novo Testamento da tradu��o para a l�ngua portuguesa, por Jo�o Ferreira de Almeida (1681).

A B�blia n�o � s� um livro de f�, � uma obra basilar da Cultura e da Literatura, que pertence ao patrim�nio da humanidade.
Ignor�-lo, s� por preconceito ou ignor�ncia...

(Brissos Lino )

*

(...) algumas obras de refer�ncia:

a) No campo da poesia (al�m de alguns j� referidos):

- As quatro s�ries das L�ricas Portuguesas : Primeira (1944), organizada por Jos� R�gio, com autores nascidos desde o s�c. XII at� 1894; Segunda (1945), organizada por Cabral do Nascimento, com autores nascidos entre 1859 e 1908; Terceira (1958/1972/1983), organizada por Jorge de Sena, em dois volumes, com autores nascidos entre 1871 e 1929; Quarta (1969), organizada por Ant�nio Ramos Rosa, com autores nascidos entre 1930 e 1941.

- N�mero especial da revista da editora Ass�rio & Alvim, "A Phala", intitulada "Um S�culo de Poesia" (1989 - ideia de Manuel Herm�nio Monteiro), com textos de v�rios autores sobre a poesia portuguesa entre 1888 e 1988.

b) No campo da religi�o:

- Hist�ria da Igreja em Portugal de Fortunato de Almeida (4 vo. - 1967-1971)

- Hist�ria Religiosa de Portugal (3 vol. - 2000-2002) e Dicion�rio da Hist�ria Religiosa de Portugal (4 vol. - 2000-2001), sob a direc��o de Carlos Moreira Azevedo

c) No campo da hist�ria:

- A colec��o de biografias que o C�rculo de Leitores est� a editar, de todos os Reis de Portugal

- Colec��o de fotobiografias de todos os Presidentes at� Jorge Sampaio, que o Museu da Presid�ncia da Rep�blica editou no �ltimo ano

(Rui Almeida)

*

H� o "livro das saudades da Terra" de Gaspar frutuoso. Obra fundamental (e monumental) sobre os A�ores de Quinhentos.

Depois estou a lembrar-me sobre um livro sobre a arquitectura popular dos A�ores (n�o tenho aqui a refer�ncia). H� ali�s um conjunto de livros sobre a arquitectura vern�cula de portugal tem tem bastante interesse.

(Gilberto Carreira)

*

Gostei da sua iniciativa sobre as melhores obras de refer�ncia em portugu�s.

Aqui v�o as minhas sugest�es (algo regionalistas � certo):

- Maria Nat�lia Almeida d'E�a, Roteiro artes�o portugu�s, Porto, Tipografia Inova, v�rias datas (1980s - 2000).

Tem v�rios volumes, nunca os consultei a todos, sobre a totalidade (?) das regi�es do pa�s.

- Pedro Branco (com colab. de Lu�s Vidigal), Notas para a hist�ria dos bonifrates, pres�pios, fantoches, robertos e marionetas em Portugal, Oeiras, Biblioteca Oper�ria, 1983. [Colec��o Cadernos da Biblioteca Oper�ria Oeirense]

- T�lio Espanca (1913-1993), �vora, 2� ed., Lisboa : Presen�a, 1996. [Colec��o Cidades e vilas de Portugal]

- Jos� Augusto Alegria (c�nego), Arquivo das M�sicas da S� de �vora. Cat�logo, Lisboa, Funda��o Calouste Gulbenkian, 1973.


(Jorge Moleirinho)

28.7.06
 


COISAS DA S�BADO

ISRAEL, A ESQUERDA E A DIREITA, AMERICANISMO, ANTI-AMERICANISMO

J� se escreveu que o anti-americanismo � o anti-semitismo dos nossos dias. � um anti-semitismo diferente, mas � muito parecido. Israel est� a ser v�tima dessa forma peculiar de anti-semitismo.

A hist�ria n�o ensina tanto como pensamos, mas d�-nos compara��es �teis. O caso de Israel � muito interessante para a an�lise das evolu��es pol�ticas e ideol�gicas do s�culo XX. Quando nasceu o estado de Israel, a ferro e fogo contra os ingleses e os partid�rios do Grande Mufti de Jerusal�m, amigo dos nazis, a causa sionista era sentida como uma causa da esquerda. Foi a URSS uma grande impulsionadora das resolu��es da ONU para a partilha da Palestina, e o primeiro estado a reconhecer Israel. Estava-se na altura em que o nosso Avante! clandestino saudava a luta de Israel contra as �monarquias feudais �rabes� que lhe faziam guerra e a saga socialista dos kibutz fazia parte do imagin�rio ut�pico de toda a esquerda e n�o s� da comunista. Os socialistas e a sua Internacional deram grande apoio pol�tico ao jovem estado.

Ora, desde o primeiro minuto que a �causa� de Israel dependeu de ganhar as guerras aos pa�ses que o rodeavam e mesmo aos que estavam longe. Recordo-me de visitar a Arg�lia h� uns anos e ter verificado com alguma surpresa que ainda havia um estado de guerra com Israel, muitos anos depois do �ltimo conflito militar que op�s o estado judeu a outros estados e n�o a grupos de guerrilha ou grupos terroristas.

Ora, nas suas guerras, sempre de natureza defensiva � n�o adianta explicar aos que est�o de m� f� que o car�cter ofensivo de algumas opera��es militares nada tem a ver com o car�cter defensivo do conflito - , o Israel de hoje n�o � distinto do do fim dos anos quarenta. No centro dessas guerras esteve sempre a pura sobreviv�ncia do estado de Israel , quer de um lado quer do outro. A recusa da exist�ncia de Israel esteve sempre no centro das guerras �rabes, agora cada vez mais mu�ulmanas, e s� muito mais tarde � que a �quest�o palestiniana� surgiu.

A inflex�o da esquerda contra Israel acompanhou a pol�tica sovi�tica de Krutchev de apoio ao nacionalismo �rabe, que levou a prazo a uma mudan�a de aliados na regi�o. Apoiando Nasser, reagindo ao �ltimo estertor do colonialismo, o conflito do Suez, a URSS abriu caminho ao progressivo isolamento de Israel dos seus apoios na esquerda socialista e comunista. Nos anos sessenta, setenta, oitenta, at� ao fim da pr�pria URSS, esta tornou-se um dos principais apoios log�sticos e pol�ticos dos movimentos de guerrilha e terroristas palestinianos, ou pr�-palestinianos, embora o seu controle nunca fosse total, devido ao emaranhado muito complexo das intrigas nacionais e de cl�s que sempre atravessaram o Norte de Africa e o M�dio oriente. Ter que lidar com a L�bia, a S�ria, o Iraque, o Ir�o, a rede de terrorismo internacional que ia do Jap�o � Alemanha, era dif�cil, mas mesmo assim os sovi�ticos estiveram sempre presentes nesse mundo e sub-mundo.

Foram os americanos, nem sempre muito voluntaristas na regi�o (como mostraram durante a guerra do Suez), que acabaram por se tornar os principais aliados de Israel. Para que isso acontecesse houve raz�es de guerra fria e press�es do importante lobi judaico na Am�rica, mas foi assim que se criou a realidade das alian�as actuais. Logo, os israelitas acabam tamb�m por ser alvo, e nalguns casos mais do que isso, pretexto central, do anti-americanismo contempor�neo.

A paralisia europeia numa regi�o do mundo que faz parte da sua esfera geopol�tica vem desse anti-americanismo, em que a Europa, em grande parte por press�o de uma Fran�a p�s-gaullista, se deixou enredar tornando-a irrelevante. Ver um estado que foi uma cria��o francesa como o L�bano hoje ser vassalo da S�ria e assistir � completa impot�ncia militar e pol�tica da Fran�a � apenas o sintoma maior da mesma impot�ncia da Uni�o Europeia separada dos EUA.

Tudo isto � fora, � margem. Para Israel muito pouco mudou desde o dia 15 de Maio de 1948 em que imediatamente a seguir � formaliza��o da independ�ncia pela ONU, os estados da Liga �rabe declararam guerra a Israel que foi atacada pela Jord�nia, o L�bano, o Egipto, o Iraque, e Ar�bia Saudita. O secret�rio geral da Liga �rabe, Azzam Pasha, invocou a jihad e apelou a uma �guerra de exterm�nio�. Algumas coisas mudaram desde este dia e algumas para melhor, mas para Israel continua a ser uma quest�o de pura sobreviv�ncia. � por ser assim que em Israel, nunca a esquerda e a direita se dividiram no essencial sobre a conduta de opera��es militares para defender o estado de Israel.


*

Ao ler o artigo de hoje fiquei com s�rias d�vidas se existe uma correspond�ncia entre estas duas fobias ideol�gicas. Parece-me que o antisemitismo � essencialmente racista e n�o diferencia judeus bons e judeus maus. Nesse sentido, o anti-sionismo tem sido confundido com o antisemitismo quando, creio eu, se trata da oposi��o ao regresso dos judeus da Di�spora � Terra Santa e/ou consequente refunda��o dum estado judaico.

O anti-americanismo � um fen�meno que est� ligado � cultura, � pol�tica, � economia, etc e tal, dum pa�s com uma influ�ncia mundial como jamais se viu. Mas n�o tem uma vertente racista.

A diferen�a pode ser secund�ria quando estas express�es est�o completamente inquinadas por preconceitos odiosos e virulentos que nada t�m a ver com a clareza dos conceitos e das posi��es pol�ticas/ideol�gicas. Pessoalmente creio ser relevante a distin��o entre uma ideologia racista e as outras.

Uma das situa��es (tragicamente) caricatas � assistir � evolu��o do discurso anti-sionista de express�o �rabe para o antisemitismo cl�ssico, profundamente ilustrado com estere�tipos racistas vulgares da Europa anterior ao Nazismo e que este elevou � categoria de ideologia do pr�prio estado alem�o, e �s suas vers�es revisionistas.

Curiosamente, quando o tema s�o os Estados Unidos e/ou Israel, o discurso pol�tico da extrema-direita e de certa esquerda anti-americana � muito semelhante.

Possivelmente, tamb�m existem semelhan�as entre certo discurso anti-�rabe/isl�o por parte de tend�ncias pol�ticas pr�-israelitas e o discurso da extrema-direita europeia quando aborda os temas da Imigra��o e do Isl�o na Europa.

Mundo confuso, n�?

(Pedro Freire de Almeida)
 


PIRATARIAS 10

O problema n�o est� resolvido como qualquer pessoa que c� viesse durante a noite tinha ocasi�o de ver, e o Blogger, apesar das sucessivas afirma��es de que corrigiu a pirataria, tamb�m ainda n�o a resolveu. Agora diz-me que vai impedir qualquer nova nota no falso Abrupto e que "tomou posse desse blogue".

O meu dilema est� entre n�o querer conceder aos energ�menos que est�o a criar e a reavivar o falso Abrupto e o tempo que me fazem perder a mim e aos outros que gentilmente se t�m dedicado a ajudar a acabar com este ataque.
 


EARLY MORNING BLOGS
826 - Before Sleep


The lateral vibrations caress me,
They leap and caress me,
They work pathetically in my favour,
They seek my financial good.

She of the spear stands present.
The gods of the underworld attend me, O Annubis,
These are they of thy company.
With a pathetic solicitude they attend me;
Undulant,
Their realm is the lateral courses.


Light!
I am up to follow thee, Pallas.
Up and out of their caresses.
You were gone up as a rocket,
Bending your passages from right to left and from left to right
In the flat projection of a spiral.
The gods of drugged sleep attend me,
Wishing me well;
I am up to follow thee, Pallas.

(Ezra Pound)

*

Bom dia!

27.7.06
 


PIRATARIAS 9



O Blogger comunicou-me (�s 19.30) que conseguiu finalmente apagar o falso Abrupto. Espero para ver, dado que h� dois dias me disse estar o problema resolvido e ele voltou de novo. Se algu�m l� for parar pelo genu�no endere�o, fa�a o favor de me comunicar.

Esta quest�o n�o est� encerrada, porque de facto n�o est� encerrada, mas podem ter a certeza que o que mais desejo � voltar ao business as usual aqui no Abrupto.

NOTA (�s 23.30) - O problema continua exactamente na mesma. Obrigada a quem me alertou. A actualiza��o desta nota deve apag�-lo, mas mostra que o Blogger n�o resolveu o assunto e continuam os ataques contra o Abrupto. Para quem acreditava na "hist�ria" de um inocente do outro lado, ele agora mudou de nome de Alex para Mike.
 


RETRATOS DO TRABALHO NO PORTO, PORTUGAL



Repara��o dos telhados. Igreja de S.Francisco no Porto, h� instantes.

(Gil Coelho)
 


QUE SEJA BEM CLARO



que acho que Rui Rio tem raz�o, no essencial, quanto �s posi��es que toma em defesa das institui��es e do poder democr�tico face � arrog�ncia dos poderes f�cticos e dos interesses n�o escrutinados que muitas vezes defendem. Rui Rio � uma enorme raridade na vida pol�tica portuguesa e o facto de a minha cidade o ter eleito s� pode prestigiar o Porto. Mas exactamente por pensar assim e o ter defendido (na �ltima Quadratura do C�rculo) n�o quer dizer que n�o considere isto inadm�ssivel numa p�gina de uma autarquia.
 


PIRATARIAS 8



Para uma discuss�o (entre outras) da falha do Blogger que permite o ataque ao Abrupto veja-se aqui e aqui. O problema parece estar a ser controlado, mas ainda n�o est� resolvido. Para n�o facilitar a vida ao autor do ataque e identific�-lo se poss�vel, alguns elementos j� existentes n�o podem nem devem ser divulgados. Mas h� fantasmas e fantasmas de fantasmas em ac��o. Como � habitual neste mundo, nada do que parece �.
 


LENDO
VENDO
OUVINDO

�TOMOS E BITS

de 27 de Julho de 2006


Vale a pena o artigo de Carlos Gaspar no P�blico (sem liga��o) em defesa de uma interven��o militar da UE no L�bano:
"A Uni�o Europeia, desde a crise iraquiana e os referenda negativos do ano passado, entrou numa crise profunda: as divis�es internas minaram a sua credibilidade, num momento crucial. A guerra do L�bano e a interven��o militar nesse conflito pode inverter o veredicto iraquiano, quer quanto � decomposi��o da comunidade transatl�ntica de defesa, quer quanto � comunidade europeia de defesa. H� tr�s anos, a interven��o dos Estados Unidos no Iraque abriu uma dupla crise da unidade atl�ntica e da alian�a europeia, que est� longe de ter sido ultrapassada, sobretudo na opini�o p�blica norte-americana. Hoje, por�m, s�o os Estados Unidos que n�o querem intervir no L�bano, para n�o abrir uma segunda frente ou correr o risco de criar um "segundo Iraque", desta vez contra uma minoria xiita. A oportunidade da Uni�o Europeia � tamb�m uma forma de revelar a sua capacidade para ultrapassar as divis�es internas e para resolver uma crise decisiva. Essa demonstra��o, com a interven��o militar da Uni�o Europeia na guerra do L�bano, podia ser o primeiro passo da pol�tica europeia de seguran�a e de defesa, a primeira demonstra��o de que existe uma vontade pol�tica e estrat�gica europeia para l� das f�rmulas opacas e est�reis sobre as virtudes da pot�ncia normativa e os valores �ticos da Uni�o Europeia."
 


EARLY MORNING BLOGS
825 - ...obra m� de m� argila...

E agora o mundo parece-me um imenso mont�o de ru�nas onde a minha alma solit�ria, como um exilado que erra por entre colunas tombadas, geme, sem descontinuar...

As flores dos meus aposentos murcham e ningu�m as renova: toda a luz me parece uma tocha: e quando as minhas amantes v�m, na brancura dos seus penteadores, encostar-se ao meu leito, eu choro - como se avistasse a legi�o amortalhada das minhas alegrias defuntas...

Sinto-me morrer. Tenho o meu testamento feito. Nele lego os meus milh�es ao Dem�nio; pertencem-lhe; ele que os reclame e que os reparta...

E a v�s, homens, lego-vos apenas, sem coment�rios, estas palavras: �S� sabe bem o p�o que dia a dia ganham as nossas m�os: nunca mates o Mandarim!�

E todavia, ao expirar, consola-me prodigiosamente esta ideia: que do norte ao sul e do oeste a leste, desde a Grande Muralha da Tart�ria at� �s ondas do mar Amarelo, em todo o vasto Imp�rio da China, nenhum mandarim ficaria vivo, se tu, t�o facilmente como eu, o pudesses suprimir e herdar-lhe os milh�es, � leitor, criatura improvisada por Deus, obra m� de m� argila, meu semelhante e meu irm�o!

(E�a de Queiroz, O Mandarim)

*

Bom dia!

26.7.06
 


PIRATARIAS 7



O problema subsiste com a apari��o h� cerca de meia-hora, ap�s um dia de calma, do falso Abrupto. Este n�o tem nada escrito de novo, mas apresenta uma "identidade" americana, certamente para refor�ar a "hist�ria" que alguns tomam � letra, de um inocente surpreendido com um hacker portugu�s, eu, que lhe assalta o blogue. E ele t�o preso ao nome de "Abrupto" v�-se l� saber porqu�, n�o quer mudar o endere�o, nem percebe o que se passa. Para bot, como alguns "t�cnicos" diziam, � muito esperto.

A falha � do Blogger, isso j� se sabe e o Blogger admite, mas a explora��o da falha � feita contra o Abrupto e continua.
 


RETRATOS DO TRABALHO EM FEZ, MARROCOS



Tintureiros.

(Diogo Vasconcelos)
 


LENDO
VENDO
OUVINDO

�TOMOS E BITS

de 26 de Julho de 2006


Jos� Rodrigues dos Santos no telejornal da RTP1 das 20 horas disse as primeiras coisas sensatas a� ditas h� muito tempo. S�o sensatas, evidentes e conhecidas de h� muito, mas parecem blasf�mias ditas nos notici�rios mais anti-americanos e israelitas da televis�o portuguesa. Disse que muitos libaneses sentem que o seu pa�s est� a ser violado por s�rios e iranianos para o usarem para uma guerra estrangeira ao L�bano. Disse que era preciso cuidado com a utiliza��o do termo "civis" porque o Hezbollah era s� constitu�do por civis e que usava casas civis de fam�lias civis para esconder o armamento. N�o � novidade nenhuma e n�o precisava de ir ao L�bano para nos dizer isto, mas no meio da cont�nua manipula��o das palavras que constitui o grosso das not�cias sobre o conflito foi um o�sis, mais para o lado do jornalismo do que do "jornalismo de causas".

Relativamente ao seu post comentando a desri��o feita por Jos� Rodrigues dos Santos no Telejornal, fiquei tamb�m surpreendido pois soava um pouco distante tom habitual dos notici�rios nacionais. Aquela descri��o, como disse, n�o trazia de facto nada de novo em termos noticiosos mas causou impacto por ser verdadeira e imparcial!

Outro aspecto que me tem chamado � aten��o � a terminologia utilizada pelos jornalistas em rela��o �s tropas Israelitas. Muitas vezes referem-se a elas como as "tropas Judaicas" como se o conflito fosse �nica e exclusivamente religioso. Parece-me ser terminologia usada de forma deliberada e intencional ou ent�o n�o ser fruto de qualquer reflex�o por parte de quem a utiliza. Esquecem-se, no entanto, de usar os termos "tropas do partido de Deus" quando se referem �s tropas do Hezbollah.

(Miguel Castro)
*

No BLOGUITICA:
Pe�o desculpa, mas ter�o de me explicar como se eu fosse muito burro: a que prop�sito � que o l�der do principal partido pol�tico da Oposi��o vem exigir esclarecimentos p�blicos sobre a reforma de Manuel Alegre? Trata-se de uma atitude populista que n�o o dignifica.
Inteiramente de acordo. H� �guas turvas em que o peixe que vem � linha est� sempre envenenado.

*










Todos os n�meros s�o excelentes para os cientistas, mas nem todos para os amadores. Este � excelente para os curiosos: uma nota muito cr�tica sobre o PowerPoint, uma s�rie de artigos que levantam a quest�o do "homem bi�nico", e um balan�o do estado da geologia, "Geology: The start of the world as we know it" (sem liga��o).
 


 


FIM DA PIRATARIA?

talvez sim, talvez n�o.

Vamos ver. O autor do falso Abrupto, que � uma pessoa e n�o um programa automatizado, passou o dia todo num pingue-pongue com o Abrupto e o Blogger. Ah! e sabe portugu�s...

Como estou em tr�nsito, os detalhes ficam para depois.

PS.[Actualizado] talvez ... ainda n�o.

Actualiza��o 2 - Cuidado! N�o enviar coment�rios quando o falso Abrupto aparece!

Actualiza��o 3 - Obrigado �s muitas pessoas, que nomearei depois, que est�o a tentar solucionar o ataque contra o Abrupto. Sim, porque � disso que se trata, basta ver o teatro que est� a fazer o pseudo-autor. mimando as queixas genu�nas do verdadeiro Abrupto.

25.7.06
 


PIRATARIAS 6




N�o sei se v�o conseguir ver esta nota e durante quanto tempo. Os textos publicados hoje no falso Abrupto deixam poucas d�vidas quanto � intencionalidade do ataque.
 


CONTRIBUI��ES PARA AS MELHORES OBRAS DE REFER�NCIA EM PORTUGU�S



Se continua o levantamento das obras de refer�ncia, h� ainda duas que n�o devem ser esquecidas. S�o ambas do Pe. Francisco Leite de Faria:

- Estudos bibliogr�ficos sobre Dami�o de G�is e a sua �poca (Lisboa, SEC, 1977) - uma obra-prima da bibliografia!

- As muitas edi��es da "Peregrina��o" de Fern�o Mendes Pinto (Lisboa, Academia Portuguesa da Hist�ria, 1992).

N�o esquecer tamb�m dois cat�logos monumentais, ambos de 1972 e relativos ao IV Centen�rio da publica��o de Os Lus�adas:

- Cat�logo da exposi��o bibliogr�fica, iconogr�fica e medalh�stica de Cam�es (da responsabilidade de J. V. de Pina Martins), Lisboa, BN, 1972.

- IV Centen�rio de Os Lus�adas de Cam�es (da responsabilidade do Dr. Coimbra Martins), Madrid, Biblioteca Nacional, 1972.

E, j� que estamos em Cam�es, n�o esquecer ainda duas obras:

- A Colec��o Camoniana, de Jos� do Canto.

- o CDRom Cam�es and the first edition of the Lusiads, 1572,editado por Keneth David Jackson.

(Vasco Gra�a Moura)

*

J� agora

Religi�es da Lusit�nia, de Leite de Vasconcelos (ou Vasconcellos?) - n�o tenho comigo o livro

(Jos� Pimentel Teixeira)

*

Portugaliae monumenta cartographica [ Material cartogr�fico / Armando Cortes�o, Avelino Teixeira da Mota ; pref. J. Caeiro da Mota

Cartografia e cart�grafos portugueses dos s�culos XV e XVI : (contribui��o para um estudo completo) / Armando Cortes�o

Hist�ria da cartografia portuguesa / Armando Cortes�o

(Isabel Goul�o)

 


PIRATARIAS 5



Durante a noite o falso Abrupto voltou, de manh� esvaneceu-se. Faz-lhe mal o sol.
 


RETRATOS DO TRABALHO EM FEZ, MARROCOS



Curtidor de peles.

(Diogo Vasconcelos)
 


EARLY MORNING BLOGS
824 - De la graja y de los pavones.

monesta esta f�bula que ninguno deve fazer grandes muestras de cosas agenas, mas que es mejor que de esso poco que tiene, se comporte y componga porque quando lo que no es suyo le fuere quitado no sea en verg�en�a.

La graja, llena de sobervia, tomando una vana osad�a, presumi� de se componer y vestir de las plumas de los pavones que hall�. E ass� mucho guarnecida, menospreciando a sus yguales, ella se entr� en la compa��a de los pavones, los quales, conociendo que era de su naturaleza, por fuer�a le quitaron las plumas y le dieron picadas e la acocearon. E ass�, escapando medio muerta e gravemente llagada, av�a verg�en�a, como estava ass� destro�ada o despeda�ada, a su propia generaci�n, donde en el tiempo de su pompa, a muchos de los amigos injuri� e menospreci�. A la qual se dize que dixo una de su linaje:

-Si t� oviesses amado y estimado estas vestiduras que tu naturaleza te dio, assaz te ovieran abastado, como son d' ellas contentas otras tus semejantes. E ass� no padescieras injuria, ni de nosotras fueras lan�ada y echada, y te fuera buena si bivieras contenta con lo que naturaleza te dava.

El que se ennoblece con lo ajeno, al tiempo que le es quitado queda afrentado


(La vida y f�bulas del Ysopo, Valencia, 1520)

*

Bom dia!

24.7.06
 


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: DEZOITO QUILOS DE CREME



Segundo o PortugalDi�rio de ontem, e em rela��o a um dos grandes p�nicos regularmente cultivados nesta �poca estival � o cancro da pele e o h�bito obviamente suicid�rio que as sociedades (ocidentais, claro) t�m em se expor ao sol � o presidente da Associa��o Portuguesa do Cancro Cut�neo ter� afirmado, sobre a necessidade de protec��o solar, que a quantidade ideal de creme a aplicar �, nada mais, nada menos, do que um grama por cent�metro quadrado. �� essa a quantidade recomendada�, sublinha o dermatologista
S� um pequeno coment�rio, na sequ�ncia de um h�bito, tamb�m saud�vel, que � o de fazer contas aos n�meros que com tanto gosto como displic�ncia os senhores jornalistas gostam de nos alarmar:
A superf�cie m�dia do corpo humano anda por volta dos 1,80 metros quadrados (1,81 para uma pessoa de 70 quilos e 1,70 metros). S�o portanto 18.000 (DEZOITO MIL) cent�metros quadrados. A um grama cada, s�o DEZOITO QUILOS DE CREME (a aplicar de duas em duas horas se tamb�m seguirmos as regras)!

Mesmo descontando as partes n�o expostas (poucas, como sabemos), convenhamos que � uma bela besuntadela e um excelente neg�cio para as farm�cias e fabricantes. Pode mesmo criar novos postos de trabalho para "carregadores balne�rios", uma vez que uma fam�lia de 4 indiv�duos precisar� de transportar, para cada duas horas de praia, qualquer coisa como 60 a 80 quilos de cremes. N�o imagino com que aspecto ficar� uma pessoa depois de aplicar o creme recomendado, mas calculo que n�o lhe ficaria mal colocar por cima meia d�zia de azeitonas e um raminho de salsa.

Fernando Gomes da Costa (m�dico)

... E SELEC��O NATURAL...


Foi not�cia em quase todos os �rg�os de informa��o nacionais que, no passado fim-de-semana, na praia do Magoito, uma pedra de 40 kg caiu, esmagando a perna de um senhor que estava no s�tio errado na hora errada.

O caso n�o seria mais do que um lament�vel acidente (n�o totalmente inesperado para quem, como eu, conhece o s�tio), se n�o se desse o caso de, pouco depois dessa ocorr�ncia, uma equipa de reportagem de TV ter ido ao mesmo local, onde entrevistou pessoas que, segundo declararam com o ar mais natural do mundo, sabiam perfeitamente o perigo que corriam (pois a zona perigosa estava bem assinalada) mas n�o tencionavam sair dali.

A minha primeira reac��o resumiu-se a lamentar a possibilidade de, atrav�s dos meus impostos, ter de vir a pagar o transporte e o tratamento de pessoas que agem assim. No entanto, se analisar o assunto em termos de longo prazo, a conclus�o j� poder� ser optimista:

Sucede que a chamada �selec��o natural� (como Darwin t�o bem explicou) funciona sempre no sentido da �melhoria das esp�cies�: as mais fracas (de corpo ou de mente) acabam, a longo prazo, por desaparecer - ou porque s�o comidas por predadores, ou porque s�o v�timas de desastres aos quais a sua diminuta intelig�ncia n�o permite que se furtem.

(C. Medina Ribeiro)
 


NOTA SOBRE AS MELHORES OBRAS DE REFER�NCIA EM PORTUGU�S



Ainda h� um grupo de contribui��es a acrescentar �s que j� foram publicadas. Em fun��o dos contributos recebidos vou fazer uma pequena altera��o na proposta inicial - farei uma lista com cinquenta obras de refer�ncia, para cobrir as v�rias �reas de forma equilibrada, por ordem alfab�tica, e uma lista mais curta de dez, para as obras-primas da erudi��o nacional, em fun��o do seu car�cter exaustivo, qualidade da investiga��o e utilidade actual. S�o bem-vindas todas as sugest�es, mas a responsabilidade da lista final ser� minha.
 


COISAS DA S�BADO: A GULBENKIAN

A Gulbenkian � das poucas presen�as do M�dio Oriente na nossa vida nacional, embora poucos a vejam assim. Gulbenkian era arm�nio, ou seja um homem de nenhures � p�tria errada, religi�o errada, lado do mundo errado, p�ssima geografia, boa hist�ria, a combina��o para o desastre. A Arm�nia era crist� em terras do Isl�o, e olhando-se � volta nos anos do fim do imp�rio otomano s� se encontra esta geografia errada: gregos ortodoxos h� centenas de anos vivendo em comunidades sob a �gide do Sult�o e depois do �Pai dos Turcos�, curdos entre v�rias possess�es e o martelo de Ataturk, iraquianos sunitas e chiitas, a irem parar aos despojos ingleses do imp�rio, enquanto relutantemente s�rios e libaneses ficavam franceses pelo mais absurdo argumento hist�rico: tinham sido �franceses� os �reinos� das Cruzadas. E depois o fogo zoarastriano eterno que escorria da terra, entre lamas e betumes, e de que Gulbenkian tirava os seu proverbiais cinco por cento, e n�s o verdadeiro Minist�rio da Cultura que nunca tivemos.

� por tudo isto que a melhor comemora��o do anivers�rio � a exposi��o sobre a �arte do livro do Oriente para o Ocidente�, que atrav�s dos livros da colec��o Gulbenkian nos lembra essa origem e essa hist�ria entre dois mundos que se conhecem pouco.

NOTA: Livro veneziano do s�culo XVI, com capa ao estilo oriental.
 


LENDO
VENDO
OUVINDO

�TOMOS E BITS

de 24 de Julho de 2006



Se vem no Cebolinha, o mundo est� perdido de todo. E vem, pela voz do Bloguinho que fala internet�s. :)!

*
Msg d Z e M :)
 


RETRATOS DO TRABALHO EM LISBOA, PORTUGAL



Obras em curso no Laborat�rio Chimico da Universidade de Lisboa. O edif�cio �, agora, parte do Museu de Ci�ncia da mesma Universidade. Est� em curso a recupera��o e musealiza��o do �nico laborat�rio qu�mico do s�culo XIX ainda existente em Portugal e na Europa Ocidental. Na realidade, os grandes laborat�rios qu�micos universit�rios da Europa foram sendo sucessivamente remodelados e modernizados enquanto o "nosso" parou, a dado momento, no tempo. O atraso cient�fico do Pa�s e a falta de investimento torno-o, agora, um espa�o �nico.

(Vasco Teixeira, Museu de Ci�ncia (MCUL))
 


EARLY MORNING BLOGS
823 - �Quem muito viu...�

Quem muito viu, sofreu, passou trabalhos,
m�goas, humilha��es, tristes surpresas;
e foi tra�do, e foi roubado, e foi
privado em extremo da justi�a justa;

e andou terras e gentes, conheceu
os mundos e submundos; e viveu
dentro de si o amor de ter criado;
quem tudo leu e amou, quem tudo foi -

n�o sabe nada, nem triunfar lhe cabe
em sorte como a todos os que vivem.
Apenas n�o viver lhe dava tudo.

Inquieto e franco, altivo e carinhoso,
ser� sempre sem p�tria. E a pr�pria morte,
quando o buscar, h�-de encontr�-lo morto.

(Jorge de Sena)

*

Bom dia!

23.7.06
 


COISAS DA S�BADO:
70� ANIVERS�RIO DA GUERRA CIVIL DE ESPANHA : DILEMAS

http://www.donquijote.org/culture/spain/history/images/spanish_civil_war_photo.jpg

Uma nova historiografia revisionista entende arrombar portas de h� muito abertas, insistindo em que na guerra civil espanhola n�o havia lado �bom�. O motivo � evidentemente pol�tico: ao se igualizar os �lados� e ao se retirar qualquer conota��o moral �s escolhas dram�ticas da �poca, ajuda-se a igualizar ambos os beligerantes e a justificar quase sempre, o que ganha. Quem precisava desesperadamente desta revis�o da hist�ria eram os franquistas, n�o os republicanos, o que tamb�m mostra a dificuldade de iludir dilemas que s� nos parecem neutros porque j� estamos distantes dos eventos.

H� nesta hist�ria revisionista um pequeno problema; � que se os dois lados eram maus, n�o era poss�vel na �poca deixar de escolher um. Quem, dos muito poucos que achavam na altura que os dois lados eram maus, n�o o fazia explicitamente, acabava sempre por servir o mais forte que estava geograficamente do seu lado. Unamuno percebeu-o muito bem.

� que a hist�ria n�o dilui a moralidade, nem o dilema das escolhas feitas sob o fio da navalha, mas torna algumas coisas imposs�veis a um momento dado. H� coisas que pura e simplesmente n�o se podem fazer em determinados momentos, sem n�o as fazendo, escolhermos. Os manique�smos n�o s�o desej�veis, mas nem sempre s�o evit�veis. Para alguns homens, provavelmente dos melhores, isso � de uma enorme viol�ncia, que nalguns conduziu ao suic�dio, f�sico ou �tico, e a muitos a remorsos e culpas que arrastam toda a vida. Mas a verdadeira trag�dia da hist�ria � que h� momentos em que n�o nos deixa escolhas. � mesmo assim.

*
A prop�sito da guerra civil de Espanha, j� por vezes meditei no que faria eu se l� tivesse estado, sabendo daquela guerra o que sabemos hoje. E n�o partilho a sua opini�o de que h� momentos em que n�o temos escolha entre dois lados maus.
Naquele caso, por exemplo, como em outros semelhantes, h� uma escolha de princ�pio sempre de tentar: sair de l�, se poss�vel antes da guerra come�ar, o que requer uma grande capacidade de previs�o. Era, em grande medida, o que faziam os jovens portugueses que emigravam para escapar � guerra colonial.

A n�o ser poss�vel essa recusa da escolha, h� pelo menos outra poss�vel: a da recusa interior de identifica��o com a parte em que se for obrigado a estar, e a procura de uma participa��o reduzida ao m�ximo ao estrito humanitarismo. Era tamb�m, em grande medida, a atitude da maioria dos nossos jovens que iam � guerra colonial, raz�o importante da falta de empenho do nosso ex�rcito naquela guerra.

E, na II Guerra Mundial � ali�s como na pr�pria guerra civil espanhola, nas batalhas a norte de Madrid � os italianos do ex�rcito regular de Mussolini, nada convictos do ide�rio de Mussolini, rendiam-se em massa. A Hist�ria viria a d�-los como cobardes, mas eu fui ensinado a consider�-los muito mais inteligentes que os disciplinados alem�es de Hitler, que sempre me foram caracterizados como sendo dos que se atiravam a um po�o quando o chefe tal lhes ordenava...

(Pinto de S�)

*

No seu texto "70� ANIVERS�RIO DA GUERRA CIVIL DE ESPANHA : DILEMAS", toca o risco de revis�es � posteriori da Hist�ria, serem transpostas para a �poca dos acontecimentos.

Hoje em dia sabemos que na Guerra Civil de Espanha n�o havia o "lado bom". Entendendo o lado bom, como o lado da Democracia e da Liberdade. Franco, tal como a grande maioria dos ditadores de direita, nunca se escondeu debaixo de uma pele de cordeiro. O lado "Republicano" era na realidade um "lobo" t�o perigoso quanto o lobo nacionalista, mas usou sempre uma pele de cordeiro. Nem os anarquistas do POUM, nem os comunistas do PCE lutavam para uma sociedade democr�tica. Apenas lutavam para impor a sua "ditadura", ditadura onde n�o havia lugar para qualquer outra fac��o.

Mas h� 70 anos atr�s, o comunismo e o anarquismo ainda eram umas doutrinas rom�nticas, ainda se acreditava que efectivamente trariam algo de novo. por isso n�o podemos julgar � luz do conhecimento actual as decis�es que foram tomadas h� 70 anos atr�s. Os estrangeiros que serviram nas brigadas internacionais (sobretudo os de origem ocidental) julgaram sempre estar a lutar no lado "democr�tico" e de liberdade, por isso n�o podemos julgar a sua decis�o � luz do conhecimento actual.

(Lu�s Bonif�cio)

*

Aos exemplos nacionais que referi acima, de sensata recusa em fazer escolhas
imposs�veis, faltou-me acrescentar a rendi��o de Vassalo e Silva na �ndia,
atitude similar � dos italianos que eu referira e que creio merecer o apoio
geral dos portugueses. E, se me permite, gostaria de acrescentar especificamente quanto � Guerra Civil de Espanha:

A defini��o do lado bom era na altura f�cil, com o que (n�o) se sabia da
Hist�ria e em pleno apogeu das grandes ilus�es ideol�gicas totalit�rias do
s�culo XX.Para uns, era evidente que a desordem popular punha em perigo mortal valores sagrados: a unidade nacional com toda a sua mitologia hist�rica, a religi�o
cat�lica (basta ir a Sevilha na P�scoa para perceber o que isso significa em
Espanha), a ordem e a paz sociais.

Para os outros, o golpe militar justificava o fim da concilia��o com a apenas
tolerada democracia e o in�cio da revolu��o, a um tempo genuinamente popular
na viol�ncia com que se matavam cl�rigos, patr�es e administradores, e para
outros a oportunidade de estender a revolu��o russa a um segundo pa�s. N�o nos
esque�amos que a maioria dos combatentes das Brigadas Internacionais n�o eram
democratas rom�nticos como hemingway, mas sim comunistas organizados pelo
Komintern que em muitos casos estavam fugidos de ditaduras fascistas nos seus
pr�prios pa�ses.

A lutar pela democracia houve muitos poucos, e os que houve, como Azanha,
foram rapidamente marginalizados pelos outros. Em tal cen�rio, a escolha era f�cil, � luz da �poca, mas quase de certeza
errada. Qualquer que fosse.

Ah, para o leitor Bonif�cio: a principal organiza��o anarquista era a FAI e
n�o o POUM. O POUM era trotskista, e um dos epis�dios mais vergonhosos da
Rep�blica foi a liquida��o do POUM pelo PCE, em ferozes combates de rua numa
Barcelona com os "nacionales" � porta, e a execu��o dos dirigentes do POUM �
boa maneira estalinista (levados a maio da noite para nenhures).

(Pinto de S�)
 


PIRATARIAS 4



A pirataria (como � que eu chamo a algu�m apropriar-se do trabalho de outrem?) continua. Entre ontem e hoje o falso Abrupto esteve em linha em vez do verdadeiro. A investiga��o do que se passa continua e j� tem alguns frutos.

Como muitas vezes acontece na mesquinhez colectiva, as v�timas s�o os culpados. Pelos vistos nada aconteceu, nada acontece e se acontece � o acaso a funcionar,. Entre dois mil ou tr�s mil blogues portugueses foi o Abrupto a v�tima, certamente porque tem uma culpabilidade "objectiva". Em vez de palavras de preocupa��o (pode vir a suceder a outros...) e condena��o com o que acontece, � o Abrupto que criticam. Por existir, presumo. Eu devia ter-me calado caladinho.

Pouca sorte, meus amigos, enquanto n�o me explicarem a raz�o porque foi comigo e que se saiba, n�o h� um surto de ataques do mesmo tipo um pouco por todo o lado (a maioria dos exemplos que me s�o dados, ali�s escass�ssimos, ou nada tem a ver com o que se passou, ou foram h� muito tempo, ou ocorreram em circunst�ncias � roubos de password, ou apagamentos de blogues reclamados por outr�m, por exemplo � que n�o se aplicam ao Abrupto), eu n�o posso dexar de pensar que o Abrupto foi o alvo deliberado. Devo dizer ali�s que h� mais racionalidade em pensar assim do que em imaginar que me calhou o azar entre quarenta e cinco milh�es de blogues. Muitos dos falsos exemplos que me s�o dados s�o ali�s um exerc�cio de m� f� pura, apenas para enganar quem n�o vai ler as explica��es sobre o que aconteceu. Este af� de dizer que o que aconteceu ao Abrupto � normal, legitima o autor da pirataria, porque algu�m a fez, n�o � verdade? Um qualquer hacker da Tail�ndia que encontrou uma falha no Blogger e escolheu ao acaso um blogue portugu�s, n�o � do que me querem convencer?

Devo ignorar que numa certa lama da blogosfera, se houvesse um bot�o miraculoso como a campainha do Mandarim que matasse o chin�s na China, j� havia h� muito uma sinfonia de toques e empurr�es para chegar ao bot�o. Ali�s a campainha n�o parava, tantos eram os candidatos a quererem "matar" o Abrupto. Basta ler alguns blogues, entre a pura m� f�, at� ao enorme contentamento e festejos pela "morte" anunciada. N�o ter�o muita sorte, mas � uma atitude reveladora do inc�modo que a mera exist�ncia de um blogue como o Abrupto traz � mediocridade invejosa. O mundo para eles seria muito mais aceit�vel se tudo fosse med�ocre, igual na lama. Compreendo bem, mas sigo a regra de George Bernard Shaw: "Never wrestle with a pig. You get dirty and besides the pig likes it".

21.7.06
 


OS NOVOS DESCOBRIMENTOS: XANADU EM TIT�

Screenshot from the 'Titan's Geological Goldmine - Radar movie'

In Xanadu did Kubla Khan
A stately pleasure-dome decree :
Where Alph, the sacred river, ran
Through caverns measureless to man
Down to a sunless sea.

Um filme com faces familiares.
 


HOJE, CORES DE UM CERTO FIM DA TARDE

 


INTEND�NCIA

Em actualiza��o os ESTUDOS SOBRE COMUNISMO .
 


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES. O P�NICO DO DIA



Mote do dia na �rea do alarmismo pac�vio: �O Paracetamol destr�i o f�gado� (diversos jornais on-line, r�dios e logo � noite, provavelmente, na RTP e SIC e de certeza na TVI.

Diz, por exemplo, o �Portugal Di�rio� que �O medicamento mais vendido sem receita m�dica provocou, nos �ltimos tr�s anos, meia centena de reac��es adversas em Portugal, segundo o Instituto Nacional da Farm�cia e do Medicamento (Infarmed), e foi recentemente associado � destrui��o do f�gado, mesmo quando tomado em doses recomendadas�Para o estudo foram utilizados 106 participantes, divididos por tr�s grupos: dois tomaram diariamente quatro gramas de paracetamol ao longo de duas semanas, e o terceiro tomou apenas placebo�Entre quem tomou o �rem�dio falso� n�o houve problemas de f�gado, mas cerca de 40 por cento dos restantes participantes revelaram ind�cios de danifica��o daquele �rg�o.

PRIMEIRO: 4 gramas de paracetamol s�o OITO "Ben-u-rons" por dia. Vezes duas semanas d� a m�dica quantia de 112 comprimidos. O facto de s� haver "ind�cios" de les�o hep�tica (algo muito subjectivo de analisar em termos m�dicos, uma vez que existem muitas outras coisas, a come�ar pelo �lcool e gorduras que o podem fazer) � antes de mais uma mostra da inocuidade do produto. Do mesmo modo, 50 reac��es adversas em Portugal (que muitas vezes s�o uma simples urtic�ria e nenhuma grave foi comunicada � classe m�dica) em 3 anos, sendo que em cada dia s�o prescritas embalagens na ordem dos milhares (fora as adquiridas sem receita), mostra que as probabilidades de haver problemas s�o bem menores que as de ser, por exemplo, atropelado por um jornalista.

SEGUNDO: nas recomenda��es de uso deste medicamento SEMPRE constaram avisos sobre os cuidados a ter em caso de toma prolongada ou em altas doses, sobretudo em rela��o ao f�gado e rins. N�o se percebe bem o porqu� desta not�cia ou "estudo" sobre uma coisa que n�o � novidade nenhuma, mas que pode ser alguma prepara��o para um novo produto a chegar ao mercado...

TERCEIRO: todos sabemos da papalvice e gosto pelo alarmismo de muito jornalista e da generalidade do p�blico portugu�s. Fica ent�o a sugest�o: TODOS os medicamentos t�m normas de utiliza��o, taxas de efeitos secund�rios e contra-indica��es, como poder� ser facilmente constatado, por exemplo, no Prontu�rio Terap�utico. Fazendo contas aos milhares de medicamentos comercializados, j� viram o manancial de not�cias assustadoras n�o devidamente aproveitadas? V� l� senhores jornalistas: aproveitem a silly season, para lan�arem uns belos p�nicos. J� agora: se levarem os vossos filhos � consulta, cheios de febre, preferem que lhes d�em chazinhos?

Fernando Gomes da Costa (m�dico)
 


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES; O EDUQU�S EM AVALIA��O



Muito se tem falado de processos de avalia��o, centrada a discuss�o no teste de F�sica da primeira fase. N�o posso deixar de verificar escandalizada o seguinte, que diz respeito � maioria dos testes do Secund�rio que pelos quais se tem avaliado os nossos alunos :

1- As quest�es s�o de tal maneira sui generis, enviesadas e distantes do programa e da realidade escolar (aten��o, meus senhores, o pa�s vai de Tr�s-os-Montes ao Algarve), que ter investido ou n�o em estudo n�o � relevante;

2- Numa reforma que pela primeira vez � testada, n�o foram enviadas provas- refer�ncia;

3-O exame de 11� de Biologia e Geologia, por exemplo, para al�m da formula��o imprecisa de perguntas, tem aspectos absolutamente mirabolantes:
a) depois do investimento,por parte das escolas e col�gios,em material de laborat�rio para p�r a funcionar os trabalhos laboratoriais, ao abrigo da pen�ltima reforma, os trabalhos laboratoriais foram "extintos"na �ltima e actual reforma. E � precisamente o exame de Biologia e Geologia, 1� fase, que pede ao aluno que invente uma experi�ncia;
b)depois da inven��o da experi�ncia, prop�e-se que crie um projecto de investiga��o (!). Isto � muito interessante como experi�ncia para preencher 90 m de aula - ser� oportuno num exame? Fico a saber que a figura de "jovens investigadores" , utilizada pela Funda��o para a Ci�ncia e Tecnologia, se deve aplicar a jovens examinandos do Secund�rio.

4-Como Coordenadora Cient�fica de um Centro de Investiga��o (e m�e de uma aluna sujeita a esta brincadeira de mau gosto), pergunto: andam a brincar com o contribuinte, com os nossos jovens ou aos investigadores?

5- Fa�o outra pergunta, do fundo da minha indigna��o c�vica - a um professor que ouse "reter" um aluno s�o pedidos x formul�rios, relat�rios, justifica��es - e a uma comiss�o de incompetentes, aquartelada no semi-anonimato do GAVE, que � respons�vel pela desestabiliza��o e hecatombe de um pa�s inteiro, pela motiva��o de jovens para irem estudar para fora destas fronteiras, ? que se faz? n�o h� responsabilidades a pedir? bate-se palmas? de ci�ncia pouco sabem e da realidade de aplica��o e aplicabilidade dos programas ainda menos. Sinceramente, a Senhora Ministra pode estar cheia de boas inten��es para impor regras ao sistema, mas a primeira regra � n�o se rodear de incompetentes ...e brincalh�es.


(Maria do C�u Fialho, Prof. Cater�tica da Universidade de Coimbra e Coordenadora Cient�fica de um Centro de Investiga��o sem alunos do Secund�rio nem membros do GAVE.)

*

Vi ontem no canal parlamento e em directo, a presta��o da Ministra da Educa��o. Fiquei com a sensa��o que n�o � ela quem governa o seu minist�rio, devendo algu�m trabalhar por ela. Como � que por detr�s de tantas pol�ticas educativas pode estar uma pessoa que n�o sabe falar, n�o compreende o teor das perguntas directas feitas pelos demais intervenientes, engasgando-se, ruborizando, como se fosse uma caloira? Porque � que n�o responsabiliza o GAVE? Porque � que n�o demite quem est� � frente do referido Gabinete? Isto deixa-nos perceber claramente que existem motivos obscuros que �obrigaram� �s conhecidas medidas pol�ticas. V�rios exames tinham erros, eram extensos, quem os realizou � os �experts� ao servi�o da Ministra, deviam ser devidamente responsabilizados/demitidos.

Outra quest�o foi a declara��o mentirosa da Ministra relativamente aos resultados do exame nacional de matem�tica do 9� ano. A dita afirmou que a �bvia melhoria dos resultados do exame a matem�tica neste ano, se devia � implementa��o das suas novas pol�ticas. Eu vigiei esse exame, e tive a oportunidade de o ler: espantar-se-ia se lhe dissesse que qualquer pessoa com a antiga quarta classe, o saberia fazer tirando positiva. Pois �, at� o fiz de cabe�a. Algumas quest�es pareciam aqueles passatempos que compramos no quiosque para levarmos para f�rias. A� est� a pol�tica de rigor e exig�ncia da Ministra � a mentira. E j� falou que o pr�ximo objectivo ser� a L�ngua Portuguesa � adivinhe como ser� o exame nacional do 9� ano no pr�ximo ano: fazer uma c�pia sobre o texto �O capuchinho vermelho�, dizer o presente do indicativo do verbo mentir, e escrever uma composi��o sobre as f�rias de Ver�o que h�o-de vir� � uma vergonha.

(Sofia Silveira)
 


LENDO
VENDO
OUVINDO

�TOMOS E BITS

de 21 de Julho de 2006


Staline, Chostakovitch e a arte de agradar e desprezar no fio da navalha ou do tiro na nuca no Guardian.

*

Grundsprache. Freud e o alem�o em La R�publique des Livres:
"Freud aurait-il pu d�couvrir l'inconscient dans une autre langue que l'allemand ? Voil� probablement l'une des questions les plus sens�es que les professionnels de la profession aient pos�e � l'occasion du 150 �me anniversaire de la naissance de cher Sigmund."
*

Lu�s na Natureza do Mal: "A minha gera��o sofreu tr�s grav�ssimas contrariedades: primeiro aprendeu o mundo pelos comp�ndios do salazarismo. Depois pela vulgata marxista. A seguir veio o ru�do insuport�vel do entertainment."
 


RETRATOS DO TRABALHO NO PORTO, PORTUGAL



(...) uuma foto que tirei ontem, algures na cidade do Porto e que v�-se l� saber porqu� me fez recordar os primeiros versos da t�o conhecida e bel�ssima "TABACARIA", de �lvaro de Campos:

N�o sou nada.
Nunca serei nada.
N�o posso querer ser nada.
� parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milh�es do mundo que ningu�m sabe quem �
(E se soubessem quem �, o que saberiam?),
Dais para o mist�rio de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacess�vel a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mist�rio das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a p�r humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carro�a de tudo pela estrada de nada


(�lvaro Mendon�a)
 


EARLY MORNING BLOGS
822 - Devemos perdonar a los ignorantes y resistir a los locos.

De los que se r�en y escarnecen de los que no deven, el sabio propuso tal f�bula.

Algunos hombres son enojosos y burladores, y escarnecedores de otros, mas a s� mismos causan y fazen mal, ass� como un asno que encontr� con un le�n, y d�xole burl�ndose d' �l:

-�Dios te salve, hermano!

Y ri�se d' �l. E le�n, indign�ndose de sus palabras, dixo entre s�:

-No quiera Dios que vana sangre ensuzie mis dientes, ca convern�a dexarte injuriado o despeda�ado.

Significa esta f�bula que devemos perdonar a los ignorantes, mas devemos resistir y defendernos de los locos que quieren acometer a otros mejores de s�. Y que el loco fant�stico no deve de reyrse de los hombres nobles y sabios y virtuosos, ni se ygualar con ellos.

Devemos perdonar a los ignorantes y resistir a los locos


(La vida y f�bulas del Ysopo, Valencia, 1520.)

*

Bom dia!
 


A SOLID�O DOS GUERREIROS

A gente � feita pelas nossas conversas. Conversas que nunca se esquecem, conversas que ficam e ficam e ficam, mudando, dizendo coisas diferentes em tempos diferentes. Mas ficam, l� atr�s de qualquer coisa que somos. Recordo-me nestes dias de ferro e fogo no M�dio Oriente de uma que tive com a mais improv�vel pessoa para lembrar neste contexto: Jonas Savimbi. Ou talvez n�o.

A Jamba, quartel operacional de Savimbi no Sul de Angola, quando se tornou na sua sala de visitas, caiu no mesmo logro de que era parte: o logro da propaganda para ocidentais desejosos de exotismo e de um pouco de aventura. Savimbi aprendera com os chineses, que por sua vez tinham aprendido com os sovi�ticos, a arte das aldeias Potemkine, a arte da "massagem do ego", a arte de iludir. Nas "excurs�es" � Jamba como lhe chamavam os seus detractores, tudo era cuidadosamente pensado para responder �s ilus�es, obtendo efeitos de propaganda, mas havia outra Jamba por detr�s da que era mostrada e essa era bem menos am�vel e bem menos ut�pica. Numa viagem que l� fiz, pude ver e ser sujeito a todas estas artes da ilus�o e da propaganda mas, sem querer gabar-me de qualquer omnisci�ncia ou cinismo militante, nem por isso deixava de saber que havia muito cen�rio.

Mas havia uma coisa na Jamba de natureza diferente do seu "sinaleiro", das suas aulas de Latim, da sua fanfarra marcial, e essa coisa era Jonas Savimbi ele mesmo, personagem maior que a vida, maior que a morte, personagem da hist�ria, cruel, obsessivo, tenebroso, mas uma "car�cter". Fiel aos mitos que alimentava, um dos quais era de que n�o dormia, encontrei-o uma vez �s tr�s da manh�. O local era uma cabana de madeira e colmo, com umas cadeiras de pl�stico e uma improv�vel cortina florida daquelas que se encontram nos quartos de banho suburbanos. Era mesmo uma cortina, triste e pobre, o improv�vel cen�rio dos homens que rodeavam Savimbi, todos hoje j� fantasmas no Inferno.

Era uma noite de crise, havia combates em Mavinga, e Magnus Malan tinha feito declara��es inc�modas para Savimbi, pelo que as rela��es com os aliados sul-africanos n�o deviam estar pelo melhor dos mundos. A guerra corria-lhe bem, talvez fosse isso que levou os sul-africanos a reivindicar o seu papel, o que atrapalhava a propaganda da UNITA. Talvez por isso, a meio da conversa e sem qualquer necessidade, Savimbi come�ou um longo mon�logo, meio interior, meio para eu ouvir, muito longe do que se podia esperar pela ocasi�o e pelo interlocutor portugu�s. Savimbi come�ou a falar da solid�o na luta. Disse-me: "Agora tenho todos comigo, os sul-africanos, os americanos, mas sei que isso n�o pode durar." "J� vi todos os meus aliados deixarem-me sozinhos, j� vi os americanos com a s�ndrome do p�s-Vietname, a abandonar os seus amigos... Quando fiz a minha "Longa Marcha" , at� comemos cascas de �rvore e cheg�mos � Jamba meia d�zia de homens para come�ar tudo de novo." E insistia: "Agora tenho amigos, mas sei que posso ficar outra vez sozinho, s� posso contar comigo e com os meus maninhos..." Havia um tom de tristeza e de resigna��o, pouco habitual em Savimbi, que n�o era dado a ter estados de alma.

The image �http://www.rhetorik.ch/Aktuell/trophy/savimbi.jpg� cannot be displayed, because it contains errors.Ele sentia-se ofendido pelos sul-africanos, este era o motivo pr�ximo, e Savimbi era orgulhoso. Mas ele tinha uma premoni��o sobre o que se iria passar, muitos anos depois, a sua morte em combate, sozinho, abandonado, apenas com meia d�zia de fieis irredut�veis muitos dos quais morreram com ele. Ele era uma raridade para um l�der africano, n�o tinha atrac��o pela vida faustosa no ex�lio dourado, n�o era corrupto, embora corrompesse, e toda a vida foi um general da frente de batalha, que liderava do ch�o perto dos seus homens. Era perigoso como poucos e sabia muito.

Recordo-me desta conversa nocturna, quando vejo mais uma vez o modo como os israelitas s�o deixados sozinhos para se defenderem, o que eles s� podem fazer atacando (olhe-se para um mapa de Israel para se perceber), perante uma opini�o p�blica e publicada que tamb�m ela, como os sul-africanos e americanos a Savimbi, os abandonou. Israel n�o � defens�vel em termos de um conflito cl�ssico, e s� com muito saber de experi�ncia feita consegue conter em termos aceit�veis o terrorismo de que � v�tima. � sua volta s� tem inimigos, que n�o datam da "quest�o palestiniana" como muitos pensam, mas do dia seguinte � cria��o do Estado de Israel, quando este foi invadido por todos os ex�rcitos dos pa�ses �rabes. O mesmo cen�rio repetiu-se v�rias vezes, at� que as ofensivas militares tradicionais, todas derrotadas, foram progressivamente substitu�das por actos de terrorismo localizado, mas sist�mico. Apesar de tudo, a situa��o de seguran�a de Israel melhorou, em grande parte porque a ocupa��o dos territ�rios da Cisjord�nia e da S�ria melhorou a sua capacidade de defesa, deu-lhe profundidade. A situa��o de Israel tamb�m melhorou, porque o "mundo �rabe" se dividiu, alguns corajosos chefes de Estado no Egipto e na Jord�nia aceitaram a realidade do seu Estado e o mesmo aconteceu com alguns palestinianos, a come�ar por dirigentes da OLP e da Fatah. Esse caminho foi positivo e � positivo.
http://ec.europa.eu/comm/external_relations/israel/images/acp_israel_w600.gif

Mas h� uma realidade nova no M�dio Oriente que pode inverter completamente a situa��o e fragilizar Israel e os seus amigos �rabes, de novo: a combina��o do fundamentalismo isl�mico com a nucleariza��o do Ir�o. O Ir�o e a S�ria s�o hoje a vanguarda de todos os que negam a pura exist�ncia de Israel, e o Hamas e o Hezbollah s�o os bra�os armados dessa nova realidade. Se somarmos a essa situa��o o caminho perigos�ssimo do Ir�o, Israel tem hoje de novo um desequil�brio que se est� a construir � sua volta. O problema n�o s�o os palestinianos, � o choque de pol�ticas nacionais de hegemonia regional, e a utiliza��o da religi�o como arma de mobiliza��o e radicalismo. Israel tem que conter o Ir�o, a S�ria, o Hamas e o Hezbollah quanto antes, antes de terem armamento nuclear, antes de se armarem com as novas armas do terrorismo, incluindo uma capacidade maior de projec��o de m�sseis sobre o seu territ�rio sem profundidade. � uma realidade militar antes de ser pol�tica.

Os israelitas fazem certamente muitas asneiras, porque n�o s�o passivos mas pr�-activos. N�o assistem sentados � sua progressiva neutraliza��o e destrui��o. N�o podem deixar de o ser e � por isso que conservadores e trabalhistas, partidos religiosos e socialistas n�o diferem muito na legitima��o da actua��o militar. � mesmo uma quest�o de sobreviv�ncia e a ideia de que se trata de "um conflito assim�trico" onde os "poderosos" esmagam os "fracos" � enganadora: h� assimetrias de tamanho que s�o a favor dos aparentemente mais fracos.

Percebe-se o que os israelitas querem com esta resposta violenta aos actos de guerra do Hezbollah e do Hamas: mostrar que a paz s� � poss�vel se n�o houver qualquer transig�ncia com os grupos que s�o os bra�os armados de estrat�gias de aniquila��o do Estado de Israel. E estes, e os Estados que os alimentam, s� percebem uma �nica linguagem, a da for�a. Israel tamb�m de h� muito sabe que s� pode haver paz com quem a deseja e, do mesmo modo que o Ir�o lhe quis enviar uma mensagem, Israel responde em esp�cie. � duro, mas naquele canto do mundo n�o h� muito terreno para amabilidades, e, infelizmente, muita gente sofre de passagem. A express�o "danos colaterais" � cruel na sua frieza, mas verdadeira.

� face a esta situa��o que a comunidade internacional n�o cumpriu as suas obriga��es. Fechou os olhos � presen�a de mil�cias s�rio-iranianas no Sul do L�bano, n�o se disp�s a fornecer reais garantias a Israel da sua seguran�a, para poder exigir o fim da ocupa��o dos territ�rios palestinianos com razoabilidade e sem risco para Israel. O �ltimo passo para a paz, a retirada unilateral da Faixa de Gaza, n�o foi acompanhada pelas devidas press�es sobre o Hamas para que mude de pol�tica face a Israel.

Bem pelo contr�rio, a Uni�o Europeia, cuja pol�tica no M�dio Oriente � claramente anti-israelita e por isso in�til para mediar qualquer coisa, continua a financiar a Autoridade Palestiniana controlada pelo Hamas. Os americanos d�o uma �ltima garantia de seguran�a a Israel, mas essa s� funciona num ambiente de Armaged�o, e a B�blia e os seus apocalipses n�o s�o os melhores conselheiros. At� l�, e esperamos, sem necessidade de chegar l� (um conflito nuclear), Israel est� sozinho e s� pode contar consigo mesmo. Eles sabem muito bem disso, como Savimbi sabia. Ele perdeu tudo, os israelitas fazem tudo para que o mesmo n�o lhes aconte�a.

(No P�blico de 20/7/2006)

20.7.06
 


COISAS SIMPLES: A NOITE



(I. Levitan)
 


PIRATARIAS 3



A pirataria ainda n�o est� resolvida, mas est� a ser investigada. Uma informa��o preciosa seria a de saber que outros blogues em portugu�s, ou casos recentes fora de Portugal, conheceram o mesmo problema. At� agora nos blogues portugueses no Blogger apenas se conhece o caso do Abrupto, o que parece indicar deliberada inten��o e n�o ataque ao acaso como alguns se apressam a concluir. Exemplos portugueses seriam importantes para ajudar a compreender a pirataria e o seu car�cter.
 


LENDO
VENDO
OUVINDO

�TOMOS E BITS

de 20 de Julho de 2006


Interessante e intrigante artigo de Ruben de Carvalho no Di�rio de Not�cias:
"A acompanhar uma am�vel entrevista com Francisco Lou��, o Expresso da passada semana publicou o que pretende ser o at� hoje mais completo estudo sobre a realidade org�nica do Bloco, clinicamente ali�s intitulado Radiografia do Bloco de Esquerda. Com direito a um pormenorizado mapa de Portugal, especificando os n�meros bloquistas por distrito e regi�es aut�nomas, de militantes e de votos nas legislativas de 2005.

Os resultados s�o deveras interessantes. Segundo o seman�rio, o Bloco possui em Portalegre 61 militantes; em Viana do Castelo, Vila Real, Bragan�a, Guarda, Castelo Branco, �vora, Beja e A�ores, em cada um, 122 militantes (o que, verifica-se, corresponde em todos exactamente ao dobro de Portalegre, 2x61); em Leiria ser�o 183 (ou seja, 3x61); em Aveiro, Santar�m, Faro e Viseu atingem em cada os 244 (uns quadrangulares 4x61); em Braga, Coimbra e Madeira j� sobem para uns distritais 305 (isto �, 5x61); em Set�bal o factor multiplicativo � de 12, a saber, 12x61=732. As maiores multiplica��es do Bloco ocorrem no Porto e em Lisboa, no primeiro 13 Portalegres (793=13x61), atingindo na segunda 24 Portalegres (1464=24x61)."
*

O jornal Expresso publicou na sua �ltima edi��o uma Radiografia do Bloco de Esquerda onde publicava uma pequena discri��o sobre a implanta��o distrital do movimento, nomeadamente o seu n�mero de militantes. No gr�fico que acompanhava a not�cia, podia ver-se que, em v�rios distritos, o Bloco parecia ter o mesmo n�mero de filiados. Como � natural, essa informa��o poder� suscitar uma sensa��o de estranheza nos leitores, e por essa raz�o o Bloco entende prestar o seguinte esclarecimento.

A pedido do Expresso, o Bloco indicou o n�mero total dos seus inscritos e a percentagem por distrito. Estes valores foram indicados por aproxima��o � unidade. Assim, para um distrito que tenha aproximadamente 1% dos aderentes do Bloco, o Expresso extrapolou que seriam 61 (1% de 6100) e assim sucessivamente. � isso que explica que o Expresso tenha publicado nesse gr�fico o mesmo n�mero de militantes do Bloco em v�rios distritos.

Nota ao jornal Expresso que o Bloco de Esquerda enviou para esse mesmo jornal na passada segunda-feira,

(Pedro Sales, Assessor de Imprensa do Bloco de Esquerda)

*

Ora aqui est� um excelente exemplo do que acontece quando se sabe pouco de matem�tica. Quando digo pouco, digo pouco. Muito pouco mesmo. Matem�tica de 4� classe (antiga, que pela nova � preciso o 9� ano)..

Quando se brincam com percentagens de n�meros muito pequenos, e as percentagens s�o arredondadas � unidade (percentual), acontecem, inevitavelmente dessas coisas. Desagrad�veis. At� parece que se trata de um preconceito contra as v�rgulas.

H� quem diga que a esquerda detesta contas. Este exemplo n�o vai ao arrepio dessa afirma��o.

Quantos mais disparates ser�o ditos ao abrigo da mesmo arredondamento?

(H. Martins)

*

A r�bula dos �m�ltiplos-m�ltiplos de 61� (relativa aos militantes do BE) faz-me lembrar a anedota do Solnado:

- Meu general, v�m a� os �ndios!
- Quantos s�o eles?
- 1001, meu general!
- E como � que os contaste t�o depressa?
- � que vem 1 � frente, e atr�s s�o para a� uns 1000!

(C. Medina Ribeiro)
 


RETRATOS DO TRABALHO EM NOVA DELI, �NDIA



Na �ndia, h� um m�s - homem ganhando a vida a pesar pessoas, com balan�a port�til.

(Fernando Correia de Oliveira)
 


MAIS CONTRIBUTOS PARA
AS VINTE MELHORES OBRAS DE REFER�NCIA EM PORTUGU�S 1.0
(2� s�rie)




E � tamb�m no seguimento dos contributos para as vinte melhores obras de referer�ncia em portugu�s que lhe escrevo.E mais um par delas:

_ ANSELMO, Ant�nio Joaquim [1977], Bibliografia das obras impressas em Portugal no s�culo XVI, Lisboa. B.N.

_ PEREIRA, Paulo (dir. de) [1995], Hist�ria da Arte Portuguesa. Lisboa. C�rculo de Leitores.

_CARVALHO, Joaquim de [1947, 1948, 1949], Estudos sobre a Cultura Portuguesa dos s�culos XV e XVI.

_ Como complemento �s Normas do Padre Avelino, servindo de treino paleogr�fico: COSTA, P. Avelino de Jesus [1997], �lbum de Paleografia e Diplom�tica portuguesas. Estampas. 6� Edi��o. Coimbra. FLUC.

_BRAND�O, Fr. Francisco. [1976], Monarquia Lusitana. Ed. facsimilada. Lisboa. INCM.

_ N�o esquecer nunca:

SERR�O, Joel e MARQUES, A.H. de Oliveira (dir. de), Nova Hist�ria de Portugal. Ed. Presen�a.

_ CARDOSO, Pe. Jorge [1652], Agiologia Lusitana.

_ Como express�o paradigm�tica do movimento de Erudi��o em Portugal, a obra orientada por Alexandre Herculano: Portugaliae Monumenta Historica a saeculo octavo post Christum usque ad quintumdecimun, jussu Academiae Scientiarum Olisiponensis edita, nova s�rie.

_ GODINHO, Vitorino Magalh�es, Os Descobrimentos e a Economia Mundial. Ed. Presen�a.4 vols.

_ FIGUEIREDO, C�ndido de [1996], Grande Dicion�rio da L�ngua Portuguesa. 25� Ed., 2 vols.

_ De elevada utilidade, um guia fundamental de obras gerais, disciplinas documentais e outras disciplinas de incid�ncia Hist�rica: REPERT�RIO BIBLIOGR�FICO DA HISTORIOGRAFIA PORTUGUESA. [1974-1994], FLUC, Inst. Cam�es.

sandra costa


*

Noto que as obras de refer�ncia que t�m entrado no Abrupto v�o sempre para as mesmas �reas: filosofias, hist�rias, literaturas. Que tal meter um pouco de outra ci�ncia nisso:
Desenho T�cnico, de Lu�s Veiga da Cunha, FCG Introdu��o � An�lise Matem�tica, de Campos Ferreira, FCG

(nuno de magalh�es)

*

Tr�s sugest�es na �rea da �pera e do espect�culo:

MOREAU, M�rio - Teatro de S. Carlos : dois s�culos de hist�ria. Lisboa : Hugin, 1999. 2 vol. ISBN 972-8534-50-5

Est� l� tudo. Todos os concertos, todas as r�citas, todas as �peras, todos os bailados, todos os cantores, todos os maestros, todos os bailarinos, todos os actores, todos os encenadores, todos os cen�grafos, todos, todos, todos.

MOREAU, M�rio - Cantores de �pera portugueses. Amadora : Bertrand, 1981. 3 vol.
Tamb�m est�o todos, do S�c. 18 at� 1981.

BASTOS, Sousa - Carteira do artista : apontamentos para a hist�ria do theatro portuguez e brazileiro acompanhados de noticias sobre os principaes artistas, escriptores dramaticos e compositores estrangeiros. Lisboa : Antiga Casa Bartrand - Jos� Bastos, 1898

O autor era o marido da actriz Palmira Bastos. Um trabalho muito interessante que pretendeu ser exaustivo. Est� organizado em jeito de efem�rides e cont�m, no final, uma bibliografia e v�rios �ndices (actores portugueses e brasileiros, aderecistas, arquitectos e figurinistas, actores estrangeiros, benem�ritos, cabeleireiros, cantores portugueses, companhias, contraregras, curiosidades, decretos, portarias, tratados e outros documentos, empregados diversos, dramas, com�dias, trag�dias, operas-c�micas, revistas e pe�as, empres�rios, ensaiadores, escritores e cr�ticos, guarda-roupas, maquinistas, m�sicos, �peras e dan�as, pontos, cen�grafos, teatros e ainda um �ndice de gravuras). Uma preciosidade!

Maria Clara Assun��o

*

Eu juntaria:

A Poesia dos Trovadores (S�culos XII-XV), selec��o e pref�cio de Vitorino Nem�sio, edi��o do Instituto para a Alta Cultura, Lisboa, 1950.

(Torquato da Luz)

*

N�o sei se li todas as sugest�es todas, mas pareceu-me que faltava esta: Portugaliae Monumenta Historica, fruto da enorme capacidade de trabalho e dedica��o de Alexandre Herculano.

(Maria Pereira Stocker)
 


EARLY MORNING BLOGS
821 - Vinte mil r�is mensais s�o uma vergonha social!

- Ent�o, realmente, aconselha-me que toque a campainha?

Ele ergueu um pouco o chap�u, descobrindo a fronte estreita, enfeitada de uma gaforinha crespa e negrejante como a do fabuloso Alcides, e respondeu, palavra a palavra: - Aqui est� o seu caso, estim�vel Teodoro. Vinte mil r�is mensais s�o uma vergonha social! Por outro lado, h� sobre este globo coisas prodigiosas: h� vinhos de Borgonha, como por exemplo o Roman�e-Conti de 58 e o Chambertin, de 61, que custam, cada garrafa, de dez a onze mil r�is; e quem bebe o primeiro c�lice, n�o hesitar�, para beber o segundo, em assassinar seu pai... Fabricam-se em Paris e em Londres carruagens de t�o suaves molas, de t�o mimosos estofos, que � prefer�vel percorrer nelas o Campo Grande, a viajar, como os antigos deuses, pelos c�us, sobre os fofos coxins das nuvens... N�o farei � sua instru��o a ofensa de o informar que se mobilam hoje casas, de um estilo e de um conforto, que s�o elas que realizam superiormente esse regalo fict�cio, chamado outrora a �bem-aventuran�a�. N�o lhe falarei, Teodoro, de outros gozos terrestres: como, por exemplo, o Teatro do Palais Royal, o baile Laborde, o Caf� Anglais... S� chamarei a sua aten��o para este facto: existem seres que se chamam Mulheres - diferentes daqueles que conhece, e que se denominam F�meas. Estes seres, Teodoro, no meu tempo, a p�ginas 3 da B�blia, apenas usavam exteriormente uma folha de vinha. Hoje, Teodoro, � toda uma sinfonia, todo um engenhoso e delicado poema de rendas, baptistes, cetins, flores, j�ias, caxemiras, gazes e veludos... Compreende a satisfa��o inenarr�vel que haver�, para os cinco dedos de um crist�o, em percorrer, palpar estas maravilhas macias; - mas tamb�m percebe que n�o � com o troco de uma placa honesta de cinco tost�es que se pagam as contas destes querubins... Mas elas possuem melhor, Teodoro: s�o os cabelos cor do ouro ou cor da treva, tendo assim nas suas tran�as a apar�ncia emblem�tica das duas grandes tenta��es humanas - a fome do metal precioso e o conhecimento do absoluto transcendente. E ainda t�m mais: s�o os bra�os cor de m�rmore, de uma frescura de l�rio orvalhado; s�o os seios, sobre os quais o grande Prax�teles modelou a sua Ta�a, que � a linha mais pura e mais ideal da Antiguidade... Os seios, outrora (na ideia desse ing�nuo Anci�o que os formou, que fabricou o mundo, e de quem uma inimizade secular me veda de pronunciar o nome), eram destinados � nutri��o augusta da humanidade; sossegue por�m, Teodoro; hoje nenhuma mam� racional os exp�e a essa fun��o deterioradora e severa; servem s� para resplandecer, aninhados em rendas, ao g�s das soir�es, - e para outros usos secretos. As conveni�ncias impedem-me de prosseguir nesta exposi��o radiosa das belezas que constituem o fatal feminino... De resto as suas pupilas j� rebrilham... Ora todas estas coisas, Teodoro, est�o para al�m, infinitamente para al�m dos seus vinte mil r�is por m�s... Confesse, ao menos, que estas palavras t�m o vener�vel selo da verdade!...

Eu murmurei, com as faces abrasadas:

- T�m.

(E�a de Queiroz, O Mandarim)

*

Bom dia!
 


PIRATARIAS 2



Desde o momento em que a pirataria surgiu, ontem ao fim da tarde, n�o tive muito tempo para me dedicar ao assunto. Vou faz�-lo agora, come�ando por ler as mais de trezentas mensagens entretanto recebidas e que desde j� agrade�o. Desde o in�cio da tarde que o Abrupto genu�no tem estado continuamente em linha, mas ,como n�o sei ainda o que realmente aconteceu, parto do pr�ncipio de que o problema continua.

Amanh� tratarei do assunto em mais detalhe, mas podem ter a certeza de que aconte�a o que acontecer o Abrupto continuar�. N�o ser� por esta via que acabam com ele.

19.7.06
 


PIRATARIAS



O problema continua. Quando acrescento uma nota nova ou refresco uma antiga, o falso "abrupto" desaparece, regressando mais tarde. N�o penso ser um problema de password, visto que a mudei mal surgiu a pirataria e a anterior s� pode ter sido "roubada" electronicamente. O conte�do no Blogger parece intacto. Muito obrigada a todos que est�o a dar-me sugest�es para resolver o problema e identificar a origem.

18.7.06
 


INTERMIT�NCIAS



O Abrupto continua a ser substitu�do intermitentemente por outro abrupto pirata. Algu�m sabe se o mesmo est� a acontecer a outros blogues do Blogger?

*

Suponho que isso poder� acontecer, mas s� parcialmente

Ser� o caso de pessoas que usem, como servidores de DNS, servidores nos quais seja poss�vel configurar dom�nios de forma interactiva (directamente pelo browser, na qualidade de cliente).

Neste caso, configurando um dom�nio abrupto.blogspot.com, os utilizadores desse servidor de DNS ser�o direccionados para o dom�nio falso.

Claro que esse embuste s� funcionar� para os que usarem o servidor de DNS "armadilhado", mas se numa dada regi�o ou pa�s (Portugal � muito pequeno) algu�m fizer isso a um servidor, por exemplo da Netcabo, a coisa resulta substancialmente bem.

Dando um exemplo. Imaginemos que eu me apresento a um Internet Service Provider (ISP) local, me inscrevo On Line, e configuro nele o dom�nio abrupto.blogspot.com. Muitos ISPs deixam que isso aconte�a, por estranho que pare�a, simplesmente porque n�o h� forma de, On Line, se saber se o inscrito � o dono leg�timo da coisa.. Todo o mundo continuar� a aceder ao endere�o leg�timo, mas os utilizadores do ISP em causa s�o direccionados para o endere�o falso.

No caso dos dom�nios .COM (o caso presente) os servidores de DNS, numa boa parte dos ISPs, seguem as "instru��es" da Internic (a autoridade m�xima dos .COM) desde que n�o haja uma configura��o local que determine algo diverso (o caso do dom�nio falso). Caso haja um "caso diverso" ...

Mas h� ISPs que s� aceitam os dados recebidos via Internic.

Estamos no dom�nio da roleta russa.

Ainda ando �s voltas com um caso em que um espertalh�o configurou um dom�nio yahoo.com num servidor que tenho que usar (por raz�es irrelevantes neste caso). De cada vez que quero aceder � Yahoo (eu e muitos outros), vou parar a um monte de lixo. O espertalh�o inscreveu-se como cliente, pagou, configurou um dom�nio yahoo.com e �inventou� um site Yahoo.

Os ISPs deviam somente disponibilizar aos clientes servidores que estivessem s� dependentes da Internic, mas, por nabice ou outra raz�o, frequentemente n�o o fazem.

Como se sai daqui? Com muita arrelia, sem garantias.

Em primeiro lugar � preciso descobrir qual � o servidor de DNS "armadilhado". Para se saber � preciso saber que servidor usa o queixoso (quem reposta a anomalia). O problema +� que, habitualmente, para quem cai no embuste esta conversa � chin�s.

Se se conseguir descobrir o servidor de DNS, h� que chatear o dono dele, explicando a coisa. Se o dono estiver para se ralar, pode at� resolver a coisa, mas duvido que dure muito. Como disse, se o servidor de DNS for usado por quem quer que seja como "o servidor que vai ajudar o computador - de cada um - a encontrar os sites" (a miss�o habitual dos servidores de DNS cujos endere�os s�o adquiridos pelos nossos computadores no momento que que se ligam � Internet - DHCP) e esse servidor de DNS for, em simult�neo, o servidor de DNS dos clientes que podem configurar dom�nios, s� n�o h� um conflito de interesses se n�o se apresentarem "volunt�rios".

Esta casualidade (s� os que usam o servidor armadilhado) pode explicar os casos mais ou manos espor�dicos. H� quem se queixe, mas a maioria acede sem problemas. Se, por exemplo, o servidor �ajeitado� for do grupo PT, � prov�vel que a maioria dos visitantes v�o parar ao site errado. E o grupo PT � muito mais nabo do que parece.

Tenho muita pena, mas ... o mundo � muito grande e est� cheio de espertalh�es e de nabos.

(Henique Martins)
 


TENTATIVAS DE DEITAR ABAIXO O ABRUPTO

tem sido muitas e repetidas desde o in�cio. Hoje durante algum tempo um outro Abrupto aparecia no mesmo endere�o. Obrigado a quem me alertou. Vou ver se percebo o que aconteceu mas � certamente um caso de pirataria.
 


RETRATOS DO TRABALHO NO BOMBARRAL, PORTUGAL



Bombarral, Festival do Vinho, Julho, 2006

(M�rio Rui Ara�jo)
 


MAIS CONTRIBUTOS PARA
AS VINTE MELHORES OBRAS DE REFER�NCIA EM PORTUGU�S 1.0




Col�quio dos simples e drogas e cousas medicinais da �ndia, de Garcia da Orta, Goa, 1563. Est� dispon�vel numa edi��o de 1963 da Academia das Ci�ncias de lisboa. Na Europa da altura, e durante muito tempo, foi considerado O livro", a refer�ncia sobre a psicogeografia das drogas. Em certo sentido, � absolutamente actual ( veja-se o cap�tulo sobre o anfi�o, ou seja, o �pio).

(Filipe Nunes Vicente)

*

Nova Gram�tica do Portugu�s Contempor�neo, Celso Cunha e L. F. Lindley Cintra

Rosa do Mundo - 2001 Poemas para o Futuro/Porto 2001-Ass�rio & Alvim

Dicion�rio Latino-Portugu�s, Francisco Torrinha

Dicion�rio Portugu�s-Latim, Francisco Torrinha

Teoria da Literatura, V�tor Manuel de Aguiar e Silva, Almedina

Gram�tica Simb�lica do Portugu�s, �scar Lopes, Funda��o Calouste Gulbenkian

Dicion�rio Etimol�gico da L�ngua Portuguesa, Jos� Pedro Machado

Dicion�rio Onom�stico Etimol�gico da L�ngua Portuguesa, Jos� Pedro Machado

Dicion�rio da L�ngua Portuguesa, Porto Editora

Prontu�rio Ortogr�fico e Guia da L�ngua Portuguesa, Magnus Bergstrom e Neves Reis

Dicion�rio de Literatura, direc��o de Jacinto do Prado Coelho, Figueirinhas

Biblos - Enciclop�dia Verbo das Literaturas de L�ngua Portuguesa

Novo Aur�lio S�culo XXI: o Dicion�rio da L�ngua Portuguesa, 3.� Edi��o

Hist�ria Cr�tica da Literatura Portuguesa, direc��o de Carlos Reis, Verbo

Hist�ria da L�ngua Portuguesa, Paul Teyssier

O Ritmo na Poesia de Ant�nio Nobre, Lu�s Filipe Lindley Cintra, IN-CM

Hist�ria de Portugal, dir. de Jos� Mattoso

Hist�ria Concisa de Portugal, Jos� Hermano Saraiva

Ditos Portugueses Dignos de Mem�ria, Jos� Hermano Saraiva

Ao Contr�rio de Pen�lope, Jacinto do Prado Coelho

Tratado de Versifica��o Portuguesa, Amorim de Carvalho

Edoi Lelia Doura: antologia das vozes comunicantes da poesia moderna portuguesa, organiza��o de Herberto Helder

Dicion�rio Bibliogr�fico Portugu�s, Inoc�ncio Francisco da Silva

Dicion�rio da L�ngua Portuguesa, Ant�nio de Morais Silva (Dicion�rio de Morais)

Ret�rica e Teoriza��o Liter�ria em Portugal: do Humanismo ao Neoclassicismo, An�bal Pinto de Castro

A Orat�ria Barroca de Vieira, Margarida Vieira Mendes

H�lade: Antologia da Cultura Grega, Maria Helena da Rocha Pereira

Romana: Antologia da Cultura Latina, Maria Helena da Rocha Pereira

Hist�ria da Literatura Portuguesa, Ant�nio Jos� Saraiva e �scar Lopes

Gram�tica da L�ngua Portuguesa, Maria Helena Mira Mateus et al., Caminho

Dicion�rio Houaiss da L�ngua Portuguesa

Enciclop�dia Verbo Luso-Brasileira da Cultura - Edi��o S�culo XXI, dir. de Jo�o Bigotte Chor�o

Lello Universal - Dicion�rio Enciclop�dico em 2 Volumes

Dicion�rio da Literatura Medieval Galega e Portuguesa, org. e coord. de Giulia Lanciani e Giuseppe Tavani

(Nelson B.)

*

Casanova - O Direito nas Revistas Portuguesas. Pesquis�veis por autor, por t�tulo, por assunto, por revista, por ramo do direito, est�o l� todos, absolutamente todos, os artigos jur�dicos publicados em revistas portuguesas (e n�o s� revistas jur�dicas), desde os finais do s�c. XIX, at� 1990. A obra n�o se vendeu e a Almedina desinteressou-se da sua actualiza��o ou da sua convers�o para uma base de dados on-line.
Se fosse futebol...

(Ant�noio Cardoso da Concei��o)

*

Duas sugest�es na �rea da Filosofia:

Logos. Enciclop�dia Luso-Brasileira de Filosofia (Verbo)

Hist�ria do pensamento filos�fico portugu�s , dir. Pedro Calafate (Caminho ou C�rculo de Leitores)

(Pedro Valadares)

*

A sua leitora Isabel G recomendou-lhe a Hist�ria da Igreja em Portugal, de Fortunato de Almeida, como obra de refer�ncia. Quer-me parecer que, dentro daquela �rea, ser�o talvez prefer�veis a Hist�ria Religiosa de Portugal e o Dicion�rio de Hist�ria Religiosa de Portugal, ambos escritos sob a direc��o de Carlos Moreira Azevedo.

(Jos� Carlos Santos)

*

Dicion�rio de autores de literaturas africanas de l�ngua portuguesa / Ald�nio Gomes, Fernanda Cavacas (Ed Caminho)

Dicion�rio de pseud�nimos e iniciais de escritores portugueses / Adriano da Guerra Andrade (ed. Biblioteca Nacional)

Jornais e revistas portugueses do s�c. XIX / Biblioteca Nacional

Marqu�s de Pombal : cat�logo bibliogr�fico e iconogr�fico / Comiss�o Organizadora das Comemora��es do Bicenten�rio da Morte do Marqu�s de Pombal (ed. Biblioteca Nacional)

A inquisi��o em Portugal (1536-1821) : cat�logo da exposi��o organizada por ocasi�o do 1o Congresso Luso-Brasileiro sobre Inquisi��o / Biblioteca Nacional. (Ed. Biblioteca Nacional)

(Isabel G)
 


LENDO
VENDO
OUVINDO

�TOMOS E BITS

de 18 de Julho de 2006


No P�blico de hoje, sem liga��o, Vital Moreira escreve um artigo exemplar da "m� f�" de que falavam Fernando Gil e Paulo Tunhas em Impasses:

Quando um Estado, para responder a uma ac��o b�lica inimiga, resolve atacar alvos civis, matar gente inocente a esmo, destruir estradas e pontes, portos e aeroportos, centrais el�ctricas e bairros urbanos, isso tem um nome feio: terrorismo. No caso, terrorismo de Estado. Na vertigem da viol�ncia que � o intermin�vel conflito israelo-palestiniano, Israel adopta decididamente a mesma l�gica fatal de que acusa os seus inimigos, ou seja, transformar os civis em carne para canh�o.

(Sublinhados meus.)

� dif�cil fazer melhor (pior).
*

No Correio da Manh�, Ferreira Fernandes pergunta: George W. Bush merece san��o?


*

Dava um Pr�mio Nobel da Paz imediato, excepcional, autom�tico a quem inventasse um mecanismo eficaz para "farejar" explosivos a uma certa dist�ncia. N�o resolvia os imensos problemas do Iraque, mas ajudava muito. E seria uma homenagem ir�nica ao inventor dos explosivos modernos, o senhor Alfred Nobel.
 


RETRATOS DO TRABALHO NO BOMBARRAL, PORTUGAL



Bombarral, Festival do Vinho, Julho, 2006.

(M�rio Rui Ara�jo)
 


EARLY MORNING BLOGS
820 - As felicidades haviam de vir...

N�o posso negar, por�m, que nesse tempo eu era ambicioso - como o reconheciam sagazmente a Madame Marques e o l�pido Couceiro. N�o que me revolvesse o peito o apetite her�ico de dirigir, do alto de um trono, vastos rebanhos humanos; n�o que a minha louca alma jamais aspirasse a rodar pela Baixa em trem da Companhia, seguida de um correio choutando; - mas pungia-me o desejo de poder jantar no Hotel Central com champanhe, apertar a m�o mimosa de viscondessas, e, pelo menos duas vezes por semana, adormecer, num �xtase mudo, sobre o seio fresco de V�nus. Oh! mo�os que vos dirig�eis vivamente a S. Carlos, atabafados em palet�s caros onde alvejava a gravata de soir�e! Oh! tip�ias, apinhadas de andaluzas, batendo galhardamente para os touros - quantas vezes me fizestes suspirar! Porque a certeza de que os meus vinte mil r�is por m�s e o meu jeito encolhido de engui�o, me exclu�am para sempre dessas alegrias sociais, vinha-me ent�o ferir o peito - como uma frecha que se crava num tronco, e fica muito tempo vibrando!

Ainda assim, eu n�o me considerava sombriamente um �p�ria�. A vida humilde tem do�uras: � grato, numa manh� de sol alegre, com o guardanapo ao pesco�o, diante do bife de grelha, desdobrar o �Di�rio de Not�cias�; pelas tardes de Ver�o, nos bancos gratuitos do Passeio, gozam-se suavidades de id�lio; � saboroso � noite no Martinho, sorvendo aos goles um caf�, ouvir os verbosos injuriar a p�tria... Depois, nunca fui excessivamente infeliz - porque n�o tenho imagina��o: n�o me consumia, rondando e almejando em torno de para�sos fict�cios, nascidos da minha pr�pria alma desejosa como nuvens da evapora��o de um lago; n�o suspirava, olhando as l�cidas estrelas, por um amor � Romeu ou por uma gl�ria social � Camors. Sou um positivo. S� aspirava ao racional, ao tang�vel, ao que j� fora alcan�ado por outros no meu bairro, ao que � acess�vel ao bacharel. E ia-me resignando, como quem a uma table d'h�te mastiga a bucha de p�o seco � espera que lhe chegue o prato rico da charlotte russe. As felicidades haviam de vir: e para as apressar eu fazia tudo o que devia como portugu�s e como constitucional: - pedia-as todas as noites a Nossa Senhora das Dores, e comprava d�cimos da lotaria.

(E�a de Queiroz)

*

Bom dia!

17.7.06
 


COISAS DA S�BADO:

SOLID�O QUEM A TEM CHAMA-LHE SUA - UM LIVRO SOBRE AS PESSOAS S�S

A obra de Jos� Machado Pais tem sido, de h� muitos anos a esta parte, do melhor que nos deu a sociologia em Portugal. Os seus estudos s�o pioneiros do conhecimento sociol�gico em Portugal nas �reas a que se dedica, combinando uma investiga��o emp�rica s�ria com uma s�lida teoria, tudo vertido numa linguagem sem academismos e pretens�es. E, o que ele estuda est� no centro do nosso (des) conhecimento da realidade dos dias de hoje, do Portugal que existe mesmo fora dos livros, nas ruas, nos bairros degradados, nos gangs juvenis, na droga, nas discotecas.

O �ltimo livro intitulado Nos Rastos da Solid�o � um estudo sobre o quotidiano na grande cidade onde quase todos vivemos e a sua produ��o de solid�o, de pessoas s�s que se sentem s�s, e sobre as estrat�gias de combate e de esquecimento dessa solid�o. Compreende um conjunto de ensaios sobre os sem-abrigo, o consumismo, a velhice, o "desencanto", os emigrantes de Leste, os "animais de companhia". Dois estudos mostram os p�los opostos da solid�o urbana, opostos social, et�ria e intelectualmente, mas nem por isso menos diferentes na solid�o: as tabernas e os chats. Este livro deveria ser de leitura obrigat�ria para todos os que querem saber as linhas menos vis�veis que se cosem nos centros comerciais, � noite diante de um computador, nos ajuntamentos de madrugada dos trabalhadores ucranianos para as obras, nas velhas dos gatos que em cada rua antiga s�o os alvos da ira popular. Os gatos, os c�es e os pombos sujam tudo, mas sujam bastante menos do que estas solid�es. A ler absolutamente.

 


RETRATOS DO TRABALHO NO TIBETE



Pastora.

(Jos� Manuel Fernandes)
 


CONTRIBUTOS PARA
AS VINTE MELHORES OBRAS DE REFER�NCIA EM PORTUGU�S 1.0




O Dicion�rio de pintores e escultores portugueses ou que trabalharam em Portugal / Fernando de Pamplona ; pref. Ricardo do Esp�rito Santo Silva

Diccion�rio hist�rico e documental dos architectos, engenheiros e constructores portuguezes ou a servi�o de Portugal / coordenado por Sousa Viterbo

Invent�rio art�stico ilustrado de Portugal / Jos� Correia de Azevedo

Invent�rio art�stico de Portugal / [ed.] Academia Nacional de Belas Artes

Hist�ria da igreja em Portugal / Fortunato de Almeida

Nobili�rio de fam�lias de Portugal / Manuel Jos� da Costa Felgueiras Gayo

Hist�ria geneal�gica da casa real portuguesa / D. Ant�nio Caetano de Sousa

Portugal antigo e moderno : diccion�rio geogr�phico, estat�stico, chorographico, heraldico, archeologico, historico, biographico e etymologico de todas as cidades, villas e freguesias de Portugal e grande n�mero de aldeias / Augusto Soares d'Azevedo Barbosa de Pinho Leal

Dicion�rio de express�es populares portuguesas / Guilherme Augusto Sim�es

Dicion�rio do cinema portugu�s 1962-1988 / Jorge Leit�o Ramos

Dicion�rio do teatro portugu�s / dir. de Lu�s Francisco Rebello

Diccionario do Theatro portuguez / Sousa Bastos

Dicion�rio de hist�ria da Igreja em Portugal / dir. de Ant�nio Alberto Banha de Andrade

Lello Universal : dicion�rio enciclop�dico luso-brasileiro / Jos� Lello e Edgar Lello

Descrip��o geral e hist�rica das moedas cunhadas em nome dos reis, regentes e governadores de Portugal / A. C. Teixeira de Arag�o

(Isabel G)

*


Lombadas da Europa Portuguesa do Manuel de Faria e Sousa

(
fotos de Ana Gaiaz)

*

Uma sugest�o para as "AS VINTE MELHORES OBRAS DE REFER�NCIA EM PORTUGU�S 1.0" (s� vinte ser�o suficientes?):

Avelino de Jesus da Costa, Normas gerais de transcri��o e publica��o de documentos medievais e modernos, 3� ed., Coimbra, 1993
Trata-se de um companheiro essencial para os Historiadores que queiram fazer um boa transcri��o e edi��o de manuscritos medievais e modernos. E bem precisamos que essas transcri��es e edi��es se fa�am, para acordarmos a nossa mem�ria, adormecida no p� dos arquivos.

(Paulo Agostinho)

*

Parecem-me certeiras as suas escolhas (desconhecendo, embora, duas ou tr�s refer�ncias). Uma delas, por�m, cuja selec��o subscrevo inteiramente, apesar de conter inevit�veis erros e algumas omiss�es, a Grande Enciclop�dia Portuguesa e Brasileira, � comentada como sendo �(�) o t�tulo singular mais �til para qualquer investiga��o sobre o per�odo anterior aos anos cinquenta do s�culo XIX�. Eu tenho a �Portuguesa e Brasileira� e penso que apenas por equ�voco baliza a sua utilidade at� ao per�odo que refere. Na verdade parece-me mais correcto afirmar �anterior aos anos cinquenta do s�culo XX�.
[NOTA JPP: foi uma gralha que j� est� corrigida, � mesmo s�culo XX.] Seja como for, � curioso reparar como muitas figuras do nosso burgo, quando entrevistadas em casa, fazem quest�o de se colocar para a fotografia, frente � estante onde a �Grande Enciclop�dia� repousa. J� a vi no �lar� de muita gente �not�vel�. Esta recorr�ncia comprova um m�rito adicional da obra. Se h� �lombadas� que d�o cau��o cultural � nossa gente p�blica s�o estas, intermin�veis e s�lidas, imensas na latitude da estante, imponentes no seu vermelho e negro avivado a ouro. � como se se pudesse pensar: �Ah, este tem, este deve saber muito!�.

Uma curiosidade complementar, a prop�sito das omiss�es: eu moro na Rua Damasceno Monteiro e, pesquisando na Net e noutras fontes, n�o descobri em lugar nenhum quem foi o senhor. At� que me lembrei da �Grande Enciclop�dia�. �Estou safo�, pensei. Enganei-me. Foi o primeiro grande desapontamento que a minha �luso-tropical� (nome carinhoso com que � tratada l� em casa) me deu. At� hoje n�o sei quem foi o cidad�o homenageado com o seu nome nesta extensa rua de Lisboa.

(Manuel Margarido)
Para o seu leitor Manuel Margarido, milagres do Google.

(Tiago Azevedo Fernandes)
*


O Dicion�rio de Hist�ria dos Descobrimentos Portugueses (dir. Lu�s de Albuquerque)
o �ndice Anal�tico do vocabul�rio de Os Lus�adas (dir. A. Geraldo da Cunha)
o Dicion�rio de Camilo Castelo Branco (Caminho)
o Dicion�rio de personagens da novela camiliana (Caminho)
o Elucid�rio de Fr. Joaquim de Santa Rosa de Viterbo
os "dicion�rios" e repert�rios de Sousa Viterbo (p. ex., Trabalhos n�uticos dos Portugueses, ou o dicon�rio dos artistas...)
o Vocabul�rio ortogr�fico da L�ngua Portuguesa, de Rebelo Gon�alves (conquanto de 1940, � insuper�vel)
o Tratado das alcunhas alentejanas, de Francisco Martins Ramos e Carlos Alberto da Silva
a Bibliografia Geral Portuguesa
a "Tradu��o em Portugal", de Gon�alves Rodrigues
o Dicion�rio Etimol�gico de J. Pedro Machado
Nova gram�tica do Portugu�s contempor�neo, de Lindley Cintra e Celso Cunha
a Biblos, Enciclop�dia Verbo das Literaturas de L�ngua Portuguesa
o Dicion�rio de Literatura Portuguesa de A. Manuel Machado
a Monarchia Lusitana de D. Ant�nio Caetano de Sousa
a Enciclop�dia Verbo (nova edi��o)
a Biblioteca Lusitana, de Barbosa Machado

... sem esquecer a Micrologia Camoniana, de Jo�o Franco Barreto, os �ndices dos livros pro�bidos em Portugal no s�culo XVI (ed. Moreira de S�) e a Bibliografia das obras impressas em Portugal no s�c. XVI de Ant�nio Joaquim Anselmo...
E h� mais.

(Vasco Gra�a Moura)

*

Uma sugest�o: dentro das obras de refer�ncia, uma h� da minha �rea profissional que julgo que n�o s� em Portugal, como tamb�m no estrangeiro, � reconhecida como obra marcante e invlugar, que � a recolha feita por grupos de arquitectos nos anos 50 sobre a Arquitectura Popular Portuguesa, ent�o da Associa��o de Arquitectos e agora Ordem dos Arquitectos. � uma obra fundamental, nos seus textos, desenhos e fotografias porque feita num momento anterior ao inicio da urbaniza��o desenfreada de Portugal com o advento da entrada do dinheiro dos portugueses da di�spora iniciada nos anos 60 e onde podemos assim conhecer coisas que mais do que da "arquitectura" s�o da "cultura" e "tradi��es" portuguesas.

(Nuno Silva Leal)

*


A prop�sito desta sua lista e dada a proposta do seu leitor Lu�s Manuel Rodrigues, lembrando o esquecido Cantu, permito-me enviar uma fotografia das lombadas da obra (tirada para um post que nunca cheguei a realizar).

(Jos� Pimentel Teixeira)

*

E claro. Como me fui esquecer disto?

Dicion�rio de literatura : literatura portuguesa, literatura brasileira, literatura galega, estil�stica, liter�ria / dir. Jacinto do Prado Coelho

(Isabel G.)
 


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: ENTRE ALVAREZ E O FISCO



Estava eu j� mergulhado na mais profunda aliena��o daquilo que se passou na semana passada (n�o sei porqu� mas s�o coisas que me acontecem) e absolutamente rejuvenescido para os temas da actualidade desta semana (preocupa-me seriamente a crise do M�dio Oriente), quando ao ler o seguinte excerto do seu texto sobre a exposi��o do pintor Domingos Alvarez na Gulbenkian se fez luz: �(...) foi Kafka que primeiro nos mostrou que os homens do s�culo XX iriam ser assim, andando como John Cleese com passos de "silly walk", no meio de uma burocracia que lhes retira individualidade e poder�. Assim, ainda a prop�sito das listas negras do Fisco, e depois de ter conversado sobre isto com uma amiga minha que � advogada, n�o deixei de me espantar quando ela me disse que em muitos casos de viola��o dos direitos dos cidad�os, o �nico factor de individualidade � o econ�mico. Quer isto dizer que, apesar de em teoria os direitos existirem para todos, uma verdadeira informa��o e esclarecimento do cidad�o e o acesso ao direito no sentido pr�prio e pleno da express�o, realmente quase s� se verificam quando h� dinheiro. Ou seja, se o contribuinte n�o tem recursos, n�o vai procurar ajuda para se informar e ser acompanhado... e as Finan�as n�o v�o esclarec�-lo de forma alguma porque quanto menos esclarecido estiver o contribuinte, mais f�cil � para as Finan�as fazer as coisas como lhe conv�m. Palavras dela. Por isso, parece-me bem real essa imagem dos homens, agora do s�culo XXI, no meio de uma burocracia que lhes retira individualidade e poder. A quem n�o tem dinheiro. Pois. Porque quem tem vai ser sempre tratado pelo nome pr�prio. E assim caminhamos desgra�adamente, com os tais passos de "silly walk", num meio que cospe no prato que come. O epis�dio das listas negras do Fisco � demasiado simb�lico. E acaba por estar em perfeita sintonia com o princ�pio orientador do nosso Governo que tudo o que decide nos apresenta como o �nico e inevit�vel caminho. � o que acontece quando nos deixamos levar pelas m�s companhias. Mais est�pidas do que ladras, na defini��o de Cipolla.

(Ricardo S. Reis dos Santos)

16.7.06
 


RETRATOS DO TRABALHO EM JODHPUR, �NDIA



Mulher varrendo a rua em Jodhpur, no Rajast�o.

(Fernando Correia de Oliveira)
 


INTEND�NCIA

Actualizada a nota PARA QUE FIQUE REGISTADO.
 


DUAS LISTAS NEGRAS DO FISCO E N�O UMA S�

PEDRO ARROJA - NEM UMA , NEM DUAS, ZERO



Sobre o tema "Duas listas negras para o fisco, e n�o uma s�", eu gostaria de dar a minha contribui��o (...)

Um princ�pio - qualquer princ�pio -, � bom, n�o porque permita resolver todos os problemas associados � situa��o a que se aplica, mas porque permite resolver a maior parte deles e, sobretudo, porque permite evitar males que seriam ainda maiores.

Neste sentido, o princ�pio do sigilo fiscal �, inegavelmente, um bom princ�pio. Basta pensar no que seria a vida em sociedade - se � que a vida em sociedade seria poss�vel de todo - sem ele. O princ�pio do sigilo fiscal n�o foi concebido como instrumento para proteger contribuintes faltosos, por isso, a sua revoga��o n�o ser� nunca um instrumento eficaz para os penalizar.

Pelo contr�rio, a revoga��o deste princ�pio, conduz ao processo que voc� pr�prio desencadeou: o Estado prop�e-se divulgar a lista dos contribuintes faltosos (primeira viola��o) e voc� prop�e tamb�m que se divulgue a lista dos servi�os do Estado que est�o em falta para com os cidad�o (segunda viola��o); vem depois um leitor seu pedir que se divulgue a lista das d�vidas do Estado para com os advogados que prestam apoio judici�rio (terceira viola��o). Quando este processo estiver terminado, existir�o argumentos, todos eles perfeitamente racionais, para que se divulgue a lista dos cidad�os que devem aos Bancos, aos supermercados, aos senhorios e aos padeiros, dos pais que devem aos filhos e dos maridos que devem �s mulheres. Pergunto-lhe se acha poss�vel viver numa sociedade assim.

Na minha opini�o, o n�mero �ptimo de listas negras n�o � uma nem, muito menos, duas. � zero.

(Pedro Arroja)
 


MAIS SOBRE DOMINGUEZ ALVAREZ:
UM QUADRO DE UMA COLEC��O PRIVADA RARAMENTE VISTO



Por gentileza de C. Medina Ribeiro, esta "Rua de Sto. Ildefonso", �leo sobre tela, sem data, 18x22 [cm], pertencente a uma colec��o privada, que s� esteve exposto uma �nica vez.
 


AS VINTE MELHORES OBRAS DE REFER�NCIA EM PORTUGU�S 1.0



[NOTA: lista inicial, ainda incompleta, por ordem alfab�tica, esperando sugest�es e debate. Irei colocando vers�es posteriores e, por fim, uma lista definitiva que revisitarei ano a ano.]


* H. de Mendon�a e Cunha, Regras do Cerimonial Portugu�s

* Dicion�rio Houaiss da L�ngua Portuguesa

["O" dicion�rio de portugu�s.]
* Grande Enciclop�dia Portuguesa e Brasileira
[Do alto dos seus mais de quarenta volumes, continua a ser o t�tulo singular mais �til para qualquer investiga��o sobre o per�odo anterior aos anos cinquenta do s�culo XX e uma massa gigantesca de informa��o, muita desactualizada no plano cient�fico. mas mesmo assim indispens�vel.]
* Instituto Portugu�s do Livro e da Leitura, Dicion�rio Cronol�gico de Autores Portugueses
[Imposs�vel de encontrar, com volumes esgotados h� muito, elaborado com um crit�rio de entradas cronol�gico que torna dif�cil a consulta, os seus defeitos n�o bastam para sobrepor-se � qualidade de ser a melhor colec��o de biografias liter�rias - e quase toda a gente escreveu alguma coisa que justifique a entrada - existente.]
* A. Campos e Matos, Dicion�rio de Cita��es de E�a de Queiroz

* A. H. de Oliveira Marques / Jo�o Jos� Alves Dias, Atlas Hist�rico de Portugal e do Ultramar Portugu�s

* Carlos Alberto Medeiros (Direc��o), Geografia de Portugal

* Maria de Lourdes Modesto, Cozinha Tradicional Portuguesa

[A Bibl�a da culin�ria, resultado de muito estudo e muita pr�tica, com uma not�vel recolha de receitas populares.]

* Maria Filomena M�nica (Coordena��o), Dicion�rio Biogr�fico Parlamentar

* Crist�v�o Al�o de Morais, Pedatura Lusitana

[ Uma das "m�es de todas as genealogias".]
* Ant�nio N�voa (Org.), Dicion�rio de Educadores Portugueses

* Jo�o Figueiredo Pereira / Jos� Ferreira Vicente, O Valor do Livro Antigo em Portugal
[Embora seja um livro destinado ao mercado livreiro alfarrabista a qualidade da sua execu��o e massa de informa��o recolhida tornam-o indispens�vel para o estudo do livro em Portugal.]
* Daniel Pires
, Dicion�rio da Imprensa Per�odica Liter�ria Portuguesa do S�culo XX


* Raul Proen�a e outros, Guia de Portugal
[O velho guia da Gulbenkian continua a ser uma obra �mpar, cada vez mais para sabermos como Portugal foi. A qualidade de muitos dos seus textos ainda acentua mais esse aspecto de retrato do passado, talvez a �ltima vez que o Portugal rural e interior foi descrito ao pormenor antes de desaparecer.]

* P�blico, Livro de Estilo

* (Joel Serr�o e na actualiza��o Ant�nio Barreto /Filomena M�nica), Dicion�rio de Hist�ria de Portugal

* Inoc�ncio F. da Silva, Dicion�rio Bibliogr�fico Portugu�s

[Uma obra monumental, de uma vida inteira, ordenada por crit�rios antiquados e ca�ticos, de muito dif�cil consulta, mas mesmo assim sem par para produ��o bibliogr�fica at� ao s�culo XIX. ]


*
Estas s�o as minhas sugest�es:

Diccionario da chorographia de Portugal contendo a indica��o de todas as cidades, villas e freguezias... / coord. por J. Leite de Vasconcellos. - Porto : Livraria Portuense de Clavel, 1884. - [8], 191 p. a 2 colns ; 21 cm


Armorial lusitano: Genealogia e Her�ldica / dir. e coord. Afonso Eduardo Martins Z�quete, colabr. Ant�nio Machado de Faria, des. Jo�o Carlos, J.
Ricardo da Silva. - 4". ed. - Lisboa : Zairol, 2000. - 733 p. : il. ; 25 cm.
- Ed. orig. por Editorial Enciclop�dia. - ISBN 972-9362-24-6

(Isabel G.)

*

Apenas uma achega,no campo da Culin�ria, de um apreciador dessa "arte", como consumidor e executante.

Tenho o excelente "Pantagruel", do tempo do casamento dos meus Pais(tenho 50 anos) e tenho tamb�m o(na minha opini�o) fabuloso Tratado Completo de Cozinha e de Copa , de Carlos Bento da Maia, que foi da minha Av� Paterna, Maria In�s Trindade Antolin, uma das mais completas cozinheiras que na sua resid�ncia, na Ribeira de Santar�m, durante anos "oficiou", conforme ainda hoje h� quem possa testemunhar.

(Fernando Antolin)

*

Uma sugest�o: Instrumentos Musicais Populares Portugueses, obra justamente ainda hoje referida como "a b�blia" dos instrumentos musicais populares portugueses, da autoria de um etn�logo com um trabalho de campo extraordin�rio que escreveu diversas monografias sobre variados temas, desde A Arquitectura Tradicional Portugu�s, Espigueiros Portugueses, o fascinante Constru��es Primitivas em Portugal, Sistemas primitivos de moagem em Portugal, Moinhos de vento A�ores e Porto Santo, Manjares cerimoniais do Entrudo em Portugal, O linho: tecnologia tradicional portuguesa, Actividades agro-mar�timas em Portugal , Alfaia agr�cola portuguesa, Algumas notas sobre pis�es portugueses , Festividades c�clicas em Portugal , etc., etc., etc. Ou seja, um autor sem par, cuja obra � absolutamente essencial para entender o Portugal tradicional, que estar� de certo entre os vinte mais importantes do s�culo XX portugu�s, mesmo que n�o concorde em colocar, entre as primeiras vinte, nenhuma das suas obras.

OLIVEIRA, Ernesto Veiga de, 1910-1990
Instrumentos musicais populares portugueses / Ernesto Veiga de Oliveira. - Lisboa : Fund. Calouste Gulbenkian, 1966. - 239, [76], XXII p. : il. ; 31 cm

OLIVEIRA, Ernesto Veiga de, 1910-1990
Instrumentos musicais populares portugueses / Ernesto Veiga de Oliveira, an�lises e transcri��es musicais de Domingos Morais... [et al.]. - 2" ed. - Lisboa :
Gulbenkian, 1982. - 526 p. : il. ; 24 cm

OLIVEIRA, Ernesto Veiga de, 1910-1990
Instrumentos musicais populares portugueses / Ernesto Veiga de Oliveira, coord. Funda��o Calouste Gulbenkian, Museu Nacional de Etnologia, dir. Benjamim Pereira. - 3� ed. - Lisboa : F.C.G. : M.N.E., 2000. -
496 p. : il., not. mus. ; 26 cm. - Bibliografia, p.
480-490. - ISBN 972-666-075-0

Esta terceira edi��o inclui uma obra previamente publicada � parte intitulada Instrumentos Musicais Populares dos A�ores.

(Hnerique Oliveira)

*

Permita-me discordar da sua opini�o sobre o livro de gastronomia mais importante em l�ngua Portuguesa.

Sem d�vida que o trabalho de Maria de Lurdes Modesto sobre a cozinha tradicional Portuguesa � o mais importante que alguma vez foi feito, mas n�o � uma "Biblia da culin�ria". � apenas a Biblia da Cozinha tradicional de Portugal, importante sobretudo se atendermos ao trabalho de investiga��o necess�rio � sua elabora��o.

Existe apenas uma Biblia da culin�ria escrita em Portugu�s, Estou-me a referir ao Livro de Pantagruel de Bertha Rosa-Limpo. Fundamental para quem quiser dominar os "tachos".

(Lu�s Bonif�cio)

*

Posso sugerir mais duas obras de refer�ncia? Aqui v�o:

Rafael Bluteau, Vocabulario Portuguez e Latino (4 vols), Coimbra 1712-1728 Sebastiao Rodolfo Dalgado, Glossario Luso-Asiatico, 2 vols, Coimbra,
1919-1921. Acho estes imprescendiveis por quem estuda a hist�ria portuguesa pr�-moderna.

(Liam M. Brockey, Assistant Professor of History, Princeton University)

*

Sugest�o: Hist�ria da Literatura Portuguesa, de �scar Lopes e Ant�nio Jos� Saraiva.


(Jos� Carlos Santos)

*

Uma sugest�o: Hist�ria Universal, de C�sar Cantu., em 20 cols. Em cada volume, um cap�tulo dedicado a Portugal, da responsabilidade, salvo erro, de Ayres de Ornelas.
Excelente, cronologicamente e pela rela��o entre o que se passava em Portugal e no resto do Mundo � embora essa seja tarefa do leitor, facilitada apenas por estar contida no mesmo volume.

(Lu�s Manuel Rodrigues)
 


LENDO
VENDO
OUVINDO

�TOMOS E BITS

de 16 de Julho de 2006


No n�mero de Julho da The image �http://www.mdt.co.uk/PUBLIC/IMAGES/CM/Awards_Gram.gif� cannot be displayed, because it contains errors.dois artigos que valem a pena. Um, "Why are we obsessed with Shostakovich?"; o outro sobre o concerto da Boston Symphony Orchestra, em 18 de Janeiro de 1973, em que foi tocada a pe�a Four Organs de Steve Reich, a que s� faltou pancadaria na sala.

Um dia ser� interessante estudar por que raz�o os mel�manos s�o t�o dados ao tumulto. Lenine parece que disse que quando tinha que tomar decis�es dif�ceis n�o queria ouvir m�sica que o punha "mole". Outros s�o wagnerianos e sonham com a cavalaria alada para dizerem "I love the smell of napalm in the morning." N�o sei em que ficamos.

*
Em 1913, em Viena, num concerto com a Kammersymphonie No. 1 de Sch�nberg, n�o faltou pancadaria na sala! Reac��es apaixonadas... Um caso, num certo sentido inverso, � o de Freud, que parece que, quando uma banda tocava num dos coretos de Viena, imediatamente se afastava furibundo: dizia ele que detestava emocionar-se sem perceber porqu�...

(Carlos David Botelho)
 


RETRATOS DO TRABALHO EM ISRAEL



Agricultores.

(Jos� Manuel Fernandes)
 


EARLY MORNING BLOGS

819 - Vento sulla mezzaluna

.......................................Edimburgo

Il grande ponte non portava a te.
T�avrei raggiunta anche navigando
nelle chiaviche, a un tuo comando. Ma
gi� le forze, col sole sui cristalli
delle verande, andavano stremandosi.

L�uomo che predicava sul Crescente
mi chiese �Sai dov�� Dio?�. Lo sapevo
e glielo dissi. Scosse il capo. Sparve
nel turbine che prese uomini e case
e li sollev� in alto, sulla pece.

(Eugenio Montale)

*

Bom dia!

15.7.06
 


COISAS DA S�BADO:
SOLID�O QUEM A TEM CHAMA-LHE SUA: UMA EXPOSI��O �NICA DE UM PINTOR �NICO

http://www.unex.es/unex/servicios/comunicacion/archivo/2004/052004/19052004/art1/Image00012427A exposi��o n�o est� num dos espa�os mais nobres da Gulbenkian , com luz e �rvores ao fundo. Est� numa cave ao lado dos audit�rios. E, num certo sentido, esta escolha menor pareceu-me muito apropriada para exibir aquilo que � a mais completa exposi��o de Domingos Alvarez, o pintor galego do Porto. Aqueles quadros e desenhos, todos de muito pequena dimens�o, cabem bem nos fundos da Gulbenkian e o seu mundo sinistro ainda cabe melhor.

Alvarez � daqueles pintores que parecem dar raz�o � nega��o do biografismo que os estruturalistas exigiam. Vamos para a biografia, aos tempos e aos s�tios, e os quadros parecem mais triviais, cenas de pequenos entes � porta de tabernas, b�bados, cangalheiros, escritur�rios tristes em roupa que j� n�o se usa. Este mundo estava � porta de casa de Alvarez, e ele pintou-o como ele estava. Mas quero l� saber da verosimilhan�a, � em Kafka que penso a ver os quadros de Alvarez, � em coisas universais, muito longe das ruas interiores do Porto que ele retratou, das tabernas e das f�bricas, dos moinhos de Castela, da morrinha galego-minhota que parece estar a cair nalgum lado, mesmo quando os seus gnomos trazem guarda-chuva. Tamb�m pouco me cuida que Alvarez fosse culto ou n�o, que a sua pintura e os seus desenhos reflectissem uma hist�ria da pintura, um expressionismo ir�nico, ou um minimalismo tr�gico ou coisa nenhuma, uma espontaneidade genial e bruta. N�o quero de todo saber, pelo menos para j�. Quero ver.

A pintura de Alvarez n�o � ing�nua � metaf�sica. Aqueles homenzinhos pat�ticos, reduzidos a s�mbolos torturados ou hirtos s�o os homens do s�culo XX, mais n�meros do que homens, mais �cones do que homens, mais v�rgulas e pontos numa paisagem do que coisas que agem. Por isso, volto a Kafka, porque foi Kafka que primeiro nos mostrou que os homens do s�culo XX iriam ser assim, andando como John Cleese com passos de "silly walk", no meio de uma burocracia que lhes retira individualidade e poder.

 


RETRATOS DO TRABALHO EM GDANSK, POL�NIA


Fotojornalistas.

(Jos� Manuel Fernandes)
 


NUNCA � TARDE PARA APRENDER: UM CASAL

http://ec1.images-amazon.com/images/P/3791335871.01._AA240_SCLZZZZZZZ_V58488350_.jpg

No livro de Peter-Cornell Richter, Georgia O'Keeffe and Alfred Stieglitz, uma das mais expressivas fotografias de um casal.
 


EARLY MORNING BLOGS

818 - M�lange adult�re de tout

En Amerique, professeur;
En Angleterre, journaliste;
C'est � grands pas et en sueur
Que vous suivrez � peine ma piste.
En Yorkshire, conferencier;
A Londres, un peu banquier,
Vous me paierez bien la t�te.
C'est � Paris que je me coiffe
Casque noir de jemenfoutiste.
En Allemagne, philosophe
Surexcit� par Emporheben
Au grand air de Bergsteigleben;
J'erre toujours de-ci de-l�
A divers coups de tra la la
De Damas jusqu'� Omaha.
Je celebrai mon jour de f�te
Dans une oasis d'Afrique
V�tu d'une peau de girafe.

On montrera mon c�notaphe
Aux c�tes br�lantes de Mozambique.


(T.S.Eliot)

*

Bom dia!

14.7.06
 


PARA QUE FIQUE REGISTADO 2



Parece que o Parlamento Europeu quer ouvir o actual MNE, o director do Instituto Nacional de Avia��o Civil, Lu�s Almeida, o director do Servi�o de Estrangeiros e Fronteiras, Manuel Jarmela Palos, e o director-geral do Servi�o de Informa��es de Seguran�a, Antero Lu�s, a prop�sito da obscura quest�o do "caso dos voos da CIA". A proposta � de Ana Gomes (tinha que ser) e obteve a complac�ncia de Carlos Coelho, em ambos os casos tomando muito infelizes atitudes, para n�o dizer outra coisa. Espero bem que os nossos respons�veis nas �reas mais sens�veis da nossa pol�tica externa e seguran�a nacional digam claramente que n�o, que n�o aceitam este tipo de intromiss�es do PE num estado soberano.
 


BIBLIOFILIA: UMA COLEC��O POPULAR



Volumes da Colec��o "Novela", uma das muitas s�ries de publica��es populares existentes nos anos cinquenta e sessenta.
 


PARA QUE FIQUE REGISTADO



H� dias escrevi o seguinte:

"Se em cada medida de pol�tica se escolher a que mais nos d� liberdade, pol�tica, social, econ�mica, cultural, � esse o caminho. "

A proposta de reforma da seguran�a social apresentada por Marques Mendes em nome do PSD no �ltimo debate parlamentar vai neste sentido e � de louvar. Significa uma mudan�a pol�tica no presente e um compromisso para o futuro, que n�o devem ser ignoradas por raz�es sect�rias. � socialmente mais justa e � perfeitamente exequ�vel. E, mesmo n�o sendo puramente liberal, � mais liberal, d� mais liberdade. Corresponde ao "caminho".

Se o Primeiro-ministro e o governo tivessem argumentado contra esta proposta defendendo o seu modelo em termos ideol�gicos, v� que n�o v�. Agora, para mais com a arrog�ncia monumental que todos lhe permitimos, a come�ar pela comunica��o social, � absurdo que se responda com a minud�ncia da ret�rica parlamentar de "que a proposta veio tarde demais", quando se est� em pleno per�odo de discuss�o, o que mostra como � dif�cil ter espa�o p�blico para propostas alternativas, s�rias e pensadas. Sim, a come�ar pela comunica��o social, que tende a repetir o discurso governamental em mat�ria de seguran�a social, apresentando-o como "inevit�vel", e a minimizar as posi��es alternativas, fazendo eco da displic�ncia quase insultuosa de discursos como o de S�crates, Santos Silva e Alberto Martins no debate do "estado da na��o". Como � que se discute se tudo o que faz o governo nos � servido como "inevit�vel"? Sinal dos tempos. Pensamento �nico.

*

Agora, sobre o seu texto acerca da reforma da Seguran�a Social proposta por Marques Mendes. Claro que � uma boa id�ia que merece ser discutida e, na minha opini�o, implementada.

Trata-se de uma variante da id�ia que presidiu � reforma da Seguran�a Social no Chile em 1980 sob a direc��o do ent�o ministro do trabalho, Jos� Pi�era, e que entretanto tem vindo a ser adoptada, numa ou noutra das suas variantes, em outros pa�ses.

Para a hist�ria da id�ia, sua implementa��o e avalia��o de experi�ncias concretas da sua aplica��o, comece talvez por aqui.

(P. Arroja )
 


RETRATOS DO TRABALHO EM MEM MARTINS - LISBOA, PORTUGAL


Pinturas de rua e o �Rei dos alhos� em Mem Martins a maior freguesia de Portugal.

A banca est� mesmo ali ao lado.

(RM)

 


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES:



FUTEBOL�NDIAS DIVERSAS PARA UMA ANTROPOLOGIA DO FUTURO

H� uma enorme vantagem em usar o pretexto da Futebol�ndia para recordar os verdadeiros problemas do Pa�s. � que escrevendo sobre a Futebol�ndia, toda a gente l�. (� como convocar uma peregrina��o a F�tima para o dia 13 de Maio, ou fazer um apelo aos Futebolandeses para irem receber a selec��o nacional ao Est�dio).

Mais vantagem ainda h� em escrever sobre a Futebol�ndia para dizer mal dela. � que n�s n�o gostamos de ser apanhados a divertir-nos quando dev�amos estar a trabalhar. E a repreens�o marca, ma�a, chateia, em suma!

(RM)

*

E' um alivio ver terminar o mundial. Porque tambem aqui no reino unido e' zidane q abre os jornais. A bbc (a quem se fazem apologias constantemente, nao sei
porque) contracta um italiano para ler os labios do jogador do mesmo pais para saber q insultos magoaram zidane. Enquanto isso morrem britanicos no Afeganistao. Enquanto isso o Iraque... nem sei que dizer... Quem faz servico publico? Eu acho que apenas o "channel 4", pelo menos na informacao. Porque a bbc alem de futebol tem Ascot e o Wimbledon (para outras classes...)

(Miguel Filipe Cortes da Silva)

*

Interesso-me pouco por futebol, e pouco tenho pretens�es de perceber.
Interesso-me pouco por futebol e, por isso, poucos jogos vejo e, por isso, custa-me avaliar se os jogadores portugueses s�o piores ou iguais aos outros no que toca a simularem faltas, isto �, em batota para tentar prejudicar o advers�rio. Tenho d�vidas de que os comentadores estrangeiros sejam t�o descarados como os portugueses a elogiar essas mesmas faltas, mas, como digo, interesso-me pouco por futebol e, por isso, nunca ouvi um relato feito por estrangeiros e, por isso, n�o posso garantir a bondade das minhas d�vidas. Interesso-me pouco por futebol, mas, por vezes, leio uns textos do Francisco Jos� Viegas, ou do bloguista "Maradona", ou, como me aconteceu na semana passada, oi�o uns podcasts de gente divertida e inteligente a discutir futebol (no site do Daily Telegraph), e interrogo-me se n�o estarei a perder qualquer coisa. E l� vou tentar ver mais um jogo, tentar apreender as subtilezas do beautiful game. No Domingo vi a final do Mundial, aos bocados, que aquilo era subtil de mais para mim. Mas vi a parte em que o Zidane dava uma cabe�ada num italiano. Na Segunda-Feira, oi�o nas not�cias que o Zidane pode vir a ser eleito, oficialmente, o melhor jogador do Mundial. De algum modo, a beleza do beautiful game escapa-me mais uma vez.

(Frederico Pinheiro de Melo)

*

Na verdade, n�o moro em Portugal, ou Futebol�ndia, se o quiserem. S� que n�o me parece que a import�ncia que o futebol t�m em Portugal seja de modo algum superior � que tem noutros pa�ses. Dado ser o pa�s pequeno que mais se destaca no futebol internacional, diria at� que a import�ncia � pequena quando comparada �s Futebol�ndias estrangeiras.
Tem-se escrito como seria prefer�vel Portugal ser melhor noutras coisas. Talvez... ou talvez n�o. Dada a import�ncia que o futebol tem no mundo inteiro, estes 6 jogos de futebol foram a melhor publicidade que alguma vez poderia ter sido feita ao nosso pa�s. Acham que o Scolari ganha muito? Invistam esse dinheiro em outdoors pelo mundo e vejam se � t�o bom investimento.

Parece que ningu�m se lembra...a mem�ria � curta. Eu ainda n�o tenho 30 anos mas quantas vezes ouvi: "Portugal � na Europa?", "Portugal � uma cidade/prov�ncia espanhola?", e isto de europeus; imagino a total ignor�ncia sobre Portugal no resto do mundo.

Depois deste Mundial, Portugal � um pa�s que todo o mundo conhece, criancas de todo o mundo teem como �dolo o Cristiano Ronaldo, homens e mulheres de todo o mundo admiram o Figo (de formas diferentes). 78% dos votantes no site da FIFA elegeram Portugal como a equipa mais divertida de ver jogar - sao muitos milhares de pessoas, a maioria chineses! Os pa�ses grandes, em geral, passaram a ter-nos raiva, em vez do desprezo sobranceiro. Os espanh�is j� dobram a l�ngua, e os brasileiros olham-nos com surpresa e admira��o - de repente, notam os "la�os que sempre existiram entre as duas na��es".
E n�o � s� o futebol. A boa apar�ncia, o profissionalismo e a personalidade que os jogadores portugueses demonstraram neste Mundial v�o ficar por muito tempo associadas � ideia de Portugal.

Imaginam as consequencias econ�micas disto? "Made in Portugal" j� n�o � sin�nimo de "Made in Alb�nia". E as consequ�ncias na auto-estima de cada portugu�s? "Afinal a fartura em Portugal n�o tem que ser pior que a fome de fora, quem sabe eu n�o consigo fazer bem a minha actividade?". Para n�o falar na alegria e melhoria econ�mica que esta nova imagem de Portugal possibilita aos portugueses emigrados.

Deixemos de parte os orgulhos intelectuais e uma "objectividade" que ignora a ra�z do cora��o humano. Viva a histeria futebol�sitica, viva Portugal, e aproveitemos para capitalizar no sucesso dos nossos futebolistas!!

(Rodrigo Gouveia-Oliveira)

*

Meteoro...l�gica

Como habitualmente, ontem, os notici�rios da RDP inclu�am informa��o meteorol�gica.
A novidade era ficarmos a saber as temperaturas do ar em... Munique - onde jogava a selec��o.

(C. Medina Ribeiro)

*

H� 2 anos, em pleno Euro 2004, eu trabalhava como operador de Call Center numa empresa de telecomunica��es. Um dia, recebi uma chamada de um cliente a pedir o "toque do Hino da Selec��o" para o cart�o do seu telem�vel. Como procedimento da empresa, reformulei o pedido do cliente, perguntando se seria o "toque do Hino de Portugal". O cliente respondeu de imediato, parecendo um pouco aflito: "n�o, n�o, do Hino da Selec��o!", talvez receando que fosse enviado para o seu cart�o um toque diferente do desejado (obviamente, � o mesmo). Este cliente n�o queria confus�es!

(Pedro Marques)
*

Estou um pouco estupefacto pela import�ncia que voc� d� ao futebol. Embora seja criticando, a verdade � que d�!
Eu gosto de futebol. Sou s�cio de um clube. Percebo que quem n�o entende de futebol -e manifestamente o JPP n�o percebe- pense que � estupidificante o tempo gasto exaferadamente com o futebol. Reconhe�o que h� algo de irracional nesta febre do desporto. Mas convenhamos: voc� acha mesmo que o futebol aliena? Que � respons�vel por qualquer mel do pa�s? Pela crise, o deficite, os tais funcion�rios a mais, os politicos med�ocres? Acha que se n�o houvesse o campeonato do mundo os portugueses ligavam mais �s remodela��es? Que o pa�s se rebelava com qualquer medida? Que algu�m se indignava com as an�lises que comentadores e economistas fazem com a maior leviandade? Que algu�m se importa com a forma como os jornalistas d�o not�cias sem o minimo de escr�pulos de as investigarem?
Estou um pouco farto de culparem o futebol da aliena��o do pa�s e os funcion�rios das desgra�as dos problemas de Portugal.
Vivemos um tempo onde o direito h� revolta e � indigna��o n�o existem. Onde o facilitismo impera.
J� agora uma li��o do futebol. Uma equipa de futebol constitu�da por jogadores medianamente bons e menos bons, est� nas meias finais de um campeonato do mundo de futebol. A raz�o pode ser encontrada na gest�o, na capacidade de lideran�a de um treinador . Tivesse o pa�s alguns lideres assim e garanto-lhe que outra coisa seria Portugal.

(J. Leit�o)

F�RIAS NAS FOR�AS ARMADAS

Nem mais. Vamos chegar a Agosto e com a totalidade das unidades militares de f�rias, por exemplo. N�o havendo amea�a � vista e ainda por cima com as �ltimas miss�es militares no estrangeiro entregues � GNR, as FA de f�rias.
Naturalmente, a maioria dos membros do governo estar�, de f�rias, no MDN inclusive, ou com o novo Secret�rio de Estado a estudar os dossiers (para qu� a substitui��o de h� dias?).
Quanto ao flagelo dos inc�ndios, os �ltimos tr�s anos parece n�o terem ensinado nada a ningu�m. Quanto aos bombeiros mortos em combate, e para alem dos seus familiares, quem quer saber?
Cada militar em miss�es no exterior, se falecido durante a comiss�o, deixa � fam�lia um seguro de 50 mil euros, pago de imediato pela seguradora. Suportado pelo Estado, depois de na primeira miss�o (B�snia, 1996), ter sido suportado por mais de 90 por cento dos interessados (p�ra-quedistas).
Quanto e que tempo depois, espera receber cada fam�lia dos bombeiros?
Entremos portanto de f�rias:
Com os avi�es ligeiros e helic�pteros da For�a A�rea parqueados nas respectivas bases a�reas � dezenas de aparelhos.
Com os pilotos da FA, de f�rias.
Com duas dezenas de pilotos no Ex�rcito, que espera h� anos por helic�pteros, impedidos de voar pelas suas chefias! Estes est�o de f�rias h� anos!
Dispensados portanto de:
Termos o territ�rio do pa�s permanentemente vigiado do ar durante o dia.
Termos nos meios a�reos em voo um comandante dos bombeiros, para a direc��o e controlo dos destacamentos de bombeiros no solo, durante o combate aos inc�ndios.
De f�rias, a realidade surgir� l� mais para diante, cantando e rindo.

(Barroca Monteiro)

DO PATRIOTISMO EUROPEU


V. foi euro-deputado e por isso deve conhecer os "Eurobar�metros" (e at� talvez se tenha divertido a ler as perguntas por vezes capciosas). Mas j� viu o �ltimo, relativo � Primavera de 2006? Se n�o o tiver, eu mando-lhe um aqui de Bruxelas. L� se diz, na p�g. 51 da vers�o electr�nica, que �pela primeira vez em dez anos, a percentagem de portugueses que acreditam que pertencer � Uni�o Europeia � positivo desceu para abaixo dos 50 por cento�. Quando acabar o Mundial de Futebol, n�o ser� boa altura para falar nisto?

(E, j� agora, n�o resisto a um aparte: tamb�m por c� houve uma profus�o bacoca de bandeirinhas nacionais de v�rias cores. Mas nem no Berlaymont vi um �nico adepto a arvorar a bandeira azul com doze estrelas!)

(Manuel Costa)
 


RETRATOS DO TRABALHO EM TIJUANA, M�XICO



A fotografia mostra o trabalho de vendedores ambulantes na mais movimentada fronteira terrestre do mundo: a que separa a cidade mexicana de Tijuana do condado americano de San Diego. No regresso aos Estados Unidos, emigrantres, turistas, ou simplesmente trabalhadores mexicanos, esperam a sua vez para poderem passar a fronteira. No entretanto, outros tentam ganhar vida com as filas de espera.

(Fotografia tirada em Novembro de 2005 no lado mexicano por Lu�s Reino & Joana Santana.)
 


VIVER HABITUALMENTE



O festival patri�tico do futebol vai pouco a pouco entrando na normalidade. Os sindromas de abstin�ncia continuam a manifestar-se, mas � s� uma quest�o de tempo at� a euforia dar lugar � depress�o. Sozinhos, com o nosso pequeno mundo sem gl�ria voltamos ao habitualmente, sem grandeza e quase sem esperan�a. Tamb�m a isto podemos fechar os olhos, uma especialidade muito nossa, mas a realidade tem muita for�a e o �material tem sempre raz�o�.

No rescaldo do rescaldo, o incidente do pedido de isen��o fiscal para os pr�mios dos jogadores foi o primeiro sinal de que a nossa assustadora realidade estava bem ancorada por detr�s da ilus�o. De repente, os jogadores passaram de �her�is� a bestas que querem privil�gios do fisco, esse tenebroso monstro que personifica melhor do que ningu�m, junto com o subs�dio, o Estado. A Federa��o Portuguesa de Futebol lembrou-nos que, mais do que �nacionais�, os jogadores s�o �profissionais� o que, ali�s, � uma das raz�es do seu sucesso, e ousou quebrar o mito de que o dinheiro nada tem a ver com isto. E o dinheiro � hoje, na escala do nojo, muito pior do que o sexo. Os jogadores, que s�o na maioria dos casos trabalhadores qualificados no estrangeiro, seguem as regras do estrangeiro, as mesmas que fazem os emigrantes ter sucesso. Por c� a inveja social, a puls�o igualit�ria, a rasoira do m�rito l� surgiram na sua plenitude, mostrando a hipocrisia de tudo o resto.

As reac��es a tudo isto s�o interessantes e alimentar�o muita antropologia vindoura. Ver-se-� um retrato muito interessante do Portugal 2006 que nenhuma sondagem, nenhuma vota��o, nenhum inqu�rito de opini�o, revela com tanto rigor e primor. Intelectuais e povo, mostraram-se sem ambiguidades.

Os intelectuais � o que se sabe, tem uma longa tradi��o de justificar tudo. Tem uma outra longa tradi��o: escrevem quase sempre sobre si pr�prios e sobre o seu papel como conselheiros, consiglieri, sibilas e adivinhadores, mesmo quando parecem escrever sobre os outros. S�o muito sens�veis ao modo como a sociedade os trata e hoje a sociedade trata-os bastante mal, como o imp�rio das audi�ncias na televis�o, a queda de tiragens dos jornais, etc. revelam. A democracia e o acesso das massas aos consumos, incluindo os culturais, varreram-nos do seu papel e o longo lamento que fazem ouve-se em Andr�meda. S�o livres de me aplicar todas estas palavras, que � a maldi��o de quem as escreve, mas n�o h� maneira de as escrever sem esse risco.

Uns, como n�o conseguem vencer o �povo� (e todos os intelectuais querem �vencer� o povo e quem disser o contr�rio mente) juntam-se a eles. Houve muito disso, houve quase s� disso. Todos os dias dizem as maiores aleivosias contra o �povo� e contra os �portugueses�, mas chegados ao futebol tornam-se compreensivos e am�veis, �moscovitas� no sentido do poema de Pessoa, d�o todo o dinheiro, do bolso onde tem pouco.

Outros, a esp�cie mais perversa, deu uma no cravo e outra na ferradura, com cinismo quanto baste, sempre preocupados em n�o parecerem nefelibatas mas homens comuns e colocando-se no melhor lugar, na bancada mais alta, acima dos futeboleiros e acima dos cr�ticos do futebol. Na realidade. o �nico objectivo deste discurso � para criticar os cr�ticos do futebol que s� eles afrontam. Na verdade, odeiam mais os outros intelectuais do que o �povo� do futebol, a que tratam com complac�ncia. Quanto ao futebol, fumam mas n�o inalam. No Inferno de Dante h� um lugar para eles, o da acedia.

Sobra o �povo�, ou seja todos os que andaram estes dias em festa permanente. No �povo�, verifica-se mais uma vez uma velha suspeita que fazia as del�cias dos �fil�sofos portugueses� dos anos do salazarismo nas suas elucubra��es sobre a identidade nacional: os portugueses gostam de si pr�prios, est�o de bem com o �rect�ngulo� para usar a express�o de Alberto Jo�o Jardim, n�o tem problemas com Portugal. Somos bons, vibraram em un�ssono as almas e os corpos durante o Mundial, e, sabendo como somos bons, o Mundo do Mundial conspira contra n�s impedindo-nos de chegar � nossa putativa grandeza de melhores do mundo. H� sempre um �rbitro, um conluio, uma diferen�a de crit�rios. H� sempre uma conspira��o pelo caminho para impedir o Quinto Imp�rio. H� sempre um estrangeiro momentaneamente mais poderoso que n�s, que nos faz um Ultimatum.

Fazem falta, dir�o os velhos do Restelo, os fa�anhudos de antanho que brandindo a espada apareciam em sonhos ao fidalgo da Casa de Ramires e que faziam a diferen�a entre o sr. Oliveira da Figueira do Tintim e Fern�o Mendes Pinto e os seus companheiros. Mas, mal ou bem, � dessa ra�a que somos e esperamos sempre que um fantasma do passado nos venha redimir dos pecados da actualidade. D. Sebasti�o, claro est�, mas um D. Sebasti�o que vem para um povo que o merece.

Mas isto n�o � eterno e pode estar a acabar. A �ltima vez que and�mos a matar-nos uns aos outros foi no imediato p�s 28 de Maio, em que o conflito entre os �revolucion�rios nacionais� e os �republicanos� se fez de uma hist�ria violenta de revoltas com mortos, de deporta��es de ex�lios e de mudan�a maci�a de cargos e prebendas. N�o foi a mesma coisa que as lutas entre liberais e absolutistas, mas ao nosso n�vel ainda deu origem a umas centenas de mortos e a muita vida estragada.

Quero com isto dizer que h� muito tempo que nos entendemos uns com os outros muito bem e o unanimismo do futebol mostrou-o mais uma vez. Nem a guerra colonial nos dividiu de forma significativa, nem quando durou, nem quando acabou. Nem o Imp�rio escapou a uma indiferen�a activa em que somos especialistas. Centenas de milhares de portugueses regressaram, esperavam-se os maiores cataclismos pol�ticos, uma reedi��o dos pieds noirs franceses virando a balan�a pol�tica e zero. Os �retornados� vieram do nada e voltaram para o nada. O nosso s�lido entendimento continuou firme e hirto.

At� um dia. E esse dia o futebol o escondeu de novo. � que a enorme plasticidade do nosso tecido social, a sua capacidade de absorver conflitos tornando-os moderados e macios, tem um pre�o. Esse pre�o � uma troca entre um Estado que n�o se reforma, que n�o s� resiste � mudan�a como impede que nele caiba a mudan�a, e a modera��o do conflito social. Greves a s�rio, pancadaria nas ruas, viol�ncia social n�o existem, como tamb�m n�o existem reformas que mudem o Estado. A vantagem de uma paga-se com o pre�o das outras.

S� que o modelo de onde emana esse t�o eficaz estado-almofada est� esgotado e o miolo da almofada vai escasseando deixando ver a dureza do catre. A globaliza��o tirou-nos o bom ar portugu�s dos nossos tradicionais e queridos defeitos, que agora s�o cada vez mais apenas defeitos e isso confunde-nos. O futebol � � apenas ilus�o, n�o t�bua de salva��o. O mundo � nossa volta � o do fecho da GM na Azambuja e n�o se resolve a pontap� na bola. O que torna o futebol muito mais do que futebol � o seu poderoso ingrediente de escapismo, a �ltima coisa que precisamos em Portugal nos dias de hoje.

(No P�blico de ontem.)

*

O seu artigo de ontem do P�blico recordou-me duas not�cias:

- Li h� dias (n�o me lembro onde) que um estudo feito �s participa��es da Selec��o Inglesa nos mundiais de futebol revelou que os mundias onde aquela selec��o passou dos quartos-de-final foram precisamente aqueles que tiveram lugar em anos em que a economia do Reino Unido estava pior.

- Foi ontem mencionado na S�bado que os quatro pa�ses cujas selec��es chegaram �s meias-finais do �ltimo campeonato do mundo (It�lia, Fran�a, Alemanha e Portugal) s�o precisamente os quatro pa�ses da Uni�o Europeia com d�fice mais elevado.

Curioso, n�o?

(Jos� Carlos Santos)

*

N�o sendo uma adepta de futebol, acho de facto excessivas as suas observa��es e an�lises. Como tem sido dito e como constatei directamente (porque vi o Mundial na Eslov�nia e na Croacia) o entusiasmo com a sua futebol�ndia era geral: nas capitais destes dois pa�ses (Ljubljana e Zagreb, esta �ltima muit�ssimo mais interessante do que a outra) as esplanadas, todas com um aspecto irrepreens�vel, tinham grandes ecr�s gigantes e ficavam absolutamente repletas em cada jogo. Tamb�m constatei que a equipa portuguesa tinha muit�ssimos f�s, n�o s� entre Croatas e Eslovenos, mas entre italianos e outros. Na altura, esta sensa��o era agrad�vel.

O que � triste n�o � o entusiasmo com o futebol; o que � triste � que o futebol � o �nico indicador positivo sobre Portugal l� fora, mesmo que por vezes de forma injusta. Participei num congresso em Ljubljana sobre habita��o: no plen�rio inicial, uma investigadora eslovena fazia uma comunica��o sobre o panorama habitacional no seu pa�s. Fez ent�o uma an�lise comparada com Portugal, argumentando que era o caso mais semelhante. Estou perfeitamente convencida que ter� utilizado dados com mais de 30 anos, pois, entre v�rias coisas, referia o seguinte dado: Portugal tem mais de 40% de casas sem casa de banho. Isto � positivamente falso. Mas, qual � a legitimidade de dois portugueses, num congresso com cerca de 1000 pessoas, em contra-argumentar? A quest�o � esta: o que � triste � o desinvestimento em Portugal nas outras �reas. Se, para apresentar uma comunica��o num congresso internacional, um investigador tem que pagar parte das despesas do seu bolso...f�-lo pela sua carreira pessoal. Mas tem sempre, no seu d�stico identificativo, o nome do seu pa�s: PORTUGAL. Mas este nome � de facto um estigma a priori, sendo que o esfor�o que lhe � exigido para o desfazer � muit�ssimo superior ao dos cidad�os de outros pa�ses europeus. N�o � com iniciativas absurdas, como as da Associa��o dos Bolseiros de Investiga��o que se comporta numa l�gica sindicalista, que vamos l�: � com dinheiro e com profissionalismo.

E j� agora o fasc�nio que a equipa de Portugal exerce noutros povos europeus n�o � necessariamente positivo; pode muito bem ser revelador da vingan�a dos pequenos contra os poderosos. Relembro que o que � verdadeiramente escandaloso � o jantar no parlamento dos "deputados drag�es" com direito a honras do presidente da assembleia.

(Sandra Marques Pereira)

*

Voc� deve se o �nico que consegue manter-se indiferente ao futebol
Li o seu artigo, hoje, no p�blico, e voc� est� frio, r�gido e indiferente a uma festarola genuinamente popular
Se puder explique-nos porqu� que o escapadismo � mau, quando todos andamos � procura de escapar a qualquer coisa.
A pr�prio Hist�ria, sua dama, pode ser a sua maneira de escapar ao "seu" presente ( ao futuro n�o direi, pois todos os sociologos/historiadores gostam muito de fazer as leis da hist�ria futura)
Essa de n�o aderir �s emo��es que ineg�velmente o futebol gera (experimente ir a um est�dio, nos dia de boom) deve ser um bloqueamento seu contra o popularucho.Porqu�? Talvez um complexo de superioridade.

(Alice Nunes)
 


EARLY MORNING BLOGS

817 - Se�oras damas

e�oras damas. Resplandeciente virtud. Estrellas relumbrantes. Gloria de los cavalleros. Espejo de gala. Celestial hermosura. Exemplo de crian�a. Graciosa conversaci�n. Leyes y mando en la tierra para dar vida y muerte y fama de inmortal memoria. Qui�n ser� tan ignorante que no conozca todo lo sobredicho ser poca alaban�a para tanto merecimiento. No ay ninguno que ignore que con mucha raz�n os podemos dezir se�oras damas, pues soys tan se�oras que no ay poder humano que sea poder delante el vuestro. Si no, d�game alguno qu� poder humano ay en esta vida que pueda hazer una tan gran cosa como las damas hazen en mudar un hombre y hazelle todo otro de lo que es. Ninguno en este mundo podr� hazer de un covarde valiente ni de un avaro liberal sino estas tan poderosas se�oras que mudan condici�n, ser y vida al hombre que por ellas es hombre. Tambi�n con mucha raz�n os podemos dezir resplandeciente virtud. Pues siendo la mesma virtud, resplandec�ys tanto en virtudes que ceg�ys a todos los ojos que con vicio os miran, como el rayo del sol a la vista humana, y days tan clara y fuerte vista a los ojos que con virtud os miran como tiene el �guila mirando el rayo del sol. Tambi�n con mucha raz�n os podemos dezir estrellas relumbrantes, pues pareciendo por la tierra entre la vulgar gente relumbr�ys como las estrellas del cielo entre las tinieblas de la noche. Tambi�n con mucha raz�n hos podemos dezir gloria de los cavalleros, pues todo lo que parece trabajo por servir las damas es gloria. Que si la gloria es descanso de trabajos y contentamiento de vista y alegr�a de pensamientos, �qu� otra cosa es el trabajo del cavallero sirviendo su dama como cavallero sino descanso? �Y qu� mayor contentamiento en este mundo para la vista que ver una gentil dama? �Ni qu� mayor alegr�a de pensamiento que veros servidor de quien os haze tan se�or? No parece el se�or ser tan se�or ni el cavallero tan cavallero, sino serviendo las damas con tales servicios, que el trabajo se convierta en descanso y el mirar en contentamiento, y el pensar en alegr�a. Tambi�n con mucha raz�n os podemos dezir espejo de gala, pues nunca se tiene el cavallero ni es tenido por perfecto gal�n muy bien aderes�ado de cuerpo y de alma, sino quando las damas dizen que lo es. Pues si el cavallero no es gal�n si las damas no lo dizen, con mucha raz�n las podemos tener por la misma gala, pues el buen parescer dellas es espejo de gala, donde nos avemos de mirar para parescer bien. Tambi�n con mucha raz�n hos podemos dezir celestial hermosura, pues ninguna hermosura parece tanto ser venida del cielo como la de las damas y se�oras. Que aunque toda hermosura es criada por el criador de todos, en las damas se paresce m�s aquello que dize: signatum est super nos lumenvultus tui domine.

(Luis Mil�n, Libro de motes de damas y caballeros)

*

Bom dia!
 


INTEND�NCIA

Actualizadas as notas NUNCA � TARDE PARA APRENDER: MAIS DIAS DO FIM e DUAS LISTAS NEGRAS DO FISCO E N�O UMA S�.

13.7.06
 


LENDO
VENDO
OUVINDO

�TOMOS E BITS

de 13 de Julho de 2006


Sobre o nosso estimado Rocketboom (que agora recebo no iPod) e as suas atribula��es:
N�o sei se tem acompanhado a recente sa�da da "nossa" Amanda Congdon do Rocketboom. � muito interessante verificar como � que uma sa�da aparentemente pac�fica (na vers�o "oficial" dada inicialmente pelo propriet�rio do blog) rapidamente se tornou num acontecimento nacional nos EUA, com destaque na CNN, WPost, NYT, NBC News, TimesOnline, etc.. Outro facto interessante, � a grande dificuldade em distorcer factos perante os actuais recursos tecnol�gicos. O propriet�rio (em 51%) e s�cio da apresentadora (49%) do blog em quest�o veio dizer que esta tinha querido ir para LA para prosseguir a sua carreira em Hollywood, o que em si mesmo era imcompat�vel com a manuten��o do programa, sendo imediatamente desmentido no pr�prio blog da apresentadora (www.amandaunboomed.blogspot.com), no qual, atrav�s de um v�deo, a mesma apresenta a sua vers�o dos factos.

Tudo isto � imediato, sem filtros, sem grandes tratamentos. Acho que seria interessante referi-lo como mais uma demonstra��o das tend�ncias actuais dos media, real�ando a import�ncia dos blogs. Nesse sentido, h� uma entrevista muito interessante (penso que com data de ontem) feita pela NBC News a Amanda Congdon, na qual o entrevistador lhe pergunta o que a atrai nos novos media, por compara��o com os "velhos" media. A resposta � peculiar. Veremos se ela se transfere para os "velhos" media, arrastando consigo uma legi�o de 300.000 leitores/ espectadores e, se for esse o caso, por quanto tempo os consegue manter num formato diferente.

(Rui Esperan�a)
 


DUAS LISTAS NEGRAS DO FISCO E N�O UMA S�
[Continua��o e actualiza��o]




O estado n�o � uma pessoa de bem... Exige juros de 7% e paga 2%, exige d�vidas mas deve, e o mais perto que algu�m esteve de admitir esse facto foi o ex. Primeiro Ministro Santana Lopes quando disse "O estado � uma pessoa de bem". Como dizia algu�m (Madeleine Albright ?) �O contr�rio da verdade j� � suficientemente pr�ximo da verdade�. Ora como podemos continuar a insistir na hip�crita ideia de que o estado pode e deve reger-se por leis diferentes das que aplica a todos os outros cidad�os !

(Luis Filipe)

*

Sob todos os aspectos o Estado � caloteiro; na sequencia dum despejo,foi accionado (apos 4 anos em tribunal) o fiador . Este foi obrigado a pagar a quantia em divida (sou um senhorio cheio de sorte) num prazo de um mes. Adivinhe quanto tempo demorou o tribunal a transferir a verba paga ? Eu ajudo - 3 (tr�s) anos ! Acha que recebi juros ? Deixo-lhe esta para adivinhar agora sem ajuda...


(A.Noronha)

*

Quanto � lista dos devedores ao Fisco, e dentro do debate que vem a ser efectuado no ?Abrupto?, ocorre-me perguntar: para qu�? O que � que se pretende atingir com semelhante medida? Que eu saiba, Portugal � um Estado de Direito, o que significa que na sua rela��o com os cidad�os se tem que pautar por formas e crit�rios de Direito - e apenas por esses. Se existem d�vidas, essas d�vidas devem ser reembolsadas, mas tudo quanto o Estado est� legitimado para fazer �, junto dos cidad�os em falta, insistir e, sendo o caso, diligenciar pela sua regulariza��o. Para o reembolso, ainda que coercivo, de d�vidas, ainda que fiscais, existem procedimentos jur�dicos institucionalizados, e s�o esses, e apenas esses, que podem ser usados. E para al�m do Estado, que � o credor, n�o vejo a quem mais possa interessar saber, se o cidad�o A ou B ou C deve alguma verba ao Fisco. Ao cidad�o o que interessa � que o Estado tenha as suas finan�as em ordem, e n�o o motivo pelo qual as n�o tem. Esta publica��o de listas tem, obviamente, uma finalidade infamante. Por�m, a inf�mia n�o � um meio jur�dico admiss�vel num Estado de Direito, seja para atingir o fim que f�r. Mesmo que o Estado se debata com problemas de organiza��o ou de car�ncias em pessoal e instala��es, ainda assim a inf�mia n�o consta do elenco dos recursos jur�dicos dispon�veis.

Este procedimento traduz-se afinal em qu�? Em lan�ar os cidad�os uns contra os outros, criando ressentimentos pessoais, fazendo dos cidad�os fiscais e ju�zes rec�procos, sem que para tal tenham a devida isen��o, enquanto o Estado, que � o �nico respons�vel por se ter chegado a este ponto, se demite das suas pr�prias responsabilidades. O problema das d�vidas fiscais- dito de outra forma, o problema do financiamento do Estado ? n�o se resolve com a publica��o de listas infamantes. � muito mais dif�cil do que isso.

(Jo�o Alexandrino Fernandes)
 


EARLY MORNING BLOGS

816 - ...pares�e que llorades vuestro da�o e non amades al asno.

L�esse otro exiemplo.

L�esse en el Libro de los siete dones del Sp�ritu Sancto que un homne sancto religioso fue rogado que visitasse a una due�a, mujer de un grand pr�ncipe que muriera, el cual, como viniesse a ella, d�xole un tal exiemplo:

-En el mi monesterio hav�a un asno muy bueno e muy provechoso a los frailes del dicho monesterio, e acaes�i� que vino un pr�ncipe al dicho monesterio, e, como oyesse la bondat de aquel asno, quiso en todas maneras haverlo, e demand�noslo. E porque �ramos mucho obligados a �l, non podimos negarlo. E como los dichos frailes hoviessen grand dolor de la p�rdida del asno, acaesci� que aquel pr�ncipe torn� una vez al monesterio e traxo consigo el asno, e como lo viessen los frailes m�s gordo e m�s fermoso e bien guarne�ido de buen albarda e cubierta, comen�aron de llorar e haver grand dolor por �l, m�s que hovieron de antes cuando le dieron. Enton�es d�xoles un sabidor: "�Por qu� llorades ass� aquel asno?, ca mejor come agora e m�s fuelga e menos trabaja. E, ass�, pares�e que llorades vuestro da�o e non amades al asno".

(Exemplos muy Notables, manuscrito 5.626 da Biblioteca Nacional de Madrid )

*

Bom dia!
 


RETRATOS DO TRABALHO EM C�JA-ARGANIL, PORTUGAL



Profiss�o de �dorador� na �rea da conserva��o e restauro de arte sacra.

(Daniel Fonseca)

12.7.06
 


TEORIA DAS CAIXINHAS - APLICA��ES JORNAL�STICAS

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(Continua)
 


TEORIA DAS CAIXINHAS - FONTES

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1. Little boxes on the hillside,
Little boxes made of ticky-tacky,
Little boxes, little boxes,
Little boxes, all the same.
There's a green one and a pink one
And a blue one and a yellow one
And they're all made out of ticky-tacky
And they all look just the same.

2. And the people in the houses
All go to the university,
And they all get put in boxes,
Little boxes, all the same.
And there's doctors and there's lawyers
And business executives,
And they're all made out of ticky-tacky
And they all look just the same.

3. And they all play on the golf-course,
And drink their Martini dry,
And they all have pretty children,
And the children go to school.
And the children go to summer camp
And then to the university,
And they all get put in boxes
And they all come out the same.

4. And the boys go into business,
And marry, and raise a family,
And they all get put in boxes,
Little boxes, all the same.
There's a green one and a pink one
And a blue one and a yellow one
And they're all made out of ticky-tacky
And they all look just the same.

(Malvina Reynolds )
 


INTEND�NCIA

Actualiza��o de COISAS DA S�BADO: DUAS LISTAS NEGRAS DO FISCO E N�O UMA S�.
 


SCRITTI VENETI



Pormenor do t�mulo de Joseph Brodsky na Isola de San Michele em Veneza: algu�m deixou um manuscrito numa pasta de pl�stico, pedrinhas, canetas, uma foto. Pequenas dedica��es.

11.7.06
 


SCRITTI VENETI



 


COISAS DA S�BADO:
DUAS LISTAS NEGRAS DO FISCO E N�O UMA S�




Eu do Fisco quero a publica��o de duas listas negras e n�o de uma s�. Quero a dos contribuintes em falta para com o Fisco, e quero a do Fisco em falta para os contribuintes. Em bom rigor dever�amos ter uma lista permanente das d�vidas do Estado aos seus concidad�os para se perceber at� que ponto o estado n�o d� o exemplo que exige aos outros. E tamb�m quero responsabilidade na elabora��o das listas, penaliza��es claras para os servi�os que cometam erros, meios r�pidos e dr�sticos para redimir informa��es falsas que afectem o bom-nome dos cidad�os. O Fisco � hoje um dos instrumentos mais eficazes para atirar para a lama cidad�os e empresas, por isso todo o cuidado � pouco e h� males que s�o irremedi�veis. Se querem usar armamento pesado, que penso ser leg�timo usar para quem o merece, ao menos que usem do inteligente para minimizar �danos colaterais�.

Ah! E volto ao princ�pio, n�o se esque�am que s�o duas listas. Duas listas. Duas listas.

*
A prop�sito do seu post "Duas listas negras do fisco e n�o uma s�", permita-me que lhe sugira uma terceira lista negra: a das d�vidas do Estado aos Advogados oficiosos. De facto, estes desde Dezembro passado que n�o s�o pagos pelas dilig�ncias oficiosas que patrocinaram - o que, como � �bvio, afecta sobremaneira os Advogados mais jovens cujos rendimentos dependem bastante de tais servi�os.

N�o deixa de ser ir�nico tratar-se do mesmo Estado que, por via dos tribunais, condena os cidad�os que n�o cumprem pontualmente com as suas obriga��es

(Jos� Manuel de Figueiredo)

*

"Eu do Fisco quero a publica��o de duas listas negras e n�o de uma s�".

Esta sua frase juntamente com os mailes dos seus leitores que se seguem, aconchegaram-me o esp�rito, uma vez que gradualmente (j� h� muito tempo) se assiste na blogosfera a um coro de vozes livres dando forma, sem estarem formatadas, ao repto de Pedro Arroja no Blasf�mias - responder aos desmandos do Estado. Efectivamente, como repara um belga que conhe�o, residente em Portugal h� muitos anos, ainda vivemos num sistema com tiques fascistas - fascista o Estado e fascistas os cidad�os porque ainda n�o conseguem (por defeito) insurgir-se contra ele - por medo, e quando as vozes se levantam, n�o s�o pac�ficas - s�o de revolta, porque acho que, logo � partida, j� sabemos que vamos perder.

As listas, as duas, aposto que h�o-de ficar s� pela inten��o. Sen�o, h�-de ver a luz do dia uma �nica e inf�me.

(Maria Baldinho)

*

J� que tanto se fala de Fisco e de futebol: Algu�m sabe informar como vai o Totoneg�cio?

(C. Medina Ribeiro)

*

(...)se em principio a lista de devedores ser� divuldada em algum portal da DGCI como por exemplo o das Declara��es Electr�nicas porque n�o criam os pr�prios credores o portal que reclama no seu artigo. N�o seria talvez mais justo e respons�vel at� para termos pelos um bocadinho de menor e melhor Estado de que toda a gente anda � procura.

(Ant�nio Fonseca)

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Concordo em absoluto com a sua pretens�o de o Fisco dever publicar duas listas negras e n�o apenas uma. Por�m, em tudo isto h� muito fumo. Relativamente �s listas de devedores, parece-me relevante que a metodologia do Fisco na cobran�a das d�vidas assente no princ�pio de que os fins justificam os meios. O problema come�a quando os fins s�o diferentes. Por exemplo, ao mais comum dos cidad�os, muito provavelmente da quase extinta classe m�dia, a m�quina fiscal � extremamente eficiente na cobran�a das suas d�vidas, nomeadamente atrav�s da reten��o do reembolso do IRS. Por outro lado, as not�cias que v�m a p�blico � que, por exemplo, os clubes de futebol devem milhares de euros ao Fisco e aqui, para uns naturalmente, a m�quina fiscal � tolerante. Esta "pequena" nuance pode n�o ser significativa para aqueles que gostam de futebol mas a mim parece-me exemplar na representa��o dos princ�pios de actua��o do Fisco e que s�o sobretudo de discrimina��o. Sendo os fins diferentes, em termos de import�ncia, os meios tamb�m s�o necessariamente diferentes. E sendo as listas de devedores um meio, estou curioso para verificar se de facto elas incluem o grupo dos "intoc�veis". Por outro lado, o facto de o Fisco querer publicar apenas uma lista n�o � dissonante com o "ser portugu�s". Recordo-me de uma mercearia no norte do pa�s ter colado na sua montra um papel com os nomes das pessoas que deviam mas de modo algum colou um papel com o nome dos seus credores. Normalmente, queixamo-nos de quem nos deve e raramente queixamo-nos a quem devemos. Quero com isto dizer que este m�todo � unidireccional e tem claramente uma vertente ad hominem que � muito t�pica do "ser portugu�s". O processo consiste em criar na "v�tima" sentimentos de vergonha, de culpa e de medo. E s�o precisamente estes sentimentos que levam a "v�tima" a fazer tudo por tudo para pagar o que deve e recuperar o "bom nome" e a "honra". Os problemas come�am quando o "fazer tudo por tudo" n�o chega. Isto leva-nos para outra conversa sobre a toler�ncia do Fisco mas isso por enquanto fica para outras n�pcias. Resumindo, concluindo e baralhando, o que mais me inquieta � de facto o que est� por detr�s de tudo isto. E que ningu�m v�. � o tal fumo. E o que est� por detr�s de tudo isto � a manipula��o arrogante por parte do Estado com o fim �ltimo de nos aterrorizar a vida para sacar o seu leg�timo quinh�o. Na pr�tica, convenhamos, � uma esp�cie de pr�-contencioso muito mais barato. E para esta administra��o, os fins justificam qualquer tipo de meios. Desde que os fins sejam devedores, � claro.

(Ricardo S. Reis dos Santos)

*

Ainda a prop�sito das listas, s� o seguinte desabafo: acho detest�vel que um Estado que n�o consegue cumprir com as suas obriga��es tenha uma autoriza��o autom�tica para inspeccionar as contas banc�rias dos seus cidad�os-contribuintes perante qualquer, sublinho, qualquer incorrec��o verificada por parte destes. N�o � certamente o mais importante, mas uma das coisas que prezo � a discri��o no que concerne � minha (e dos meus) situa��o financeira. Isto � tanto mais verdade, quanto � comprov�vel que parte pelo menos significativa das vezes � o pr�prio Estado a cometer incorrec��es (que, justamente, podem levar - e levar�o de ora em diante - � quebra do sigilo banc�rio). Como contribuinte respeitador, considero isto uma falta de respeito pelo direito � privacidade e discri��o. Quem me garante a mim que os senhores funcion�rios das Finan�as, ainda que obrigados a tal, n�o "brincam" com tais informa��es? Quem me garante a mim que o funcion�rio das Finan�as que, por acaso, � meu vizinho e me conhece (e eu, que o conhe�o, n�o fa�o sequer ideia do que ele faz), por acaso tamb�m andou a verificar a minha situa��o financeira, s� porque existe uma incorrec��o de 10 ou 20 ou 100 ou 1000 euros relativa aos impostos do ano passado?

Como � �bvio, o sistema das autoriza��es judiciais n�o funcionava, pelo menos para o comum das situa��es. N�o duvido, por�m, que era a mais justa e respeitadora de um Estado de Direito Democr�tico (express�o cada vez mais vazia de sentido, devendo (voltar a) ser substitu�da por Estado-Pol�cia), s� que, por incapacidade dos tribunais e de articula��o destes com a administra��o fiscal, o Governo teve que optar por uma solu��o mais f�cil e c�lere. N�o importa se os direitos dos cidad�os ficam postos em causa. Mais uma vez s�o estes que pagam as incapacidades de funcionamento da m�quina. Esta, por�m, continua a alimentar-se a ela pr�pria de forma voraz e incontrol�vel.

(Rui Esperan�a)

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Acabo de ler o seu blog e lamento que n�o se fa�a o que pede. J� agora o que pede, tamb�m, o leitor Nuno Dias. N�o sou dos penalizados, mas privo com quem o �; inclusivamente conhe�o casos (plural) de quem tem de contrair empr�stimos banc�rios para pagar o IVA devido, referente a facturas que o Estado n�o pagou no prazo, ou mesmo o IRS, se o ano fiscal mudou. Os juros ao banco n�o s�o pequenos e n�o � o Estado (devedor e sempre com as costas quentes) que os pagam. E nem todos t�m liquidez para pagar os impostos e, simultaneamente, alimentar a fam�lia�

Duas listas. Diz bem: duas listas

(Gon�alo Wahnon)

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Enquanto se discute a public��o ou n�o da lista dos devedores ao Fisco, ningu�m parecem preocupado pelo facto de ano atr�s de ano o Estado restituir aos contribuintes pagadores fora de hora e sem a devida taxa de juro o imposto indevidamente cobrado Ou seja, ano a ano o Fisco n�o cumpre a legisla��o em vigor e, ao que parece, ningu�m se sente atingido. De facto em Portugal, pa�s corrupto e laxista, a Justi�a s� funciona para os pequeninos, os Grandes e os Poderosos n�o podiam estar melhor, nem na Col�mbia...

(Alberto Fernando S� Resende )

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A prop�sito das "listas",(...) n�o tem no Parlamento a mesma facilidade que h� no PE de dirigir "perguntas escritas" e efectivamente obter uma resposta ? o regulamento permite-o ? seria interessante pedir uma destas listas.(Manuel Pinheiro)




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Se me permite e a prop�sito da queixa que faz no seu blogue pedindo a publica��o da lista de d�vidas do estado a credores pela administra��o fiscal deixe-me dizer-lhe que n�o faz nenhum sentido. Uma coisa � o papel da cobran�a de d�vidas ao cidad�o comum pelo org�o competente, outra coisa inteiramente distinta s�o as m�s pr�ticas de gest�o e o laxismo que exista por cada cada organismo como entidade aut�noma e com capacidade para assumir compromissos. Este 'meter no mesmo saco' o 'monstro' Estado na an�lise pol�tica e na opini�o p�blica em geral s� vem trazer confus�es a estas mat�rias que em nada servem a reforma da administra��o p�blica. Veja-se a t�tulo de exemplo o caso recente da reforma no ensino onde s� se olhou para os 'casos' problem�ticos e de muitas outras mudan�as para as quais se relevam de imediato as m�s consequ�ncias que por vezes n�o passam de ser excep��es a um caso geral. Neste tipo de clima terrorista e vago n�o se vai a lado nenhum e s� saiem refor�adas as reac��es demag�gica. Como vai sendo h�bito a demagogia costuma tomar logo de rompante a primeira palavra e frequentemente no mesmo modo fica-se tamb�m pela �ltima. Isso � mau.(Ant�nio Fonseca)





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Se houvesse decoro n�o deviam publicar as listas de devedores ao fisco. Revelam que a Administra��o Fiscal n�o cumpriu o seu dever, que a legisla��o lhe confere. Esta situa��o � de todos os responsaveis pol�ticos dos �ltimos anos. Mas, parece que em Portugal, cada partido que vai para o Governo, estava em Marte, e fica surpreendido com o que encontra no pa�s. Haja dec�ncia!Tamb�m gostava que fosse publicada a lista das d�vidas do Estado �s empresas e aos particulares, e para n�o ser muito exigente, d�vidas superiores a um ano. Com certeza ter-se-ia de pedir aos credores essa informa��o, pois o Estado n�o a dever� conhecer nem est� muito interessado, pois trata os Portugueses com arrog�ncia. Desafio-o a pedir a economistas o estudo da influ�ncia desta situa��o na economia do Pa�s. Qual � a Empresa que pode pagar atempadamente aos seus fornecedores quando o cliente Estado se atraza com prazos superiores a 3 anos, e exige o pagamento dos impostos dessas d�vidas.Eu pr�prio sou credor dum Tribunal por peritagem efectuada � tr�s anos.(Dias Eug�nio , T�cnico Oficial de Contas)








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.. outras listas que eu gostava de ver:Tamb�m gostava de ver a lista dos cidad�os com processos de licenciamento (comercial, ambiental, tur�sticos, etc) sem resposta atempada.Conhe�o v�rios casos de investidores estrangeiros que acabaram por desistir de Portugal pelo tempo de demora a licenciar as actividades. Poder�o n�o ser investimentos da dimens�o de uma Opel, n�o ter dimens�o para vir nos jornais. Mas s�o uma aut�ntica sangria. N�o s� no investimento estrangeiro que se perde como no nacional que definha.Tamb�m gostava que houvesse um prazo para decis�o de processos judiciais e que houvesse uma lista dos cidad�os que esperam essas respostas.Sobre isto, penso que � dispens�vel exemplificar.Tamb�m gostava de ver a lista de diplomas de regulamenta��o previstos em leis e decretos-leis e os respectivos prazos de elabora��o e saber o tempo de incumprimento dos mesmos.A t�tulo de exemplo, veja-se o art. 13� do DL n� 53-A/98, de 11 de Mar�o.(Nuno Dias)









 


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815 - Quien so grande brevedad / Dessea ver gran sentencia...


Aunque recela no teme
El cora��n qu�es sin culpa,
Pues la verdad lo desculpa.

Si quiebra la lealtad,
Para tan fea rotura
No se halla soldadura.

Averiguado es y cierto
Que quien no sabe callar
No puede saber hablar.

La yra y la presteza
Al consejo son contrarias,
Y muy duras y adversarias.

Desconcierto yo no hallo
Que tanto me descontente
Como estar con ruin gente.

Lo que a tu amigo dieres
No lo temas ya perder,
Que tuyo siempre ha de ser.

El que merca muchas cosas
Sin haverlas menester,
Lo que cumple ha de vender.

Del yp�crita no fies,
Que a lo baxo el s�encara
Y en lo m�s alto despara.

Recela y huye m�s
La embidia del amigo
Qu�el odio del enemigo.

No hallo tierras agenas
Para [e]l qu�es fuerte var�n,
Pues patria todas le son.

No dexes para despu�s
Lo que bien luego pudieres,
Si t� sabio ser quisieres.

Nunca falta galard�n
De virtud al virtuoso,
Ni de mal al malicioso.

(Trezientos proverbios, consejos y avisos muy provechosos para el discurso de nuestra humana vida. Compuestos por muy breve estillo por el noble don Pedro Luys Sanz, Doctor en derechos, advogado de la insigne ciudad de Valencia, etc.)

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Bom dia!

10.7.06
 


RETRATOS DO TRABALHO EM PINAMAR, ARGENTINA



Ferrando um cavalo em Pinamar, cidade balnear argentina.

(Francisco F. Teixeira)
 


L� VAMOS CANTANDO E RINDO...

http://www.occultopedia.com/images_/titanic_sinking1.jpg

Pr�xima agenda nacional: f�rias. F�rias a seguir a f�rias, porque isto do Mundial foram tamb�m f�rias. Duvido que este festival de "auto-estima" n�o d� lugar a uma maior depress�o. E n�o demorar� muito tempo. Os fogos continuam a bom ritmo, matando pelo caminho. Mas, como foram chilenos a maioria dos mortos, sem estarem embrulhados nas cores verde-rubras, n�o haver� muita como��o. L� por Outubro, com as primeiras chuvas, com os meninos a ir para a escola, os engarrafamentos, a insuport�vel banalidade do dia a dia, a bolsa a apertar, as d�vidas para pagar, como acontece sempre estas euforias v�o azedar-se em m�ltiplas irrita��es. E como � que podia deixar de ser assim? O que � que constru�mos para ser diferente? Onde � que trabalh�mos para ter mais? Onde � que poup�mos para os dias maus? O que � que aprendemos para nos melhorarmos? Para onde foi o tempo? A culpa ser� certamente dos "pol�ticos", como � costume.

Volto � minha velha imagem: parece o Titanic, com a orquestra a tocar e a maioria dos viajantes convencida de que � mais um concerto, mais um jogo, mais um Rock in Rio, tudo est� bem, curte-se esta cena boa, amanh� se ver�. Mais uma cerveja, mais um cachecol, mais uma bandeira, mais um "�s armas" que "n�s at� os comemos!". E a �gua gelada a subir no por�o, atingindo primeiro os da "terceira classe", mas subindo sempre. Sempre.
 


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814 - ... s'il parlait peu, il �coutait beaucoup...


Il �tait une fois un b�cheron et une b�cheronne qui avaient sept enfants, tous des gar�ons. L'a�n� n'avait que dix ans et le plus jeune n'en avait que sept. On s'�tonnera que le b�cheron ait eu tant d'enfants en si peu de temps; mais c'est que sa femme allait vite en besogne, et n'en faisait pas moins de deux � la fois. Ils �taient tr�s pauvres, et leurs sept enfants les incommodaient beaucoup, parce qu'aucun d'eux ne pouvait encore gagner sa vie. Ce qui les chagrinait encore, c'est que le plus jeune �tait fort d�licat et ne disait mot : prenant pour b�tise ce qui �tait une marque de la bont� de son esprit. Il �tait tout petit, et quand il vint au monde, il n'�tait gu�re plus gros que le pouce, ce qui fit que l'on l'appela le petit Poucet. Ce pauvre enfant �tait le souffre-douleurs de la maison, et on lui donnait toujours tort. Cependant il �tait le plus fin, et le plus avis� de tous ses fr�res, et s'il parlait peu, il �coutait beaucoup.

(Charles Perrault, Le Petit Poucet)

*

Bom dia!

9.7.06
 


RETRATOS DO TRABALHO NA DISNEYL�NDIA, PARIS


Rato Mickey a trabalhar.

(Diana Gon�alves)
 


NUNCA � TARDE PARA APRENDER: OLHAR SOBRE N�S MESMOS

Jo�o Leal, Antropologia em Portugal. Mestres, Percursos, Transi��es, Livros Horizonte, 2006

Excelente, excelente livro para ler nestes dias em que os portugueses oferecem ao antrop�logo (e ao soci�logo) do futuro muitos materiais de an�lise! Quando quase nada um curioso podia encontrar sobre Portugal, havia sempre as recolhas de contos e lendas, os estudos de Jorge Dias, os desenhos de Galhano, os livros desirmanados (faltava sempre um volume) de Leite de Vasconcelos. Era por eles que se ia a Vilarinho das Furnas, era por eles que se ia a Rio de Onor. Por eles e pelo mito de que havia comunismo primitivo, como os cl�ssicos descreviam e n�s acredit�vamos. Em Rio de Onor, em Guadramil (por onde atravessei a fronteira clandestinamente), mais tarde no Barroso. Foi por um destes "mestres", Cutileiro, que me interessei pelos trabalhadores rurais alentejanos. Encontr�-los todos numa hist�ria da g�nese da antropologia em Portugal e perceber os seus passos contradit�rios, mas seguros, � o m�rito deste livro. Eles, sim, eram patriotas.
 


NUNCA � TARDE PARA APRENDER: MAIS DIAS DO FIM

http://www.westminsterbookshop.co.uk/images/475/1850436673.jpgKriszti�n Ungv�ry, Battle for Budapest, Nova Iorque, I.B. Tauris, 2003

Na extensa lista de batalhas, cercos, atrocidades, dias do fim, da II Guerra, a batalha de Budapeste � ignorada e pouco conhecida. E no entanto, � um caso quase �nico de um cerco a uma cidade em que a popula��o civil ficou retida (cerca de 800.000 pessoas), num campo de batalha urbano, em que alem�es, h�ngaros (aliados dos alem�es), russos, romenos e h�ngaros (que tinham desertado para o lado sovi�tico e participaram no combate), lutaram com enorme ferocidade. Ocorrida entre os �ltimos dias de 1944, e os meses de Janeiro e Fevereiro de 1945, pouco antes do fim da guerra, a batalha de Budapeste durou cem dias, num ambiente de fim de tudo, com a cidade formalmente controlada pelas mil�cias do movimento fascista Cruz de Flechas dirigido por Sz�lasi, que tinha tomado conta do poder num golpe de estado com apoio alem�o, quando Horthy tentou negociar um cessar-fogo com os aliados. Hitler impediu a guarni��o alem� de tentar quebrar o cerco quando tal era poss�vel, o que encurralou os seus oficiais e soldados numa luta casa a casa, e os levou a uma �ltima e desesperada tentativa de fuga, atrav�s dos esgotos e nos bosques circundantes, que resultou numa chacina. Na cidade, as mil�cias do Cruz de Flechas faziam execu��es sistem�ticas de todos os que lhes resistiam, incluindo muitos oficiais do ex�rcito regular h�ngaro, e dedicavam-se � persegui��o dos judeus. O destino dos judeus h�ngaros foi tr�gico, mas foi tamb�m em Budapeste nestes dias que v�rios diplomatas, incluindo portugueses, fizeram genu�nos esfor�os para salvar muitos membros da comunidade, com algum sucesso.

Quando, depois do fracasso das tentativas de fuga organizadas pelos alem�es, a partir do seu reduto final no Castelo de Buda, a cidade caiu nas m�os dos sovi�ticos, estes executaram um n�mero significativo de militares alem�es, incluindo os que se rendiam, e os feridos nos hospitais, num festival de viol�ncia que durou v�rios dias. Todos os testemunhos de sobreviventes, que sa�am das caves onde estavam escondidos, descrevem uma cidade silenciosa, aparentemente vazia, com as ruas cheias de cad�veres. O Dan�bio, cujos cais eram o local preferido para as execu��es dos milicianos do Cruz de Flechas, estava tamb�m pontuado de corpos presos no gelo. Era Inverno, tinha sido Natal h� pouco tempo e, tamb�m h� muito pouco tempo, a �pera de Budapeste dera a sua �ltima r�cita, j� com a cidade cercada.

*
Raoul Wallemberg foi o representante diplom�tico da Su�cia - pa�s neutral - em Budapeste nos �ltimos meses da 2.� Grande Guerra. Na verdade, era apenas parente muito afastado dos grandes industriais e financeiros suecos Wallemberg. De harmonia com instru��es do seu Governo, R. Wallenberg desenvolveu um important�ssimo papel na ajuda a in�meros refugiados judeus e n�o judeus durante o final do conflito, o que lhe valeu a m�-vontade sovi�tica. Moscovo levou muitos anos a reconhecer que o tinha preso sob uma vaga e certamente falsa acusa��o de espionagem e nunca esclareceu cabalmente qual o destino que lhe dera. Consta que uma das dificuldades dos sovi�ticos teria que ver com o facto do Ex�rcito Vermelho
ter-se apoderado de um avultado fundo oficial em ouro quando assaltou a Embaixada da Su�cia em Budapeste e prendeu R. Wallenberg. Era com esse fundo que a Embaixada negociava a liberta��o e o transporte dos refugiados, na sua maioria mulheres e crian�as. Nunca se soube o que aconteceu a esse ouro...

(Francisco F. Machado)

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O leitor �Pinto de S� faz refer�ncia ao grande diplomata Raoul Wallemberg. S� a t�tulo de curiosidade, a irm� desse diplomata, Nina Lagergreen, � m�e de Nane Annan, esposa de Koffi Anann, secret�rio-geral da ONU. O mundo � pequeno...

(Gabriel Silva)

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De Budapeste ainda guardo a imagem recente (pouco mais de um ano) de edif�cios no Castelo de Buda crivados de impactos de balas. Lembro tambem a homenagem no cemit�rio judaico, em laje rodeada de pedrinhas (que s�o as flores do culto judaico), a v�rios que os ajudaram no pavor da 2� guerra entre os quais est� o nome do diplomata portugu�s acreditado na altura em Budapeste (o nome escapa-me mas tenho impress�o que teria apelido Branquinho).

Curiosamente, na �rvore que lhe est� ao lado, artificial com folhas de prata oferecidas pelas fam�lias dos que morreram ou escaparam mas cuja mem�ria pretendem perpetuar, peguei numa folha ao acaso e li o nome que estava escrito: Spielberger. Que o c�lebre realizador saxonizou anos mais tarde. A Hist�ria, que se faz da hist�ria de cada um, � realmente fascinante.

De Budapeste hoje pr�ticamente n�o se tem ideia dos v�rios horrores que por l� correram, e os h�ngaros, n�o esquecendo a sua grande Hist�ria, d�o-lhe hoje um ar romanceado, her�ico e doce. Das boas recorda��es que de l� trouxe curiosamente a mais forte n�o teve a ver com a cidade pr�priamente dita: ao visitar o museu de Belas Artes deparei-me com um �leo de Gustavo Dor�, talvez pouco conhecido como pintor. Representava uma bela inglesa por quem ele certamente se apaixonou. Se h� pintura onde se demonstra o seu amor, pintando ao mesmo tempo a impossibilidade de o mostrar, est� ali numa parede de esquina da sec��o de impressionistas do Museu de Budapeste.

(Miguel Geraldes Cardoso)

*

(...) como nota �s atrocidades que voc� menciona, duas refer�ncias que sempre me impressionaram:

1. Uma das �experi�ncias� que os guardas de ferro faziam nas execu��es de judeus junto ao Dan�bio, era a de ver quantos se conseguiam matar com uma s� bala. Mandavam porem-se em linha os v�rios membros de uma fam�lia, e tentavam que a mesma bala os atravessasse a todos...

2. Um dos diplomatas que mais judeus ajudaram a escapar, foi o sueco Wallemberg. Quando os russos chegaram, por�m, ele �desapareceu�, e apesar de por muito tempo a Su�cia o ter reclamado, foi s� depois de Gorbachov que a R�ssia admitiu que o levara para uma pris�o no seu territ�rio, onde morrera nos anos 50. Ora Wallenberg pertencia a uma fam�lia capitalista sueca de origem aristocr�tica, muito conhecida ainda hoje por ser a principal propriet�ria da conhecida empresa de material el�ctrico pesado ABB...

(Pinto de S�)
 


EARLY MORNING BLOGS

813 - �Fiquem onde est�o!�

A vazia sand�lia de S. Francisco

A gratid�o da macieira e a amn�sia do gato
nunca pautaram o curso dos meus dias.
�Fiquem onde est�o!�,
foi a minha ordem para a macieira e para o gato,
ainda bem exteriores ao meu fraco por eles.

Salvei-os (e salvei-me!) de uma f�bula
cuja moral necessariamente devia ser eu, o parlante
amigo de macieiras e conhecido de gatos.

D� um certo desconforto malbaratar assim amigos
em dois reinos da natureza.
Mas tamb�m d� liberdade.

H� uma gente que desponta do outro lado do vale.
Est� a correr para c�.
S�o os meus semelhantes.
Com eles vou desentender-me (mais que certo!),
mas a ideia que deles fa�o
� ainda um la�o.

Repousem em paz as macieiras e os gatos.

(Alexandre O'Neill)

*

Bom dia!

8.7.06
 


EARLY MORNING BLOGS

812 - ...every walk is a sort of crusade...

I wish to speak a word for Nature, for absolute freedom and wildness, as contrasted with a freedom and culture merely civil--to regard man as an inhabitant, or a part and parcel of Nature, rather than a member of society. I wish to make an extreme statement, if so I may make an emphatic one, for there are enough champions of civilization: the minister and the school committee and every one of you will take care of that.

I have met with but one or two persons in the course of my life who understood the art of Walking, that is, of taking walks--who had a genius, so to speak, for sauntering, which word is beautifully derived "from idle people who roved about the country, in the Middle Ages, and asked charity, under pretense of going a la Sainte Terre," to the Holy Land, till the children exclaimed, "There goes a Sainte-Terrer," a Saunterer, a Holy-Lander. They who never go to the Holy Land in their walks, as they pretend, are indeed mere idlers and vagabonds; but they who do go there are saunterers in the good sense, such as I mean. Some, however, would derive the word from sans terre without land or a home, which, therefore, in the good sense, will mean, having no particular home, but equally at home everywhere. For this is the secret of successful sauntering. He who sits still in a house all the time may be the greatest vagrant of all; but the saunterer, in the good sense, is no more vagrant than the meandering river, which is all the while sedulously seeking the shortest course to the sea. But I prefer the first, which, indeed, is the most probable derivation. For every walk is a sort of crusade, preached by some Peter the Hermit in us, to go forth and reconquer this Holy Land from the hands of the Infidels.

It is true, we are but faint-hearted crusaders, even the walkers, nowadays, who undertake no persevering, never-ending enterprises. Our expeditions are but tours, and come round again at evening to the old hearth-side from which we set out. Half the walk is but retracing our steps. We should go forth on the shortest walk, perchance, in the spirit of undying adventure, never to return-- prepared to send back our embalmed hearts only as relics to our desolate kingdoms. If you are ready to leave father and mother, and brother and sister, and wife and child and friends, and never see them again--if you have paid your debts, and made your will, and settled all your affairs, and are a free man--then you are ready for a walk.

(Henry David Thoreau)

*

Bom dia!
 


RETRATOS DO TRABALHO NO DOURO, PORTUGAL



A "Esponta" duma vinha no Douro.

(Gil Regueiro)

7.7.06
 


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: MEM�RIAS, FILMES, M�SICAS

http://images.amazon.com/images/P/6301965612.01.LZZZZZZZ.jpgVeja bem o que o �seu� Caruso veio acordar: O �over there�, para a maior parte de n�s (os mais velhos, mas n�o tanto como os discos do Caruso�) � inesquec�vel na interpreta��o de James Cagney no �Yankee doodle dandy�, a biografia (fantaziada) de George Cohan, num filme de Michael Curtiz (176 filmes, metade na Hungria e �ustria at�1926 - os restantes nos EU, dirigiu Robin Hood, Casablanca, o Gavi�o dos Mares, Life with Father, etc, etc.). Cagney sempre disse que era o seu filme favorito: n�o �era� gangster�, n�o havia tiros nem murros, havia o seu talento inicial de �hoofer� e uma voz espl�ndida, num grande musical cl�ssico

O Tiperary, como a inesquec�vel e muito germ�nica �Lili Marlene� na 2� guerra, ganhou um estatuto extra-nacionalidade, muito para al�m dos regimentos irlandeses que a trouxeram. Havia uma vers�o em Alem�o e em Italiano. Em russo, n�o sei, mas duvido muito�

A �Waltzing Matilda� foi importada pelos australianos e conheceu renome em Galipol�. Nos anos 30, o tanque m�dio de acompanhamento de infantaria briot�nico � e viu ac��o at� �s campanhas do deserto do Norte de �frica, lento, mal armado, mas bem blindado (tivemos um ou dois esquadr�es deles em Calavaria 7) � chamava-se �Matilda�. Havia de ser a can��o de marcha por excel�ncia, dos �Aussies� nas guerras seguintes � WWII e Coreia).

Outra grande can��o da 1� guerra que obteve nacionalidade portuguesa, foi a muito Inglesa (n�o brit�nica�) �Pack up your troubles in your old kit bag - and smile, smile, smile��, que ganhou versos muito bem adaptados do Andr� Brun e foi, at� 1959, can��o de marcha de Ca�adores 5 � uma das grandes e mais condecoradas unidades de infantaria portuguesa de sempre!

�Se bem me lembro�, a letra corria assim:

Guarda as tristezas no bornal, rapaz!
Tens de rir, rir rir�
Enquanto rires t� ser� capaz
De tudo conseguir!

Marcha a cantar
Marcha a sorrir � etc etc�

Aposto que isto vai fazer sorrir de saudade e relembrar a juventude, a um punhado de velhotes como eu.

(Lu�s Rodrigues)
 


RETRATOS DO TRABALHO EM GATWICK, REINO UNIDO



Junto a um avi�o da TAP.

(Lu�s Miguel Reino)
 


NO PUEDE SER

H� anos que estou para contar esta hist�ria. Um dia, ainda o PSD era membro da Internacional Liberal e Reformista, calhou-me ir numa miss�o � Guatemala. Havia um pedido de um partido guatemalteco, que fazia ou queria fazer parte da Internacional, para que esta enviasse algu�m para uma miss�o "importante", num altura em que se estava a tentar estabilizar uma fr�gil democracia no pa�s. N�o se sabia praticamente nada mais do que isto. L� fui, sem saber muito bem o que ia fazer.

Quando cheguei ao aeroporto estava � minha espera um americano, o que me pareceu pelo menos bizarro. Levou-me para o Hotel Camino Real, um cl�ssico das hist�rias da CIA na Am�rica Latina. A viagem prometia. No caminho para o Camino, ele explicou-me que trabalhava para um daqueles programas que o Congresso americano subsidiava para apoiar as experi�ncias democr�ticas e que quem organizava a sess�o era o Parlamento guatemalteco. Tamb�m n�o sabia detalhes.

Pouco depois apareceu-me pela primeira vez um membro do partido, a Uni�n del Centro Nacional (UCN), que se percebia estar um pouco nervoso. N�o era capaz de me dar muitos detalhes sobre o que se passava e remeteu-me para uma conversa com o l�der do partido, com quem me ia encontrar. Levou-me � sede do partido, uma esp�cie de armaz�m com dois andares, sendo o de baixo uma tipografia. Uns cidad�os que pareciam sair de um filme colombiano faziam a seguran�a ao pr�dio. Subimos ao andar de cima, onde havia uma esp�cie de penthouse com um ambiente de luxo. Em v�rios sof�s de couro estava o direct�rio da UCN � volta do seu presidente, a beber um u�sque.

Jorge Carpio Nicolle era uma personagem que de imediato se percebia ter uma grande autoridade sobre os seus homens. Ningu�m falava antes dele e ningu�m falava depois dele. Tinha sido respons�vel por El Gr�fico, um dos grandes jornais guatemaltecos, fora embaixador da Guatemala na ONU e presidente da Cruz Vermelha. Fundara a UCN em 1984, e candidatara-se � Presid�ncia da Guatemala sem sucesso. Era considerado um dos impulsionadores do dif�cil caminho que a Guatemala ent�o tentava percorrer para a democracia e para a liberdade, ultrapassando um per�odo de viol�ncias, torturas e assassinatos. V�rios esquadr�es da morte e grupos paramilitares ainda estavam activos, e marcaram presen�a em toda esta hist�ria.

Continuava sem saber para que � que eu fora � Guatemala, embora percebesse que a legitima��o de uma Internacional era muito importante para o fr�gil sistema partid�rio que se estava a esbo�ar. Mas, na conversa com Jorge Carpio Nicolle, encontrei a mesma tens�o e nervosismo que j� notara antes. Ele explicou-me que, ao abrigo de um programa destinado a consolidar o Parlamento guatemalteco, ir-se-ia organizar um debate em que cada partido tinha convidado um membro da "sua" Internacional para falar de uma doutrina pol�tica. Como ele sabia tanto sobre mim e sobre o PSD como eu sobre a UCN, estavam apreensivos sobre o que eu ia dizer numa situa��o muito vol�til em que cada palavra contava, e na Guatemala matava.

Come�ou ent�o uma daquelas conversas que s� se tem uma vez na vida. De que � que eu iria falar? Bom, das ideias da Internacional liberal... Do liberalismo...

"- No puede ser. Aqui o liberalismo � a direita e n�s somos um partido do centro constitucional...

- Bom e ent�o posso falar do programa do meu partido social-democrata...

- No puede ser. Aqui a social-democracia � a esquerda e n�s somos um partido do centro constitucional...

- Ent�o se quiser posso falar dos novos fen�menos eleitorais na Europa que revelam um pragmatismo do eleitorado, escolhendo mais por m�rito do que pela camisola (n�o disse bem assim, mas como tinha escrito ent�o uns textos sobre o aparecimento daquilo a que chamara um "novo centro", talvez servisse para a fun��o).

- No puede ser. E se falasse do centrismo?

- (Ent�o j� um pouco irritado pela conversa) No puede ser. Porque em Portugal o centrismo � a direita..."

A conversa n�o adiantou muito, enterrados nos sof�s por cima da cidade de Guatemala, bebendo u�sque, rodeados por vasos de plantas a darem a �nica nota de cor no cinzento do cimento dos pr�dios e de um crep�sculo a anunciar a �poca das chuvas que j� devia ter vindo e se atrasara. No dia seguinte, parti para Atitl�n, junto ao lago e aos vulc�es sobre os quais Aldous Huxley escrevera, um dos s�tios mais bonitos do mundo, mas ent�o situado numa zona em que havia guerrilhas.

Em Atitl�n passaram-se toda uma outra s�rie de hist�rias, que ficam para outra altura, reveladoras da viol�ncia em que mergulhava a pol�tica guatemalteca, com amea�as de morte, avisos sinistros e uma pan�plia de personagens sa�dos dos livros e voltadas para os livros. O encontro teve o mesmo ambiente �nico dos momentos em que tudo est� a mudar, com resist�ncias e coragens diversas. Muitos dos que l� estiveram, guatemaltecos e salvadorenhos (o delegado da Internacional Democrata-Crist� era de Salvador) tiveram percursos complicados, um foi Presidente e acabou preso por corrup��o, outro foi primeiro-ministro, outros j� desapareceram. Jorge Carpio Nicolle foi morto a tiro numa emboscada, pouco tempo depois, a caminho para Chichicastenango, num assassinato por encomenda de um esquadr�o da morte ainda hoje n�o inteiramente esclarecido.

Das Internacionais apareceu apenas a minha e a Internacional Democrata-Crist�, o membro do PSOE que devia representar a Internacional Socialista faltou j� n�o me lembro porqu�. O representante do partido guatemalteco socialista pediu-me se falava tamb�m do "socialismo", cedendo-me o seu tempo, o que naquele ambiente me pareceu normal. Na verdade, a quest�o mais importante era a que separava a liberdade da ditadura, os que queriam acabar com as viola��es dos direitos humanos e os que n�o conheciam outra maneira de mandar. Estavam ali�s todos, os bons, os maus, e os assim-assim, na sala envidra�ada do pequeno hotel inacabado, onde ao longe se vislumbrava o c�rculo dos vulc�es, o Atitl�n, o San Pedro e o Tolim�n, altos nos seus cones perfeitos, a mais de 3000 metros.

Por que � que esta conversa me veio � mem�ria? Porque estamos em Portugal a cair numa mesma obsess�o pelas palavras. Pelos nomes das coisas. Mais pelo nome das coisas do que pelas coisas. Como na Guatemala, nomes e identidade eram t�o fortes que nomear alguma coisa era logo arregimentar-nos num ex�rcito.

H� uma semana, escrevi aqui sobre a necessidade de uma "oposi��o liberal moderada", o que � o mesmo que h� muito tempo defendo. Escolhi as palavras e a sua liga��o, substantivo e adjectivo, com um cuidado guatemalteco, recordando-me do seu poder ilus�rio, do seu enorme poder porque � ilus�rio. Escrevi uma "oposi��o liberal moderada", como podia ter tamb�m ter escrito uma "oposi��o liberal reformista", o que ofende os puristas, e parece querer dizer nada, mas diz bastante. O que n�o d�, nem eu a procuro, � identidade pelo nome. � liberalismo, mas n�o � o "liberalismo". � a pr�tica mais do que a doutrina, porque, se houver puls�o liberal, basta-me. Se em cada medida de pol�tica se escolher a que mais nos d� liberdade, pol�tica, social, econ�mica, cultural, � esse o caminho. � mais facilmente distinguir e escolher assim do que numa discuss�o doutrin�ria abstracta.

N�o me interessa discutir a privatiza��o dos rios, posso bem deix�-la para um long�nquo futuro, mas j� me importa combater pela sa�da do Estado dos partidos pol�ticos, das centrais sindicais, das confedera��es patronais, das companhias de teatro subsidiadas, das "bolsas para escritores", do futebol, dos �rg�os de comunica��o social, ou seja do neg�cio da propaganda, do subs�dio e da protec��o. Feito isto, expulsado o Estado de onde ele n�o deve estar, nem muito nem pouco, podemos passar para onde ele deve estar minimamente. � que sem Estado m�nimo, n�o h� justi�a social. O Estado m�ximo que temos � a melhor garantia de que os recursos escassos ser�o sempre mais para os que n�o precisam do que para os que precisam. E � isso que me interessa, n�o � ter uma camisola com o nome de liberalismo ao peito.

E eu acho, certamente com a mesma cegueira daquelas conversas guatemaltecas, que somos bem capazes de distinguir entre uma solu��o liberal e uma estatista e escolher entre as duas. Se vamos para os dogmas, perdemo-nos; se olharmos para as pol�ticas, achamo-nos. Mais do que liberalismo pela cartilha doutrin�ria eu quero pol�ticas liberais, vontade liberal, gosto irredut�vel por todas as liberdades. Se n�o, no puede ser.

(No P�blico.)
 


EARLY MORNING BLOGS

811 - "I have promises to keep"

Stopping By Woods On A Snowy Evening

Whose woods these are I think I know.
His house is in the village, though;
He will not see me stopping here
To watch his woods fill up with snow.

My little horse must think it's queer
To stop without a farmhouse near
Between the woods and frozen lake
The darkest evening of the year.

He gives his harness bells a shake
To ask if there's some mistake.
The only other sound's the sweep
Of easy wind and downy flake.

The woods are lovely, dark, and deep,
But I have promises to keep,
And miles to go before I sleep,
And miles to go before I sleep.

(Robert Lee Frost)

*

Bom dia!

4.7.06
 


LENDO
VENDO
OUVINDO

�TOMOS E BITS

de 4 de Julho de 2006


Para al�m do servi�os prestado pelos Frescos, as escolhas laterais de liga��es s�o equilibradas e interessantes. Um exemplo: a tempestade sobre Viena.
 


RETRATOS DO TRABALHO NA ALEMANHA



Um pol�cia alem�o a "patrulhar" durante o Mundial...

(Helena Ferro de Gouveia)
 


EARLY MORNING BLOGS

810 - "N�O PUDE NEGAR - QUE ERA POUCO"

Ao outro dia cedo, encerrado com o general num dos quiosques do jardim, contei-lhe a minha lament�vel hist�ria e os motivos fabulosos que me traziam a Pequim. O her�i escutava, cofiando sombriamente o seu espesso bigode cossaco.

- O meu prezado h�spede sabe o chin�s? - perguntou-me de repente, fixando em mim a pupila sagaz.

- Sei duas palavras importantes, general: �mandarim� e �ch�.

Ele passou a sua m�o de fortes cordoveias sobre a medonha cicatriz que lhe sulcava a calva:

- �Mandarim�, meu Amigo, n�o � uma palavra chinesa, e ningu�m a entende na China. � o nome que no s�culo XVI os navegadores do seu pa�s, do seu belo pa�s...

- Quando n�s t�nhamos navegadores... murmurei, suspirando.

Ele suspirou tamb�m, por polidez, e continuou:

- Que os seus navegadores deram aos funcion�rios chineses. Vem do seu verbo, do seu lindo verbo...

- Quando t�nhamos verbos... - rosnei, no h�bito instintivo de deprimir a P�tria. Ele esgazeou um momento o seu olho redondo de velho mocho - e prosseguiu paciente e grave:

- Do seu lindo verbo �mandar�... Resta-lhe portanto �ch�. � um voc�bulo que tem um vasto papel na vida chinesa, mas julgo-o insuficiente para servir a todas as rela��es sociais. O meu estim�vel h�spede pretende esposar uma senhora da fam�lia Ti Chin-Fu, continuar a grossa influ�ncia que exercia o Mandarim, substituir, dom�stica e socialmente, esse chorado defunto... Para tudo isto disp�e da palavra �ch�. � pouco.

N�o pude negar - que era pouco.

(E�a de Queir�s, O Mandarim)

*

Bom dia!

3.7.06
 


RETRATOS DO TRABALHO NA PENSILV�NIA. EUA



(E. Hopper)
 


LENDO
VENDO
OUVINDO

�TOMOS E BITS

de 3 de Julho de 2006


Am�rica - Caruso a cantar em ingl�s e franc�s, com a sombra do sotaque italiano a brilhar como uma luzinha, uma can��o patri�tica para as trincheiras da Flandres:

Over there, over there,
Send the word, send the word over there -
That the Yanks are coming,
The Yanks are coming,
The drums rum-tumming
Ev'rywhere.
So prepare, say a pray'r,
Send the word, send the word to beware.
We'll be over, we're coming over,
And we won't come back till it's over
Over there.

*

E j� agora que estamos numa de acrisolado amor pela p�tria, ou�a-se tamb�m o It's a Long Way to Tipperary. com John McCormack a cantar nos idos de 1914.

*

Mais p�o: o pa�s mais optimista do mundo.

*

Ouvido algures: "isto do hino e da bandeira est� tudo transformado numa macaquice."

*

Pouco p�o e muito circo. Not�cias da Futebol�ndia: sec��o de "destaque" do P�blico (em linha) tem 12 artigos sobre futebol, na sec��o de "opini�o" do Correio da Manh� (em linha) h� 7 artigos todos sobre futebol. As capas j� restauram um certo equil�brio, dando not�cias, que � aquilo para que � suposto os jornais existirem.



Entretanto n�o acontece nada no pa�s: deu-se uma importante remodela��o governamental, em que foi embora o �nico ministro com autonomia pol�tica, parece que as f�rias dos portugueses come�am a revelar a crise (meio caminho andado para a Revolu��o), os agricultores v�o poder construir casas de primeira habita��o em �reas classificadas como Reserva Ecol�gica Nacional (v�o ver o n�mero de agricultores a aumentar...) na Bol�via continua o plano inclinado para a desgra�a da Am�rica Latina, na Palestina as coisas est�o como se sabe, etc. N�o acontece verdadeiramente nada que nos distraia do que � importante.

*

No Kontratempos , "Imprensa na Prensa".

*

Por falar em ministros quadrados e redondos, Filipe Charters de Azevedo conta esta hist�ria:
No dia da demiss�o de Campos e Cunha eu estava no parlamento a cobrir a discuss�o das Grandes Op��es do Plano. O ex-ministro foi meu professor e nessa qualidade mostrava um enorme sentido de humor e boa disposi��o. Ao contr�rio do papel que desempenhava como ministro onde era cinzento.

Por�m, nesse dia do parlamento Campos e Cunha estava imbat�vel. Dizia piadas e arrumava a oposi��o sempre em duas ou tr�s palavras sensatas.

Do bate boca habitual lembro-me de um dialogo entre Campos e Cunha e o deputado Hon�rio Novo do PCP. O comunista argumentava que �estas eram as Grandes Op��es de um Plano que n�o existia�. O titular da pasta das Finan�as replicou que era verdade, mas este era um documento que n�o fazia sentido, �era um resqu�cio da passagem do PC pelo Governo�. Perante as criticas dos deputados mais � esquerda, que argumentavam que essa era uma cr�tica sem sentido, com mais de trinta anos, o ministro explicou com um incr�vel ar de rapos�o, que �ningu�m se esquecia do tempo em que o PC foi Governo.�

Campos e Cunha explicou ainda a sua vis�o para as Finan�as: havia funcion�rios p�blicos a mais, que a alta-velocidade n�o era necessariamente um TGV, e que, obviamente, todo o investimento p�blico tem de ser estudado e analisado. Tratava-se de um ministro bicudo, quadradissimo.

A an�lise que se fez ent�o foi reveladora de como as quest�es complexas s�o tratadas pela comunica��o social. Peres Metelo, na sua habitual cr�nica da TSF, argumentou que no dia do debate das GOP era evidente o cansa�o f�sico e intelectual do ministro, �que estava mais magro�(!). Recentemente o Ministro da Presid�ncia explicou, numa entrevista, que a escolha de Campos e Cunha foi como um erro de casting.

*

Entretanto ligou-me o ministro da presid�ncia a dizer que nunca tinha dito que a escolha de Campos e Cunha tinha sido "um erro de casting" e que tinha a melhor opini�o do ex-ministro das finan�as.
Em abono do direito � resposta pe�o-lhe que acrescente este coment�rio ao post anterior .

(Filipe Charters de Azevedo)
 


EARLY MORNING BLOGS

809 - PETER

Once upon a time there were four little Rabbits, and their names were-- Flopsy, Mopsy, Cotton-tail, and Peter.

They lived with their Mother in a sand-bank, underneath the root of a very big fir-tree.

"Now, my dears," said old Mrs. Rabbit one morning, "you may go into the fields or down the lane, but don't go into Mr. McGregor's garden: your Father had an accident there; he was put in a pie by Mrs. McGregor."

"Now run along, and don't get into mischief. I am going out."

Then old Mrs. Rabbit took a basket and her umbrella, and went through the wood to the baker's. She bought a loaf of brown bread and five currant buns.

Flopsy, Mopsy, and Cotton-tail, who were good little bunnies, went down the lane to gather blackberries;

But Peter, who was very naughty, ran straight away to Mr. McGregor's garden, and squeezed under the gate!

(Beatrix Potter)

*

Bom dia!

2.7.06
 


INTEND�NCIA

http://ultralight.caltech.edu/web-site/common/logos/hp-logo.jpg

A saga do novo HP parece estar a chegar ao fim. Depois de v�rios dias de tentativas sucessivas para instalar o Windows XP Pro (sem sucesso) e para fazer o computador funcionar mais do que um minuto numa liga��o ADSL sem bloquear completamente, telefonei � assist�ncia da HP. Como j� referi, a assist�ncia da HP explicou-me que tudo o que estava errado estava "normalmente" errado e que a HP n�o tinha nenhuma responsabilidade. O problema devia ser com a Telepac e, quanto ao Windows, era "normal" n�o se poder fazer o upgrade devido �s caracter�sticas do software que vinha de f�brica. Disse ao "assistente" que talvez fosse melhor colocar um autocolante nos computadores a dizer que "n�o funciona com o Windows XP Pro" e "bloqueia com a mais comum instala��o da banda larga e n�o h� nada a fazer". O registo da avaria foi o n� 7206048124, sem qualquer resultado.

V�rios leitores escreveram-me contando problemas semelhantes e id�nticas queixas quanto � qualidade e utilidade da assist�ncia da HP. No momento em que estava a desistir, revoltado com o tempo perdido visto que j� tinha os dados no disco duro amov�vel do HP (uma coisa boa do computador), segui os conselhos de Eduardo Pitta e Nuno Cabe�adas, que este �ltimo aqui resume:
"Efectivamente, passar de um XP Home para uma vers�o Pro levanta problemas, pelo que sugiro que instale o XP Pro de raiz usando um CD n�o HP e socorrendo-se dos que v�m fornecidos com o equipamento caso precise de algum "software" adicional.

Poder� usar o n�mero de s�rie do actual/antigo computador para validar a instala��o.

Ap�s esta instala��o, normalmente instalo todos os programas manualmente e vou migrando os dados, a come�ar pelos menos utilizados e terminando nos documentos de uso corrente e no conte�do do correio electr�nico.

Este tem sido o caminho que tenho seguido em todos os HP que tenho em casa, e s�o 3, de modo a ter uma instala��o "limpa", sem programas propriet�rios de que n�o preciso e podem degradar a performance do sistema, para al�m de tornar mais dif�cil o suporte por parte de empresas que n�o a pr�pria HP, que, normalmente, se preocupa com o "hardware" e n�o com a funcionalidade do equipamento."
Em desespero de causa, apaguei tudo que estava no disco e instalei o Windows XP Pro de raiz. Tudo bem. Logo a seguir tinha a liga��o � Internet em banda larga a funcionar perfeitamente, n�o tinha som, nem muitas das funcionalidades e programas que vinham com o computador. O disco de recupera��o que tinha feito, n�o � claro quanto � possibilidade de fazer apenas instala��es selectivas e como n�o estava disposto a corromper o Windows XP Pro e a ter que come�ar tudo de novo, n�o arrisquei us�-lo. Fiz tudo pe�a a pe�a. Vinte e quatro horas depois j� tenho som e, com alguns programas gr�tis, a maioria das funcionalidades est� dispon�vel. Mas ainda falta. Porque n�o posso perder mais tempo, vou ficar com o HP, mas foi o �ltimo que comprei. Amanh�, vamos ver o que me diz assist�ncia da HP quanto aos controladores e programas que tenho que reinstalar. Vou ent�o saber se � poss�vel ou se � "normal" que n�o o possa fazer.
 


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES:
FUTEBOL, FUTEB�IS, FUTEBOL�NDIA




Que bom que era Portugal estar nas Meias-Finais do Campeonato do Mundo do desenvolvimento cient�fico!

Que bom que era Portugal estar nas Meias-Finais do Campeonato do Mundo dos H�bitos de Leitura e nas pr�ticas culturais!

Que bom que era Portugal estar nas Meias-Finais do Campeonato do Mundo da qualidade de vida das cidades e do ordenamento do territ�rio!

Que bom que era Portugal estar nas Meias-Finais do Campeonato do Mundo do combate �s desigualdades sociais e � pobreza!

Que bom que era Portugal estar nas Meias-Finais do Campeonato do Mundo da qualidade da educa��o e da nossa sa�de!

Que bom que era Portugal estar nas Meias-Finais do Campeonato do Mundo da qualidade dos nossos dirigentes pol�ticos e da capacidade das nossas elites!

Que bom que era Portugal estar nas Meias-Finais do Campeonato do Mundo da defesa do nosso patrim�nio!

Fico-me por aqui pois apesar de ser um cr�tico da "Futebol�ndia" excessiva que existe no nosso pa�s sou da opini�o que o futebol � das poucas �reas em que nos podemos orgulhar como lideres de mercado e um sector onde somos realmente bons em ambiente de concorr�ncia aberta num mercado global e liberal!
Esta campanha de Portugal no Mundial de 2006 (onde antigamente existia desorganiza��o, lobbies diversos e comportamentos arruaceiros e temos agora compet�ncia, organiza��o e resultados)leva-me a consolidar uma ideia: o que falta a este pa�s para ser t�o desenvolvido como os demais pa�ses da UE tem muito a ver com a lideran�a e vis�o estrat�gica que (talvez desde o Marqu�s de Pombal) tem faltado nas diversas elites nacionais (culturais, econ�micas, sindicais, pol�ticas, sociais, universit�rias, etc). N�o � por acaso que os portugueses na estrangeiro produzem e s�o elogiados no seu desempenho profissional pois existe toda uma l�gica de organiza��o, saber e lideran�a completamente diferentes do que existe neste pa�s.
Talvez fosse a hora (em jeito de brincadeira) de tal como o fizemos no Futebol chamarmos para nos dirigir em sectores realmente vitais para nos afirmarmos como pa�s no S�culo XXI os diferentes Campe�es do Mundo de cada �rea. Um pa�s onde o m�rito, a recompensa do esfor�o e a �tica da conduta pessoal e do trabalho s�o subalternizados em rela��o � cunha, ao carreirismo pol�tico-partid�rio, ao amiguismo, aos interesses e lobbies instalados e � doce mediocridade nacionais, � um pa�s adiado e muito pouco Europeu e Moderno!

De um bibliotec�rio intelectual (adepto moderado do Futebol e desporto em geral) de 35 anos, amante da nossa hist�ria e deste pa�s com 853 anos de exist�ncia que j� merecia ser feliz e proporcionar aos seus habitantes uma melhor qualidade de vida....

(Jorge Lopes)

*

Hoje, ao entrar para um �tram�, que me conduziria ao conv�vio com a alegria Portuguesa em festa numa Bruxelas com uns imposs�veis 30 graus � sombra, assisti a uma breve troca de palavras entre um velho, ressentido e, muito, muito emigrante e um puto, louro, cabelo e olhos em contraste com o feio encarnado e verde da sua camisola �Cristiano Ronaldo�.

O velho, saindo do �tram�, com uma voz que lhe denunciava todo o ressentimento e frustra��o de uma vida, gritava irado para o puto: �porque � tens essa camisola vestida!?, porque � que n�o falas portugu�s!?�. O puto, que o olhava com um ar, n�o de desafio, mas de pena, respondia: �porque estou na B�lgica...�. Depois, j� com o �tram� em andamento ouvi-o explicar em franc�s a todos os que o rodeavam, claramente a maioria n�o entenderia a nossa dif�cil l�ngua (apesar de alguns tamb�m serem portadores de camisolas �Cristiano Ronaldo�) o conte�do da sua alterca��o com o velho. De facto o mi�do tinha qualquer coisa de Cristiano Ronaldo, era uma estrela, todos � sua volta o admiravam, felizes pelo seu l�der informalmente eleito ali mesmo na luta com o velho. E essa felicidade exprimia-se em franc�s.

A esta hora os putos loiros e de camisolas �Cristiano Ronaldo� andar�o por a� por essas ruas belgas. Celebrar�o em franc�s?... E o velho, celebrar� de todo?

(Carlos Campos)

*

Na s�rie "Os Homens do Presidente" imagino algu�m a sugerir "Sr. Presidente, n�o dev�amos afastar um pouco mais o an�ncio da sa�da do Secret�rio de Estado, do jogo da equipa nacional, porque sen�o vai soar horrivelmente a spin?"

(Jorge Gomes)

*

J� desisti de lhe explicar que n�o existe nenhum conflito entre "intelectualidade" e "futebol"... nunca ouviu pessoas dizerem que uma pessoa "religiosa" � intelectualmente inferior? E depois cita-se o Einstein, Hawkings, Dostoievsky e Gogol mas n�o interessa...
O JPP � assim com o futebol. Que preconceito danado... Mas n�o interessa!

A ideia que lhe queria transmitir a si � que devia aproveitar o Abrupto para falar de xadrez, n�o como oposi��o ao futebol mas valendo por si mesmo, porque o xadrez vale. Jogou com o Spassky, fale-nos disso ou de como come�ou a jogar. Eu jogo xadrez e sei por experi�ncia que muita gente gostava de jogar e de aprender a jogar. Mostre como havia tipos com pinta, como o Humphrey Bogart, que eram grandes jogadores de xadrez! Tem um blogue com tantas visitas e tanta visibilidade, se essa paix�o pelo xadrez � sincera, ent�o n�o o use como "oposto" ao futebol. A prop�sito, nas escolas, o que devia haver era m�sica, escolas de m�sica gratuitas.
(Louren�o)

*

Bandeiras e outras manifesta��es de orgulho nacional que me causam algum desconforto. Onde est�o estas pessoas no resto do ano? Onde est� este "amor a Portugal" nos outros dias ? Este � o pa�s que perdeu a �ltima oportunidade de dar o salto e recuperar anos de atraso preferindo gastar em "forma��o profissional" os fundos e ajudas da comunidade. O pa�s onde o que � estrangeiro � sempre melhor... O pa�s que s� � bom a exportar jovens investigadores e estudantes de Erasmus.
(Pedro Dias)

*

Vi hoje no seu blog que j� "encerrou a edi��o" dos coment�rios relativos ao dito artigo. Mas n�o poderia deixar de fazer esta refer�ncia. A prop�sito, deixo quatro coment�rios.

1. Concordo consigo relativamente � excessiva import�ncia do futebol na nossa sociedade. N�o costumo assistir a esses espect�culos, e tenho consci�ncia do v�cio que se tornou. Quando olho � minha volta e vejo que os jovens da minha idade, exceptuando eu e outra pessoa que conhe�o, n�o l�em sen�o jornais desportivos, n�o v�m blocos informativos sen�o o Jornal de Desporto, e que, em rela��o �s raparigas, o mesmo se passa (no caso, imprensa cor-de-rosa), sinto que algo de preocupante se passa. N�o que n�o seja natural, porque �. Numa evolu��o social democr�tica, bem o sei, tende a haver uma divis�o cada vez mais acentuada entre uma elite cultural extrema e uma classe popular totalmente ignorante em rela��o aos assuntos pol�tico-intelectuais que se torna claramente maiorit�ria. Veja-se o caso dos EUA, exemplo que penso que seguiremos em termos sociais, um erro a meu ver. Os Estados Unidos devem ser, para mim, um exemplo pol�tico e econ�mico a seguir(o que n�s n�o estamos a fazer), mas nunca social.

2. O que disse antes n�o invalida que considere tamb�m necess�ria uma dose de cultura pop para nos evadirmos. Eu pr�prio assisto a programas, m�sica e cinema pop, talvez influenciado pela degenera��o social, mas penso que isso � bom sobretudo para podermos relaxar do ritmo fren�tico em que vivemos.

3. Discordo consigo em rela��o ao futebol internacional. Penso que, se h� uma forma de esta gente ser patriota, isso � bom. Mesmo que seja atrav�s do futebol. Por isso vibro com a nossa selec��o. � muito bonito ver essa "banaliza��o" dos s�mbolos nacionais. O que � pena � que n�o tenhamos sempre, com ou sem Mundial e Euro, uma bandeira � nossa janela a mostrar o nosso amor por Portugal. Gostava de ver as pessoas a trabalhar em regime de voluntariado pelo Pa�s ou a ler um livro com o mesmo empenho com saem � rua para festejar a vit�ria conquistada por outrem. O que n�o invalida que isso seja positivo, pois � pelo nosso Pa�s.

4. Em suma, o que critico n�o � o futebol em si, � a excessiva import�ncia que lhe damos. Tenho o meu clube, mas isso n�o significa que assista loucamente aos seus jogos, exceptuando as finais dos campeonatos. � tamb�m um abuso os sal�rios que as pessoas desse meio auferem, tendo em conta a sua fraca import�ncia para o desenvolvimento da sociedade - um cientista ou um investigador contribuem muito mais para a evolu��o mundial do que um presidente de um clube ou um jogador. Concordo consigo que o xadrez � bem mais �til, e por isso sou um grande f� desse desporto mental ao alcance de todos.

(Pedro Prola)
 


EARLY MORNING BLOGS

808 - "Un giorno, un solo /giorno per noi"


ANNO DOMINI MCMXLVII

Avete "to di battere i tamburi
a cadenza di morte su tutti gli orizzonti
dietro le bare strette alle bandiere,
di rendere piaghe e lacrime a piet�
nelle citt� distrutte, rovina su rovina.
E pi� nessuno grida: �Mio Dio,
perch� m'hai lasciato?� E non scorre pi� latte
n� sangue dal petto forato. E ora
che avete nascosto i cannoni fra le magnolie,
lasciateci un giorno senz'armi sopra l'erba
al rumore dell'acqua in movimento,
delle foglie di canna fresche tra i capelli,
mentre abbracciamo la donna che ci ama.
Che non suoni di colpo'avanti notte
l'ora del coprifuoco. Un giorno, un solo
giorno per noi, o padroni della terra,
prima che rulli ancora l'aria e il ferro
e una scheggia ci bruci in piena fronte.

(Salvatore Quasimodo)

*

Bom dia!

1.7.06
 


RETRATOS DO TRABALHO NO MONTIJO, PORTUGAL



(Madalena Santos)
 


MINISTROS REDONDOS E MINISTROS QUADRADOS



Freitas do Amaral era um ministro quadrado, Lu�s Amado e Nuno Severiano Teixeira s�o ministros redondos. O anterior Ministro das Finan�as era um ministro quadrado, o actual � um ministro redondo. A Ministra da Educa��o � uma ministra quadrada, vamos ver quanto tempo dura at� ser substitu�da por um(a) ministro(a) redonda. Idem para o Ministro da Agricultura. O Ministro Ant�nio Costa � um ministro habilmente redondo, que tem a melhor m�quina para alisar os terrenos por onde passa de modo a nunca parecer quadrado. Todos os ministros querem ser redondos e, quando s�o redondos, sonham em ser quadrados de vez em quando, um dia, � aventura. O Ministro do Ambiente � redond�ssimo. Alguns ministros redondos s�o eficazes, alguns ministros quadrados s�o eficazes. H� pastas em que se se � redondo e n�o se faz nada e vice-versa. O mais eficaz dos ministros quadrados � o Primeiro-ministro que s� quer ministros redondos. Saindo Freitas do Amaral e entrando mais ministros redondos, o governo est� cada mais redondo e as caracter�sticas de S�crates como ministro quadrado aparecer�o mais vis�veis.

*

Embora n�o esteja alinhada com o esp�rito do seu texto, gostava de lhe referir uma velha r�bula a prop�sito dos pol�ticos que passam a vida a destruir o que os anteriores fizeram. Nela, relata-se uma reuni�o de maluquinhos que se juntaram para reinventar a roda. A certa altura, depois de um deles apresentar a �roda quadrada�, outro aparece com um melhoramento nada despiciendo: A �roda triangular�, que poupa um solavanco.

(C. Medina Ribeiro)
 


LENDO
VENDO
OUVINDO

�TOMOS E BITS

de 1 de Julho de 2006


O Di�rio de Not�cias em linha considera esta a not�cia mais importante de ontem, onde, por acaso, houve uma importante remodela��o do Governo. � um crit�rio jornal�stico bizarro, para n�o dizer outra coisa.
__________________________________________


Actualidade
Figo lidera estrat�gia e Scolari esconde Ronaldo
Num jogo que dever� ser "decidido nos detalhes", como o seleccionador Luiz Felipe Scolari referiu na antevis�o do Portugal-Inglaterra, Lu�s Figo tem o papel central na estrat�gia da selec��o.

____________________________________________

No Di�rio de Not�cias em papel o futebol divide a meio a primeira p�gina com Freitas do Amaral



, o que apesar de tudo � mais equilibrado do que o P�blico que esmaga com Scolari as mudan�as do Governo. O Correio da Manh� � o �nico a dar import�ncia � demiss�o, talvez porque n�o precise de competir pela popularidade.

S�crates tem sorte ou a sorte cada um a faz escolhendo o dia de ontem para garantir que n�o houvesse ondas com a sa�da de Freitas do Amaral?

L� vamos, pois, cantando e rindo...
 


NUNCA � TARDE PARA APRENDER: LUGARES ONDE SE ESCREVE

http://www.tchekhov.com.br/livraria/images/capalugar.jpg (Em breve.)
 


RETRATOS DO TRABALHO EM BUENOS AIRES, ARGENTINA



Distribuindo carne de vaca pelos talhos de Buenos Aires.

(Francisco F.Teixeira)
 


EARLY MORNING BLOGS

807 - " Apologize"

Once upon a time and a very good time it was there was a moocow coming down along the road and this moocow that was coming down along the road met a nicens little boy named baby tuckoo

His father told him that story: his father looked at him through a glass: he had a hairy face.

He was baby tuckoo. The moocow came down the road where Betty Byrne lived: she sold lemon platt.

O, the wild rose blossoms
On the little green place.

He sang that song. That was his song.

O, the green wothe botheth.

When you wet the bed first it is warm then it gets cold. His mother put on the oilsheet. That had the queer smell.

His mother had a nicer smell than his father. She played on the piano the sailor's hornpipe for him to dance. He danced:

Tralala lala,
Tralala tralaladdy,
Tralala lala,
Tralala lala.

Uncle Charles and Dante clapped. They were older than his father and mother but uncle Charles was older than Dante.

Dante had two brushes in her press. The brush with the maroon velvet back was for Michael Davitt and the brush with the green velvet back was for Parnell. Dante gave him a cachou every time he brought her a piece of tissue paper.

The Vances lived in number seven. They had a different father and mother. They were Eileen's father and mother. When they were grown up he was going to marry Eileen. He hid under the table. His mother said:

-- O, Stephen will apologize.

Dante said:

-- O, if not, the eagles will come and pull out his eyes.--

Pull out his eyes,
Apologize,
Apologize,
Pull out his eyes.

Apologize,
Pull out his eyes,
Pull out his eyes,
Apologize.

(James Joyce, A Portrait of the Artist as a Young Man)

*

Bom dia!

� Jos� Pacheco Pereira
In�cio
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