ABRUPTO

30.1.06
 


EARLY MORNING BLOGS 711


This is the first thing

This is the first thing
I have understood:
Time is the echo of an axe
Within a wood.

(Philip Larkin)

*

Bom dia!

29.1.06
 


RETRATOS DO TRABALHO EM SET�BAL


Peixeiro no Mercado do Livramento em Set�bal (vulgo Pra�a)

(Sim�o dos Reis Agostinho)
 


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: COISAS SIMPLES



Maria, leitora do Abrupto, 11 anos.

"� m�e vais mandar para o Abrupto, n�o vais?" Eu tentei explicar-lhe que aquele blogue n�o � meu, que quem manda nele n�o sou eu, e que ela tinha que perceber que pobre dono do Abrupto entraria em crise se todas as m�es e pais mandassem as pinturas dos filhos para l� para al�m de provavelmente entupir a sua caixa de correio."

(M�e da Maria)
 


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: VAZIO



N�o � �fantasticamente� deprimente que, se hoje n�o tivesse nevado, e se n�o tivessem feito leituras �s radia��es emitidas pelos telem�veis nos centros comerciais (?), n�o tinham havido os Jornais da uma, os jornais da tarde e os jornais da noite?

(Sofia Silveira)
 


RETRATOS DO TRABALHO NO CAMBODJA E NO VIETNAM


Vendedor de patos em Han�i.


Sucateiros em Phnom Phen.

(M.L.)
 


DIA RARO E INCOMUM 4

 


DIA RARO E INCOMUM 3


Acabou de nevar, levantou-se o c�u, est� azul e branco. Os gatos n�o sabem como andar na terra. Tiram e pousam as patas, escorregam. O que � que aconteceu? Que mundo � este? Os lim�es e as laranjas t�m um pequeno chap�u branco. Nalguns s�tios escondidos, a �gua virou vidro.
 


INTEND�NCIA

Actualizada a nota AS COTERIES E OS BENS ESCASSOS.
 


DIA RARO E INCOMUM 2

Tudo branco. Est� a nevar e a neve est� a pegar.


BALADA DA NEVE

Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Ser� chuva? Ser� gente?
Gente n�o �, certamente
e a chuva n�o bate assim.

� talvez a ventania:
mas h� pouco, h� poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho...

Quem bate, assim, levemente,
com t�o estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
N�o � chuva, nem � gente,
nem � vento com certeza.

Fui ver. A neve ca�a
do azul cinzento do c�u,
branca e leve, branca e fria...
� H� quanto tempo a n�o via!
E que saudades, Deus meu!

Olho-a atrav�s da vidra�a.
P�s tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e tra�a
na brancura do caminho...

Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avan�a,
e noto, por entre os mais,
os tra�os miniaturais
duns pezitos de crian�a...

E descalcinhos, doridos...
a neve deixa inda v�-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque n�o podia ergu�-los!...

Que quem j� � pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crian�as, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!...
Porque padecem assim?!...

E uma infinita tristeza,
uma funda turba��o
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
� e cai no meu cora��o.


(Augusto Gil)
 


DIA RARO E INCOMUM

Est� a nevar.
 


RETRATOS DO TRABALHO EM NIASSA, MO�AMBIQUE


Transportador de bambu em Cuamba, no Niassa, Norte de Mo�ambique.

(Carmo Pupo Correia)
 


RETRATOS DO TRABALHO EM SINTRA, PORTUGAL (IN�CIO DO S�CULO XX)



(Enviado por Ricardo de Carvalho.)

*

Curiosa a fotografia, pois retrata - se n�o estou em erro - uma actividade hoje j� praticamente extinta devido, fundamentalmente, � expans�o urbana do concelho, mas tb aos erros da legisla��o vitivin�cola e � evolu��o do pr�prio mercado do vinho: a planta��o da vinha de Colares (casta "Ramisco") em "ch�o de areia". Feita a uma certa profundidade, onde, depois de escavada a camada arenosa, as ra�zes da videira encontravam terreno firme, isso fez com que resistisse � filoxera no final do s�c. XIX. Durante o s�c. XX foi, por isso, a �nica regi�o em Portugal Continental, para al�m de pequenas vinhas localizadas, onde o cultivo da vinha se continuou a fazer a"p� franco", isto �, sem recurso a p�s de videira americana resistentes � filoxera que s�o depois enxertados na casta europeia. Os custos de m�o de obra foram, claro, tb uma causa importante para o seu desaparecimento.

(Jo�o C�lia)
 


EARLY MORNING BLOGS

Salmo 73


Verdadeiramente bom � Deus para com Israel, para com os limpos de cora��o.

Quanto a mim, os meus p�s quase que se desviaram; pouco faltou para que escorregassem os meus passos.

Pois eu tinha inveja dos n�scios, quando via a prosperidade dos �mpios.

Porque n�o h� apertos na sua morte, mas firme est� a sua for�a.

N�o se acham em trabalhos como outros homens, nem s�o afligidos como outros homens.

Por isso a soberba os cerca como um colar; vestem-se de viol�ncia como de adorno.

Os olhos deles est�o inchados de gordura; eles t�m mais do que o cora��o podia desejar.

S�o corrompidos e tratam maliciosamente de opress�o; falam arrogantemente.

P�em as suas bocas contra os c�us, e as suas l�nguas andam pela terra.

Por isso o povo dele volta aqui, e �guas de copo cheio se lhes espremem.
E eles dizem: Como o sabe Deus? H� conhecimento no Alt�ssimo?

Eis que estes s�o �mpios, e prosperam no mundo; aumentam em riquezas.

Na verdade que em v�o tenho purificado o meu cora��o; e lavei as minhas m�os na inoc�ncia.

Pois todo o dia tenho sido afligido, e castigado cada manh�.

Se eu dissesse: Falarei assim; eis que ofenderia a gera��o de teus filhos.

Quando pensava em entender isto, foi para mim muito doloroso;

At� que entrei no santu�rio de Deus; ent�o entendi eu o fim deles.

Certamente tu os puseste em lugares escorregadios; tu os lan�as em destrui��o.

Como caem na desola��o, quase num momento! Ficam totalmente consumidos de terrores.

Como um sonho, quando se acorda, assim, � Senhor, quando acordares, desprezar�s a apar�ncia deles.

Assim o meu cora��o se azedou, e sinto picadas nos meus rins.

Assim me embruteci, e nada sabia; fiquei como um animal perante ti.

Todavia estou de cont�nuo contigo; tu me sustentaste pela minha m�o direita.

Guiar-me-�s com o teu conselho, e depois me receber�s na gl�ria.

Quem tenho eu no c�u sen�o a ti? e na terra n�o h� quem eu deseje al�m de ti.

A minha carne e o meu cora��o desfalecem; mas Deus � a fortaleza do meu cora��o, e a minha por��o para sempre.

Pois eis que os que se alongam de ti, perecer�o; tu tens destru�do todos aqueles que se desviam de ti.

Mas para mim, bom � aproximar-me de Deus; pus a minha confian�a no Senhor Deus, para anunciar todas as tuas obras.



*

Bom dia!

28.1.06
 


RETRATOS DO TRABALHO NA �NDIA


Barqueiros no Ganges.

(Sara Belo)
 


AS COTERIES E OS BENS ESCASSOS



Voltemos � quest�o das coteries liter�rias, um tema tanto mais interessante quanto muito pouco, ou quase nada discutido por c�. Aqui h� uma diferen�a com o passado para pior, porque a exist�ncia de �escolas� e �movimentos� tornava a coisa confrontacional, logo mais reveladora. Sabia-se quem estava com quem e a pancada era m�tua. Agora n�o, h� demasiados sil�ncios e demasiadas coniv�ncias, e era de alguma maneira essa a quest�o inicial colocada na nota do Esplanar: �Temos uma cr�tica liter�ria jornal�stica de fachada.�;� influ�ncias que se movem, sectarismo, medievalismo. Textos que se escrevem em fun��o dos favores, cr�ticas que se cozinham como benesses e mesuras a amigos e colegas de trabalho (� assim que se formam as clientelas, alguma d�vida?).� Era este o ponto de partida e muito curiosamente ningu�m se lhe refere. Ali�s o que gera pol�mica � a nota do Abrupto e n�o a do Esplanar, muito mais cruel. Percebe-se, como infelizmente � pecha nos blogues, como tudo se torna ad hominem, e � prefer�vel atirar ao lado para n�o se ir ao fundamental. Da� a revolta prolet�ria contra o monopolista dos �bens escassos�, a mais ir�nica confirma��o de que tinha raz�o no que escrevi. (Oh! Meus amigos, eu trabalho muito, trabalho com gosto e as encomendas n�o faltam no mercado. N�o querem censura nem quotas, pois n�o?)

N�o, a quest�o � outra. � f�cil bater no Jos� Rodrigues dos Santos, ou na Margarida Rebelo Pinto. Eles est�o fora dos �nossos�, s� vendem muitos livros. Eles n�o circulam nos mesmos meios, s� vendem muitos livros. A cena da sopa de peixe � rid�cula, mas � pulp fiction, n�o tem pretens�es a ser literatura. E as �nossas� cenas rid�culas que pretendem ser literatura? E as dezenas de livros menores que os �nossos� publicam todos os anos e que s�o protegidos pela �cr�tica liter�ria jornal�stica de fachada�? Ou s�o tudo livros geniais, como para o Jornal de Letras, tudo � bom? Eu, como n�o sou cr�tico liter�rio n�o vou fazer esse trabalho, mas estranho que ningu�m o fa�a, e n�o se d� por ele. H� excep��es solit�rias, mas confirmam a regra.

E depois, gente que acha (e bem) que na pol�tica h� compadrio e favores, passa r�seo, pelo mundo literato que tem face � pol�tica muito menos escrut�nio cr�tico, muito menos conhecimento dos meandros que se movem. E n�o � s� na literatura, mas no mundo �cultural� no sentido lato, agora muito colado ao entretenimento, onde tamb�m h� dadores de emprego, grupos de interesses, jogos de editoras, produtoras, programas de televis�o, encomendas e servi�os? Onde � que eu posso ler sobre isso? Em s�tio nenhum. S� vejo exerc�cios de elogios m�tuos, protec��es de grupo, reputa��es que se sustentam em amigos e n�o em livros, trabalho, obra.

Nota: reflexos em Estado Civil, Da Literatura, O Amigo do Povo, e , de novo, no Esplanar.

*
Um sinal curioso da pequenez de que fala no nosso meio cultural est� bem patente, por contraposi��o, na elabora��o das contracapas das edi��es anglo-sax�nicas onde frequentemente est�o presentes recomenda��es de personalidades de alguma modo ligadas ao tema dos livros. Em portugal as contracapas quase invari�velmente se limitam a trazer um extracto, uma pequena biografia do autor ou no caso de tradu��es o resumo do conte�do.

(Ant�nio Filipe Fonseca)

*

Lei de Gersham

A quest�o da cr�tica � (ou deve ser) uma quest�o central neste Pa�s paradoxal onde se l� pouco mas se escreve e publica muito, onde n�o se vai ao teatro mas h� dezenas de companhias de teatro, onde n�o se vai ao ballet mas se fazem abaixo assinados contra a extin��o de companhias de bailado. E onde se l�em as cr�ticas e � tudo fant�stico.
Se houvesse verdadeira cr�tica, s�ria, isenta, consistente, sabedora, profissional, talvez houvesse menos paradoxo e mais qualidade.

A quest�o inicialmente focada na nota do Esplanar incidia sobre a cr�tica liter�ria mas foi alargada no Abrupto � cr�tica � produ��o cultural em geral. Entretanto, no Estado Civil e no Da Literatura, surgiram exemplos vivos do que JPG e JPP referiram: porque � que n�s n�o havemos de defender o nosso territ�rio se tu defendes o teu? N�o defenderam a qualidade e consist�ncia do seu trabalho, nem negaram que se escreve muitas vezes de e para amigos. N�o negaram que muito do que se escreve sobre livros ou outras produ��es culturais (algumas fict�cias) s�o simples conversas entre amigos, amigos que ali�s o s�o e deixam de ser ao sabor das necessidades e desejos editoriais de cada um. No entanto, os blogues s�o muito transparentes nessa mat�ria. Como sempre, � de influ�ncia e poder que se est� a a falar. Se se ampararem bem uns aos outros, l� v�o construindo carreiras.

N�o tenho particular gosto em ouvir dizer mal de um livro ou de um escritor. N�o me parece que seja crit�rio exclusivo de qualidade de uma cr�tica apontar aspectos negativos. Acho que a cr�tica deve ser uma an�lise global de caracter�sticas ou qualidades de um livro, de um quadro, de uma m�sica ou de uma pe�a. Qualidades que podem ser positivas ou negativas.

Os cr�ticos tamb�m t�m gostos e � natural que eles transpare�am da sua an�lise.
Tamb�m gosto de ler os trocadilhos, de palavras ou ideias, que pululam por muitos blogues literatos/culturais. Divertem-me. Mas vai uma grande dist�ncia entre um trocadilho, uma ideia divertida ou uma frase melanc�lica e uma obra liter�ria. � suposto um cr�tico saber ver isso. Para se criticar de forma profissional, tem que se estudar e saber, n�o basta gostar ou detestar.

Em suma: usando uma ideia em voga, a m� cr�tica afasta a boa obra de arte. E o "amiguismo" enquanto elemento de cr�tica � uma m� cr�tica. Por isso � que acho esta uma quest�o verdadeiramente importante. E conv�m n�o esquecer que os leitores s�o os cr�ticos dos cr�ticos.

(RM)
*

Estes s�o os nossos cr�ticos liter�rios: parecem ter algumas limita��es a interpretar textos, ou ent�o o que ser� que os move? O problema tamb�m est� no facto de terem poucos consumidores para os bens que oferecem. S� uma minoria � que l� algumas das cr�ticas liter�rias que s�o publicadas. Eu que leio livros "dif�ceis" tenho a maior dificuldade em ler cr�ticas "dif�ceis". Basicamente quero saber se gostaram ou n�o de determinada obra, porqu� e quero que a enquadrem, para que eu, que n�o leio todos os livros do mundo, e que tenho de fazer escolhas, possa ter alguma informa��o que me ajude a minimizar uma m� compra. Os desfiles de cita��es, refer�ncias - a autores certamente interessant�ssimos - e efabula��es te�ricas e especulativas que enchem as p�ginas de cr�tica liter�ria, mas em que pouco se fala da obra em quest�o, verdadeiramente pouco interessam a uma larga maioria das pessoas que gostam e ler e que compram livros, mas n�o se querem perder nos meandros das teorias liter�rias. A sensa��o com que se fica � que "eles" escrevem para "eles".

Se soubesse que �a escrever este texto tinha preparado alguns exemplos do que n�o gosto (� s� ir ao Mil Folhas) e do que gosto (� s� ir aos sites liter�rios anglo-sax�nicos: n�o sendo intelectual eu, tal como muitos portugueses, lemos em v�rias l�nguas). O que era interessante saber � como � que se mede a audi�ncia que tem a cr�tica liter�ria. Porque a audi�ncia de comentadores pol�ticos (ver caso Marcelo Rebelo de Sousa) � sempre medido, ou em audi�ncias ou em n�mero de tiragens das publica��es. A cr�tica liter�ria s� sobrevive se for em suplemento a outra publica��o. Como seria se os jornais em causa baixassem os seus pre�os �s Sextas ou aos S�bados e n�o oferecessem suplementos liter�rios? Ser� que isso n�o obriga a reflex�o? Mas sem culpar o "povo", por favor!
(...)
J� li um livro (o "Sei l�!"?) de Margarida Rebelo Pinto e essa experi�ncia chegou para perceber o estilo. J� li um livro ("A Filha do Capit�o") do Jos� Rodrigues dos Santos e n�o me parece de todo justo p�-los no mesmo saco. MRP � literatura light sem mais nada: l�-se r�pido e fica-se com azia. JRS, n�o sendo uma experi�ncia liter�ria nirvanesca, tem o m�rito de pesquisar e construir uma bela narrativa, com algumas limita��es, que n�o irei enumerar, mas consegue aquilo a que se pode chamar uma obra "honesta". Vendem livros os dois: sorte a deles! Mas parece-me injusto, a n�vel liter�rio compar�-los, s� se podem colocar lado a lado no facto de serem outsiders. E outsiders que vendem...

(J.)
 


RETRATOS DO TRABALHO EM TR�S-OS-MONTES



Cavando batatas : "Estas fotos, fizeram parte de uma exposi��o intitulada "Lugares e Olhares" realizada em 2000 no concelho de Vinhais, promovida por uma pequena Associa��o Cultural local"(enviado por Luis Vale).
 


LENDO / VENDO /OUVINDO
(BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�ES, IMAGENS, SONS, PAP�IS, PAREDES)
(28 de Janeiro de 2006)


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O New York Times desmantela com ferocidade o livro de Bernard-Henri L�vy, American vertigo - Traveling America in the Footsteps of Tocqueville. Uma amostra:
"Bernard-Henri L�vy is a French writer with a spatter-paint prose style and the grandiosity of a college sophomore; he rambled around this country at the behest of The Atlantic Monthly and now has worked up his notes into a sort of book. It is the classic Freaks, Fatties, Fanatics & Faux Culture Excursion beloved of European journalists for the past 50 years, with stops at Las Vegas to visit a lap-dancing club and a brothel; Beverly Hills; Dealey Plaza in Dallas; Bourbon Street in New Orleans; Graceland; a gun show in Fort Worth; a "partner-swapping club" in San Francisco with a drag queen with mammoth silicone breasts; the Iowa State Fair ("a festival of American kitsch"); Sun City ("gilded apartheid for the old");a stock car race; the Mall of America; Mount Rushmore; a couple of evangelical megachurches; the Mormons of Salt Lake; some Amish; the 2004 national political conventions; Alcatraz - you get the idea. (For some reason he missed the Sturgis Motorcycle Rally, the adult video awards, the grave site of Warren G. Harding and the World's Largest Ball of Twine.) You meet Sharon Stone and John Kerry and a woman who once weighed 488 pounds and an obese couple carrying rifles, but there's nobody here whom you recognize. In more than 300 pages, nobody tells a joke. Nobody does much work. Nobody sits and eats and enjoys their food. You've lived all your life in America, never attended a megachurch or a brothel, don't own guns, are non-Amish, and it dawns on you that this is a book about the French. There's no reason for it to exist in English, except as evidence that travel need not be broadening and one should be wary of books with Tocqueville in the title."
(Sublinhados meus.)

Conclus�o: "Thanks, pal. I don't imagine France collapsing anytime soon either. Thanks for coming. Don't let the door hit you on the way out. For your next book, tell us about those riots in France, the cars burning in the suburbs of Paris. What was that all about? Were fat people involved?"
 


RETRATOS DO TRABALHO NA CHINA


Carregadores de bagagens de turistas no rio Yangtze

(Joana Lopes)
 


EARLY MORNING BLOGS 710

Libation Mongole

C'est ici que nous l'avons pris vivant. Comme il se battait bien nous lui offr�mes du service : il pr�f�ra servir son Prince dans la mort.

Nous avons coup� ses jarrets : il agitait les bras pour t�moigner son z�le. Nous avons coup� ses bras : il hurlait de d�vouement pour Lui.

Nous avons fendu sa bouche d'une oreille � l'autre : il a fait signe, des yeux, qu'il restait toujours fid�le.

o

Ne crevons pas ses yeux comme au l�che ; mais tranchant sa t�te avec respect, versons le koumys des braves, et cette libation :

Quand tu rena�tras, Tch'en Houo-chang fais-nous l'honneur de rena�tre chez nous.

(Victor Segalen)

*

Bom dia!

27.1.06
 


RETRATOS DO TRABALHO NO JAP�O


Varredoras no Parque da Paz em Hiroshima.

(Joana Lopes)
 


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES:
SOBRE "A LENTA DISSOLU��O DOS PARTIDOS"




Achei muito interessante o artigo que escreveu no P�blico e que publica no seu blogue a prop�sito da lenta dissolu��o dos partidos. Trata-se de uma perspectiva em que nunca tinha pensado e que analisada com aten��o faz de facto um certo sentido. Julgo que h� tamb�m alguns factores que contribuiem para o cen�rio que descreve:

1. A complexifica��o da governa��o, hoje em dia o poder efectivo do governo � de certa forma pulverizado devido � din�mica complexa e descentralizada do Estado.

2. A distin��o entre classes sociais torna-se cada vez mais simb�lica do que material fruto do progresso econ�mico.

3. Cada vez menos a nossa sociedade se v�m confrontanto com grandes causas definidas e fracturantes. N�o temos guerra, n�o somos completamente pobres nem totalmente ricos. Existem micro-causas que por defini��o se circunscrevem a minorias.

4. Por efeito da globaliza��o e da inser��o no espa�o mundial o poder individual de cada cidad�o � cada vez menor.

Se calhar daqui a alguns anos os partidos politicos nacionais tornar-se-�o em partidos transacionais centrados sobretudo em quest�es de geoestrat�gia e do ambiente.

(Ant�nio Filipe Fonseca)

*

Ao ler o seu post "A lenta dissolu��o dos partidos" n�o pude, numa primeira an�lise, deixar de constactar a sua convic��o na aus�ncia ou, pelo menos, fraca presen�a do antipartidarismo e antiparlamentarismo, bem como do pensamento ideol�gico radical. Mais, que considera os dois "antis" como ditactoriais!

1� - N�o vejo a raz�o, o fundamento, para o "passado da ditadura". De facto, podemos encontrar o antipartidarismo e parlamentarismo hist�ricamente na ditadura (falando de Portugal). Contudo, n�o me parece saud�vel considera-los como seus filhos ou mesmo pensamentos exclusivos.
Da mesma forma que � de todo errado afirmar que os partidos s�o ess�nciais ao funcionamento da democracia. O senhor sabe bem que n�o o s�o... muito pelo contr�rio!

2� - O radicalismo... o radicalismo encerra em si uma vontade pr�pria, insubstituivel e em qualquer outra parte inexistente, de ser fiel.
Porque se por um lado a relactividade n�o � bem o que parece, por outro a objectividade (entendamos dogmatismo) � bastante mal rotulada.
Dizer-se, ainda que implicitamente, que o radicalismo � fundamentalista, � t�o errado quanto a interpreta��o e aplica��o actuais da �ltima express�o. Ser radical � ser fiel � raiz de um pensamento estruturador da vida social, econ�mica, afectiva, etc... como a pr�pria palavra indica!

3� - Como estudante de Comunica��o Social, n�o posso deixar de concordar consigo ao antever a situa��o medi�tica que d� j� hoje sinais. Este 4� poder que emerge mais e mais, transversal a todos os outros, depende e faz depender: depende do produto informartivo, ao mesmo tempo que o gera pela press�o que exerce devido aos meios de que disp�e. � quem os controla, aos meios e ao jogo de poder que estes potenciam, que verdadeiramente exerce autoridade. Como diz Harold Innis, "todo o imp�rio, toda a sociedade, que pretende uma certa perenidade deve realizar um equilibrio entre um media que favorece o controlo do espa�o e outro que assegura a sua reprodu��o no tempo". E o poder que o novo paradigma multim�dia tem em distorcer estas duas no��es, a temporal e a espacial, cria no ciberespa�o e nas possibilidades do hipertexo uma fuga a esse equilibrio for�ado e com objectivos pr�-definidos, numa democracia incomparavelmente participativa, construida pelos pr�prios, inventada a cada segundo, na fuga da capitaliza��o da informa��o. Quem precisar� dos partidos como estrutura que d� voz a um pensamento comum, quando poderemos individualmente (se a info-exclus�o de Castells n�o for demasiado elevada) criar a nossa ideologia, num liberalismo de ideias desmedido, quem sabe acompanhado pelo economico (ainda que paradoxalmente)? Um liberalismo ideol�gico dependente da abstracta "consci�ncia colectiva" e do sucesso da "juventudo metropolitana" que idealizou o futuro da rede.

(Sim�o dos Reis Agostinho)

*

O futuro dos partidos tradicionais � muito facil de antever visto que as similitudes entre Portugal e a It�lia n�o se resumem ao''25 de Abril''.A grande diferen�a � ao n�vel da velocidade do processo politico que no nosso caso est� mais r�pido (fruto da sociedade de informa��o em que estamos inseridos).N�s tivemos menos anos de governos breves mas tambem eles acabaram por chegar aos governos de legislatura, agora ser� a nossa tendencia para chegar aos partidos como os que hoje disputam o poder em It�lia (Oliveira ;For�a Italia )no fundo movimentos de ''cidadania''(ou de cidad�o!!)que pouco ou nada j� t�m a ver com os velhos partidos tradicionais que durante anos nos habitu�mos a ver a disputar as elei��es em It�lia.� s� uma quest�o de tempo.As analogias entre os dois pa�ses s�o maiores do que o que parece.'' A ver vamos''.

(Alberto Andrade)
 


LENDO / VENDO /OUVINDO
(BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�ES, IMAGENS, SONS, PAP�IS, PAREDES)
(27 de Janeiro de 2006)


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Nota certeira no Esplanar contra a troca grupal de elogios m�tuos, uma das pragas da blogosfera, herdeira do mesmo tipo de atitude j� antiga nos nossos meios liter�rios. O problema � sempre o mesmo, e j� � o mesmo h� muito tempo: os bens s�o escassos e n�o chegam para todos. E h� hoje no mundo literato v�rios sistemas e subsistemas grupais competindo pelos mesmos "bens", influ�ncia, artigos, colunas, programas de televis�o, entrevistas, promo��es, editoras, col�quios. � f�cil criticar o Jornal de Letras (e merece-o bem) e a sua coterie, mas j� � escass�ssima a aten��o cr�tica a outros grupos como o que ia do defunto DNA, para o grupo do "� Cultura, Est�pido", ou as Produ��es Fict�cias, no mercado dos "produtos culturais" e do entretenimento. H� uma mudan�a geracional inevit�vel, mas os v�cios mant�m-se. Os bens tamb�m continuam a ser escassos.

Esta nota, bem como a do Esplanar, s�o interessantes e gostava de acrescentar umas notas sobre a cr�tica liter�ria que �s vezes nos entra pela casa dentro. No �ltimo programa televisivo Livro Aberto cujo tema era debater as escolhas dos espectadores de uma vota��o informal que o programa e o seu blogue promoveram e � qual posteriormente o Mil Folhas aderiu, alguns dos quatro convidados, especialistas e cr�ticos, tiveram um comportamento de considerei bizarro. Estavam mais interessados em comentar as escolhas dos Melhores de 2005 da nata intelectual publicadas no Mil Folhas do que debater as escolhas de espectadores an�nimos que, como recomenda��o, s� t�m o facto de verem o programa Livro Aberto. Posteriormente desvalorizaram totalmente as escolhas dos leitores. Nunca se referiram � escolha para fic��o portuguesa "Cavaleiro da �guia", nunca percebi porqu�, e sobre as outras escolhas tiveram coment�rios cujo objectivo ainda tento entender. Dou como exemplo as escolhas de fic��o estrangeira em que se encontravam nomes como Sebald ou Vila-Matas e que mereceram como coment�rio, de dois dos convidados, uma enorme estranheza por serem autores "dif�ceis": depreendi que, n�o sendo os espectadores membros de uma determinada casta intelectual, est�o incapacitados de ler, apreciar, escolher e votar em autores "dif�ceis". Mas a coisa n�o se ficou por aqui porque no meio de insinua��es de que votar em Sebald e Vila-Matas d� status social e intelectual (e eu a pensar que o Mercedes � porta cumpria bem melhor essa miss�o do que uma vota��o an�nima!) tiveram o desplante de explicar "sem dem�rito para a obra de Sebald", n�o fossem os espectadores an�nimos conspurcar o nome e a obra do autor.

Os tempos devem estar mesmo dif�ceis e h� que serrar fileiras firme e guardar o couto, n�o v� algum an�nimo querer l� entrar. O pior � que, como diz Jo�o Pedro George "esta gente l�, mas n�o aprende nada".

(J.)
*

Uma variante do Presidente vendido como um sabonete, num artigo de Lu�s Paix�o Martins, "O desgaste das marcas partid�rias", hoje no Di�rio de Not�cias. Artigo que deve ser lido com muita aten��o porque � t�pico dos tempos. Nele se diz, entre outras coisas:
Tal [desgaste] deve-se, em primeiro lugar, � descaracteriza��o das marcas partid�rias. � dif�cil encontrar pessoas que saibam explicar a diferen�a de atributos entre a marca socialista e a marca social--democrata, para referir as l�deres no nosso pa�s, para al�m dos s�mbolos do seu branding gr�fico e das imagens dos seus principais protagonistas. Se os atributos de v�rias marcas se confundem, � natural que as pr�prias marcas tenham confundidos os territ�rios de imagem que v�o definindo na mente dos seus "consumidores". "� tudo a mesma coisa" - diz-se que diz o povo.

Em segundo lugar, temos um problema de canal de comunica��o. O marketing pol�tico n�o recorre, fora de momentos eleitorais e em outros muito espec�ficos, a disciplinas de comunica��o que, como a publicidade, permitem ao comunicador "finalizar" os conte�dos e, por conseguinte, obter a fidelidade da sua mensagem.
Pelo contr�rio, o marketing pol�tico usa, quase exclusivamente, o canal jornal�stico para a sua comunica��o, sendo assim for�ado a codificar as suas interven��es segundo as regras do sistema medi�tico, isto �, de maneira simplificada, emocional e negativa.

Est� bom de ver que uma marca cuja afirma��o tenha de ser feita - sob pe-na de ser afastada do palco medi�tico - apenas de forma simplificada, emocional e negativa enfrenta muitas dificuldades de desenvolvimento se o seu objectivo for, por exemplo, demonstrar que deve ser escolhida para governar um pa�s. � por isso, designadamente, que as marcas partid�rias de "contrapoder", como o Bloco de Esquerda, ocupam mais espa�o medi�tico que os partidos de "governo".
Boa publicidade para a LPM (refor�ada pelas campanhas S�crates e Cavaco), com algumas verdades pelo caminho. O recado � simples: deixem de fazer pol�tica, de fazer esses pat�ticos esfor�os para �sair bem� na comunica��o social, fa�am s� rela��es p�blicas e publicidade, as novas "disciplinas de comunica��o". Se querem a mensagem limpa, vendam-na com uma marca nova, ou como se fosse uma marca nova.

� um caminho e h� muita gente disposta a trilh�-lo. Em �ltima inst�ncia, s� depende do dinheiro que se est� disposto a gastar, e da qualidade (baixa) pol�tica que se est� disposto a fazer. S� que h� outro caminho: fa�am outra pol�tica, com outros instrumentos, a partir de outros pressupostos, com outro tipo de pessoas, com outro tipo de discurso. � poss�vel, h� ind�cios um pouco por todo o lado de que � poss�vel, sinais de outros modos de fazer, � s� ter a coragem para romper, ou ent�o fazer ao lado, noutros s�tios.
Se a minha pequena nota o levou a concluir que eu defendo a comunica��o publicit�ria - nomeadamente para as marcas partid�rias �, custos acrescidos para as campanhas e um abaixamento da qualidade da pol�tica � porque n�o me fiz entender. O que eu julgo ter escrito � que, ao utilizarem, essencialmente, os �palcos medi�ticos� (que s�o, de uma maneira geral, simplificados, emocionais e negativos), as marcas partid�rias t�m dificuldade em desenvolver-se se o seu objectivo for, por exemplo, demonstrar que devem ser escolhidas para governar um Pa�s � apresentando propostas complexas, racionais e positivas. Penso que esta � uma constata��o que partilha comigo. Pela minha parte, partilho das suas reflex�es finais.

(Lu�s Paix�o Martins)
*

Excelente, excelente este Mar Salgado que cheira a maresia como deve ser.

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Pelo Ponto Media cheguei aos blogues de fotojornalistas do P�blico, mais uma das raz�es para ficar cada vez mais preso � Rede, e verificar como a facilidade dos blogues (e a sua temporalidade) est�o a mudar os media.


Veja-se este exemplo de Adriano Miranda que retrata todo um Portugal, solit�rio, antigo, que j� n�o se reconhece nos "dias de hoje", e que se perde mostrando-se assim rectil�neo, homem e bandeira num s� corpo, aconchegando-se, uma certa ideia que j� verdadeiramente n�o compreendemos, rom�ntica e ideal de Portugal. Mas ela est� l�, com for�a suficiente para este homem a exprimir num acto, provavelmente contra todos, � frente de uma parede sint�tica e recente. S� a fotografia nos podia mostrar isto, nunca a televis�o.
 


RETRATOS DO TRABALHO NO ALENTEJO, PORTUGAL


Lavrando o campo, Serpa, Alentejo, Nov. 2005


Empregadas de balc�o, Beja, Alentejo, Nov. 2005

(Ant�nio Ferreira de Sousa)
 


RETRATOS DO TRABALHO 9


Paul S�rusier, O estudo da Gram�tica
 


EARLY MORNING BLOGS 709

Cependant que la Cour mes ouvrages lisait

Cependant que la Cour mes ouvrages lisait,
Et que la soeur du roi, l'unique Marguerite,
Me faisant plus d'honneur que n'�tait mon m�rite,
De son bel oeil divin mes vers favorisait,

Une fureur d'esprit au ciel me conduisait
D'une aile qui la mort et les si�cles �vite,
Et le docte troupeau qui sur Parnasse habite,
De son feu plus divin mon ardeur attisait.

Ores je suis muet, comme on voit la Proph�te,
Ne sentant plus le dieu qui la tenait sujette,
Perdre soudainement la fureur et la voix.

Et qui ne prend plaisir qu'un prince lui commande ?
L'honneur nourrit les arts, et la Muse demande
Le th��tre du peuple et la faveur des rois.


(Joachim du Bellay)

*

Bom dia!

26.1.06
 


A LENTA DISSOLU��O DOS PARTIDOS



Pouco a pouco, os partidos pol�ticos democr�ticos (PS, PSD, CDS) conhecem uma lenta, mas segura, dissolu��o. Se se quiser, assiste-se uma mudan�a para outra coisa, menos poderosa, mais vulner�vel do que a anterior, mais fr�gil. Esta � uma afirma��o que se tem que escrever e ler com muita prud�ncia, uma afirma��o que deve ser lida com um gr�o de sal, e acima de tudo n�o deve ser tida como uma constata��o de um facto, mas de uma tend�ncia. Todavia, como tend�ncia parece-me ter fundamento, � luz de mais uma s�rie de acontecimentos recentes ocorridos � volta das elei��es presidenciais. N�o � um ju�zo de valor, � uma constata��o de facto.

� verdade que os partidos ainda det�m um grande poder em Portugal, mas grande parte desse poder vem do monop�lio que t�m sobre a representa��o pol�tica, e, em todos os locais do sistema onde n�o o det�m, h� uma crise de controlo. J� de h� muito que os partidos perderam as suas caracter�sticas de agremia��o c�vica, sendo mesmo o seu papel como m�quinas eleitorais contest�vel. N�o me custa aceitar que toda a parte de "rua" desta campanha presidencial podia desaparecer sem alterar muito significativamente os resultados eleitorais. Televis�o, outros media, marketing e publicidade fazem o grosso do trabalho, e ele � feito por jornalistas, especialistas de imagem, publicit�rios e n�o pelos militantes partid�rios.

Os partidos, hoje, s�o "pest�feros" e reduzir o fen�meno apenas ao antipartidismo e antiparlamentarismo vindo do passado da ditadura, ou gerado dentro da democracia por ideologias e correntes pol�ticas como o populismo, o comunismo e o radicalismo parece-me pouco. Os partidos conhecem um desgaste que tem causas novas nas democracias, mais universais do que as circunst�ncias portuguesas, que tamb�m ajudam. Como resultado, est�o demasiado expostos nas suas fraquezas, cada vez melhor se conhecem os seus mecanismos perversos, cada vez aparecem como mim�ticos uns dos outros. Mesmo na vers�o cl�ssica de oligarquias organizadas est�o sujeitos a uma usura que tem precedentes, mas revela novidades, semelhantes ao mesmo tipo de usura que t�m os parlamentos e come�am a ter os tribunais. Uma parte significativa dessa usura tem que ver com a forte press�o para a democracia directa que os media modernos instituem, gerando sociedades cujo tempo e espa�o simb�licos tiram oxig�nio � democracia representativa. Por outro lado, a perda de autonomia dos partidos face aos interesses, aos grupos de press�o e aos lobbies muda-lhes as caracter�sticas originais e coloca-os, numa sociedade em transi��o como a portuguesa, numa encruzilhada.

Voltemos �s presidenciais. Sejam quais forem as reservas que se tenham sobre a efectiva independ�ncia de Alegre do PS, e ao facto de o tom de a sua campanha ter sido antiaparelh�stico mais por necessidade do que por vontade, o que � incontorn�vel � que um candidato presidencial pode escapar ao controlo partid�rio, concorrer contra ele e obter bons resultados. � poss�vel em elei��es presidenciais e � poss�vel em elei��es aut�rquicas, como os casos de Oeiras e Gondomar revelaram. S� n�o � poss�vel em legislativas, porque os partidos t�m o monop�lio da participa��o pol�tica nessas elei��es, sen�o tamb�m se verificaria.

Embora o caso de Cavaco fosse diferente, e a sua distancia��o dos partidos PSD e CDS tivesse na origem a sua autoridade pol�tica sobre eles, o que � certo � que a sua campanha os tratava como indesej�veis enquanto tal, embora recorresse aos seus servi�os para montar uma infra-estrutura nacional. Mas, de novo, aqui repito o que disse antes: se Cavaco n�o tivesse os partidos para lhe assegurar a "volta" pelo pa�s, seriam os resultados assim t�o diferentes?

O que s�o hoje os partidos em Portugal? Estruturas particularmente desertificadas, pouco ou nada cred�veis, com problemas na cabe�a, no tronco e nos membros. Na cabe�a, onde habitualmente se fazia o recrutamento mais qualificado, cada vez � mais dif�cil encontrar pessoas capazes. Existe uma enorme distancia��o entre a disponibilidade para "dar o nome" em iniciativas simb�licas de car�cter partid�rio - comiss�es de honra, confer�ncias ou conven��es pr�-eleitorais, grupos de estudo - e a disponibilidade para exercer fun��es partid�rias enquanto tais. Uma coisa � participar em col�quios e confer�ncias, muitas vezes uma antec�mara para fun��es governativas, outra aceitar ser o porta-voz partid�rio para a justi�a, ou a economia, ao mesmo tempo que se mant�m a actividade profissional normal.

O resultado � uma degrada��o da imagem partid�ria, que encontra apenas personalidades desconhecidas ou sem credibilidade para exercerem essas fun��es, o que � particularmente negativo nos partidos quando est�o na oposi��o. A degrada��o acentuada dos grupos parlamentares (quantas vozes cred�veis nos grupos parlamentares do PSD e do PS para falar de economia, ou de cultura, ou de educa��o?) � um retrato da id�ntica degrada��o dos aparelhos partid�rios locais e da desertifica��o dos centrais.

A maioria das estruturas locais dos partidos � hoje constitu�da por pequenos grupos fechados, com pouca renova��o (quase s� feita pelo turnover geracional com as "juventudes" partid�rias), estreitamente associados ao poder aut�rquico, quer estejam no governo, quer estejam na oposi��o. A liga��o ao poder aut�rquico � correlativa da liga��o com outro v�rtice do tri�ngulo, os interesses da constru��o civil e da urbaniza��o, que dissolvem a especificidade partid�ria.

Todo um conjunto de outros subsistemas est� ligado a este cluster, incluindo associa��es locais, bombeiros, clubes de futebol, jornais e r�dios locais, associa��es "culturais". A autonomia respectiva de cada um deste tipo de subsistemas ante o sistema autarquias-partidos pol�ticos-interesses econ�micos � muito escassa. A altern�ncia entre oposi��o e situa��o faz-se dentro de uma plataforma de interesses instalados r�gida, muitas vezes favorecida pela participa��o da oposi��o local no governo da autarquia por via da concess�o de pelouros ou de lugares nas empresas municipais. Tamb�m o corpo e os membros dos partidos est�o doentes, para n�o dizer que j� mutaram para outra esp�cie de animal que n�o o homo sapiens.

Funcionou a campanha de M�rio Soares a contrario destas tend�ncias? Sim e n�o. Sim por necessidade, porque Soares precisava como p�o para a boca de tudo o que podia ter, e � verdade que a sua forma��o pol�tica o torna um defensor do sistema de partidos que ele tanto contribuiu para criar. Mas h� um "n�o": quando lhe convinha, por exemplo na elei��o presidencial de 1985-6, tentou manter os dirigentes do PS � dist�ncia, por raz�es n�o muito distintas das de Cavaco. N�o os queria ao seu lado, n�o os queria nas fotografias, n�o os queria muito perto nos com�cios.

Por tudo isto, contrariamente ao que se anda a� a dizer, a afirma��o do primado dos partidos n�o chega para combater a sua crise, pode inclusive ser factor da sua acelera��o, porque parece, e �, uma defesa das coisas como est�o. Por isso, n�o basta acantonarem-se os defensores dos partidos na centralidade destes na vida democr�tica, para resolver a quest�o. O problema � que os partidos j� n�o est�o no centro da vida democr�tica, descentraram-se, perderam esse papel, e uma defesa a outrance do sistema partid�rio versus o populismo n�o chega. H� que pensar os partidos pol�ticos em democracia de forma diferente, exactamente para manter as suas caracter�sticas de democracia representativa, mas isso significa que o velho modelo que combinava a pedagogia c�vica com m�quina eleitoral j� n�o existe, e, mesmo que existisse, j� n�o chegava para lhes restaurar o papel de express�o de "partes" da sociedade, das classes, dos grupos, dos interesses, das representa��es pol�ticas e ideol�gicas.

(Continua)

(No P�blico de hoje.)
 


RETRATOS DO TRABALHO EM TR�S-OS-MONTES



Trabalhando num tear : "Estas fotos, fizeram parte de uma exposi��o intitulada "Lugares e Olhares" realizada em 2000 no concelho de Vinhais, promovida por uma pequena Associa��o Cultural local"(enviado por Luis Vale).
 


RETRATOS DO TRABALHO EM S. TOM�


Alfaiate, S�o Tom�, STP, Out. 2005.

(Ant�nio Ferreira de Sousa)

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Desde h� algum tempo que alguns colaboradores do blog tem inclu�do fotografias que retratam cenas quotidianas do trabalho em alguns locais do mundo, nomeadamente India, algumas das ex-col�nias etc, onde se pode constatar a existencia de trabalho infantil mas fundamentalmente trabalho sem queixumes nas condi�oes mais deprimentes e se julgadas pelo prisma ocidental degradantes. N�o vou fazer qualquer considera��o acerca das fotos mas permito-me perguntar se n�o haver� uma estrat�gia maior que a par da diminui��o dos direitos dos trabalhadores em Portugal se venha assim subliminarmente dizer-lhes que ainda est�o cheios de sorte, primeiro por terem trabalho e segundo por as suas condi��es de trabalho serem melhores do que aquelas. Se � apenas coincid�ncia e eu n�o percebi a inten��o pe�o desculpa e vou-me embora.

(Jo�o Santos)
*
Podem-se considerar degradantes e deprimentes as condi��es retratadas pelas fotos Cenas do Trabalho que vem publicando no Abrupto, mas a impress�o que me deixaram foi a oposta. A de que o trabalho dignifica. Esta ideia, cada vez mais estranha nas sociedades p�s-industriais, fortemente orientadas pelo principio do prazer como indutor de consumo, torna dificil perceber que o trabalho retratado, orientado pelo principio da necessidade, n�o sendo uma ben��o, muito menos � um estigma.
Podemos ficar deprimidos ao constatarmos que nos nossos dias milh�es de seres humanos trabalham duramente sem serem recompensados condignamente, sem conseguirem sair da mis�ria degradante. Mas recearmos que venham a correr tirar-nos o nosso emprego ou os nossos direitos laborais por causa deles � conden�-los duplamente. � no fundo dizer que, se algu�m tem que ser pobre, ent�o antes eles do que n�s. (...)

(M�rio Almeida)
*

Os principais tra�os, porque comuns a quase todos eles, dos retratos do trabalho que t�m vindo a ser publicados � o facto de serem trabalhos �manuais�, de um tempo que n�o � o nosso, apesar de muitas fotografias serem actuais (da compara��o das fotografias actuais com as antigas ressalta que, em lugares diferentes, os tempos s�o diferentes, embora o Tempo seja o mesmo) e tamb�m de uma circunst�ncia provavelmente muito diferente da da maior parte dos leitores do Abrupto. Talvez por isso a sensa��o de estranheza e at� de desconforto que possam provocar. � curioso que os achem degradantes ou deprimentes. A mim parecem-me naturais.

(RM)
*
As fotografias que v�m sendo publicadas no Abrupto inserem-se numa tem�tica �popularizada� por Sebasti�o Salgado de mostrar que ainda existem espalhados pelo mundo muitos trabalhos, manuais, artesanais, pesados, sujos, desgastantes fisicamente, perigosos, praticados sem equipamento de protec��o, etc. Este tipo de trabalho h� algum tempo que se encontra desfasado do imagin�rio da maioria da popula��o urbana (classe m�dia para cima) dos pa�ses desenvolvidos. No entanto esses trabalhos existem e por vezes n�o est�o t�o longe de n�s quanto julgamos. Pareceu-me que a sua publica��o apenas tinha por objectivo mostr�-los, avivar mem�rias, fazer-nos pensar sobre eles e n�o ser um �bicho mau� com que se amea�a as crian�as que n�o comem a sopa. A mim pessoalmente fez-me pensar o mesmo que as fotos de Sebasti�o Salgado. Que quem nasceu a ocidente tem a sorte de estar mais afastado desse tipo de trabalho, pois mesmo aqueles que t�m trabalhos com essas caracter�sticas no mundo ocidental t�m mais protec��o do que a que se v� nestas fotos. Por outro lado recordo um artigo recentemente lido na revista da Marinha sobre a actividade de desmantelamento de navios (que h� anos foi objecto da objectiva de Sebasti�o Salgado) que, apesar da crescente procura, se transferiu totalmente para pa�ses pobres (�ndia, Bangladesh, etc.) exactamente para fugir aos custos salariais directos, aos custos de protec��o e seguran�a dos trabalhadores e aos custos de protec��o ambiental. Resultado, enormes navios, portadores de imensos materiais perigosos, s�o encalhados em praias para serem desmantelados literalmente � martelada e por vezes com ma�aricos (�luxo� a que apenas os trabalhadores com maiores �posses� se podem dar) com todos os riscos que isso implica para trabalhadores e com um enorme rasto de polui��o deixado nas praias. Devemos pensar sobre este lado da �globaliza��o� ou se queremos seguir o velho aforismo americano �it�s a dirty job, but some one has to do it�. And no matter how it is done, since we pay less for it and the dirt is far away from our door.

(Miguel Sebasti�o)
 


LENDO / VENDO /OUVINDO
(BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�ES, IMAGENS, SONS, PAP�IS, PAREDES)
(26 de Janeiro de 2006)


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Hoje, um Rocketboom divertido. Vejam a parte sui�a no fim...

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No Clube dos Jornalistas da 2: discutiram-se as "interrup��es" dando como exemplo as de S�crates sobre Alegre e de Cavaco sobre Jer�nimo, na noite das elei��es. N�o ficou bem clara a natureza completamente distinta dos dois casos: no primeiro, foi discurso sobre discurso, e a op��o editorial seria sempre muito dif�cil de fazer (� leg�timo considerar que sendo o PM a falar devia ser ouvido); a segunda � puramente de responsabilidade do "jornalismo" espectacular. Cavaco a sair de casa n�o � "not�cia" que se deva sobrepor a uma declara��o de um candidato presidencial. No primeiro caso, hesitaria em condenar as televis�es, desde que uma imediata nota fosse feita do que se passou e uma repara��o a Alegre se lhe seguisse, passando o seu discurso, como a SIC fez. No caso da sa�da de Cavaco versus discurso de Jer�nimo, foi mau jornalismo.

*

No blogue de Assouline faz-se uma s�ntese de uma publica��o acad�mica sobre os "novos franceses", o livro de Sylvain Brouard e Vincent Tiberj, Fran�ais comme les autres ? , Les Presses de Sciences Po, 2005. O que h� de interessante nessa s�ntese � o crescente peso da religi�o nas op��es culturais e de vida:

* RELIGION Plus ils s'inscrivent dans la soci�t� fran�aise, moins ils sont musulmans, d'autant que les trois quarts de la seconde g�n�ration sont issus de mariage mixte ; ils sont comme les autres Fran�ais ouverts au mariage mixte mais beaucoup plus hostiles quand il s'agit des filles ... Les Fran�ais musulmans (autour d'y 1,1 million de personnes) n'en entretiennent pas moins une relations plus intense avec leur religion que le reste des Fran�ais. La proportion de musulmans est maximale chez les jeunes et d�cro�t ensuite ; c'est par les 18-24 ans que l'on assiste aujourd'hui � un ph�nom�ne de r�islamisation en France. Rien � voir avec le niveau d'�tudes. Si la religion musulmane est bien l'islam, un tiers ne s'en r�clame pas. Rien n'est plus faux que l'id�e d'un bloc homog�ne de population immigr�e musulmane.

* ESPRIT CITOYEN Ils sont 23% � d�clarer ne pas �tre inscrits sur les listes �lectorales contre 7% chez les autres Fran�ais, mais on peut penser que cela a �volu� depuis la r�cente crise des banlieues et l'id�e d'un vote-sanction contre Sarkozy-le-karcheriseur. A noter que l'affiliation musulmane va de pair avec le taux de non-inscription.

* POLITIQUE Ils sont enracin�s � gauche, comme les Noirs am�ricains le sont le sont avec les d�mocrates. 76% d'entre eux se d�clarent proches d'un parti de gauche. Paradoxe : la gauche �tant peu incarn�e � travers un leader fort qui s'impose, Jacques Chirac jouit d'une sympathie particuli�re parmi eux.

* INTEGRATION On peut parler d'une int�gration r�ussie quand on constate leur l�gitimisme � l'�gard des institutions et du mod�le hexagonal, attitude pro-Etat sup�rieure aux autres Fran�ais qui s'explique autant par la culture de l'assistanat que par une forme de volontarisme � l'�gard du travail. Ils sont plus attach�s � la r�ussite que l'�lectorat de droite. Leur culture de leur r�ussite prime et perdure quelle que soit leur position dans la soci�t�. Ils font la synth�se entre libert� et �galit� contrairement au reste de l'�lectorat fran�ais qui aura tendance � les opposer. Ils se distinguent des autres par leur dynamisme plut�t que par leur attentisme.

* MOEURS Ils sont moins permissifs que les autres Fran�ais dans trois domaines: homosexualit�, s�paration dans les piscines et interdiction des relations sexuelles avant le mariage pour les filles. Ils sont deux fois plus homophobes, conservateurs et intol�rants que les autres Fran�ais, ph�nom�ne li� � la fr�quentation des mosqu�es.

* RACISME Un sur trois de ces nouveaux Fran�ais rejette l'immigration. Ils sont beaucoup plus antis�mites que les autres Fran�ais, notamment les 18-24 ans. Le pr�jug� antis�mite perdure ind�pendemment de l'�ge, des dipl�mes ou de l'univers politique. Le niveau d'antis�mitisme est li� au facteur religieux et � la relation � l'immigration. Ils sont moins antisionistes qu'on ne le croit g�n�ralement. La minorit� intol�rante et ouvertement antis�mite (33% d'entre eux) est musulmane pratiquante.

* DISCRIMINATION POSITIVE Leur position sur la question n'est pas form�e. Ils semblent pr�f�rer ce qui s'�loigne le moins de l'�galitarisme r�publicain, une politique g�n�rale plut�t que des mesures sp�cifiques propres � eux seuls.

* COMMUNAUTARISME La concentration dans l'espace (cit�s, ghettos ...) est l'une des conditions du ph�nom�ne. Les originaires du Maroc ou d'Afrique noire se sentent plus proches que les autres de leur pays d'origine. Dans leur majorit�, ils ne sont pas dans une logique communautaire."

(sublinhados meus)
 


EARLY MORNING BLOGS 708

A UN POETA MENOR DE LA ANTOLOG�A


�D�nde est� la memoria de los d�as
que fueron tuyos en la tierra, y tejieron
dicha y dolor y fueron para ti el universo?

El r�o numerable de los a�os
los ha perdido; eres una palabra en un �ndice.

Dieron a otros gloria interminable los dioses,
inscripciones y exergos y monumentos y puntuales historiadores;
de ti s�lo sabemos, oscuro amigo,
que o�ste al ruise�or, una tarde.

Entre los asfodelos de la sombra, tu vana sombra
pensar� que los dioses han sido avaros.

Pero los d�as son una red de triviales miserias,
�y habr� suerte mejor que ser la ceniza,
de que est� hecho el olvido?

Sobre otros arrojaron los dioses
la inexorable luz de la gloria, que mira las entra�as y enumera las grietas,
de la gloria, que acaba por ajar la rosa que venera;
contigo fueron m�s piadosos, hermano.

En el �xtasis de un atardecer que no ser� una noche,
oyes la voz del ruise�or de Te�crito.


(Jorge Luis Borges)

*

Bom dia!

25.1.06
 


LENDO / VENDO /OUVINDO
(BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�ES, IMAGENS, SONS, PAP�IS, PAREDES)
(25 de Janeiro de 2006)


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Desleixos, inadmiss�veis desleixos.

2006-01-19-@10-23-11.jpg

Painel de azulejos localizado junto do viaduto da Av. Estados Unidos da Am�rica que ladeia o Parque da Bela Vista, da autoria de Rolando S� Nogueira. (Lembran�a de becos & companhia e amnesia. ) Ser� que vai ser preciso colocar a imagem todos os dias at� que algu�m v� l� algu�m compor o que se est� a estragar?

*

Um muito interessante e "s�rio" Rocketboom mostrando como se d� a renova��o dos media, a partir de uma entrevista feita na New England Cable News Station, combinando jornalismo cl�ssico, "citizen journalism", um s�tio na rede com not�cias de um jornal (Boston Globe) e videos da televis�o e dos ouvintes, um blogue local em cada terra, etc., etc. Nenhuma experi�ncia de vanguarda, nenhuma tecnologia de ponta, numa emissora local, apenas o uso integrado do que j� existe ao servi�o dos "consumidores". Nada que n�o se pudesse fazer c�, em pequeno, em bem feito, sem ilus�es de grandeza, mas s�lido.
 


RETRATOS DO TRABALHO EM S. TOM�



Pesca de cerco, Sto Amaro, STP, Out. 2005

(Ant�nio Ferreira de Sousa)
 


EARLY MORNING BLOGS 707

esta��o


Esperar ou vir esperar querer ou vir querer-te
vou perdendo a no��o desta subtileza.
Aqui chegado at� eu venho ver se me apare�o
e o fato com que virei preocupa-me, pois chove miudinho

Muita vez vim esperar-te e n�o houve chegada
De outras, esperei-me eu e n�o apareci
embora bem procurado entre os mais que passavam.
Se algum de n�s vier hoje � j� bastante
como comboio e como subtileza
Que d� o nome e espere. Talvez apare�a


(M�rio Cesariny)

*

Bom dia!

24.1.06
 


RETRATOS DO TRABALHO EM TIMOR-LESTE E EM S. TOM�



Dili, Timor-Leste. Tecedeira numa f�brica de Tais ( pano de fabrico artesanal ) em Dili. Habitualmente, os trabalhos s�o feitos por encomenda, conforme a c�r, desenho e tamanho pretendido. Existem em todo o pa�s, exibindo caracter�sticas diferentes, de regi�o para regi�o.

(Teresa Calado)



Peixeira na lota, S�o Tom�, STP, Out. 2005

(Ant�nio Ferreira de Sousa)
 


EARLY MORNING BLOGS 706

Colagem

com versos de Desnos, Maiakovski e Rilke

Palavras,
sereis apenas mitos
semelhantes ao mirto
dos mortos?
Sim,
conhe�o
a for�a
das palavras,
menos que nada,
menos que p�talas pisadas
num sal�o de baile,
e no entanto
se eu chamasse
quem dentre os homens me ouviria
sem palavras?


(Carlos de Oliveira)

*

Bom dia!

23.1.06
 


NOVOS TEMPOS: UM LIVRO EM TEMPO REAL

sair� esta semana.
 


LENDO / VENDO /OUVINDO
(BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�ES, IMAGENS, SONS, PAP�IS, PAREDES)
(23 de Janeiro de 2006)


___________________________

Louren�o Medeiros explica muito bem por que raz�o "o facto de n�o se utilizar no dia-a-dia as tecnologias de informa��o � muito mais grave do que parece", com o exemplo das disquetes do caso Casa Pia e das m�os por que passaram.
 


RETRATOS DO TRABALHO EM S. TOM�


A caldeira do secador de cacau, Ro�a Milagrosa, STP, Out. 2005


Alfaiataria Jord�o, S�o Tom�, STP, Out. 2005.

(Ant�nio Ferreira de Sousa)
 


OBSERVA��ES PRESIDENCIAIS AVULSAS 4


Ele h� mau ganhar, mas duvido que se encontrem muitos exemplos significativos de mau ganhar at� agora. Mas mau perder abunda por todo o lado, sendo at� um dos tra�os distintivos destas elei��es presidenciais. A hist�ria da "vit�ria tangencial" � um exemplo. Cavaco ganhou � primeira volta por uma maioria absoluta face a cinco candidatos que fizeram campanha contra ele, e � dist�ncia de 30% do segundo classificado, ganhou em todos os distritos do pa�s com excep��o de Beja, e ganhou "� tangente"?

*

E depois h� frases inqualific�veis como as ditas por Vital Moreira no Causa Nossa:

"O problema com Cavaco Silva n�o � s� ele ser o primeiro presidente oriundo da direita pol�tica, nem o inigma sobre a sua pr�tica presidencial. � ele suceder a quem sucede: 10 anos de um presidente maior do que o Pa�s (M�rio Soares); 10 anos de um dos presidentes mais cultos e "aristocratas"(no verdadeiro sentido da no��o) que j� tivemos (Jorge Sampaio). Ter agora um presidente que n�o ultrapassa os limites de uma cultura economista e tecnocr�tica � uma enorme sensa��o de despromo��o..." (sublinhado meu)

*

Para uma antologia do mau perder:

"Pedro Santana Lopes, ex-l�der do PSD, afirmou hoje que Cavaco Silva s� ganhou as elei��es presidenciais � primeira volta devido � aus�ncia de um outro candidato � direita. "Se houvesse outro candidato � direita, haveria uma segunda volta", referiu Santana Lopes em declara��es � SIC-Not�cias." (Portugal Di�rio)

Como � evidente, "s�" haver um candidato "� direita", nada tem a ver com o m�rito de Cavaco Silva, mas deve ter sido benemer�ncia dos putativos candidatos.


*

No s�tio do Di�rio de Not�cias (diferente no seu arranjo gr�fico do jornal em papel), a vit�ria de Cavaco Silva � um acontecimento menor ( o terceiro sem relevo, depois de uma hist�ria de penhoras e bancos e de outra sobre carros chineses), de tal maneira que pensei que o jornal l� colocado era o de ontem. � um absurdo comunicacional, j� para n�o dizer outra coisa.

Actualiza��o: a ordem das not�cias foi mudada durante o dia, depois desta nota divulgada, e passou Cavaco a primeiro.

*

A interrup��o do discurso de Alegre por S�crates gerou, na pequena multid�o que estava dentro da SIC, imediatas e sonoras manifesta��es de protesto, que ultrapassaram partidos e amizades pol�ticas. Eu protestei alto e bom som na minha mesa, Helena Roseta na dela e, atr�s de mim, no grupo a que a SIC chamou da "sociedade civil" ouviam-se tamb�m protestos. Os jornalistas que conduziam a emiss�o ficaram tamb�m perplexos e incomodados pela evidente e grosseira manobra de oculta��o de Alegre, mas n�o era f�cil n�o dar a prioridade ao discurso de S�crates,no tempo real em que estas emiss�es se fazem. S�crates � o Primeiro-Ministro e um dos respons�veis pelo desastre do PS e for�ou ser ouvido. Justi�a seja feita neste caso � SIC que se apercebeu de imediato que tinha que encontrar uma forma de reparar Alegre, que denunciou de imediato a malfeitoria e anunciou a repeti��o da declara��o de Alegre. N�o sei o que fizeram as outras televis�es, mas tenho curiosidade em saber.

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Mal anunciei que iria fazer o Abrupto directo da mesa da SIC e apelava � contribui��o dos leitores, um "amador" qualquer enviou para o meu endere�o de e-mail, uma s�rie de ficheiros gigantescos para o bloquear, pelo que algum correio deve ter sido perdido.

Segundo o Google Analytics o Abrupto teve mais de 16000 "pageviews" ontem.

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Provavelmente n�o se apercebeu (j� que estava em directo na SIC) mas na TVI, M. Sousa Tavares e outros, alegaram que, tendo Cavaco Silva sido eleito presidente com o menor percentual e n�mero de votos da hist�ria, o seu espa�o de interven��o estava reduzido. Ora, sem sequer insistir no ponto �bvio de a vit�ria se ter verificado � primeira volta - o que s� por si a torna necessariamente mais forte do que qualquer outra que se tenha registado � segunda -, conv�m tamb�m lembrar que Cavaco teve mais votos do que S�crates nas �ltimas legislativas (2,8 milh�es vs 2,6 milh�es). Os n�meros falam por si...

Francisco Barbosa

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E ao menos sabe comer � mesa?

� imposs�vel ler hoje o livro �Ang�stia para o jantar�, de Lu�s de Sttau Monteiro, sem recordar as in�meras observa��es de M�rio Soares em desprimor de Cavaco Silva - de tal forma elas parecem inspiradas neste romance em que um outro Ant�nio � humilhado da mesma forma torpe.Quando, nos anos 60, o li pela primeira vez, a personagem que faz o papel de snob-de-servi�o provocou-me uma n�usea que agora (no decorrer de uma segunda leitura) ressuscitou - e em duplicado, v� l� perceber-se porqu�!

C. Medina Ribeiro

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Quando Cavaco Silva saiu de casa, ouviram-se duas perguntas colocadas por um jornalista: �O que lhe vai pela cabe�a?� e �O que foi que lhe disse o dr. Soares?� Cavaco Silva respondeu � segunda; obviamente, a resposta consistiu em dizer que n�o revelaria tal informa��o. A minha pergunta �: o que vai pela cabe�a do jornalista ao perguntar o que foi que disse M�rio Soares? Por acaso pensou que Cavaco Silva lho diria?

(Jos� Carlos Santos)

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Tanta "conversa" (em 96, 97?) por causa do voto dos emigrantes para a Presid�ncia da Rep�blica para, afinal, a taxa de absten��o dos portugueses residentes no estrangeiro ultrapassar os 90%!

(M.F.�hman, Su�cia)

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Embora seja prematuro estar a estabelecer cen�rios a elei��o de Cavaco representa, de facto, uma rotura no que tem sido a centralidade pol�tica em Portugal.

O discurso oficial do PS e do PCP no passado, quando socialistas foram eleitos presidentes, foi o de logo � partida lhes atribuir um estatuto de independ�ncia, isen��o e idoneidade que esquecia as suas origens pol�ticas e lhes atribu�a uma superioridade moral, de rigor e de dimens�o �tica.

Ser� curioso ver como ir�o reagir se Cavaco for presidente. O que, naturalmente, espero venha a acontecer.

(Ant�nio Taveira)

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Uma ila��o interessante destas elei��es presidenciais � o facto dos dois candidatos mais votados serem aqueles que mais fraca performance televisiva t�m. Claro que performance televisiva � entendida, neste contexto, como a capacidade de gerar o sound-byte, de ter a pequena frase assassina ou em sentido mais lato de �ter conversa�.

Cada vez mais os portugueses avaliam, sobretudo, curr�culos e valores que atribuem a cada candidato ou partido e esses encontram-se, de um modo geral, bastante sedimentados na avalia��o do eleitorado. Neste sentido a campanha tradicional perdeu muita import�ncia.

(Miguel Al�ada Baptista)

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1) O vencedor ganhou e � acusado de ter preparado rigorosa e profissionalmente a candidatura. Queremos desenvolver o pa�s, profissionalizar as actividades, acabar com o nacional-desenrascan�o. Depois acusamos quem pratica esse profissionalismo de ter �ganho porque preparou tudo com anteced�ncia e rigorosamente�. Em que ficamos? Relembremos que Cavaco ganhou as 3 legislativas em que esteve � frente do PSD, 2 delas com maioria. Perdeu umas presid�nciais � 1� volta e ganhou outras � 1� volta sem ter que dar sais de fruto a ningu�m.

2) Manuel Alegre valeu a pena. Teve valor acrescentado. Mostrou que o nacional- desenrascan�o ainda vai funcionando, que ainda somos um pa�s de poetas e que as pessoas gostam das �vitimas�. E mostrou tamb�m que � poss�vel vencer os aparelhos partid�rios (de onde Alegre saiu) apesar das muitas fidelidades caninas �s prebendas que os partidos no poder distribuem.

3) O grande derrotado, sem honra nem gl�ria. Fez uma campanha ressabiado com Anibal e Alegre, mal educada, contradit�ria, sem fair-play, mostrou apenas um sentido de posse pelo Pal�cio Cor-de-Rosa, tipo a crian�a e o seu brinquedo preferido. E mais, mostrou que o animal pol�tico j� n�o � o que era, qual Am�lia nos seus �ltimos anos. Desses tempos sem gl�ria da fadista apenas ficou para a hist�ria o �obrigado, obrigado�. E os eleitores mostraram saber distinguir entre gratid�o e capacidade para a fun��o em causa no actual momento do pa�s. Se a interrup��o de Socrates a Alegre foi propositada, mostra arrogancia e mau perder, se foi um erro mostra falta de profissionalismo de quem quer modernizar o pa�s. De facto o rigor e profissionalismo de Cavaco v�o ser um valor acrescentado para o pa�s. Relembremos que em 4 legislativas e 1 constituinte M�rio Soares s� conseguiu 3 vit�rias e todas sem maioria absoluta. E nas presid�nciais precisou de dar muitos sais de fruto aos comunistas para bater Freitas na 2� volta.

4) O resto foram os figurantes do costume entre a esquerda Caviar-Champagne e a esquerda de rosto popular. A leste nada de novo.

(Miguel Sebasti�o)

22.1.06
 


VOU PARA OUTRO LADO

j� chega.

Quod erat demonstrandum. N�o foi surpresa.
 


"COM TODA A CLAREZA"

diz Cavaco, da decis�o do "povo portugu�s". �. ter metade dos votos mais um na primeira volta, � mesmo "com toda a clareza". N�o � "� tangente", � "� tangente na primeira volta", um resultado bem dif�cil de obter. Ou n�o tinha como advers�rio M�rio Soares que tinha gerado o "maior nervoso" aos apoiantes de Cavaco (comno se dizia em tempos n�o muito remotos), ou que Monjardino dizia, numa entrevista ao Independente, que n�o precisava de fazer campanha para vencer.
 


S�CRATES QUER-NOS CONVENCER

que ningu�m na campanha de M�rio Soares estava a ver a televis�o e n�o se apercebeu que Alegre, o arqui-advers�rio, come�ava a falar...

A quest�o � outra. � que lhe correu mal a cena.
 


A M�QUINA

para explicar que nada mudou (vinda dos que diziam que tudo ia mudar por causa do "golpe constitucional") vai come�ar amanh�.
 


S�CRATES

pensa que pode fazer tudo. E fez uma asneira revelando um dos seus aspectos mais negativos, prepot�ncia e arrog�ncia. Ao interromper Alegre, foi o que pior se portou nesta noite.
 


ISTO EST� BONITO!

S�crates a interromper Manuel Alegre que vergonha!

Se fosse Alegre repetia a declara��o.

Se fosse a televis�o dava o PM em diferido, porque S�crates n�o � candidato.

(Ant�nio Lobo Xavier assina por baixo).

H� alguma revolta aqui na SIC vinda de v�rios lados.
 


"APODERAR-SE?"

Com que ent�o a "direita" "apoderou-se" (diz Jer�nimo) da Presid�ncia?
 


DUAS QUEST�ES

Sou da opini�o de que n�o deveriam passar na televis�o imagens do interior da casa de Cavaco Silva (ou de qualquer outra pessoa) gravadas � revelia deste.

Acabei de ouvir o discurso de Francisco Lou��. J� lhe contaram que ficou em quinto lugar?

Jos� Carlos Santos
 


O NOVO "CAVAQUIST�O"

Dia hist�rico para o distrito de Bragan�a, pois transformou-se no novo "cavaquist�o".
Os resultados de Cavaco Silva no distrito s�o os maiores a n�vel nacional.

Bragan�a 67,30%
Viseu 65,68%

Jos� Alegre Mesquita
 


A PARTIR DE AGORA

o jogo da democracia centra-se na oposi��o. � Marques Mendes e Ribeiro e Castro que est�o na primeira linha.
 


NO COM�CIO

que foi a declara��o de Lou��, a palavra "grande" foi a mais repetida.
 


EM PLENO COM�CIO

Lou��.
 


OS RESULTADOS

j� n�o permitem incertezas. Cavaco Silva � Presidente. Manuel Alegre fica em segundo, Soares num escasso terceiro. Jer�nimo e Lou�� onde se previa e na ordem que se previa.
 


QUE FAR� ALEGRE COM OS VOTOS?

Apesar de todo o m�rito da sua decis�o de se candidatar, toda a campanha de Manuel Alegre foi baseada num simp�tico sofisma.

O que Alegre dir�, mais logo, no discurso de encerramento, quer haja segunda volta quer n�o, � que a sua candidatura � um impar�vel movimento de cidad�os e para os cidad�os, e carregado de cidad�os, e com trabalho de cidad�os, protagonizado por um cidad�o. Resumindo, Alegre far�, como fez desde que se tornou num rebelde socialista, a apologia da cidadania.

No entanto, a verdade � que Alegre � um cidad�o-novo: tornou-se, abruptamente, num cidad�o, desligado de partidos. O que falta dizer, e isto raramente se diz, � que a candidatura de Alegre s� � de cidad�os para cidad�os porque o PS n�o o escolheu. Doutra forma, os cidad�os poderiam ficar confortavelmente � porta do Altis, que a candidatura seria de um partido, e Alegre diria que assim � que dever� ser em democracia.

(Artur Vieira)
 


O QUE BASTA

50,001% ser� tb a vota��o necess�ria e suficiente para a esquerda!

CMO
 


OS 50,1% SER�O MAIS DUROS

de obter do que parecia nas sondagens. Mas s�o os necess�rios.
 


OS VOTOS DE ALEGRE

Que vai fazer Manuel Alegre com os seus votos?

Talvez o mesmo que Bas�lio Horta fez aos seus 14% obtidos em 1991 contra M�rio Soares no CDS � nada!

Trata-se de um epifen�meno, circunstancial, que tem toda a probabilidade de se esgotar a partir de amanh�.

Se n�o h� maiorias presidenciais, por maioria de raz�o n�o existem minorias presidenciais.

O fen�meno chamado poder tem uma consider�vel for�a agregadora que se encarregar� de dissipar veleidades fragmentadoras.

Jo�o Pedro Dias
 


QUEST�O DA NOITE

E se de repente a quest�o da noite n�o for quem ganha, nem quem fica em
segundo lugar, mas o terceiro?

Pobre M�rio Soares....

Jo�o Carvalho Fernandes
 


MUITO POUCA POL�TICA

se discute esta noite.
 


O MILAGRE DAS ROSAS

duas vezes, Ana Gomes.
 


TRUMAN SHOW � PORTUGUESA

O que se joga na noite de hoje est�, h� muito, preparado por Jos� S�crates. Est� tudo equacionado para o segundo ou terceiro lugares e o l�der do PS torce por uma maioria absoluta, pois � a oportunidade de se livrar dos soaristas e de desafiar Alegre no pr�ximo congresso.
S�crates � o realizador de um Truman Show � portuguesa, mas com dois Jim Carey's.

Pedro Gouveia Alves
 


MINORIAS

Foi a aus�ncia de uma candidatura de direita que permitiu a Cavaco Silva ser eleito Presidente � primeira volta. Quaisquer 5% de votos que essa candidatura obtivesse, teria impedido esta elei��o � primeira volta. A import�ncia das correntes de pensamento minorit�rias, que est�o para al�m do �centr�o�, sai refor�ada.com esta elei��o.

Jo�o Pedro Dias
 


VALETES

N�o v�o faltar valetes a falar em nome da maioria presidencial, a sugerir a transforma��o subtil do PSD em Partido do Presidente. Ser� bom que Cavaco Silva recuse estes cantos de sereia.

Ant�nio Lobo Xavier
 


A PARTIR DE AGORA

� na oposi��o que se concentra a mudan�a poss�vel de pol�ticas. A presid�ncia de Cavaco � um enquadramento para o governo e a oposi��o, mas � do terreno parlamentar e partid�rio que vem a diferen�a.
 


S�TIOS

Mesmo estando na SIC, d� um salto ao site da RTP, verdadeiro servi�o p�blico. O site desapareceu. S� temos resultados das presid�nciais. O site da SIC parece tamb�m estar alterado, mas demasiado lento.

RAP.
 


SONDAGENS

Melhor sondagem para Cavaco: a da SIC.

Melhor sondagem para Alegre: a da RTP

Melhor sondagem para Soares: a da SIC.

Melhor sondagem para Jer�nimo: a da RTP.

Melhor sondagem para Lou��: a da SIC.
 


PERGUNTA

Portugal vai ser o mesmo?

Sequeira Braga
 


"SOCIEDADE CIVIL"

Representantes da Sociedade Civil ai na SIC

S�o poucos os comunistas, ser� que � o reflexo da nova sociedade, que por ai se aclama?

LLouren�o
 


QUOD ERAT DEMONSTRANDUM

o latim d� muita for�a.
 


PREOCUPA��ES

Honestamente, mais do que os resultados destas elei��es em termos de vencedores e vencidos, a minha curiosidade centra-se para os n�meros da absten��o. Gostaria de ver estes n�meros insignificantes. Em minha opini�o isso seria o verdadeiro reflexo de uma melhoria qualitativa da classe pol�tica vigente em Portugal, pois das principais causas dos n�veis de absten��o reside no facto de pouco ou quase nada se notar quando muda a cor pol�tica no panorama Nacional.
Para qu� estarmos preocupados com as derrotas partid�rias? Estamos ou n�o, de facto, preocupados com a crise que enfrentamos todos (ou quase todos)????


Catarina Ferreira
 


A LEI

� a lei, compreendo... Resta-me reformular o meu ponto de vista. Ora bem: dado que � de todo imposs�vel prever quem ser� o pr�ximo Presidente da Rep�blica, julgo que o ponto fulcral destas elei��es est� em saber quem recebe mais votos: se Alegre, se Soares. As consequ�ncias que poder�o advir deste acto eleitoral, na minha opini�o, ser�o inevit�veis. E, no que diz respeito a esta mat�ria, penso que a grande d�vida est� em saber o que far� Manuel Alegre com os seus resultados (sejam eles quais forem).

Ab�lio Ribeiro
 


FACES

Creio que sim as faces dizem tudo aquilo que a esta hora ainda n�o se pode dizer...

Filipe Freitas
 


PERGUNTA

Gostava de saber a opini�o de JPP sobre a continuidade de elabora��o de sondagens que t�m como amostra "lares com telefone fixo", sabendo-se que, cada vez mais, as pessoas optam pelos telem�veis em detrimento do telefone fixo. N�o acha que se deve pensar no assunto?

Jo�o Paulo Lopes Martins

As sondagens julgam-se pela correla��o entre os resultados virtuais e os reais. Os m�todos s�o instrumentais em grande parte.
 


A TRISTEZA OU A ALEGRIA VIOLAM A LEI?

Pode-se interpretar as faces nas sedes de campanha? Pode-se ignorar o que se v�, o que se l�?
 


MEUS AMIGOS

n�o adianta enviarem mensagens que n�o podem para j� serem publicadas.
 


ROSAS?

�Alegre tem no gabinete, a seu pedido, rosas vermelhas...�

�Rosas em (22 de) Janeiro, Senhora? - estranhou o rei (...)�

CMRibeiro
 


VIRTUALIDADES

A quest�o de se saber quase tudo...remete, for�osamente, para uma quest�o realista: Para al�m de uma campanha eleitoral virtual..feita de e para a TV, vamos ter agosra...pelo menos durante 1 hora...coment�rios e jornalistas virtuais..a fazer de conta que n�o se sabe nada e com medo de...n�o violar uma lei real!

Amanh� continuaremos na realidade virtual?

Paulo Gon�alves
 


VAI ACABAR A TRANQUILIDADE

sou inteiramente a favor desta regra que chamam est�pida e que nos proporcionou um dia antes das elei��es sem directos, sem golpes, sem manipula��es e com not�cias de outros mundos.

Ant�nio Lobo Xavier
 


COMO DE COSTUME

o Abrupto � feito por toda a gente da minha mesa, com a sua assinatura.
 


NOVOS TEMPOS

Nos "quarteis generais" de Alegre e Jer�nimo, para j� os mais agitados, Alegre tem no gabinete, a seu pedido, rosas vermelhas e �gua, e na do Bloco de Esquerda h� champanhe. Novos tempos.

(RM)
 


COM MUITA CURIOSIDADE

A menos de uma hora de saber quem vai ser o proximo presidente da republica, todos nos questionamos sobre duas questoes:

- Quem ser�?
- Por que ser�?

Estas duas quest�es merecem uma breve reflex�o... Quem ser�? Cada um dos candidatos com caracter�sticas pessoas, que agradam a diferentes manifesta��es... Penso que todos merecem uma oportunidade? Mas ser� que cada um dos candidatos tem a capacidade de honrar a confian�a do portugueses?

Porqu�? penso que � importante detectar as raz�es que fizeram com que o "escolhido" pelos portugueses tenha ganho este voto de confian�a... Penso que este tipo de an�lise poder� ser a "pedra filosofal" para quem a descobrir... Penso que o "vencedor" ser� fruto de uma "campanha vencedora", a analise da mesma poder� entao chamar a aten��o sobre alguns pormenores que nem sempre s�o correctos na campanha de alguns candidatos...

Com muita curiosidade

Marta Louren�o Wadsworth
 


PERGUNTA

"O que � que quer dizer quando escreve "J� se sabe quase tudo"?", pergunta Lu�s Carmelo.

O que se pode saber (sondagens v�rias), o que n�o se pode dizer. Para j�.

Neste caso, a lei tem sentido: n�o divulgar resultados virtuais, enquanto existem vota��es reais.
 


COME�OU

como num pre�mbulo, um introito, um momento de acalmia antes da tempestade. J� se sabe quase tudo, mas espera-se.
 


� MINHA VOLTA

como num teatro, sentam-se as diferentes categorias de actores: os "comentadores", os "jornalistas", os "representantes da sociedade civil", tudo banhado numa luz crua. A luz da televis�o.
 


MAIS UMA VEZ: O ABRUPTO FEITO DA MESA DA SIC

a partir de agora.

Pelo e-mail recebem-se colabora��es, coment�rios, ditos, coisas soltas sobre o assunto.
 


OBSERVA��ES PRESIDENCIAIS AVULSAS 3


O mal j� est� obviamente a ser atribu�do ao pa�s. O pa�s "que confunde progresso, e modernidade, com jipes topo de gama" (Da Literatura); o pa�s dos "broeiros" (Natureza do Mal); o pa�s que bebeu demais : "A embriaguez ou a excita��o do momento podem levar um homem a acordar ao lado de algu�m que, sem o benef�cio da maquilhagem, se revela um susto para o parceiro que entretanto recuperou a sobriedade." (JPC no Super M�rio); o pa�s que n�o percebe a "grandeza" e o m�rito de "estar fora do tempo" (CCS no Espectro); o pa�s em que "a grandeza acaba assassinada pelos seus pares" e o "tempo (...) � med�ocre, os punhais brilham na sombra de C�sar" (CFA no Expresso) e muitas, muitas outras p�ginas sobre o mesquinho, ignorante, ingrato, desmemoriado, masoquista, kitsch, trai�oeiro, rasteiro, e vil acto que os portugueses v�o praticar hoje ou daqui a um m�s.
 


RETRATOS DO TRABALHO 8


Lewis Wickes Hine, Vidreiro fazendo equipamento de laborat�rio, Millville, N.J., 1937.
 


EARLY MORNING BLOGS 705: "ROCIE ESTE APOSENTO"

"El cual a�n todav�a dorm�a. Pidi� las llaves a la sobrina del aposento donde estaban los libros autores del da�o, y ella se las di� de muy buena gana. Entraron dentro todos, y el ama con ellos, y hallaron m�s de cien cuerpos de libros grandes muy bien encuadernados, y otros peque�os; y as� como el ama los vi�, volvi�se a salir del aposento con gran priesa, y torn� luego con una escudilla de agua bendita y un hisopo, y dijo: tome vuestra merced, se�or licenciado; roc�e este aposento, no est� aqu� alg�n encantador de los muchos que tienen estos libros, y nos encanten en pena de la que les queremos dar ech�ndolos del mundo. Caus� risa al licenciado la simplicidad del ama, y mand� al barbero que le fuese dando de aquellos libros uno a uno, para ver de qu� trataban, pues pod�a ser hallar algunos que no mereciesen castigo de fuego. No, dijo la sobrina, no hay para qu� perdonar a ninguno, porque todos han sido los da�adores, mejor ser� arrojarlos por las ventanas al patio, y hacer un rimero de ellos, y pegarles fuego, y si no, llevarlos al corral, y all� se har� la hoguera, y no ofender� el humo. Lo mismo dijo el ama: tal era la gana que las dos ten�an de la muerte de aquellos inocentes."

(Cervantes)

*

Bom dia!

21.1.06
 


VER A NOITE 3


Um dia depois, tudo continua na mesma. Portugal profundo.
 


OS NOVOS DESCOBRIMENTOS: P� DO OUTRO MUNDO


talvez p� que fez o nosso mundo, ou at� p� anterior ao nosso mundo. O p� de que somos feitos, antes e depois.
 


BIBLIOFILIA: AS EDI��ES TAUCHNITZ DE LEIPZIG



A arrumar uns livros apareceram-me dois ou tr�s das edi��es da Tauchnitz. Qualquer pessoa que tenha contacto com bibliotecas, ou alfarrabistas com livros do in�cio do s�culo XX, j� encontrou de certeza estes livros com uma capa simples e s�bria, baratos e abundantes, com textos de literatura inglesa. Nunca os tinha olhado com aten��o, apesar de sempre ter gostado da sua simplicidade, e nem sequer reparei que se trata de edi��es alem�s de textos ingleses. Agora reparei e os pormenores tinham interesse. Por exemplo, este , apontando para o consumo europeu. Vim a saber depois que o bar�o Tauchnitz foi um pioneiro do pagamento dos direitos de autor, pr�tica que n�o abundava nas edi��es publicadas no estrangeiro. Depois, o n�mero espantoso de obras publicadas. Este do Emerson � o n� 4525 e, como se pode ver pela contra-capa, n�o eram propriamente junk books. A Tauchnitz publicou, entre 1847 e 1939, cerca de 5000 textos de autores anglo-sax�nicos.
 


INTEND�NCIA

Actualizado o blogue �LVARO CUNHAL - UMA BIOGRAFIA POL�TICA.
 


RETRATOS DO TRABALHO EM TIMOR (ARREDORES DE DILI, HOJE)





Foto 1: Restaurante Ambulante.

Foto 2: Sr. Alfredo, ex-refugiado na Austr�lia, agora de Alfaiate, na estrada de Comoro - D�li.

Foto 3: Vendedores de Fruta, na estrada de Liqui�� - D�li.

(Am�lcar Lopes Ant�nio)
 


VER A NOITE 2


Estava escuro, completamente escuro, noite como era a noite. No meio das ruas n�o se via nada, era f�cil bater contra qualquer obst�culo. Tentei fotografar, sem qualquer esperan�a e com uma vulgar c�mara digital, alguma coisa que mostrasse a noite, a estranheza. O resultado foi inesperado: a m�quina fotografou a humidade, as gotas de �gua que reflectiram a luz breve do flash. Vagamente v�-se um fantasma de um p�rtico. Esta claridade cinzenta est� l�, mas s� a m�quina a via.
 


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: O VOTO ELECTR�NICO

Que � feito do voto electr�nico?

Dado que as ideias s�o como as cerejas, a frase �Eu nunca tinha visto um programa Excel� (proferida, na passada sexta-feira, pelo senhor Procurador Geral da Rep�blica) trouxe-me � lembran�a, pelo motivo que adiante se ver�, um outro assunto: o VOTO ELECTR�NICO, tecnologia particularmente eficaz no combate � absten��o, dado que se destina, especialmente, a quem est� longe da sua assembleia-de-voto ou incapacitado de l� ir.

Naturalmente, h� muitas pessoas que receiam que, assim, o seu voto se possa transviar. � uma preocupa��o leg�tima; mas, quando fazem uma transfer�ncia pelo Multibanco, passa-lhes pela cabe�a que o dinheiro possa ir parar aos bolsos de outra pessoa que n�o o destinat�rio? E quando indicam o seu NIB (para reembolso do IRS, p. ex.) imaginam que algum Z�-do-Telhado lhes roubar� o dinheiro pelo caminho? Claro que n�o. Ent�o porque � que receiam que um simples voto, enviado electronicamente por sistemas seguros mais do que testados por esse mundo fora (e, ainda por cima, sob controlo de todos os interessados), possa ir parar a quem n�o querem?

Em Portugal, antes das �ltimas legislativas, gastaram-se rios-de-dinheiro em prot�tipos e experi�ncias; e, logo que o governo mudou� o assunto morreu, pelo que em pleno s�culo XXI ainda s�o poss�veis situa��es como a de um familiar meu que acaba de percorrer mais de 650 km para ir votar.

Uma parte da justifica��o para tudo isso tem de ser procurada na pecha portuguesa que nos leva a desprezar tudo o que foi feito anteriormente e recome�ar do zero. H� sempre algu�m que, achando que todos os outros s�o idiotas, quer reinventar-a-roda - nem que ela venha a ser quadrada. Mas a maior parcela da explica��o deve ser procurada, se calhar, junto de pessoas que proferem frases como a que no in�cio se transcreve...

(C Medina Ribeiro)

*
Tem toda a raz�o no que diz respeito ao �ltimo par�grafo. J� agora o familiar -deste genero tenho alguns- deve ter-se mudado sem ter tido a "gentileza" de tratar de toda a papelada. Mesmo isto compreendo melhor do que ninguem: como estrangeira com toda a documenta��o em ordem, residente na minha vila de 3000 almas h� mais do que 30 anos, incrita nos caderno eleitoral para cidad�os da UE desde o princ�pio, nunca consegu� ir a votos (europeias, aut�rquicas) sem que tivesse que esperar horas, porque a minha lista, da qual sou a primeira e, at� agora, �nica inscrita, nunca est� presente. �s vezes este pa�s esgota a paci�ncia mesmo dos mais entusiatas dele.

(MKL)
 


RETRATOS DO TRABALHO 7


Oper�ria t�xtil atando fios quebrados no tear, Patterson, N.J. 1937
 


EARLY MORNING BLOGS 704:
"BIEN PARECE (...) QUE NO EST�S CURSADO EN ESTO DE LAS AVENTURAS."


En esto descubrieron treinta o cuarenta molinos de viento que hay en aquel campo, y as� como Don Quijote los vi�, dijo a su escudero: la ventura va guiando nuestras cosas mejor de lo que acert�ramos a desear; porque ves all�, amigo Sancho Panza, donde se descubren treinta o poco m�s desaforados gigantes con quien pienso hacer batalla, y quitarles a todos las vidas, con cuyos despojos comenzaremos a enriquecer: que esta es buena guerra, y es gran servicio de Dios quitar tan mala simiente de sobre la faz de la tierra. �Qu� gigantes? dijo Sancho Panza.

Aquellos que all� ves, respondi� su amo, de los brazos largos, que los suelen tener algunos de casi dos leguas. Mire vuestra merced, respondi� Sancho, que aquellos que all� se parecen no son gigantes, sino molinos de viento, y lo que en ellos parecen brazos son las aspas, que volteadas del viento hacen andar la piedra del molino. Bien parece, respondi� Don Quijote, que no est�s cursado en esto de las aventuras; ellos son gigantes, y si tienes miedo qu�tate de ah�, y ponte en oraci�n en el espacio que yo voy a entrar con ellos en fiera y desigual batalla. Y diciendo esto, dio de espuelas a su caballo Rocinante, sin atender a las voces que su escudero Sancho le daba, advirti�ndole que sin duda alguna eran molinos de viento, y no gigantes aquellos que iba a acometer. Pero �l iba tan puesto en que eran gigantes, que ni o�a las voces de su escudero Sancho, ni echaba de ver, aunque estaba ya bien cerca, lo que eran; antes iba diciendo en voces altas: non fuyades, cobardes y viles criaturas, que un solo caballero es el que os acomete. Levant�se en esto un poco de viento y las grandes aspas comenzaron a moverse, lo cual visto por Don Quijote, dijo: pues aunque mov�is m�s brazos que los del gigante Briareo, me lo hab�is de pagar.

Y en diciendo esto, y encomend�ndose de todo coraz�n a su se�ora Dulcinea, pidi�ndole que en tal trance le socorriese, bien cubierto de su rodela, con la lanza en ristre, arremeti� a todo el galope de Rocinante, y embisti� con el primer molino que estaba delante; y d�ndole una lanzada en el aspa, la volvi� el viento con tanta furia, que hizo la lanza pedazos, llev�ndose tras s� al caballo y al caballero, que fue rodando muy maltrecho por el campo.

(Cervantes)

*

Bom dia!

20.1.06
 


VER A NOITE

H� v�rias horas que n�o h� ilumina��o p�blica em v�rios quil�metros � minha volta. Nalgumas aldeias n�o h� luz, pelo que enormes manchas de negro mergulham tudo, permitindo ver um magn�fico c�u de Inverno, brilhando no frio. As grandes constela��es salientam-se da mancha da via L�ctea. A sul, Orion domina como de costume. A poente a Cassiopeia, a norte as Ursas. Do ch�o come�a a emergir uma n�voa que apaga tudo, mas ainda vai demorar a chegar ao c�u mais alto.

Passeio pelas casas brancas de cal, quase invis�veis no escuro. Est� frio. H� cem anos devia ser sempre assim. J� n�o sabemos como �, a n�o ser nestas alturas.
 


LENDO / VENDO /OUVINDO
(BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�ES, IMAGENS, SONS, PAP�IS, PAREDES)
(20 de Janeiro de 2006)


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Apesar do kitsch, tem algum interesse: "I've collected thousands of inspirational quotes. It seems that nearly everything that can be said, has been said, simply and eloquently, in a way that can seldom be improved. Winston Churchill wrote, "Broadly speaking, the short words are the best, and the old words best of all." So, I collected "The world's best quotes in one to ten words."

*

Retratos do trabalho na �ndia enviados por SM.







*

Contribui��es para uma s�rie de �cones � portuguesa digna dos livros da Taschen: sardinhas.





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Um Rocketboom mais s�rio, com uma reportagem sobre Aceh um ano depois.
 


EARLY MORNING BLOGS 703

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Alembrava-vos eu l�?

MARIDO: E como!

AMA: Agora, aram�:
l� h� �ndias mui fermosas,
l� far�eis v�s das vossas
e a triste de mi c�,
encerrada nesta casa,
sem consentir que vezinha
entrasse por �a brasa,
por honestidade minha.

MARIDO: L� vos digo que h� fadigas,
tantas mortes, tantas brigas
e perigos descompassados,
que assi vimos destro�ados
pelados coma formigas.

AMA: Por�m vindes v�s mui rico...

MARIDO: Se n�o fora o capit�o,
eu trouxera, a meu quinh�o,
um milh�o vos certifico.
Calai-vos que v�s vereis
qu�o lou�� haveis de sair.
AMA: Agora me quero eu rir
disso que me v�s dizeis.
Pois que v�s vivo viestes,
que quero eu de mais riqueza?
Louvado seja a grandeza
de v�s, Senhor que mo trouxestes.
A nau vem bem carregada?

MARIDO: Vem t�o doce embandeirada.

AMA: Vamo-la, rogo-vo-lo, ver.

MARIDO: Far-vos-ei nisso prazer?

AMA: Si que estou muito enfadada.

V�o-se a ver a nau e fenece esta farsa.


(Gil Vicente)

*

Bom dia!
 


ANTES / DEPOIS



1.CAVACO SILVA GANHA � PRIMEIRA VOLTA

Se, no dia 22 de Janeiro, Cavaco Silva for eleito Presidente � primeira volta, como todas as sondagens indicam, ele pr�prio espera, e os seus apoiantes est�o convictos, ser�o quest�es eminentemente "presidenciais" que ficar�o na agenda pol�tica de segunda-feira. A primeira e a mais importante para marcar o tom do seu mandato, ser� a da situa��o do procurador-geral da Rep�blica. Embora o actual Presidente mantenha a plenitude dos seus poderes nesta mat�ria, nunca tomar� decis�es sem ter em conta a opini�o do candidato eleito, pelo que, de algum modo, Cavaco Silva j� "presidencia" informalmente.

Para al�m das quest�es de emerg�ncia, Cavaco, por um lado, o Governo, por outro, e a oposi��o, por fim, ter�o que lidar com os efeitos pol�ticos da sua elei��o, em particular o novo equil�brio do sistema pol�tico resultante da forte legitimidade de um resultado eleitoral deste tipo (vit�ria � primeira volta numas elei��es em que teve cinco candidatos hostis que conduziram toda a campanha contra si). Num espa�o de poder ex�guo, haver� dois pol�ticos eleitos com forte legitimidade oriunda do voto, Cavaco e S�crates, o que n�o � isento de tens�es, embora n�o seja l�quido que essas tens�es possam dar origem a conflitos a curto e m�dio prazo. A mais longo prazo j� as coisas podem vir a ser diferentes, mas s� um Presidente muito enfraquecido n�o teria esse problema.

Onde a vit�ria de Cavaco Silva ter� repercuss�es imediatas � na oposi��o, colocando-a de novo no primeiro plano da conflitualidade pol�tica com o Governo, visto que, terminado o espelho de oculta��o das presidenciais, ser� no confronto situa��o-oposi��o que se concentrar� a din�mica pol�tica. O que a oposi��o for capaz de fazer no pr�ximo ano, em particular nas rupturas necess�rias com pr�ticas que conduziram PSD e CDS a serem maus exemplos da deteriora��o da credibilidade pol�tica, depender� a estabilidade das suas lideran�as.

Esta oposi��o enfraquecida necessita de ser ouvida pelo pa�s, mesmo antes de o pa�s acreditar nela, e mudar o sentido de voto. Por isso, nunca conseguir� sequer "fazer oposi��o" eficaz antes de dar sinais inequ�vocos de que pretende mudar as suas pr�ticas. O �nico sinal que at� agora deu resultado foi a atitude de Marques Mendes de recusar alguns candidatos que, sendo ganhadores a n�vel local, s�o "perdedores" a n�vel nacional, pela imagem negativa que davam ao seu partido. Foi um primeiro passo, saudado pela opini�o p�blica, mas n�o chega.

A oposi��o precisa igualmente de mudar os seus partidos e as suas pol�ticas, num processo simult�neo que, reconhe�a-se, � muito dif�cil de fazer quando h� um longo per�odo sem elei��es � sua frente. N�o pode ser nas urnas que as lideran�as se fortalecem, pelo que partem muito enfraquecidas e continuar�o por regra muito enfraquecidas, e n�o estou a ver outra maneira de mudarem a situa��o sem ser pelas reformas internas e pelo ganho de credibilidade. Para isso tem que evitar duas dificuldades imediatas. Uma � demarcar-se de vez do "santanismo" e do "portismo", produtos tardios e terminais do esgotamento do aparelhismo e da sua tentativa de reden��o pelo populismo e que ainda "andam por a�". A outra � a afirma��o inequ�voca da autonomia da ac��o pol�tica partid�ria em rela��o a qualquer tenta��o de "condu��o" presidencial. Os problemas da oposi��o resolvem-se "em baixo", na vida partid�ria e parlamentar, e n�o "em cima", da presid�ncia para os partidos. O contributo que Cavaco Silva pode dar para essa mudan�a na oposi��o, j� est� dado a 23 de Janeiro. A partir da�, a l�gica do PSD e do CDS s�o distintas das do presidente Cavaco, e tamb�m eles lhe ter�o que algumas vezes dizer que n�o.

2. M�RIO SOARES FICA � FRENTE DE ALEGRE OU VICE-VERSA

Escrevi j� h� muito tempo, porque na nossa vida pol�tica meses s�o s�culos, que a quest�o de din�mica pol�tica mais relevante que parecia estar por resolver nesta campanha eleitoral, era a de saber se iria ou n�o haver bipolariza��o nestas elei��es. A dias de elei��es, j� se verificou que essa bipolariza��o n�o existiu: foi Cavaco contra todos e nem Soares, nem Alegre conseguiram de forma inequ�voca aparecer aos olhos da opini�o p�blica como "o" opositor de Cavaco. Esta foi a principal derrota da campanha de Soares, que foi conduzida apenas com esse objectivo central: mostrar que era Soares o anti-Cavaco, o �nico que lhe impediria o "passeio", e parece n�o ter resultado. Alegre ter� descolado de Soares, sem contudo gerar um efeito de bipolariza��o com Cavaco, e, se tal se confirmar nas urnas, ficando em segundo lugar, dar� um conte�do quase tr�gico ao fim de carreira pol�tica de Soares. Soares ver-se-� recusado quer pelo eleitorado que prefere dar o "passeio na Avenida " a Cavaco, como ainda por cima ser� recusado pelos socialistas. O "soarismo" no PS, que j� estava bastante enfraquecido antes das presidenciais - penso, ali�s que este foi um factor que levou Soares a concorrer -, tornar-se-� ent�o residual.

Saber se foi Alegre ou Soares que ficou em segundo lugar n�o � um problema de dimens�o nacional, mas � um problema para o PS. Tamb�m n�o penso que no PS seja t�o grave como isso, dada a autoridade do primeiro-ministro, mas consolidar� de imediato uma oposi��o de esquerda dentro do partido, que se chegar ao voto parlamentar em mat�rias cruciais obrigar� S�crates a negociar para n�o encolher a maioria.

3. JER�NIMO DE SOUSA FICA � FRENTE DE LOU�� OU VICE-VERSA

Jer�nimo de Sousa e Francisco Lou�� fizeram, do ponto de vista dos seus interesses partid�rios e como dirigentes pol�ticos, excelentes campanhas, contrastando com o desastre que foi a interven��o do PS. As suas campanhas n�o foram directamente competitivas, visto que a �rea de crescimento do voto radical do BE � no PS e s� residualmente no PCP. Por seu lado, o PCP tem seguido com Jer�nimo de Sousa uma pol�tica de estabilizar o seu campo de influ�ncia e impedir a sua degrada��o. Naturalmente, ambos entraram em conflito mais com o Alegre e com Soares do que entre si.

Para saber at� que ponto Jer�nimo de Sousa conseguiu o que parece ter conseguido - travar a crise org�nica e de influ�ncia do PCP (interessante verificar a desapari��o pol�tica dos "renovadores" que apoiaram Alegre) -, teremos que ver se fica � frente de Lou��, porque o PCP � maior do que o BE. Do lado do BE, estas elei��es deram-lhe uma l�der, uma face indiscut�vel, a de Lou��, o que num sistema pol�tico medi�tico � uma vantagem, mas n�o � l�quido que n�o crie para a aglomera��o sui generis do BE um novo tipo de problemas de equil�brio interno entre frac��es com diferentes tradi��es e pr�ticas pol�ticas. At� agora, o sucesso tem ocultado essa divis�o, mas ela est� l�. Um mau resultado de Lou�� pode gerar tens�es.

4. CAVACO N�O GANHA � PRIMEIRA VOLTA E H� SEGUNDA VOLTA

Se tal acontecer, n�o vale a pena ir muito longe a n�o ser constatar duas coisas �bvias: uma � que Cavaco continua a ser, � partida, o candidato com melhores condi��es para ganhar as elei��es presidenciais; a outra � que a ecologia da segunda volta lhe ser� muito hostil. Entrar� muito enfraquecido na segunda volta, em contraste com a for�a com que entrou na primeira, e ter� que defrontar dificuldades para que a sua campanha declarativa e proclamat�ria n�o est� pensada.

(No P�blico.)

19.1.06
 


COISAS DA S�BADO: ALEGRE, QUE DIZER DE ALEGRE?



Todas as semanas tento descobrir alguma coisa que caracterize a campanha de Alegre e encontro sempre o mesmo: o tema da campanha de Alegre � a candidatura de Alegre, as suas raz�es, as suas vicissitudes, os ataques do PS, as aleivosias do �aparelho� do PS, e o hiper-elogio da grande coragem, do magn�fico �acto de cidadania� que foi fazer uma candidatura nestas circunst�ncias. Alegre apresenta-se sempre como �o homem que ningu�m cala�, como se fosse o �nico na pol�tica portuguesa com essa virtude.

Depois h� algumas coisas que foram esbo�adas nos documentos iniciais da candidatura, um patriotismo �org�nico�, tel�rico, hist�rico, identit�rio, que valeria a pena discutir, se tivesse tido algum desenvolvimento no quotidiano pol�tico da candidatura, e h� o homem Manuel Alegre que, no cinzentismo dominante da nossa pol�tica, tinha mais corpo do que � habitual, voz alta, prazeres fortes, ra�zes, obra e vida. Mostrou modera��o e gentlemanship, qualidades que partilhou com Jer�nimo de Sousa e contrastavam com Soares e Lou�� entre os opositores de Cavaco. Mas tamb�m isso ficou pelo caminho de uma campanha que nunca se ergueu de toda uma mitologia da �cidadania�, permanentemente auto-elogiosa, e demasiado presa �s suas circunst�ncias para ganhar dimens�o. Mas por que raio, em 2005-6, fazer uma candidatura dissidente no PS � assim uma coisa t�o corajosa que justifique andar tr�s meses a encher o peito?

Alegre na sua campanha acaba por gerar os efeitos contr�rios � mensagem que quer passar, porque sobrevaloriza o �acto de cidadania� que �, num partido democr�tico num pa�s democr�tico, candidatar-se contra a lideran�a. Big deal. Estamos em democracia, o m�ximo que se pode perder s�o alguns lugares, posi��es e prebendas. Eu sei do que falo, talvez por isso n�o me incline para passar o tempo todo a dizer que isso � uma grande coragem. Coragem era antes, antes do 25 de Abril, ou no PREC, agora s�o peanuts. Pelo modo como est� permanentemente a incensar-se Alegre acaba por desvalorizar a verdadeira coragem pol�tica, a favor de um acto de rebeldia, um pouco inc�modo pessoalmente e desgastante, mas nada que Alegre n�o possa suportar como consequ�ncia da sua decis�o de homem feito.

O segundo efeito desta candidatura � mais verdadeiro, e mais preocupante. Actuando o candidato Alegre nos �meios� PS e estando o PS no governo, o que Alegre nos diz � que nos partidos pol�ticos, neste caso em particular no PS, o conformismo e a obedi�ncia s�o a chave para os lugares, as cunhas, os m�ltiplos servi�os que um socialista pode tirar do seu partido no governo, para si, para o seu emprego, para os seus, para o filho que quer empregar numa autarquia, para a filha que quer ver numa reparti��o. A� sim, a candidatura de Alegre revela o clientelismo partid�rio e os seus mecanismos, e esse � o �medo� de que ele est� a falar. N�o � do �medo� dos portugueses em apoiar a sua candidatura, bem vista por boas e m�s raz�es �� direita�, mas sim do �medo� dos socialistas com as repres�lias do seu partido. Quisesse Alegre ir mais longe por aqui e o seu discurso pol�tico teria utilidade, mas mesmo que o fosse, era pouco para uma candidatura presidencial.

*
O simples facto de a candidatura de Alegre por a nu os mecanismos de fidelidade canino-partid�ria e as puni��es que esse sistema imp�e aos �rebeldes� � j� em si um valor acrescentado. N�o necessitei de ler o seu post para perceber que o medo de que Alegre fala n�o � o medo f�sico dos tempos da PIDE e do PREC, mas o medo �sociedade de consumo estatizada�. Com 50% do PIB a passar pelo directamente pelo Or�amento de Estado e 700.000 funcion�rios p�blicos (ao que h� que acrescentar as empresas controladas pelo estado, GALP, CGD, EDP. etc., e as empresas municipais, entre outras) tornou- se f�cil aos partidos criar uma cadeia de Estado-dependentes e com isso comprar a fidelidade canino-partid�ria dos seus dirigentes e militantes activos. E numa sociedade onde o status econ�mico e o consumo de bens de ostenta��o se tornaram um forma de �cidadania� o medo de perder lugares e respectivas prebendas � t�o ao mais poderoso do que o velho medo da PIDE. S� quem n�o quer perceber isto pode dizer �big deal / peanuts� face � atitude de Alegre e de alguns membros do PS que o apoiam. Como membro de um partido e tendo j� tido ao longo da sua vida diversas fric��es com a respectiva c�pula, voc� sabe bem do que Alegre fala. Pode n�o ser aos seus olhos t�o nobre a coragem de enfrentar o medo da �sociedade de consumo estatizada� do que enfrentar o medo da PIDE, mas cada �poca tem os seus medos e as suas formas de coac��o. Seria muito estranho que no inicio do Sec XXI e numa sociedade com quase 30 anos de democracia fosse o poder da for�a que imperasse e n�o formas mais subtis e sub-rept�cias de influenciar os comportamentos. Voc� j� se referiu diversas vezes essas novas formas de poder,a essas ditaduras �soft�, encapotadas, por isso n�o percebo porqu� que agora desvaloriza quem as enfrenta por compara��o com tempos e formas de poder que j� l� v�o. Para o bem e para o mal, nos tempos que correm � este tipo de desprendimento de relativamente a prebendas e benesses vindas do Estado que marca a coragem de enfrentar os interesses instalados � mesa do or�amento, e s�o poucos os que t�m essa coragem. H� que valoriz�-los.

(Miguel Sebasti�o)
 


RETRATOS DO TRABALHO 6


Caillebotte, Os afagadores do soalho
 


EARLY MORNING BLOGS 702

Couple Sharing a Peach


It's not the first time
we've bitten into a peach.
But now at the same time
it splits--half for each.
Our "then" is inside its "now,"
its halved pit unfleshed--
what was refreshed.

Two happinesses unfold
from one joy, folioed.
In a hotel room
our moment lies
with its ode inside,
a red tinge,
with a hinge.


(Molly Peacock)

*

Bom dia!

18.1.06
 


RETRATOS DO TRABALHO 5


Max Liebermann, Oficina de sapateiro
(cortesia de Monika Kietzmann)
 


RETRATOS DO TRABALHO 4


Repin, O Cirurgi�o E. Pavlov na Sala de Opera��es

17.1.06
 


OBSERVA��ES PRESIDENCIAIS AVULSAS 2


Conv�m recordar aos senhores ministros que est�o a entrar em campanha que, nas rela��es institucionais entre Presidente e Governo, n�o � s� o Presidente que tem que respeitar os poderes do executivo, � tamb�m o Governo que tem que respeitar os poderes do Presidente. � que a estabilidade e o equil�brio institucional dependem de ambos os lados e n�o de um s�. S�crates parece compreender esta realidade, M�rio Lino e Santos Silva n�o.
 


RETRATOS DO TRABALHO 3


C�ndido Portinari, Caf�
 


RETRATOS DO TRABALHO 2


Daumier, Puxando um barco
 


RETRATOS DO TRABALHO 1


Valentin Serov, Lavando a roupa no rio
 


EARLY MORNING BLOGS 701

�QUEDITO!, NO ME TOQU�IS...

Quedito! No me toqu�is,
entra�as m�as,
que ten�is las manos fr�as.
Yo os doy mi fe que venis
esta noche tan helado,
que, si vos no lo sentis,
de sentido est�is privado.
No toqu�is en lo vedado,
entra�as m�as,
que ten�is las manos fr�as.

(Romanceiro)

*

Bom dia!
 


APRENDENDO COM MANUEL BERNARDES / ESOPO

No tempo em que o lobo e o cordeiro estavam em tr�guas, desejava aquele que se oferecesse ocasi�o para as romper. E um dia, que ambos se acharam na margem de um regato, indo beber, disse o lobo mui encolerizado contra o cordeiro:
- Porque me turvais a �gua que eu vou a beber?
Respondeu ele mansamente:
- Senhor fulano lobo, como posso eu turvar a v.m. a fonte, se ela corre de cima e estou c� mais abaixo?
Reconheceu o advers�rio a clareza da solu��o do seu argumento; por�m, variando de meio, instou, dizendo:
- Pois, se a n�o turvaste agora, a turvaste o ano passado.
Satisfez o cordeiro, dizendo:
- Como podia eu cometer esse crime haver� um ano, se eu n�o tenho ainda de idade mais que seis meses?
Ent�o o lobo, enfadado tanto mais quanto mais convencido, disse:
- Pois se n�o fostes v�s, foi fulano carneiro, vosso pai.
E investindo ao pobrezinho, o levou nos dentes.
Assim fazem os �mpios e maliciosos, a quem n�o h� inoc�ncia que satisfa�a, nem desculpa que contente. Por�m os de cora��o pio e clemente at� nos seus ofensores procuram achar motivos de comisera��o e raz�es de desculpa.

16.1.06
 


LENDO / VENDO /OUVINDO
(BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�ES, IMAGENS, SONS, PAP�IS, PAREDES)
(16 de Janeiro de 2006)


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O que � que deu ao nosso bom Presidente para se "fotobiografar" vestido de "commander-in-chief", ao estilo de George Bush, na capa do livro?

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No novo Di�rio de Not�cias, que s� agora pude ver em papel com aten��o, e que est� graficamente muito melhor, h� aspectos interessantes ainda pouco notados. Por exemplo, na cobertura eleitoral das presidenciais, pela primeira vez na imprensa portuguesa � dado aos blogues um estatuto comunicacional de primeiro plano. Uma revista dos blogues tem o mesmo espa�o da cobertura da televis�o, o mesmo acontecendo nas cita��es com a imprensa tradicional. Bastava reparar nestes dois factos para se perceber a r�pida mudan�a do panorama comunicacional que se est� a dar e muitos n�o querem admitir.

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Um vulc�o que cumpre o seu dever: o Augustine no Alasca.

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Hist�rias da globaliza��o: os franceses mandaram desmantelar uma das suas velhas gl�rias navais, o porta-avi�es Clemenceau, a um estaleiro indiano. Mas, vaso de guerra � vaso de guerra, e mesmo desarmado, o navio encontra dificuldades em passar por v�rias �guas. E, chegado ao destino, n�o o deixam atracar porque transporta "mat�rias perigosas". A hist�ria no Lib�ration.

*

Voltou.
Como no Abrupto se muda pouco, repito o que, h� exactamente um ano, escrevi a prop�sito de outro feito espacial: "O Abrupto hoje � dedicado aos cientistas e engenheiros europeus e americanos que gastaram (?) vinte e cinco anos da sua vida a um projecto que dura meia d�zia de horas e que tem muitas probabilidades de falhar." O mesmo para os homens e mulheres do Stardust. A mesma dedicat�ria.

*

A RTP conseguiu fazer v�rios notici�rios sobre o Dakar, inclusive o de ontem sobre o final da prova, sem dar a simples informa��o de qual era a classifica��o dos portugueses que concorreram. Pelos visto, informar, dar-nos os "hard facts" n�o � muito importante.
 


EARLY MORNING BLOGS 710

MIS ARREOS SON LAS ARMAS

Mis arreos son las armas
mi descanso el pelear,
mi cama los duras pe�as,
mi dormir siempre velar;
las manidas son oscuras
los caminos por usar,
as� ando de sierra en sierra
por orillas de la mar,
a probar si en mi ventura
hay lugar donde avadar;
pero por vos, mi Se�ora,
todo se ha de comportar.

(Romanceiro)

*

Bom dia!

15.1.06
 


COISAS DA S�BADO (2):
UM MAU �GATO FEDORENTO� - LOU�� E A �STAND-UP COMEDY�



Lou�� come�ou a semana explicando-nos porque raz�o o estar em �ltimo nas sondagens era para ele �um grande est�mulo�, ou seja, fez-nos rir. E continuou no seu estilo de stand-up comedian , levando uma frase ou um v�deo, ou uma grava��o, normalmente de Cavaco Silva, para fazer umas gra�as e assim animar a sala. Deve ter percebido que o sucesso do �Gato Fedorento� lhe dava audi�ncia, como aqueles deputados que j� tinham percebido que passavam na televis�o se contassem uma gra�a, ou tivessem uma frase assassina para dizer, porque o soundbite ama o rid�culo alheio como p�o para a boca, ama a frase engra�ada como odeia o argumento.

O problema � que Lou�� se toma t�o a s�rio que n�o se enxerga no seu discurso moralista e self-rigtheous. Devia meditar no seu antecessor nestas gra�as assassinas, no populismo medi�tico, no t�tulo demolidor, Paulo Portas. Devia meditar na sua ascens�o e queda. A uma dada altura, cai-se l� do alto, sem se perceber muito bem como, e fica-se insuport�vel para a plateia. A hist�ria est� cheia de stand-up comedians assobiados e atingidos pelos guardanapos da sala.
 


COISAS DA S�BADO (1): "JER�NIMO" NAS CAMISOLAS



Nesse dia (9 de Janeiro), no seu meio, numa velha terra meia rural, meia mineira, Jer�nimo de Sousa mostrou como a for�a de resist�ncia do comunismo portugu�s assenta numa identidade hist�rica, hoje muito no passado, mas que � presentificada pela figura do secret�rio-geral, pela primeira vez um que sentem como sendo �deles�. Cunhal era respeitado e idolatrado, quase como um santo, na fase final da vida quando a doen�a o distanciou das sedes partid�rias e dos com�cios. Jer�nimo � no palco a incarna��o da sala.

Pouca gente como Jer�nimo de Sousa fala para a �alma� comunista muito para al�m da pol�tica. Ele � um dirigente comunista popular, o que n�o � t�o comum como isso. N�o � por acaso que as camisolas vermelhas dos seus apoiantes dizem um familiar �Jer�nimo�, coisa que nunca aconteceria com ��lvaro�, com �Oct�vio�, com �Carlos�, com �Ant�nio�. Em Aljustrel, sem ler um papel, como � seu costume quando fala de pol�tica, Jer�nimo fala da pequena chama que sempre se mant�m acesa mesmo nos momentos mais dif�ceis, usando o exemplo da clandestinidade, as velhas met�foras de algu�m mais velho, mais experiente que nos d� a m�o quando ca�mos, que nos mostra que h� futuro quando tudo so�obra. Est� a preparar o partido para a vit�ria de Cavaco Silva.

Jer�nimo sabe a l�ngua de pau e as conven��es, conhece o partido de dentro e sabe como ele se move. Mas tem uma vantagem sobre muitos dos burocratas que n�o saem das sedes e das reuni�es de organismos. Jer�nimo conhece o eleitorado comunista, n�o conhece s� o partido. Pode falar aos deficientes das For�as Armadas, dizendo naturalmente que tamb�m esteve na guerra (desobedecendo �s instru��es do PCP, que pedia aos seus militantes que fizessem o servi�o militar e depois desertassem), pode falar dos seus namoricos, da sua inf�ncia, do seu trabalho como afinador de m�quinas. Conta que n�o podia ter o cabelo comprido, quando ele se usava entre os jovens, porque isso era incompat�vel com a higiene exigida numa f�brica, onde as m�quinas sujam tudo de �leo, e onde � perigoso deixar-se �agarrar� por uma alavanca, uma roldana ou uma roda dentada.

Isto � o tipo de frases que s� quem conhece o mundo fabril de dentro pode dizer, e que obviamente mais ningu�m na primeira divis�o da vida pol�tica portuguesa sabe ou pode dizer. � outro mundo, que os yuppies, os funcion�rios p�blicos, os estudantes da Cat�lica, os jornalistas, os frequentadores do Lux, os �jovens� da JSD e da JS, os autores de blogues, n�o conhecem e n�o lhes passa pela cabe�a que lhes digam que tamb�m �� a cultura, est�pidos!�.

Por isso Jer�nimo de Sousa est� a revelar-se o melhor l�der para o PCP, � vejam at� como os �renovadores desapareceram do mapa pol�tico �, na sua dif�cil sobreviv�ncia e na sua muta��o. Porque o PCP muda devagar, mas muda. Cunhal falava do partido para a Hist�ria, Jer�nimo fala do partido para os trabalhadores. N�o � a mesma coisa, mas os tempos tamb�m s�o diferentes.
 


LENDO / VENDO /OUVINDO
(BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�ES, IMAGENS, SONS, PAP�IS, PAREDES)
(15 de Janeiro de 2006)


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Novos descobrimentos: a poeira das estrelas chegou direita. Acabou de chegar. Bravo!


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Mil vezes que se repita, este "chap�u" continua a ser �nico: a gal�xia do Sombrero.

*

Agora que as hist�rias de pl�gio abundam, mais uma, americana e sulista, que come�a numa improv�vel Tuscaloosa Public Library.
 


EARLY MORNING BLOGS 709



E Tudo Vem a Ser Nada

Tanta riqueza inserida
Por tanta gente orgulhosa
Se julgando poderosa
No curto espa�o da vida
Oh! que id�ia perdida
Oh! que mente t�o errada
Dessa gente que enlevada
Nessa fingida grandeza
Junta mont�es de riqueza
E tudo vem a ser nada

Vemos um rico pomposo
Afetando gravidade
Ali s� reina bondade
Nesse mortal orgulhoso
Quer se fazer caprichoso
Vive de venta inchada
Sua cara empantufada
S� apresenta denodos
Tem esses incha�os todos
E tudo vem a ser nada

Trabalha o homem, peleja
Mesmo a ponto de morrer
� somente para ter
Que ele se esmoreja
�s vezes chove troveja
E ele nessa enredada
Alguns se p�em na estrada
� lama, ao sol ao chuveiro
Ajuntam muito dinheiro
E tudo vem a ser nada

Temos pal�cios pomposos
Dos grandes imperadores
Ministros e senadores
E mais vultos majestosos
Temos papas virtuosos
De uma vida regrada
Temos tamb�m a espada
De soberbos generais
Comandantes, marechais
E tudo vem a ser nada

Honra, grandeza, braz�es
Entusiasmos, bondades
S�o completas vaidades
S�o perfeitas ilus�es
Argumentos, discuss�es
Algazarra, palavrada
Sinagoga, ca�oada
Murm�rios, tricas, censura
Muito tem a criatura
E tudo vem a ser nada

Vai tudo numa carreira
Envelhece a mocidade
A avareza e a vaidade
E quer queira ou n�o queira
Tudo se torna em poeira
C� nesta vida cansada
� uma lei promulgada
Que vem pela m�o divina
O dever assim destina
E tudo vem a ser nada

Formosuras e ilus�es
Passatempos e prazeres
Mandatos, altos poderes
De distintos figur�es
Cantilenas de sal�es
E festa engalanada
Virgem donzela enfeitada
No goso de namorar
Mancebos a flautear
E tudo vem a ser nada

Lascivas, deprava��es
Na imoral petul�ncia
S�o enlevos da inf�ncia
S�o infames corrup��es
S�o fingidas sedu��es
Que faz a dama enfeitada
Influi-se a rapaziada
Velhos tamb�m de permeio
E vivem nesse paleio
E tudo vem a ser nada

Bailes, teatros, festins
Com�dia, drama, assembl�ia
Clube, liceu, epop�ia
Todos aguardam seus fins
Flores, relvas e jardins
Festas com grande zuada
Oiteiro e campinada
Frondam copam e florescem
Brilha, luzem, resplandecem
E tudo vem a ser nada

O homem se julga honrado
Repleto de garantia
De bras�es e fidalguia
� ele considerado
Mas quanto est� enganado
Nesta ilus�ria pousada
C� nesta breve morada
N�o vemos nada imortal
Temos um ponto final
E tudo vem a ser nada

Tudo quanto se divisa
Neste cruento torr�o
As �rvores, a cria��o
Tudo enfim se finaliza
At� mesmo a pr�pria brisa
Soprando a terra escarpada
Com for�a descompassada
Se transformando em tuf�o
Deita pau rola no ch�o
E tudo vem a ser nada

Infindo s� temos Deus
Senhor de toda grandeza
Dos c�us e da natureza
De todos os mundos seus
Do Brasil, dos Europeus
Da terra toda englobada
At� mesmo da manada
Que vemos no arrebol
Nuvem, lua estrela e sol
Tudo mais vem a ser nada.

(Silvino Pirau�, autor de literatura de cordel.)

*

Bom dia!

14.1.06
 


LENDO / VENDO /OUVINDO
(BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�ES, IMAGENS, SONS, PAP�IS, PAREDES)
(14 de Janeiro de 2006)


___________________________

Uma placa que marca o fim da ocupa��o austr�aca. 69 anos depois do fim da Rep�blica Veneziana, sem gl�ria, morta pelas tropas invasoras, as novas ideias rom�nticas do nacionalismo do "Ressurgimento", impediram-na de renascer independente. Est� c�, num canto da cidade, ignorada pelos turistas.



*

Espelho meu: "Telecommunications Traffic Flow Map" com Portugal na periferia da periferia.

 


ACRESCENTADO A
BOAS / P�SSIMAS COISAS NA COMUNICA��O SOCIAL PORTUGUESA EM 2005



NAS P�SSIMAS

Na blogosfera: a utiliza��o do anonimato em blogues estritamente pol�ticos, em particular, os que s�o escritos a partir de uma perspectiva corporativa ocultada. O caso mais grave � a Grande Loja do Queijo Limiano, um blogue escrito e habitualmente comentado por �agentes da justi�a�, sob capa do anonimato, um retrato preocupante de uma mentalidade justicialista arrogante e prepotente. O blogue est� cheio de insinua��es sobre tudo e todos, alimentando uma atitude policial de desconfian�a, sem respeito algum pelas liberdades. Se os seus principais autores s�o magistrados, procuradores ou ju�zes, � raz�o para ter medo, muito medo, das m�os em que est� entregue a justi�a em Portugal. Infelizmente, a blogosfera paga tamb�m este pre�o pela sua liberdade.
 


COISAS SIMPLES


Daumier
 


EARLY MORNING BLOGS 708

Cal�ada do Cordeal


Pequeno tambor orgia modesta
o lago tranquilo a descolora��o
tintura de brancos e verdes floresta
o lago tranquilo a prostitui��o
candura do�ura nos olhos em festa
m�o no cora��o


A bola de vidro rola vis-a-vis
com as flores que altas s�o no jardim.
H� justos e r�probos porque o Senhor quis
vingar-se de n�s porque sim


(M�rio Cesariny)

*

Bom dia!

13.1.06
 


BOAS / P�SSIMAS COISAS NA COMUNICA��O SOCIAL PORTUGUESA EM 2005, VISTAS POR UM GRANDE (EM QUANTIDADE) CONSUMIDOR


� mem�ria do Carlos C�ceres Monteiro

BOAS

Na SIC: os document�rios da SIC cujo melhor exemplo foi o de C�ndida Pinto sobre Snu Abecassis, embora, durante todo o ano, tenham sido sempre as melhores reportagens jornal�sticas de tipo documental, de �grande informa��o� ou em anexo aos notici�rios.

Na SIC e na TVI: a excelente informa��o / opini�o econ�mica na SIC Not�cias e Perez Metelo na TVI , um divulgador especializado com grandes qualidades comunicativas.

Na SIC Not�cias: M�rio Crespo e o par Jo�o Adelino de Faria / Ana Louren�o nos notici�rios.

Na 2: Document�rios culturais, entre outros sobre Luis Pacheco, Glic�nia Quartim, Jo�o Vieira, Fernanda Botelho, etc.

Na 2: Clube dos Jornalistas, o �nico espa�o que se aproxima da �grande informa��o� (porque est� na televis�o) dedicado � reflex�o sobre o jornalismo.

A S�bado � o �rg�o de comunica��o social portuguesa mais subestimado, v�tima das �sinergias� que lhe faltam: n�o tem quem puxe pelas suas not�cias nos outros �rg�os de comunica��o social. Mas que tem not�cias, isso tem.

A imprensa de distribui��o gratuita como o Destak. Para muita gente significa mais not�cias que nunca iriam encontrar, ou melhor, ler, noutro lado. Isto s� pode ser considerado um acrescento na "comunica��o", na cidadania.

Na blogosfera: o debate pol�tico. Os blogues pol�ticos de todas as cores continuam a ser a parte mais din�mica da blogosfera, contra todas as c�clicas previs�es em contr�rio. O debate pode ter todos os defeitos da "atmosfera", mas tem tamb�m qualidades que s� h� na blogosfera.

Na blogosfera: micro-causas - A quest�o dos �estudos da OTA� que se tornou a segunda quest�o mais determinante do debate p�blico sobre a OTA (a primeira foi e � �faz-se ou n�o se faz�), deveu-se � persist�ncia dos blogues, e n�o da comunica��o social fora da rede, que s� a assumiu quando n�o a podia evitar. Depois, tornou-se parte integrante do �problema OTA�.

Na blogosfera: blogues de jornalismo, sobre jornalismo. Os blogues especializados em �comunica��o� s�o em sentido lato o melhor conjunto de blogues com um tema espec�fico na blogosfera portuguesa. Exemplos: Engrenagem, Ind�strias Culturais, Ponto Media, Atrium, Jornalismo e Comunica��o, As Imagens e N�s, Blogouve-se, etc.

Na blogosfera: Margens de Erro de Pedro Magalh�es, o �nosso� explicador das sondagens e muito mais. Um exemplo de um blogue que acrescenta.

R�dios Presidenciais - Uma r�dio dedicada �s presidenciais revela as potencialidades que este meio encontra quando faz um uso das tecnologias que ultrapassam o mero instrumento de trabalho ou de difus�o sonora.

Na TSF: a sonoriza��o das reportagens.

Livros e revistas sobre jornalismo: edi��es de revistas como Trajectos e Media e Jornalismo, as colec��es "Media e Sociedade" (Editorial Not�cias), "Comunica��o" (Minerva), "Comunica��o e Sociedade" (Campo das Letras /CECS-UMinho, dirigida por Mois�s de Lemos Martins) e "Comunica��o" (Porto Editora, dirigida por Manuel Pinto e Joaquim Fidalgo).

P�SSIMAS



A obscura pol�tica comunicacional governativa � O ano passado era a �central de comunica��es� de Santana Lopes, este ano � a gest�o mais profissionalizada, com maior colabora��o silenciosa de muitos simpatizantes no meio da comunica��o social, do controlo governativo. As grandes manobras da propriedade, que a montante ou a jusante, incluem sempre o benepl�cito do poder pol�tico num pa�s como o nosso t�o dependente do estado, est�o pouco esclarecidas. Mas quase tudo vai no mesmo sentido. Se houvesse um medidor n�o impressionista do �grau de incomodidade� da comunica��o social face ao poder, ver-se-ia como ele baixou significativamente. Um exemplo: o modo como foi tratada a conflitualidade social, seguindo uma linha governamental, nunca nos dando a ideia da dimens�o do que estava a acontecer e vista sempre numa luz hostil.

A aus�ncia de programas de informa��o nas televis�es generalistas.

Na RTP: a cobertura dos assuntos da UE , em especial os da responsabilidade de Ant�nio Esteves Martins, que t�m um tom oficioso e n�o-jornal�stico.

Excesso de cobertura de eventos religiosos em directo, muito para al�m do conte�do de "interesse p�blico" num pa�s de maioria cat�lica (que justifica algumas transmiss�es, mas n�o todas) e sem qualquer valor informativo.

Na RTP: os coment�rios de Ant�nio Vitorino nunca acrescentam nada e s�o claramente limitados por uma vontade de ortodoxia, que � uma vontade de carreira pol�tica. Leg�timo, mas n�o chega para comentar sob aquela forma e com aquele estatuto, quando n�o se tem mais nada para dar. Pode-se ter �mixed feelings� sobre os coment�rios de Marcelo, mas estes s�o um �facto comunicacional� imposs�vel de passar ao lado. Podem ter (t�m) agenda pol�tica, s�o superficiais e ligeiros, mas ultrapassam os defeitos do seu autor, pelas suas qualidades no meio. Marcelo � um Mensch comunicacional, Vitorino n�o �.

Tsunami � Mais um exemplo de �masturba��o da dor� como sensacionalismo jornal�stico, ao ritmo das grandiosas imagens das vagas do maremoto. Se n�o houvesse imagens t�o poderosas, turistas estrangeiros e destinos de f�rias como Puket atingidos, o tratamento comunicacional seria o que foi dado ao terramoto paquistan�s, ou seja quase nulo. N�o � a dimens�o da trag�dia que conta, mas a sua espectacularidade.

Katrina � O contra-exemplo ao tratamento do tsunami: �inforopini�o� politizada ao extremo, �masturba��o da culpa� em vez de �masturba��o da dor�. N�meros fant�sticos, previs�es apocal�pticas, dedo apontado a Bush em cada segundo, e quase nula compaix�o pelas v�timas. A cidade �destru�da� l� est� a funcionar, ferida, mas viva. As dezenas de milhares de mortos anunciados continuam por descobrir, mas ningu�m entende que deva corrigir alguma coisa.

Arrast�o � A pseudo-hist�ria mais fant�stica da nossa comunica��o social em 2005, que, desde o primeiro minuto, parecia a qualquer pessoa sensata, muito bizarra. Who cares? Passou do sensacionalismo, para a demoniza��o pol�tica anti-emigrantes e racista, para depois, no backlash, se tornar demoniza��o pol�tica anti-racista ao estilo do �SOS Racismo�, ou seja do Bloco de Esquerda. Como era uma hist�ria (falsa) que �favorecia a direita� anti-emigrantes foi desmontada e contrariada. Quantas, ao contr�rio, que �favorecem a esquerda�, e igualmente falsas nunca s�o desmontadas?

Entre o 24 Horas, que sobe, os jornais gr�tis, os blogues, e a informa��o em linha, a imprensa generalista cai. Para responder � queda molda-se ao que pensa dar sucesso, o �social�, o �econ�mico�, e temo que as reestrutura��es em curso nos grandes jornais valorizem ainda mais a superficialidade do produto. Se for assim, � s� uma quest�o de tempo para cair ainda mais, porque nesse terreno outros fazem melhor.

Na P�blico: o fim da consulta gr�tis em linha.

No Expresso: as primeiras p�ginas inventivas. Agora que se sabe de quem � a responsabilidade, � de Jos� Ant�nio Saraiva, que as faz sozinho numa forma de medita��o transcendental como nos disse em entrevista �, espera-se que Henrique Monteiro acabe com elas.

O fim da A Capital e de O Com�rcio do Porto.

O jornalismo econ�mico continua a depender de uma vis�o mais do �econ�mico� do que do �jornal�stico�. Com capacidade para produzir boa informa��o sobre o estado e o governo, revela-se incapaz de tratar as empresas como objecto jornal�stico, mostrando pouca independ�ncia em rela��o aos sectores econ�micos e financeiros que a patrocinam. N�o h� verdadeiras reportagens ou not�cias sobre o que corre mal e sobre face n�o-empresarial da economia, como por exemplo, o mundo do trabalho.

A Antena 2 � demasiado loquaz. Muito se fala naquela r�dio, num tom entre o pedante e o falsamente int�mo, tirando limpidez � m�sica.
 


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES:
AS �LTIMAS COISAS - O SABOR, O �LTIMO RIO SELVAGEM EM PORTUGAL


(Enviada por Luis Jer�nimo.)
 


OBSERVA��ES PRESIDENCIAIS AVULSAS



O �nico candidato que tem inequ�vocas, indesment�veis, raz�es para se queixar da comunica��o social � Garcia Pereira. A sua exclus�o dos debates pr�-eleitorais foi exclusivamente uma op��o da comunica��o social. E poucas d�vidas se podem ter que se Garcia Pereira pudesse ter acesso a esses debates n�o andaria a arrastar-se nos zero v�rgula, qualquer coisa por cento. Garcia Pereira � um debatente duro e menos sens�vel � "modera��o" para ganhar uns votitos. Iria buscar votos aos votos radicais, ou seja prejudicaria Lou��, o grande beneficiado por esta op��o.

(Continua)
 


LENDO / VENDO /OUVINDO
(BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�ES, IMAGENS, SONS, PAP�IS, PAREDES)
(13 de Janeiro de 2006)


___________________________


A melhor imagem de sempre da nossa companheira dos c�us de Janeiro, a Nebulosa de Orion, tirada pelo Hubble. Em tamanho grande aqui.

*

Novos problemas: a tradu��o dos SMS aparecidos em obras liter�rias (p.e. em Martin Amis).
 


EARLY MORNING BLOGS 707

Liberdade, onde est�s? Quem te demora?


Liberdade, onde est�s? Quem te demora?
Quem faz que o teu influxo em n�s n�o caia?
Porque (triste de mim!), porque n�o raia
J� na esfera de L�sia a tua aurora?

Da santa reden��o � vinda a hora
A esta parte do mundo, que desmaia.
Oh!, venha... Oh!, venha, e tr�mulo descaia
Despotismo feroz, que nos devora!

Eia! Acode ao mortal que, frio e mudo,
Oculta o p�trio amor, torce a vontade,
E em fingir, por temor, empenha estudo.

Movam nossos grilh�es tua piedade;
Nosso n�men tu �s, e gl�ria, e tudo,
M�e do g�nio e prazer, � Liberdade!


(Bocage )

*

Bom dia!

12.1.06
 


COISAS COMPLICADAS


Donald Judd
 


EARLY MORNING BLOGS 706

The Snow Man


One must have a mind of winter
To regard the frost and the boughs
Of the pine-trees crusted with snow;

And have been cold a long time
To behold the junipers shagged with ice,
The spruces rough in the distant glitter

Of the January sun; and not to think
Of any misery in the sound of the wind,
In the sound of a few leaves,

Which is the sound of the land
Full of the same wind
That is blowing in the same bare place

For the listener, who listens in the snow,
And, nothing himself, beholds
Nothing that is not there and the nothing that is.


(Wallace Stevens)

*

Bom dia!

10.1.06
 


ENFADO?



Cresce nos blogues e nos jornais, o enfado enorme que atravessa os coment�rios sobre estas elei��es. Resta saber se haveria o mesmo enfado se n�o fosse esperado que Cavaco as ganhasse. Mas este enfado gigantesco � mais uma vez a medida da superficialidade com que as elei��es presidenciais s�o observadas, e a tend�ncia para repetir por ciclos os lugares comuns que se tornam dominantes. Pack journalism no seu pior.

E no entanto... estas elei��es s�o muito mais interessantes do que parecem, muito mais importantes do que se imagina. Elas mexem fundo no sistema pol�tico-partid�rio, nos partidos, nos grupos dentro dos partidos, nas personalidades. Muita coisa vai come�ar, alguma est� a acabar de forma inesperada. Muitas perguntas permanecem por responder. Por que raz�o Cavaco chegou, viu e vai vencer? N�o � t�o evidente como parece. Por que raz�o Soares n�o gerou o efeito que claramente esperava (e muitos comentadores com ele) e passou de "pai da p�tria a mau da fita"? Que fazem S�crates, Marques Mendes, Portas, nesta fita? Que futuro para cada um deles numa ecologia "cavaquista" na Presid�ncia? Por que raz�o a esquerda se fragmentou e n�o conseguiu somar os seus eleitorados como lhe era prometido nos primeiros dias da campanha (bem sei que � arqueologia, mas conv�m perceber como as raz�es de legitima��o �t�cnicas� das candidaturas eram d�beis)? Por que raz�o n�o se conseguiu instituir o dilema esquerda / direita nestas elei��es, como de algum modo j� acontecera de forma menos evidente nas legislativas, e parecia dominar a pol�tica portuguesa desde o fim de Guterres? Como conviver� o Primero-Ministro, o Governo e o PS, cada um ao seu modo, com um presidente com forte legitimidade pol�tica, em particular se for eleito � primeira volta?

Tanta coisa por definir depois de 22 de Janeiro, que s� os desatentos podem estar enfadados. Ou aqueles para quem a pol�tica tem interesse quando ganham e perde-o quando perdem.
 


LENDO / VENDO /OUVINDO
(BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�ES, IMAGENS, SONS, PAP�IS, PAREDES)
(10 de Janeiro de 2006)


___________________________

Ainda n�o est� fechada a quest�o do nome do LENDO / VENDO, etc, etc, nem se fica assim ou assim ou qualquer variante. � que n�o � a mesma coisa.

*

Para fugir � ditadura solit�ria do PowerPoint - algum dia ter� que se escrever um ensaio sobre o que o PowerPoint fez �s confer�ncias e "apresenta��es", e de um modo geral ao nosso c�rebro -, estes "Experiments in presentation technology" no Lessig Blog.

*

Todos os dias a Rede fica melhor. Para os verdadeiros iluministas (como os leitores que est�o a escrever sobre O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: LUZES) estas LUZES, no melhorado e aberto ao neg�cio Google Video.
 


COISAS SIMPLES


Ansel Adams
 


EARLY MORNING BLOGS 705

Karma Repair Kit: Items 1-4


1.
Get enough food to eat,
and eat it.


2.
Find a place to sleep where it is quiet,
and sleep there.


3.
Reduce intellectual and emotional noise
until you arrive at the silence of yourself,
and listen to it.


4.



(Richard Brautigan)

*

Bom dia!

9.1.06
 


XERXES E MONTAIGNE

T�m raz�o os meus correctores cl�ssicos. � o que faz citar de mem�ria mesmo com um prudente �diz-se�. N�o foi depois da batalha de Salamina que Xerxes mandou chicotear o mar, mas noutra ocasi�o na mesma campanha militar. N�o s� mandou chicotear o mar, como queim�-lo com ferros em brasa, por ter destru�do uma ponte sobre os Dardanelos que o seu ex�rcito precisava de atravessar. De passagem, matou os engenheiros que a tinham feito. Detesto cometer incorrec��es, mesmo quando a descri��o do contexto da atitude de Xerxes seja o correcto.

Mas que tal se os meus cr�ticos se pronunciassem tamb�m sobre a atitude de muita gente na campanha de Soares (e dele pr�prio), sobre esta fabulosa arrog�ncia que � considerar que as elei��es s� s�o boas, dignas e �livres� quando o �povo� vota em n�s? Sobre a acusa��o ao �povo� que � �feio, porco e mau� quando n�o vota � �esquerda�?

Montaigne escreveu sobre esta atitude, citando ali�s o chicote de Xerxes, num cap�tulo dos Ensaios, intitulado: �Comme l'ame descharge ses passions sur des objects faux, quand les vrais luy defaillent�(Livro I, cap. IV):
Quelles causes n'inventons nous des malheurs qui nous adviennent ? � quoy ne nous prenons nous � tort ou � droit, pour avoir ou nous escrimer ? Ce ne sont pas ces tresses blondes, que tu deschires, ny la blancheur de cette poictrine, que despit�e tu bats si cruellement, qui ont perdu d'un malheureux plomb ce frere bien aym� : prens t'en ailleurs. Livius parlant de l'armee Romaine en Espaigne, apres la perte des deux freres ses grands Capitaines, Flere omnes repente, et offensare capita. C'est un usage commun. Et le Philosophe Bion, de ce Roy, qui de dueil s'arrachoit le poil, fut plaisant, Cetuy-cy pense-il que la pelade soulage le dueil ? Qui n'a veu mascher et engloutir les cartes, se gorger d'une bale de dez, pour avoir ou se venger de la perte de son argent ? Xerxes foita la mer, et escrivit un cartel de deffi au mont Athos : et Cyrus amusa toute une armee plusieurs jours � se venger de la riviere de Gyndus, pour la peur qu'il avoit eu en la passant : et Caligula ruina une tresbelle maison, pour le plaisir que sa mere y avoit eu.
�. Nesta campanha, a arrog�ncia est� muito desigualmente distribu�da. E a arrog�ncia levar� a uma humilha��o de todo desnecess�ria.
 


COISAS COMPLICADAS


Hiroshi Sugimoto, Time exposed
 


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: LUZES



Um dos aspectos mais contrastantes entre Washington DC e a nossa cidade de Lisboa ( todas as nossas cidades, afinal) �, nesta �poca de Natal e fim-de-ano, a exuber�ncia das ilumina��es das nossas principais ruas e avenidas e a discreta, quase apagada, ilumina��o natal�cia das cidades americanas e, particularmente, da sua capital. Na principal avenida de Washington DC, a Constitution Av., n�o foi dependurada uma �nica gambiarra, a �rvore de Natal em frente da Casa Branca � uma parente muito pobre daquela que levou milhares e milhares de admiradores � Baixa de Lisboa. Mesmo Nova Yorque ou San Francisco, tradicionalmente mais garridas que a institucional capital dos EUA, n�o se comparam, em termos relativos, com a inunda��o de luz nas nossas cidades. As cidades europeias mais cosmopolitas ficam a anos-luz das nossas luzes de fim de ano.

Talvez tenhamos necessidade de todas estas luzes para nos aquecer o ego t�o arrefecido por tantos indicadores deprimentes, talvez os autarcas conservem, deste modo, o caloroso aplauso dos seus eleitores at� �s pr�ximas elei��es, talvez a economia derrapasse ainda mais sem esta baforada quente, talvez se perdessem uns empregos mais, afinal de contas entre armar e desarmar os enfeites gozamos desta atmosfera de festa por uns largos meses.

Quantos portugueses se interrogar�o acerca da pertin�ncia de tanta luminosidade? Seguramente, muito poucos. N�o me recordo de ter alguma vez lido ou ouvido coment�rios de espanto mesmo nos media tidos geralmente como mais exigentes ou conservadores.

Algu�m pagar� a factura, quem vier depois que feche a luz!, � a posi��o corrente.

(Rui Fonseca)
 


CONTRIBUI��ES PARA BOAS / P�SSIMAS COISAS NA COMUNICA��O SOCIAL PORTUGUESA EM 2005, VISTAS POR UM GRANDE (EM QUANTIDADE) CONSUMIDOR - 4

...se o n�vel de erros e asneiras no que eu desconhe�o for igual ao que detecto nos assuntos que conhe�o, o melhor � nem ler jornais...



Uma coisa p�ssima na nossa comunica��o social (com especial incid�ncia para a imprensa), e n�o � s� em 2005, � a falta de rigor e a superficialidade na informa��o. Desde logo no pr�prio crit�rio de selec��o. Na defini��o do que � que � not�cia e do que n�o �.

E depois, no tratamento dos factos noticiados. Textos mal escritos, com evidentes contradi��es e inconsist�ncias, que n�o resistem � mais breve e superficial an�lise de qualquer leitor. N�meros e datas errados. Aus�ncia quase total de conhecimento ou de investiga��o sobre o tema tratado.
Por outro lado, � muitas vezes evidente que estamos perante simples transcri��es de textos de ag�ncias noticiosas ou mesmo dos sujeitos da not�cia ou da informa��o.

O que � grave � que isto acontece tamb�m na informa��o especializada, designadamente na econ�mica, onde s� ter�amos a ganhar com a isen��o e rigor nas not�cias (e n�o estou a falar de opini�o ou an�lise). Concordo que houve uma melhoria com surgimento e afirma��o de alguns jornais nessa �rea. Mas, quem os l� todos os dias com um m�nimo de aten��o n�o tarda em perceber e reconhecer os crit�rios de selec��o das not�cias, o seu tratamento e as lacunas e incorrec��es.

Outro aspecto que me parece p�ssimo, e � recorrente, � a opini�o disfar�ada de informa��o. Costumo dizer que se o n�vel de erros e asneiras no que eu desconhe�o for igual ao que detecto nos assuntos que conhe�o, o melhor � nem ler jornais. O que � pena.

(RM)
 


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: LANA CAPRINA



Aconteceu, por mera coincid�ncia, eu ter estado exposto em simult�neo �s not�cias da campanha presidencial e �s novidades vindas de Las Vegas, por ocasi�o do "CES - Consumer Electronics Show". De um lado o fim de uma "pr�-campanha" que se arrastou durante meses a discutir abstrac��es com resultados nebulosos enquanto do outro um pequeno grupo de potentados repartia, em poucos dias, gigantescos neg�cios globais.

Um resumo das not�cias de Las Vegas: a Google anunciou a venda de filmes da CBS e imagens dos jogos de basketball via internet , a Sony lan�ou um aparelhinho port�til que pode conter 80 livros e mostr�-los no seu visor para leitura, a Apple vendeu dez milh�es dos seus iPods para entretenimento enquanto se d� um passeio, a Motorola anunciou a disponibiliza��o das buscas do Google nos seus telefones port�teis e o Yahoo divulgou dispositivos que permitem a partilha da informa��o pelos televisores, computadores e telefones.

Por c� os nossos candidatos cruzavam acusa��es a prop�sito da divulga��o, ou n�o, dos nomes dos financiadores das campanhas eleitorais. Tamb�m se discutia se o primeiro-ministro apareceria, ou n�o, na campanha de Soares e se o Marques Mendes seria admitido nos com�cios de Cavaco. Alegre invectivava Soares e Cavaco por se terem encontrado, sem ranger os dentes, com Valentim Loureiro e com Jardim. E assim por diante...

De repente tive a penosa sensa��o do anacronismo de uma campanha que quase pode ser imaginada a decorrer no s�culo XIX. Tenho a sensa��o de que a informa��o digitalizada do mundo est� a ser repartida por meia-d�zia de grupos empresariais enquanto os nossos candidatos parecem estar completamente alheados do facto e mesmo inconscientes das suas implica��es para o futuro da humanidade. Continuaremos at� dia 22 de Janeiro com a lana caprina ? como se estivessemos num planeta diferente ?

(Fernando Penim Redondo)
 


LENDO / VENDO /OUVINDO
(BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�ES, IMAGENS, SONS, PAP�IS, PAREDES)
(9 de Janeiro de 2006)


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A mol�cula que n�o fica quieta "protonated methane" ou CH5+, um "super-�cido".

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A prop�sito do "fim do mundo", uma foto enviada pelo Francisco Jos� Viegas "entre a Argentina (Ushuaia) e o Chile (Puerto Williams)", uma daquelas imagens que vale por mil palavras.



*

Leitura do PREC, mais propriamente o P�e, Rapa, Empurra, Cai, n�mero zero de Novembro de 2005, s� encontr�vel em selectos e raros lugares. Este comprei-o na Livraria Utopia no Porto. O jornal � um balan�o do projecto "Abril em Maio", entre 1994 e 2004, sem d�vida o mais consequente projecto de cultura radical em Portugal. � volta de pessoas como Jorge Silva Melo, Eduarda Dion�sio, e Luis Miguel Cintra, o "Abril em Maio" foi singularmente produtivo (deu-nos textos, tradu��es que nunca de outro modo se fariam, debates sobre autores que caminham para um indevido esquecimento como M�rio Dion�sio e Carlos Oliveira, etc.), sem perder uma identidade muito pr�pria. O Pr�mio Nobel a Pinter foi tamb�m por arrastamento um pr�mio ao "Abril em Maio", �s suas idiossincrasias e obsess�es, �s suas paix�es e �dios, e aos seus gostos temperados por um sentimentalismo radical e agreste.

Mas o PREC n�o � o melhor do "Abril em Maio". Rebarbativo, dif�cil de ler nas suas op��es gr�ficas e de papel (t�o grosso que n�o dobra facilmente), denso nos seus textos sem ser complexo, confuso e longo, tem muito menos do que aquilo que prometia e se esperava. Salvam-se fragmentos, como um artigo de Jorge Silva Melo com mem�rias de Vespeira, Areal e Palolo e pouco mais.
 


EARLY MORNING BLOGS 704

Aos amigos


Amo devagar os amigos que s�o tristes com cinco dedos de cada lado.
Os amigos que enlouquecem e est�o sentados, fechando os olhos,
com os livros atr�s a arder para toda a eternidade.
N�o os chamo, e eles voltam-se profundamente
dentro do fogo.
-Temos um talento doloroso e obscuro.
constru�mos um lugar de sil�ncio.
De paix�o.


(Herberto Helder)

*

Bom dia!

8.1.06
 


LENDO / VENDO /OUVINDO
(BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�ES, IMAGENS, SONS, PAP�IS, PAREDES)
(8 de Janeiro de 2006)


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Hist�ria contempor�nea: Fidel Castro como nunca se viu.

*

Hist�ria contempor�nea: a hist�ria do LSD contada pelo autor.

*

O exemplo de Xerxes vai mais longe do que se pensa. Diz-se que Xerxes, depois de ter perdido a batalha de Salamina, mandou chicotear o mar para o punir de ter afundado a sua poderosa frota. Chamou tamb�m umas coisas feias aos seus generais e soldados. Agora, do lado do MASP3, come�ou o per�odo de Xerxes: M�rio Mesquita chicoteia Gr�ndola, chamando-lhe "amarela"; no Super Mario chicoteia-se o Expresso, Balsem�o e , claro est�, o "povo", o mar que est� com os gregos e n�o com os persas. Vai haver muito ru�do de chicote.

*

Outro fim do mundo. Saturno no dia 5 de Dezembro de 2005.

*


Para colocar o "fim do mundo" na porta do frigor�fico.

*

Restos do imp�rio. Avi�es mortos. Manuel Ferreira enviou-me a hist�ria a as fotografias de dois avi�es envolvidos no apoio ao Biafra e que "jazem mortos e apodrecem" em S. Tom�, o ponto central das opera��es de ajuda ao estado secessionista .

L1049H CF-NAM July 1967 L1049H CF-NAM July 15, 1999

A hist�ria do CF-NAM c/n 4832:

"To National Airlines October 1957 as L1049H N7134C
Stored at Miami, FL from mid-1963 until sold to International Aviation Company December 18, 1964
To Nordair December 21, 1964 as CF-NAM
Ferried to Montreal where used as a source of spares in ex-National color scheme
Restored and entered service with Nordair spring 1966
To CanRelief Air Ltd April 24, 1969 and ferried to Sao Tome June 2, 1969 for use on the Biafran Airlift
Stored at Sao Tome for sale from January 1970
Sale to Canadian freight charter company fell through in 1974
Canadian registration cancelled February 1980
Abandoned at Sao Tome in derelict condition"
 


EARLY MORNING BLOGS 603

Horas breves de meu contentamento


Horas breves de meu contentamento
Nunca me pareceu quando vos tinha,
Que vos visse mudadas t�o asinha
Em t�o compridos anos de tormento.

As altas t�rres, que fundei no vento,
Levou, em fim, o vento que as sostinha;
Do mal que me ficou a culpa � minha,
Pois s�bre cousas v�s fiz fundamento.

Amor com brandas mostras aparece:
Tudo poss�vel faz, tudo assegura;
Mas logo no melhor desaparece.

Estranho mal! Estranha desventura!
Por um pequeno bem, que desfalece,
Um bem aventurar, que sempre dura!


(Lu�s de Cam�es)

*

Bom dia!

7.1.06
 


A FECHAR-SE


Est� assim, agora, a fechar-se.
 


O C�CERES

Um pequeno grupo de tr�s amigos comemorou a noite inteira, no long�nquo ano de 1967, de sol a sol, j� n�o sei bem o qu�. Um era eu, outro, o Jo�o Serra, hoje chefe da Casa Civil do Presidente, e o terceiro, o C�ceres Monteiro. Sei que come��mos junto do Campo Grande, passamos para o Aeroporto, um dos raros s�tios abertos na noite lisboeta, depois para a Rotunda do Rel�gio, e terminamos uma noite tipicamente estudantil de bo�mia, junto da Igreja da Avenida com o mesmo nome. Pelo menos, eu e o Jo�o Serra n�o �ramos lisboetas, e por isso a vinda para a universidade e para a grande cidade tinha todas as novidades, e muitas oportunidades. O trajecto deve ter sido este, a p�, conversando muito, com aquela vontade de fazer e dizer tumultuosa de quem tem tudo � frente e pouco atr�s.

Se n�o me lembro o que comemor�vamos, provavelmente a mera exist�ncia, recordo-me muito bem do contexto em que o faz�amos. �ramos os tr�s �novos estudantes� de Direito, o nome que nos d�vamos para n�o tresandar � praxe associada com a designa��o de �caloiros�, e v�nhamos de um jantar destinado a �integrar� os estudantes do 1� ano na Associa��o de Estudantes. Existe um panfleto a stencil com o apelo que os �novos estudantes� associativos faziam aos seus colegas para virem para a Associa��o, com os nossos nomes, meu, do Jo�o e do Carlos.

Ser �associativo� nesse ano, ano de charneira que marcou o fim do refluxo das lutas estudantis, em v�speras do annus mirabilis de 1968, era ser do �contra�, come�ar a deixar rasto na PIDE, que coleccionava estes abaixo-assinados. Nenhum de n�s, e de muitos outros, hesitou um segundo que fosse. Essa era a nossa obriga��o, e a ideia de que nesse acto havia uma op��o, uma escolha, uma alternativa era-nos alheia. Era assim, porque tinha que ser assim. Nenhum de n�s media consequ�ncias, embora soubesse que existiam. O mundo era simples, ent�o.

Cada um dos tr�s permaneceu fiel a tudo o que disse nessa noite. N�o fez, ou n�o conseguiu fazer, tudo o que pensava, mas o primeiro a partir, o C�ceres, foi certamente inteiro e juvenil como estava nessa noite long�nqua. Nessa noite, tenho quase a certeza que entre as pequenas malfeitorias que fizemos, mud�mos as horas do rel�gio da Rotunda que, na melhor tradi��o nacional ficou meses desacertado. N�o sei se o adiant�mos ou atras�mos, s� sei que para n�s ficou sempre um pouco fora de horas, num gesto de subvers�o, de desordem, que tinha todo o sentido porque, mais do que o rel�gio, era o pa�s que quer�amos desacertar. A 25 de Abril ele acertou-se, e o C�ceres fez parte daqueles que o ajudou a acertar. Antes, durante e depois, at� anteontem.

(Na S�bado.)
 


LENDO / VENDO /OUVINDO
(BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�ES, IMAGENS, SONS, PAP�IS, PAREDES)
(7 de Janeiro de 2006)


____________________________


Mais um Google, o Google Pack.

*







Dois pap�is que sobraram de um "pa�s" morto: o Biafra. Um, � um diploma destinado a agraciar os servi�os da ponte a�rea que abastecia o ex�rcito do Biafra; outro, uma nota de banco que nunca entrou em circula��o. Em ambos os casos, fragmentos de hist�rias tanto africanas e nigerianas como portuguesas, porque o apoio ao Biafra foi uma das �ltimas aventuras coloniais do nosso imp�rio. O amigo que me ofereceu estes documentos foi um dos �ltimos operacionais dessa log�stica a sair do Biafra, em grande risco de vida, uma hist�ria que permanece por contar.

 


EARLY MORNING BLOGS 702

St�le du chemin de l'�me



Une insolite inscription horizontale : huit grands caract�res, deux par deux, que l'on doit lire, non pas de la droite vers la gauche, mais � l'encontre, � et ce qui est plus,

Huit grands caract�res invers�s. Les passants clament : � Ignorance du graveur ! ou bien singularit� impie ! � et, sans voir, ils ne s'attardent point.

o

Vous, � vous, ne traduirez-vous pas ? Ces huit grands signes r�trogrades marquent le retour au tombeau et le CHEMIN DE L'�ME, � ils ne guident point des pas vivants.

Si d�tourn�s de l'air doux aux poitrines, ils s'enfoncent dans la pierre ; si, fuyant la lumi�re, ils donnent dans la profondeur solide,

C'est, clairement, pour �tre lus au revers de l'espace, � lieu sans routes o� cheminent fixement les yeux du mort.

(Victor Segalen)

*

Bom dia!
 


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES:
OBRIGADO AOS QUE SABEM POR AQUILO QUE SABEM



6.1.06
 


ABUSIVO CONTADOR

Pedro Neves chama-me a aten��o para um comportamento abusivo de um contador, respons�vel por publicidade sub-rept�cia. Aqui fica a chamada de aten��o (que alguns outros leitores t�m tamb�m observado). Em breve, o contador ser� retirado.
Este e-mail serve apenas para chamar a aten��o de JPP para o facto do contador http://www.nedstatbasic.net, instalado no Abrupto, estar a abrir uma janela pop-up sempre que aquele � acedido pela primeira vez, ainda que o visitante utilize navegador Firefox (vers�o 1.0.7. pelo menos), como � o meu caso.

O contador instala um cookie no computador do visitante e n�o volta a abrir a janela pop-up em visitas posteriores, o que n�o significa que n�o volta a faz�-lo, presumivelmente numa tentativa para baralhar o visitante e o autor do blog quanto � sua origem. A janela em causa tem "iLead" como t�tulo e exibe neste momento publicidade a um "Curso de Internet e Com�rcio Electr�nico", ao mesmo tempo que incita o utilizador a preencher um formul�rio com dados pessoais (aparentemente tem uma pol�tica de "protec��o de dados"...).

Uma vez que o cookie reside no computador, s� v� a janela quem acede ao Abrupto pela primeira vez ou quem, como eu, apaga com alguma frequ�ncia os cookies armazenados. De qualquer modo, se pretender reproduzir a situa��o, s� precisa de limpar todos os cookies armazenados no Firefox ou no IE (ambos facilitam essa opera��o atrav�s da barra de ferramentas) e aceder ao Abrupto (desconhe�o se � uma situa��o �nica a este blog).

Como creio que n�o sanciona este tipo de publicidade sub-rept�cia, achei que deveria fazer a chamada de aten��o (tamb�m por interesse pr�prio, admito, uma vez que h� j� algumas semanas que me tenho deparado com a tal janela).

Obrigado.
 


QUADROS DE UMA EXPOSI��O:
10. KRESTNY KHOD (PROCISS�O DA CRUZ) NA GUBERNIA DE KURSK (REPIN)- DETALHES


Mujiques, camponeses transportando o andor com o �cone.


Duas camponesas transportando outro �cone.
 


LENDO / VENDO /OUVINDO
(BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�ES, IMAGENS, SONS, PAP�IS, PAREDES)
(6 de Janeiro de 2006)


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Em louvor das "pranks", partidas, brincadeiras � custa de algu�m. Onde? No Economist.
 


EARLY MORNING BLOGS 701

The Elephant is Slow to Mate


The elephant, the huge old beast,
is slow to mate;
he finds a female, they show no haste
they wait

for the sympathy in their vast shy hearts
slowly, slowly to rouse
as they loiter along the river-beds
and drink and browse

and dash in panic through the brake
of forest with the herd,
and sleep in massive silence, and wake
together, without a word.

So slowly the great hot elephant hearts
grow full of desire,
and the great beasts mate in secret at last,
hiding their fire.

Oldest they are and the wisest of beasts
so they know at last
how to wait for the loneliest of feasts
for the full repast.

They do not snatch, they do not tear;
their massive blood
moves as the moon-tides, near, more near
till they touch in flood.

(D.H. Lawrence)

*

Bom dia!

5.1.06
 


TEMAS PRESIDENCIAIS (6� S�RIE)



OS DADOS EST�O NO AR . A vinda para a rua das candidaturas faz entrar numa fase final a campanha eleitoral. A partir de agora � pouco prov�vel que haja altera��es significativas no curso das candidaturas, que jogam na consolida��o do adquirido, mais do que na conquista de novos aderentes.

DUAS CANDIDATURAS QUE AINDA N�O POUSARAM: A DE CAVACO E A DE SOARES. Cada uma com o seu dilema, quer a candidatura de Cavaco quer a de Soares t�m margens de resultados estreitos e podem perder muito ou ganhar muito no tempo que falta. Cavaco precisa de passar � primeira volta, e isso exige um enorme esfor�o de mobiliza��o. N�o se trata, no seu caso, de ganhar mais votos, mas sim de n�o perder os que conquistou, principalmente a favor da absten��o. Da capacidade de mobiliza��o do seu eleitorado depende muito a conquista da presid�ncia � primeira volta. Soares, por seu lado, precisa de dar tudo por tudo n�o s� para ultrapassar Alegre, o que parece estar adquirido, mas para obter o m�gico n�mero que lhe permitir� ir � segunda volta. E aqui as coisas parecem muito mais complicadas.

O QUE � QUE PODE MUDAR OS DADOS QUE EST�O NO AR? Esc�ndalos, reais ou inventados, acusa��es graves, incidentes ou inconveni�ncias graves dos candidatos diante das c�maras de televis�o. S� isso. O debate pol�tico residual, � dist�ncia de paradas e respostas por via dos �rg�os de comunica��o social, dificilmente servir� para alguma coisa. Os portugueses conhecem bem demais os candidatos para terem surpresas.

HAVER OU N�O SEGUNDA VOLTA pode ser decisivo para o resultado final. Todos est�o convictos, a partir das sondagens, que Cavaco ganha quer na primeira volta, quer na segunda. Pode ser que sim, mas eu n�o estaria t�o certo disso. Se Cavaco n�o ganhar na primeira volta, v�rios efeitos, dif�ceis de retratar hoje nas sondagens, poder�o verificar-se e mudar muito o panorama das elei��es presidenciais. O �nico que o percebe bem � Soares.
Se pensarmos alto, n�o custa perceber que se houver segunda volta, ela ser� entre Soares e Cavaco. Ora, uma passagem de Soares � segunda volta coloca-o � partida na exacta posi��o contr�ria � que tem agora: hoje, � o perdedor, face a Cavaco, o ganhador. Se conseguir, contra todas as expectativas, passar � segunda volta, entrar� nas elei��es como vencedor. Ter� consigo um ambiente de grande mobiliza��o, que arrastar� votos de todos os outros candidatos � esquerda, contrastando com as d�vidas e a quebra de mobiliza��o na candidatura de Cavaco, onde h� um convencimento generalizado de que a vit�ria ser� j� na primeira volta. A imprevisibilidade aumentar� e com ela a credibilidade da candidatura Soares.

SOARES E A COMUNICA��O SOCIAL. H� sobre esta mat�ria as habituais duas escolas de pensamento e uma terceira, a deste vosso autor, tamb�m habitual. Uma diz que Soares � prejudicado pela comunica��o social, e o pr�prio candidato � o principal e mais loquaz proponente de tal escola. A segunda, a de que Soares �, como sempre foi, protegido pela comunica��o social, que tem com ele uma cumplicidade j� antiga. A minha terceira via � mais uma evolu��o da segunda escola do que da primeira e pode ser definida assim: nunca Soares teve uma comunica��o social t�o hostil desde 1985 e, nesse sentido, pode ter aqui e ali raz�es de queixa. Mas h� que acrescentar dois caveats: um, que poucas vezes algu�m fez tanto para suscitar animosidade da comunica��o social do que Soares nesta campanha; segundo, a comunica��o social parece mais hostil a Soares por contraste com a complac�ncia que mostrava antes (e em muitas coisas ainda mostra agora). Por isso, acho que Soares � o �ltimo a poder queixar-se da comunica��o social.

A DESAPARI��O DE ALEGRE DOS RADARES. Alegre, como Soares, queixa-se dos "comentadores", por raz�es ali�s muito parecidas. No entanto, como Soares, pouco tem que se queixar a n�o ser de si pr�prio. H� j� v�rios dias que a campanha de Alegre � aquela que mais "vende" apenas a sua pr�pria exist�ncia, o que � muito pouco para interessar os portugueses. Alegre n�o compreendeu que j� acabou h� muito o tempo em que lhe bastava fazer campanha apenas com as perip�cias da sua iniciativa. J� sabemos que ele concorre para a presid�ncia a partir de uma "vontade de cidadania", que teve de arrancar contra a hostilidade dos "aparelhos partid�rios" (leia-se o PS), que o PS todos os dias lhe arranja uma complica��o, que h� "persegui��es", etc., etc. Depois, o que � que h� mais? Nada. O que Alegre diz sobre qualquer tema � vago, confuso ou lugar-comum, e isso � mort�fero. Se identific�ssemos Alegre com quaisquer causas, ele seria vis�vel no radar mesmo sem "aparelho". Sem identidade, ele nem solit�rio fica, mas apenas ba�o.

SOARES VAI SAIR MAL DESTAS ELEI��ES. Mais do que uma d�vida, parece-me uma quase certeza. Soares est� a fazer tudo para sair muito mal de uma eventual derrota eleitoral. Est� a conduzir uma campanha agressiva, ressabiada, sem dimens�o de qualquer tipo, nem de Estado, nem pol�tica, nem pessoal. Se perder, ser� uma derrota entendida como humilhante, que ensombrar� o fim da sua carreira pol�tica.
Mas, a prazo, talvez a derrota que parecer� humilhante agora possa vir a dar uma dimens�o tr�gica � sua vida pol�tica. Como Churchill, Soares concorreu � elei��o fatal que o far� passar � hist�ria com uma imagem de perda e n�o de gl�ria. No entanto, como Churchill, a prazo, � o seu perfil de pol�tico compulsivo, de "animal pol�tico" que ganhar� uma luz mais humana, mais apaziguada e compreensiva. Os seus muitos defeitos, o muito de negativo que indubitavelmente mostra nesta campanha ser� epis�dico, face � imagem que entrar� na hist�ria, onde ele tem um lugar garantido. Porque esta campanha eleitoral � o fim da carreira pol�tica de M�rio Soares com uma dimens�o de inevitabilidade que nenhum sonoro (e falso) "basta" teria capacidade para dar.

(No P�blico de hoje.)
 


QUADROS DE UMA EXPOSI��O:
10. KRESTNY KHOD (PROCISS�O DA CRUZ) NA GUBERNIA DE KURSK (REPIN)


Este � o quadro que mais prejudicado fica com a reprodu��o num espa�o pequeno. Como outros quadros russos da �poca, inclusive v�rios de Repin com temas hist�rico-religiosos semelhantes, a sua dimens�o � gigantesca e a riqueza de pormenor quase infinita. Esta prociss�o est� cheia de pequenos detalhes em todas as suas personagens, e mesmo na paisagem onde se realiza, um carreiro de terra entre colinas onde recentemente foram cortadas as �rvores. O pope, os monges, o casal de burgueses provincianos, os camponeses, a come�ar pelas figuras individuais que seguram o altar do �cone, sujos de terra, os soldados e oficiais, batendo no povo para o enfileirar, os mendigos e aleijados, todo um retrato da R�ssia do interior no qual a hierarquia social aparece na perfei��o. � o mesmo mundo provinciano das Almas Mortas de Gogol, ordenado e f�tuo, onde a massa enorme dos camponeses � o pano de fundo do teatro onde tudo se passa.

 


OS NOVOS DESCOBRIMENTOS: MAIS PERFEI��O

T�tis
 


LENDO / VENDO /OUVINDO
(BLOGUES, JORNAIS, TELEVIS�ES, IMAGENS, SONS, PAP�IS, PAREDES)

(5 de Janeiro de 2006)


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*

De onde menos se espera, sai um original, um exc�ntrico, um "gandamaluco". Aqui est� o Grande-Propagandista de Salazar, numa foto que ilustra o seu livro Novo Mundo Mundo Novo, um interessante e vivo relato de uma viagem � Am�rica. Mas a foto vale tudo: os sapatinhos de verniz, o Ferro levitando, o vento virando o sobretudo, como numa c�lebre foto de Mao, a boia do ... Leviathan sob o fundo do New York, New York.


Pode-se viver s� com livros? Pode, pode. Est� l� tudo.

*

*Parte do futuro dos livros: o Sony Reader comentado no Gizmodo. Eu n�o disse "o futuro dos livros", mas "parte do futuro dos livros".

*

Um Rocketboom "s�rio" sobre "pulse points", experi�ncias bostonianas com Internet mais que r�pida. Para se ver o outro mundo. O do lado de l�. Como avan�a. Leve. R�pido.

*

Para acrescentar � reflex�o das BOAS / P�SSIMAS COISAS NA COMUNICA��O SOCIAL PORTUGUESA EM 2005..., uma lista feita pelo STATS The 2005 Dubious Data Awards.

*

Entrevista de M�rio Soares ao Di�rio de Not�cias:

"Tem-se queixado de uma comunica��o social adversa. Acha que h� uma maquina��o contra a sua candidatura?

N�o acho que seja contra mim, mas contra todos os candidatos excepto um. Dito de outra maneira, � a favor de um �nico candidato. Mas isso n�o � uma quest�o para discutirmos agora, � uma discuss�o acad�mica para termos mais tarde.

Como � que concretiza essa acusa��o?

H� um candidato que � apresentado como pr�-vencedor."

Por todas as raz�es recordo-me bem de como � fazer campanha quando um candidato "� apresentado como pr�-vencedor" pela comunica��o social. Em 1999, quando da campanha para o Parlamento Europeu. O candidato era M�rio Soares, que , por estranha coincid�ncia, tamb�m n�o queria fazer debates a dois...
 


EARLY MORNING BLOGS 700

Aubade

The lark now leaves his wat�ry nest,
And climbing shakes his dewy wings.
He takes this window for the East,
And to implore your light he sings�
Awake, awake! the morn will never rise
Till she can dress her beauty at your eyes.

The merchant bows unto the seaman�s star,
The ploughman from the sun his season takes,
But still the lover wonders what they are
Who look for day before his mistress wakes.
Awake, awake! break thro� your veils of lawn!
Then draw your curtains, and begin the dawn!


(Sir William Davenant)

*

Bom dia!

4.1.06
 


BOAS COISAS NA COMUNICA��O SOCIAL PORTUGUESA EM 2005, VISTAS POR UM GRANDE (EM QUANTIDADE) CONSUMIDOR
(beta)


� mem�ria do Carlos C. M.

NOTA - Est�o incluidas algumas sugest�es vindas de leitores e outros blogues. A identifica��o da origem de todas estas sugest�es est� feita na s�rie das CONTRIBUI��ES e nos anexos. Ser�o acrescentadas mais contribui��es durante uma semana e depois ser� publicada a lista definitiva.


Document�rios culturais (2:) entre outros sobre Luis Pacheco, Glic�nia Quartim, Jo�o Vieira, Fernanda Botelho, etc.

Micro-causas (declara��o de interesses: o Abrupto foi o iniciador, mas hoje pertencem a todos.) - A quest�o dos �estudos da OTA� que se tornou a segunda quest�o mais determinante do debate p�blico sobre a OTA (a primeira foi e � �faz-se ou n�o se faz�), deveu-se � persist�ncia dos blogues, e n�o da comunica��o social fora da rede, que s� a assumiu quando n�o a podia evitar. Depois, tornou-se parte integrante do �problema OTA�.

Blogues de jornalismo, sobre jornalismo (pela segunda vez na lista das �coisas boas�) � Os blogues especializados em �comunica��o� em sentido lato s�o o melhor conjunto de blogues com um tema espec�fico na blogosfera portuguesa. Exemplos: Engrenagem, Ind�strias Culturais, Ponto Media, Atrium, Jornalismo e Comunica��o, As Imagens e N�s, Blogouve-se, etc.

Clube dos Jornalistas (2:) - (pela segunda vez na lista das �coisas boas�).

Os document�rios da SIC - o melhor exemplo foi o de C�ndida Pinto sobre Snu Abecassis, mas ,durante todo o ano, foram sempre as melhores reportagens jornal�sticas de tipo documental, de �grande informa��o� ou em anexo aos notici�rios.

M�rio Crespo e o par Jo�o Adelino de Faria / Ana Louren�o na SIC Noticias. (declara��o de interesses: participo num programa da SICN.)

Repito pela segunda vez: �A informa��o / opini�o econ�mica na SIC Not�cias � de grande qualidade. Perez Metelo na TVI � um divulgador especializado com grandes qualidades comunicativas."

Margens de Erro de Pedro Magalh�es, o �nosso� explicador das sondagens e muito mais. Um exemplo de um blogue que acrescenta.

Blogosfera nas elei��es aut�rquicas e presidenciais: pode ter todos os defeitos da "atmosfera", mas tem tamb�m qualidades que s� h� na blogosfera.

Livros sobre jornalismo (pela segunda vez na lista das �coisas boas�): edi��es de revistas como Trajectos e Media e Jornalismo, as colec��es "Media e Sociedade" (Editorial Not�cias), "Comunica��o" (Minerva), "Comunica��o e Sociedade" (Campo das Letras /CECS-UMinho, dirigida por Mois�s de Lemos Martins) e "Comunica��o" (Porto Editora, dirigida por Manuel Pinto e Joaquim Fidalgo). (Em breve referirei os que me pareceram mais importantes.)

A ascens�o da S�bado (pela segunda vez e com a mesma declara��o de interesses). A S�bado � o �rg�o de comunica��o social portuguesa mais subestimado, v�tima das �sinergias� que lhe faltam: n�o tem quem puxe pelas suas not�cias nos outros �rg�os de comunica��o social. Mas que tem not�cias, isso tem.

A imprensa de distribui��o gratuita como o Destak. Para muita gente significa mais not�cias que nunca iriam encontrar, ou melhor, ler, noutro lado. Isto s� pode ser considerado um acrescento na "comunica��o", na cidadania.

R�dios Presidenciais - Uma r�dio dedicada �s presidenciais revela as potencialidades que este meio encontra quando faz um uso das tecnologias que ultrapassam o mero instrumento de trabalho ou de difus�o sonora.

A sonoriza��o das reportagens da TSF.


P�SSIMAS COISAS NA COMUNICA��O SOCIAL PORTUGUESA EM 2005, VISTAS PELO MESMO



Descida de vendas da imprensa generalista � Entre o 24 Horas, que sobe, os jornais gr�tis, os blogues, e a informa��o em linha, a imprensa generalista cai. Para responder � queda molda-se ao que pensa dar sucesso, o �social�, o �econ�mico�, e temo que as reestrutura��es em curso nos grandes jornais valorizem ainda mais a superficialidade do produto. Se for assim, � s� uma quest�o de tempo para cair ainda mais, porque nesse terreno outros fazem melhor.

O fim da consulta gr�tis em linha, no P�blico.

Os coment�rios de Ant�nio Vitorino na RTP nunca acrescentam nada e s�o claramente limitados por uma vontade de ortodoxia, que � uma vontade de carreira pol�tica. Leg�timo, mas n�o chega para comentar sob aquela forma e com aquele estatuto, quando n�o se tem mais nada para dar. Pode-se ter �mixed feelings� sobre os coment�rios de Marcelo, mas estes s�o um �facto comunicacional� imposs�vel de passar ao lado. Podem ter (t�m) agenda pol�tica, s�o superficiais e ligeiros, mas ultrapassam os defeitos do seu autor, pelas suas qualidades no meio. Marcelo � um Mensch comunicacional, Vitorino n�o �.

As primeiras p�ginas inventivas do Expresso (pela segunda vez.) � Agora que se sabe de quem � a responsabilidade, � de Jos� Ant�nio Saraiva, que as faz sozinho numa forma de medita��o transcendental como nos disse em entrevista �, espera-se que Henrique Monteiro acabe com elas.

Tsunami � Mais um exemplo de �masturba��o da dor� como sensacionalismo jornal�stico, ao ritmo das grandiosas imagens das vagas do maremoto. Se n�o houvesse imagens t�o poderosas, turistas estrangeiros e destinos de f�rias como Puket atingidos, o tratamento comunicacional seria o que foi dado ao terramoto paquistan�s, ou seja quase nulo. N�o � a dimens�o da trag�dia que conta, mas a sua espectacularidade.

Katrina � O contra-exemplo ao tratamento do tsunami: �inforopini�o� politizada ao extremo, �masturba��o da culpa� em vez de �masturba��o da dor�. N�meros fant�sticos, previs�es apocal�pticas, dedo apontado a Bush em cada segundo, e quase nula compaix�o pelas v�timas. A cidade �destru�da� l� est� a funcionar, ferida, mas viva. As dezenas de milhares de mortos anunciados continuam por descobrir, mas ningu�m entende que deva corrigir alguma coisa.

Arrast�o � A pseudo-hist�ria mais fant�stica da nossa comunica��o social em 2005, que, desde o primeiro minuto, parecia a qualquer pessoa sensata, muito bizarra. Who cares? Passou do sensacionalismo, para a demoniza��o pol�tica anti-emigrantes e racista, para depois, no backlash, se tornar demoniza��o pol�tica anti-racista ao estilo do �SOS Racismo�, ou seja do Bloco de Esquerda. Como era uma hist�ria (falsa) que �favorecia a direita� anti-emigrantes foi desmontada e contrariada. Quantas, ao contr�rio, que �favorecem a esquerda�, e igualmente falsas nunca s�o desmontadas?

O fim da A Capital e de O Com�rcio do Porto.

A obscura pol�tica comunicacional governativa � O ano passado era a �central de comunica��es� de Santana Lopes, este ano � a gest�o mais profissionalizada, com maior colabora��o silenciosa de muitos simpatizantes no meio da comunica��o social, do controlo governativo. As grandes manobras da propriedade, que a montante ou a jusante, incluem sempre o benepl�cito do poder pol�tico num pa�s como o nosso t�o dependente do estado, est�o pouco esclarecidas. Mas quase tudo vai no mesmo sentido. Se houvesse um medidor n�o impressionista do �grau de incomodidade� da comunica��o social face ao poder, ver-se-ia como ele baixou significativamente. Um exemplo: o modo como foi tratada a conflitualidade social, seguindo uma linha governamental, nunca nos dando a ideia da dimens�o do que estava a acontecer e vista sempre numa luz hostil.

O jornalismo econ�mico continua a depender de uma vis�o mais do �econ�mico� do que do �jornal�stico�. Com capacidade para produzir boa informa��o sobre o estado e o governo, revela-se incapaz de tratar as empresas como objecto jornal�stico, mostrando pouca independ�ncia em rela��o aos sectores econ�micos e financeiros que a patrocinam. N�o h� verdadeiras reportagens ou not�cias sobre o que corre mal.

A Antena 2 � demasiado loquaz. Muito se fala naquela r�dio, num tom entre o pedante e o falsamente int�mo, tirando limpidez � m�sica.

A aus�ncia de programas de informa��o nas televis�es generalistas.

A cobertura dos assuntos da UE na RTP , em especial os da responsabilidade de Ant�nio Esteves Martins, que t�m um tom oficioso e n�o-jornal�stico.
 


CONTRIBUI��ES PARA BOAS / P�SSIMAS COISAS NA COMUNICA��O SOCIAL PORTUGUESA EM 2005, VISTAS POR UM GRANDE (EM QUANTIDADE) CONSUMIDOR - 3



Rui C�dima, TV�05: desencontros com a �tica de antena, a Cidadania e o Desenvolvimento do pa�s no Irreal TV.

*

Tr�s destaques de 2005:

Na televis�o, registo como inequivocamente positivo em 2005 a consolida��o de um programa de debate e informa��o em hor�rio nobre: o programa Pr�s e Contras, na RTP 1.
(...)
Na r�dio, a nota negativa foi a confirma��o da perda da TSF como refer�ncia cultural audi�fila, de resto j� prenunciada nos pressupostos percepcionados quando do afastamento de Carlos Andrade, em 2004 ainda. A TSF � hoje uma antena mim�tica do mainstream, repercutindo o conceito de dezenas de outras r�dios, sem imagina��o ou novidade. � certo que a informa��o continua sendo a melhor, mas j� quase nem apetece mudar para o 89,5 para ouvir m�seros 2 a 3 minutos de t�tulos. E quanto a debate, apenas Carlos Pinto Coelho consegue, por vezes, interessar.

Na r�dio, pelo positivo desta vez, para destacar o lan�amento em fins de 2005 da nova grelha da Antena 2 para 2006. O novo conceito ent�o anunciado, com tem�ticas mais diversificadas, formatos refeitos e inova��es fortemente promissoras foi a �ltima grande not�cia nos media em 2005.

Transcorridos tr�s dias com a nova grelha, sublinho o novo espa�o de Ricardo Sal�, no programa A Fuga da Arte (aos domingos, das 20:00 �s 21:00), provavelmente � e bastou-me uma emiss�o - o mais estimulante projecto de r�dio hoje dispon�vel.

(V�tor Reis Machado)

2.1.06
 


A MAIOR ROCHA DO SISTEMA SOLAR VISTA DE FORA DELE


Vale a pena ler o texto que ilustra esta rocha. At� ao fim, no Astronomy Picture of Today.
 


CONTRIBUI��ES PARA BOAS / P�SSIMAS COISAS NA COMUNICA��O SOCIAL PORTUGUESA EM 2005, VISTAS POR UM GRANDE (EM QUANTIDADE) CONSUMIDOR - 2


Ela adopta um low profile que a faz passar meio despercebida a quem n�o andar atento. Mas as cr�nicas de Helena Matos no �P�blico� s�o sempre inteligentes e l�cidas. Um exemplo.

(Ant�nio Cardoso da Concei��o)

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No seguimento da recolha �BOAS / P�SSIMAS COISAS NA COMUNICA��O SOCIAL PORTUGUESA EM 2005�que est� a ser levada a cabo no abrupto penso que n�o foi focado um ponto interessantes para futura discuss�o: a cobertura desportiva feita pela RTP a outras modalidades que n�o o futebol. Se reparar com aten��o notar� que alguns eventos de grande import�ncia que at� � pouco tempo tinham direito a transmiss�o em sinal aberto deixaram de o ter � falo por exemplo da volta � Fran�a em bicicleta ou dos grandes pr�mios de f�rmula 1. Estes programas � tal como algumas transmiss�es espor�dicas (felizmente n�o todas!) - foram relegados para a RTPN � canal do servi�o por cabo, e ao qual nem todos os portugueses t�m acesso, reduzindo ainda mais a diversidade desportiva na televis�o em sinal aberto � resume-se agora este espa�o a algumas transmiss�es espor�dicas e �s tardes de fim de semana da 2:, sendo que o programa �desporto2� come�a tamb�m ele a n�o ser t�o regular como de costume (a t�tulo de exemplo, a pretexto do Natal e da passagem de ano n�o houve espa�o para o �desporto2� ). Para mim, ponto negativo.

(Frederico Silva)
 


EARLY MORNING BLOGS 669

Time, you old gipsy man,
Will you not stay,
Put up your caravan
Just for one day?


(Ralph Hodgson)

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Bom dia!

1.1.06
 


CONTRIBUI��ES PARA BOAS / P�SSIMAS COISAS NA COMUNICA��O SOCIAL PORTUGUESA EM 2005, VISTAS POR UM GRANDE (EM QUANTIDADE) CONSUMIDOR


"Acho incr�vel que nesta lista inclua uma revista como a S�bado. Quantas fotos publica em cada edi��o cujas pessoas sejam pretas, gordas ou feia? Nenhuma. Ou quase. Quantas p�ginas tem com "n�o-not�cias"? Tantas como de not�cias. (...)"

(Samuel Freire)

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(...) venho sugerir para a lista de "Boas coisas na comunica��o social", a passagem pela TSF das declara��es do ministro Silva Pereira acerca da constru��o da barragem do Baixo Sabor, enquanto membro da oposi��o ao governo PSD/CDS (no passado dia 22 de Dezembro, se n�o estou em erro). Seria bom que este tipo de pr�tica fosse mais generalizado na comunica��o social; estou certo de que muitos outros exemplos haver�, e ajudaria a perceber em parte a actual "descren�a na pol�tica".

(Jo�o Tinoco)

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Lista de Gabriel Silva no Blasf�mias:

� lista actualizada, eu acrescentaria, do lado positivo:

- Concei��o Lino;
- O regresso das investiga��es de Jos� Ant�nio Cerejo;
- O programa da 2: �Clube de Jornalistas�;
- O �60 minutes� na SIC-N;
- Os editoriais de S�rgio Figueiredo;
- As entrevistas de Carlos Vaz Marques na TSF;
- A sonoriza��o das reportagens da TSF;

Do lado mau:
- Os �pr�s e contras� da RTP;
- Os telejornais dos 3 canais generalistas;
- A total inexist�ncia de jornalismo digital;
- Os entraves daTVCabo � cria��o de novos canais;
- A cobertura dos assuntos da UE, em especial os da responsabilidade de Ant�nio Esteves Martins;
- A ERC;
- A manuten��o em bloco dos meios de comunica��o do grupo �Lusomundo�;

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No seu post sobre as coisas boas na comunica��o social portuguesa em 2005 refere que ouviu pouca r�dio durante o ano. Deixo-lhe um pequeno apanhado de aspectos importantes da r�dio, sem os qualificar. As opini�es s�o sempre diferentes, pelo que deixo ao seu crit�rio a qualifica��o de bom, ou mau.(...)

Bons Momentos de R�dio

�, normalmente, em situa��es de trag�dia que a r�dio tem os seus melhores momentos. N�o se tratando de um momento de trag�dia, �, sem d�vida, um momento marcante da hist�ria nacional. Na mesma manh�, morrem dois �cones do pa�s: a pol�tica perdeu �lvaro Cunhal e a literatura, Eug�nio de Campos. No �ter nacional, quer a Antena 1 quer a TSF dedicaram parte da manh� informativa a cada uma das figuras. No geral, as restantes esta��es limitaram-se a fazer pequenos apontamentos nos notici�rios � hora certa. A RFM usando partes do trabalho desenvolvido por jornalistas da Renascen�a, a Antena3 utilizando parte da produ��o da Antena 1 e, nas r�dios do grupo MCR (Comercial, RCP e Cidade), o facto foi abordado apenas com breves not�cias.

Come�ando mais cedo, a TSF abriu a manh� com um longo especial sobre Cunhal, juntando v�rios depoimentos sobre o l�der do PCP, sem contudo, fazer grande destaque ao seu falecimento. Por esta altura, nas duas esta��es misturavam-se os apontamentos sobre Cunhal e Eug�nio de Andrade, tendo-se destacado o depoimento de Eduardo Prado Coelho e do Presidente da Funda��o Eug�nio de Andrade. Com menor capacidade de reac��o, mas ainda assim, com um produto final que se saldou mais completo e interessante, a Antena 1 esperou pelo comunicado do partido e apresentou, depois das nove horas, um longo trabalho biogr�fico sobre �lvaro Cunhal enriquecido com sons de arquivo da antiga Emissora Nacional e excertos de entrevistas ou programas nos quais �lvaro Cunhal participou na RTP. Os meus parab�ns � equipa que produziu este especial. Foi um trabalho que n�o s� ilustrou a hist�ria da vida do hist�rico l�der como nos ofereceu um excelente momento de r�dio.

Podcasting cada vez mais �in�

O fen�meno do Podcasting, que come�ou associado a uma vontade individual de partilha de conte�dos, come�a a generalizar-se. O pr�ximo passo vai ser o massifica��o e da cria��o do fen�meno de moda. A not�cia est� no Bizreport e diz essencialmente que a Apple ser� a �culpada� pela vulgariza��o deste processo, por ter facilitado o processo de pesquisa e download de programas a partir do site iTunes.

R�dios MCR no Clix

A not�cia � do Meios e Publicidade e revela n�o s� a converg�ncia, como o aumento das parcerias nos media para chegar a um n�mero cada vez maior de utilizadores, aumentando, para uns, a presen�a online e, para outros, os conte�dos dispon�veis. Diz a not�cia que "o Clix e a Media Capital R�dios celebraram um acordo de parceria com o intuito de refor�ar a estrat�gia editorial e comercial das duas empresas no segmento de distribui��o de r�dio e m�sica online".

Pessoas

Rui Pego assumiu a direc��o de programas da RDP.

Jos� Mari�o, que recentemente tinha abandonado a Comercial, prepara-se para assumir a direc��o da Antena 3, esta��o que ajudou a criar, em 1994. At� Novembro, a esta��o continuar� a ser dirigida por Jorge Alexandre Lopes que, na altura ir� tamb�m assumir um novo cargo.

Lu�s Os�rio abandonou a Capital e entrou na MCR para a direc��o de informa��o das r�dios do grupo.

Pedro Tojal rescindiu amigavelmente o contrato com a Media Capital R�dios, depois de tr�s anos � frente dos destinos das v�rias r�dios do grupo que passaram, entretanto, a ter um director de programas para cada uma. Pedro Ribeiro assumiu a direc��o de programas da R�dio Comercial, acumulando com as fun��es de animador do programa da manh� do R�dio Clube Portugu�s. Nuno Gon�alves que at� aqui acumulava a direc��o da r�dio Comercial, ficou apenas com a direc��o da r�dio Cidade.Miguel Cruz assumiu a direc��o da Best Rock FM e do RCP.

Renascen�a renovou programa��o (Novembro)

De acordo com a informa��o disponibilizada pela R�dio Renascen�a, as grandes apostas s�o a m�sica de qualidade e a informa��o. De acordo com o comunicado de imprensa, a direc��o pretende uma Renascen�a mais moderna, com informa��o de qualidade. Nas manh�s, h� uma nova rubrica de humor e, durante o dia, a m�sica ser� acompanhada das principais not�cias nacionais e internacionais, com especial relevo para as quest�es da cidadania, sa�de e
educa��o. A noite, de car�cter intimista, ter� um programa de antena aberta para partilha de experi�ncias. Uma mudan�a a acompanhar durante os pr�ximos tempos.

Audi�ncias R�dio

A not�cia da Marktest diz respeito � �Geografia da R�dio� e, a partir dos resultados do Bareme R�dio, indica que se ouve mais r�dio no Norte do pa�s, Porto e Litoral Norte, especialmente no hor�rio da manh�.

Quotas de M�sica

Uma discuss�o que se eterniza e cujo objecto reconhecidamente n�o � determinante para mudar o panorama da m�sica portuguesa.

R�dio Presidenciais

A iniciativa de criar uma r�dio dedicada �s presidenciais parece-me bastante interessante e revela, uma vez mais, as potencialidades que este meio encontra quando faz um uso das tecnologias que ultrapassam o mero instrumento de trabalho ou de difus�o sonora.

O servi�o conjunto do RCP, R�dio Comercial e Cotonete, do grupo MCR, constitui-se como um �Servi�o inovador e alternativo de informa��o sobre as Presidenciais. Not�cias, coment�rios, especiais, entrevistas, debates, directos e F�rum�.


Para fechar 2005: TSF, um ano em revista
O crescendo da m�sica que acompanhava as palavras de Fernando Alves fez-nos avan�ar ao longo do ano e dos acontecimentos do mundo e, particularmente, do nosso pa�s. Os momentos da pol�tica, as querelas, as decis�es e as palavras que os pol�ticos lan�aram para o �ter ao longo deste ano, sob um tapete musical que nos fez reviver cada uma das ocasi�es, que nos fez estar presentes e ver rostos, ouvir palavras com uma proximidade tal que poderia muito bem n�o
ser uma revista do ano e ter sido, novamente, a situa��o real. Sem efeitos sonoros, usando apenas a m�sica e a palavra, os dois elementos abdicaram do seu car�cter de unidade independente e transformaram-se num c�digo �nico, relacionado entre si. O significado que a m�sica em si transporta foi ampliado com as palavras escolhidas para ilustrar o ano revisto
por Fernando Alves, tendo funcionado como um excelente auxiliar para significar para al�m do seu pr�prio significado, provocando emo��es, como s� a r�dio � capaz de fazer.

Da tristeza � alegria, n�o foi preciso imaginar para reviver as situa��es. A maior parte delas foram vividas diariamente na r�dio e revistas na televis�o e na imprensa. A imagina��o serviu apenas para recordar os aspectos particulares das descri��es de Fernando Alves e reviver as express�es faciais e corporais das vozes que se foram fazendo ouvir, ao longo do ano e ao longo desta revista radiof�nica. E � este o poder da r�dio, que nos faz desenvolver uma esp�cie
de rela��o com o locutor e a esta��o. Uma evoca��o da sequ�ncia discursiva que implica a realiza��o simult�nea do locutor na ac��o evocada no enunciado, para compreender o todo a partir dos elementos expressos, num esquema em que o ouvinte parte dos pressupostos apresentados para construir a sua pr�pria representa��o.

Paula Cordeiro (NetFM)
 


2006


(Richard Parkes Bonington)

Ring out a slowly dying cause,
And ancient forms of party strife;
Ring in the nobler modes of life,
With sweeter manners, purer laws.

Ring out the want, the care, the sin,
The faithless coldness of the times;
Ring out, ring out my mournful rhymes
But ring the fuller minstrel in.

Ring out false pride in place and blood,
The civic slander and the spite;
Ring in the love of truth and right,
Ring in the common love of good.

(Lord Alfred Tennyson)

*

Bom ano!

� Jos� Pacheco Pereira
In�cio
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